Ecotoxicidade de um herbicida à base de flumioxazina em organismos modelos terrestres e aquáticos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Oliveira, Tamires de Freitas lattes
Orientador(a): Vieira, Larissa Fonseca Andrade
Banca de defesa: Vieira, Larissa Fonseca Andrade, Coelho, Flavia de Freitas, Moreira, Raquel Aparecida, Araújo, Karime Paina, Rodrigues, Sara Raquel Boaventura
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso restrito
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Lavras
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada
Departamento: Instituto de Ciências Naturais – ICN
País: brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufla.br/handle/1/59252
Resumo: A flumioxazina é um ingrediente ativo de um herbicida frequentemente empregado para o controle de plantas invasoras de folhas largas na agricultura. Devido à sua eficácia, a utilização do produto comercial tem aumentado significativamente nos últimos anos, suscitando preocupações quanto aos riscos ambientais. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos subletais de uma formulação comercial de flumioxazina em diversos organismos modelos, representativos dos ecossistemas terrestres e aquáticos através de uma abordagem integrada para analisar a toxicidade ambiental. O estudo foi iniciado investigando cinco modelos vegetais, dos quais quatro foram utilizados para análises de germinação e desenvolvimento inicial das plantas (Lactuca sativa L., Raphanus sativus L, Pennisetum glaucum L. e Triticum aestivum L.), e um (Allium cepa L.) foi empregado para avaliar a genotoxicidade do herbicida. A germinação foi o parâmetro menos sensível avaliado, e a espécie P. glaucum demonstrou maior sensibilidade à toxicidade do herbicida, apresentando redução da raiz, parte aérea e peso fresco. Embora tenha sido identificado o potencial mutagênico do produto, este se manifestou em doses significativamente superiores às recomendadas para uso em campo (0,005 g L-1 à 0,025 g L-1 ), sugerindo um baixo risco da formulação comercial da flumioxazina para o meio terrestre. Foram realizados testes de toxicidade com modelos aquáticos, incluindo uma microalga verde (Raphidocelis subcapitata) e dois organismos zooplanctônicos (Ceriodaphnia silvestrii e Daphnia magna). Os resultados revelaram que a microalga apresentou alta sensibilidade ao herbicida, manifestando fitotoxicidade a partir de 2,726 μg L-1 e acumulando carboidratos em resposta à presença da flumioxazina. Os cladóceros também foram negativamente afetados pelo herbicida, tanto em exposição aguda quanto crônica. Foram observados a inibição da imobilidade em ambas as espécies nos ensaios agudos a partir da dose de 47,2 mg L-1 e, na exposição crônica, C. silvestrii apresentou inibição da imobilidade e reprodução, a partir de 3,5 mg de flumioxazina L-1 . As taxas de filtração e ingestão indicaram respostas espécie- específicas, onde D. magna sofreu redução da filtração do alimento e, C. silvestrii aumentou a ingestão. A exposição crônica via alimentação de D. magna as microalgas contaminadas demonstraram uma inibição de 100% na produção de ovos e, por conseguinte, na sua capacidade de reprodução. A toxicidade do herbicida também reduziu a expectativa de vida de D. magna em 13 dias, além de interferir no desenvolvimento do organismo, causando atrasos entre os estágios de vida. Diferentemente das conclusões finais obtidas para os modelos vegetais, a flumioxazina no ambiente aquático pode ser considerada de risco ambiental. Assim, concluímos que enquanto a baixa toxicidade no meio terrestre pode sugerir uma relativa segurança para os organismos terrestres, a alta toxicidade no ambiente aquático destaca a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos e a necessidade urgente de medidas de mitigação e regulamentação para proteger esses sistemas vitais.
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spelling 2024-08-21T14:14:01Z2024-08-21T14:14:01Z2024-08-212024-03-21OLIVEIRA, T. de F. Ecotoxicidade de um herbicida à base de flumioxazina em organismos modelos terrestres e aquáticos. 2024. 97 p. Tese (Doutorado em Botânica Aplicada) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2024.https://repositorio.ufla.br/handle/1/59252A flumioxazina é um ingrediente ativo de um herbicida frequentemente empregado para o controle de plantas invasoras de folhas largas na agricultura. Devido à sua eficácia, a utilização do produto comercial tem aumentado significativamente nos últimos anos, suscitando preocupações quanto aos riscos ambientais. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos subletais de uma formulação comercial de flumioxazina em diversos organismos modelos, representativos dos ecossistemas terrestres e aquáticos através de uma abordagem integrada para analisar a toxicidade ambiental. O estudo foi iniciado investigando cinco modelos vegetais, dos quais quatro foram utilizados para análises de germinação e desenvolvimento inicial das plantas (Lactuca sativa L., Raphanus sativus L, Pennisetum glaucum L. e Triticum aestivum L.), e um (Allium cepa L.) foi empregado para avaliar a genotoxicidade do herbicida. A germinação foi o parâmetro menos sensível avaliado, e a espécie P. glaucum demonstrou maior sensibilidade à toxicidade do herbicida, apresentando redução da raiz, parte aérea e peso fresco. Embora tenha sido identificado o potencial mutagênico do produto, este se manifestou em doses significativamente superiores às recomendadas para uso em campo (0,005 g L-1 à 0,025 g L-1 ), sugerindo um baixo risco da formulação comercial da flumioxazina para o meio terrestre. Foram realizados testes de toxicidade com modelos aquáticos, incluindo uma microalga verde (Raphidocelis subcapitata) e dois organismos zooplanctônicos (Ceriodaphnia silvestrii e Daphnia magna). Os resultados revelaram que a microalga apresentou alta sensibilidade ao herbicida, manifestando fitotoxicidade a partir de 2,726 μg L-1 e acumulando carboidratos em resposta à presença da flumioxazina. Os cladóceros também foram negativamente afetados pelo herbicida, tanto em exposição aguda quanto crônica. Foram observados a inibição da imobilidade em ambas as espécies nos ensaios agudos a partir da dose de 47,2 mg L-1 e, na exposição crônica, C. silvestrii apresentou inibição da imobilidade e reprodução, a partir de 3,5 mg de flumioxazina L-1 . As taxas de filtração e ingestão indicaram respostas espécie- específicas, onde D. magna sofreu redução da filtração do alimento e, C. silvestrii aumentou a ingestão. A exposição crônica via alimentação de D. magna as microalgas contaminadas demonstraram uma inibição de 100% na produção de ovos e, por conseguinte, na sua capacidade de reprodução. A toxicidade do herbicida também reduziu a expectativa de vida de D. magna em 13 dias, além de interferir no desenvolvimento do organismo, causando atrasos entre os estágios de vida. Diferentemente das conclusões finais obtidas para os modelos vegetais, a flumioxazina no ambiente aquático pode ser considerada de risco ambiental. Assim, concluímos que enquanto a baixa toxicidade no meio terrestre pode sugerir uma relativa segurança para os organismos terrestres, a alta toxicidade no ambiente aquático destaca a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos e a necessidade urgente de medidas de mitigação e regulamentação para proteger esses sistemas vitais.Flumioxazin is an active ingredient in herbicides commonly used to control broad-leaved weeds in agriculture. Due to its effectiveness, the use of commercial products containing flumioxazin has significantly increased in recent years, raising concerns about environmental risks. The objective of this study was to assess the sublethal effects of a commercial formulation of flumioxazin on various model organisms representative of terrestrial and aquatic ecosystems, through an integrated approach to environmental toxicity analysis. In the first place, the study investigaed five plant models, four of which were used to analyze germination and initial plant development (Lactuca sativa L., Raphanus sativus L., Pennisetum glaucum L., and Triticum aestivum L.), while one (Allium cepa L.) was used to evaluate the genotoxicity of the herbicide. Germination was found to be the least sensitive parameter assessed, with the P. glaucum species showing the greatest sensitivity to herbicide toxicity, exhibiting reductions in root, aerial part, and fresh weight. Although mutagenic potential was identified, it occurred at doses significantly higher than those recommended for field use (0.005 g L-1 to 0.025 g L-1 ), suggesting a low risk of the commercial formulation of flumioxazin for terrestrial environments. Toxicity tests were also conducted on aquatic models, including a green microalga (Raphidocelis subcapitata) and two zooplankton organisms (Ceriodaphnia silvestrii and Daphnia magna). Results revealed high sensitivity of microalgae to the herbicide, with phytotoxic effects observed at concentrations as low as 2.726 μg L-1 , leading to carbohydrate accumulation in response to flumioxazin. Cladocerans were also negatively impacted by the herbicide, showing inhibition of immobility in acute tests from a dose of 47.2 mg L-1 , and inhibition of immobility and reproduction in chronic exposure, with C. silvestrii affected at concentrations as low as 3.5 mg L -1 of flumioxazin. Species-specific responses were observed in filtration and ingestion rates, with D. magna reducing food filtration and C. silvestrii increasing ingestion. Chronic exposure of D. magna to contaminated microalgae resulted in 100% inhibition of egg production and reduced life expectancy by 13 days, along with developmental delays between life stages. In contrast to the relatively low toxicity observed in terrestrial environments, flumioxazin poses a environmental risk in aquatic ecosystems. These findings underscore the urgent need for mitigation and regulatory measures to protect aquatic environments from the adverse effects of flumioxazina.Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)SociaisEconômicosMeio ambienteODS 3: Saúde e bem-estarODS 6: Água potável e saneamentoODS 14: Vida na águaODS 15: Vida terrestreUniversidade Federal de LavrasPrograma de Pós-Graduação em Botânica AplicadaUFLAbrasilInstituto de Ciências Naturais – ICNAttribution-ShareAlike 4.0 Internationalhttp://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/info:eu-repo/semantics/restrictedAccessinfo:eu-repo/semantics/openAccessBotânica AplicadaFlumioxazinaModelos vegetaisModelos aquáticosFitotoxicidadeEcogenotoxicidadeHerbicidaFlumioxazinPlant modelsAquatic modelsPhytotoxicityEcogenotoxicityHerbicideEcotoxicidade de um herbicida à base de flumioxazina em organismos modelos terrestres e aquáticosEcotoxicity of a flumioxazin-based herbicide on terrestrial and aquatic model organismsinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisVieira, Larissa Fonseca AndradeWisniewski, Maria José dos SantosVieira, Larissa Fonseca AndradeCoelho, Flavia de FreitasMoreira, Raquel AparecidaAraújo, Karime PainaRodrigues, Sara Raquel Boaventurahttp://lattes.cnpq.br/7017132839366039Oliveira, Tamires de Freitasporreponame:Repositório Institucional da UFLAinstname:Universidade Federal de Lavras (UFLA)instacron:UFLACC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; charset=utf-81024https://repositorio.ufla.br/bitstreams/0b7e0ee9-638f-4107-a053-2608ecbf80fa/downloadfa3b3de95cddf737889fedd8addaafc3MD51falseAnonymousREADLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-8956https://repositorio.ufla.br/bitstreams/a0e5580e-e745-411b-9074-e36d4b0933c2/download5ea4a165b7202cbf475be400d2e16893MD52falseAnonymousREADORIGINALTexto completo.pdfapplication/pdf1920301https://repositorio.ufla.br/bitstreams/8fc6eb36-2dcd-4f9e-b7d9-3fd669a1c067/downloade94dff4d6b3e67a2e0f18276e9ff70e6MD53trueAnonymousREADImpactos da pesquisa.pdfapplication/pdf167395https://repositorio.ufla.br/bitstreams/3c124f9c-b134-4570-b3b3-47efc646fea2/download0d41351801a308c21992c51494575e25MD54falseAnonymousREADTEXTTexto completo.pdf.txtTexto completo.pdf.txtExtracted texttext/plain102262https://repositorio.ufla.br/bitstreams/91871b72-b867-4d1b-8599-8299e3f7581d/download813ea01f93cbe9b851c5190aefb1c392MD55falseAnonymousREADImpactos da pesquisa.pdf.txtImpactos da pesquisa.pdf.txtExtracted texttext/plain7902https://repositorio.ufla.br/bitstreams/ff93fd10-6ac2-4ba4-8d6e-a4d0eefc0c82/download2808fb96daec651a2988034e28d768b3MD57falseAnonymousREADTHUMBNAILTexto completo.pdf.jpgTexto completo.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg2928https://repositorio.ufla.br/bitstreams/c61061e1-142a-4f42-a86b-ef197ddf5565/downloaded3e0734f11ebcb91626068377b1e2f1MD56falseAnonymousREADImpactos da pesquisa.pdf.jpgImpactos da pesquisa.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg5198https://repositorio.ufla.br/bitstreams/4512b5ff-1bc6-494c-9c75-135579187ad8/download23503c634d8edbdfbe2c9c518d530c0fMD58falseAnonymousREAD1/592522025-10-01 18:18:30.788http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/Attribution-ShareAlike 4.0 Internationalopen.accessoai:repositorio.ufla.br:1/59252https://repositorio.ufla.brRepositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufla.br/server/oai/requestnivaldo@ufla.br || repositorio.biblioteca@ufla.bropendoar:2025-10-01T21:18:30Repositório Institucional da UFLA - Universidade Federal de Lavras (UFLA)falseREVDTEFSQcOHw4NPIERFIERJU1RSSUJVScOHw4NPIE7Dg08tRVhDTFVTSVZBCk8gcmVmZXJpZG8gYXV0b3I6CgphKSBEZWNsYXJhIHF1ZSBvIGRvY3VtZW50byBlbnRyZWd1ZSDDqSBzZXUgdHJhYmFsaG8gb3JpZ2luYWwsIGUgcXVlIGRldMOpbSBvIGRpcmVpdG8gZGUgY29uY2VkZXIgb3MgZGlyZWl0b3MgY29udGlkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EuIERlY2xhcmEgdGFtYsOpbSBxdWUgYSBlbnRyZWdhIGRvIGRvY3VtZW50byBuw6NvIGluZnJpbmdlLCB0YW50byBxdWFudG8gbGhlIMOpIHBvc3PDrXZlbCBzYWJlciwgb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgcXVhbHF1ZXIgb3V0cmEgcGVzc29hIG91ICBlbnRpZGFkZS4KCmIpIFNlIG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlIGNvbnTDqW0gbWF0ZXJpYWwgZG8gcXVhbCBuw6NvIGRldMOpbSBvcyBkaXJlaXRvcyBkZSBhdXRvciwgZGVjbGFyYSBxdWUgb2J0ZXZlIGF1dG9yaXphw6fDo28gZG8gZGV0ZW50b3IgZG9zIGRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yIHBhcmEgY29uY2VkZXIgw6AgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgTGF2cmFzIG9zIGRpcmVpdG9zIHJlcXVlcmlkb3MgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EsIGUgcXVlIGVzc2UgbWF0ZXJpYWwgY3Vqb3MgZGlyZWl0b3Mgc8OjbyBkZSB0ZXJjZWlyb3MgZXN0w6EgY2xhcmFtZW50ZSBpZGVudGlmaWNhZG8gZSByZWNvbmhlY2lkbwpubyB0ZXh0byBvdSBjb250ZcO6ZG8gZG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlLiBTZSBvIGRvY3VtZW50byBlbnRyZWd1ZSDDqSBiYXNlYWRvIGVtIHRyYWJhbGhvIGZpbmFuY2lhZG8gb3UgYXBvaWFkbyBwb3Igb3V0cmEgaW5zdGl0dWnDp8OjbyBxdWUgbsOjbyBhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBGZWRlcmFsIGRlIExhdnJhcywgZGVjbGFyYSBxdWUgY3VtcHJpdSBxdWFpc3F1ZXIgb2JyaWdhw6fDtWVzIGV4aWdpZGFzIHBlbG8gcmVzcGVjdGl2byBjb250cmF0byBvdSBhY29yZG8uCgo=
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