Cuidado multiprofissional de gestantes com hipertensão arterial internadas em maternidade
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/593349 |
Resumo: | As Síndromes Hipertensivas da Gravidez configuram-se como uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A hipertensão Arterial Sistêmica durante a gravidez afeta uma parcela significativa das gestantes em todo o mundo. Além disso, compreender as necessidades dessas mulheres faz parte da terapêutica dos profissionais de saúde, proporcionando um cuidado multiprofissional individualizado, que gera confiança na assistência prestada e favorece a adesão à terapêutica. Objetivo: Analisar o cuidado multiprofissional prestado às gestantes com hipertensão arterial internadas em duas maternidades públicas de referência no Estado do Ceará. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com entrevista semiestruturada, gravada e aplicada a gestantes hipertensas e profissionais de saúde de duas maternidades públicas terciárias. Participaram do estudo 32 gestantes hipertensas e 21 profissionais de saúde (dois médicos, seis enfermeiros e 13 técnicos de enfermagem), selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu entre junho e outubro de 2024. As entrevistas com as gestantes abordaram dados pessoais, aspectos psicossociais e experiências relacionadas à gestação, tratamento e alta hospitalar, sendo conduzidas com linguagem acessível. As entrevistas com os profissionais incluíram informações sobre formação, prática assistencial, recursos disponíveis e cuidados prestados, permitindo a livre expressão de suas percepções no contexto multiprofissional. Os dados foram organizados em temáticas e analisados conforme os marcos conceituais do Interacionismo Simbólico. Resultados: O conteúdo analisado foi categorizado em cinco classes: Dados sociodemográficos, clínicos e psicossociais das gestantes; Dados sociodemográficos, socioculturais e de formação dos profissionais; Percepção das gestantes hipertensas sobre o cuidado recebido; Cuidado ofertado pela equipe multiprofissional às gestantes com hipertensão gestacional; Síntese de convergências e divergências. As experiências das gestantes hipertensas hospitalizadas revelaram sentimentos ambíguos, mesclando acolhimento e segurança com medo, ansiedade e solidão. O cuidado recebido vai além do valor clínico, assumindo um significado simbólico ligado à preservação da vida, à maternidade e às incertezas do período gestacional. O significado da internação variou conforme fatores como motivo da hospitalização, estágio gestacional, suporte disponível e experiências prévias. A maioria das gestantes a percebeu de forma predominantemente positiva. As gestantes demonstraram preocupações com o tratamento, destacando questões como a saúde materna e fetal, parto cesariano, laqueadura, indução do parto e os possíveis efeitos da hipertensão no bebê. As expectativas em relação à recuperação refletiram sentimentos de esperança, confiança e busca por estabilidade. Elas atribuíram importância ao repouso e ao cultivo de pensamentos positivos como estratégias de enfrentamento durante a hospitalização. Entre os principais desafios da internação, destacaram-se aspectos emocionais e sociais, como a saudade de casa, a ausência da família e, especialmente, a separação dos filhos. A atenção à gestante com hipertensão gestacional exige um cuidado que transcende o aspecto biomédico, envolvendo uma escuta sensível e o acolhimento das vulnerabilidades físicas e emocionais. O diagnóstico, muitas vezes inesperado, gera medo, incertezas e a necessidade de reorganização diante das exigências do corpo e da gestação. Para os profissionais de saúde entrevistados, cuidar vai além da técnica: é um compromisso com a vida, a redução dos riscos na gestação e a garantia do bem-estar de mãe e bebê. O cuidado é visto como responsabilidade, solidariedade e realização pessoal por meio do trabalho em saúde. Os profissionais destacaram diversos desafios no cuidado às gestantes hipertensas, muitos dos quais estão diretamente relacionados às próprias pacientes. Questões culturais, como hábitos alimentares inadequados, foram apontadas como fatores que dificultam o autocuidado e afetam a saúde materno-infantil. Também foram mencionadas a baixa adesão ao tratamento, barreiras na educação em saúde e, em alguns casos, limitações cognitivas que comprometem o entendimento e a aplicação das orientações clínicas. Considerações Finais: Os relatos de gestantes hipertensas e profissionais de saúde mostram que a gestação de alto risco envolve mais do que cuidados técnicos, englobando aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais. A internação é percebida como um espaço simbólico, onde a rotina se transforma e a maternidade adquire novos significados. O cuidado institucional é vivido de forma ambígua: enquanto transmite acolhimento e segurança, também apresenta desconfortos, limitações estruturais e dificuldades de acesso. No entanto, muitas mulheres relatam mudanças importantes, como maior autocuidado e reflexão sobre a maternidade e o planejamento reprodutivo. Para os profissionais, o cuidado vai além da técnica, envolvendo vocação, ética, vínculo afetivo, espiritualidade e trabalho em equipe – elementos centrais para um cuidado integral e humanizado. Diante desse cenário, é fundamental a criação de políticas públicas que assegurem uma assistência obstétrica acessível, qualificada e humanizada. Isso inclui investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e práticas que reconheçam a mulher como protagonista do cuidado. Palavras-chave: Profissionais de saúde; Gestantes; Hipertensão Induzida pela Gravidez. |
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Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com entrevista semiestruturada, gravada e aplicada a gestantes hipertensas e profissionais de saúde de duas maternidades públicas terciárias. Participaram do estudo 32 gestantes hipertensas e 21 profissionais de saúde (dois médicos, seis enfermeiros e 13 técnicos de enfermagem), selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu entre junho e outubro de 2024. As entrevistas com as gestantes abordaram dados pessoais, aspectos psicossociais e experiências relacionadas à gestação, tratamento e alta hospitalar, sendo conduzidas com linguagem acessível. As entrevistas com os profissionais incluíram informações sobre formação, prática assistencial, recursos disponíveis e cuidados prestados, permitindo a livre expressão de suas percepções no contexto multiprofissional. Os dados foram organizados em temáticas e analisados conforme os marcos conceituais do Interacionismo Simbólico. Resultados: O conteúdo analisado foi categorizado em cinco classes: Dados sociodemográficos, clínicos e psicossociais das gestantes; Dados sociodemográficos, socioculturais e de formação dos profissionais; Percepção das gestantes hipertensas sobre o cuidado recebido; Cuidado ofertado pela equipe multiprofissional às gestantes com hipertensão gestacional; Síntese de convergências e divergências. As experiências das gestantes hipertensas hospitalizadas revelaram sentimentos ambíguos, mesclando acolhimento e segurança com medo, ansiedade e solidão. O cuidado recebido vai além do valor clínico, assumindo um significado simbólico ligado à preservação da vida, à maternidade e às incertezas do período gestacional. O significado da internação variou conforme fatores como motivo da hospitalização, estágio gestacional, suporte disponível e experiências prévias. A maioria das gestantes a percebeu de forma predominantemente positiva. As gestantes demonstraram preocupações com o tratamento, destacando questões como a saúde materna e fetal, parto cesariano, laqueadura, indução do parto e os possíveis efeitos da hipertensão no bebê. As expectativas em relação à recuperação refletiram sentimentos de esperança, confiança e busca por estabilidade. Elas atribuíram importância ao repouso e ao cultivo de pensamentos positivos como estratégias de enfrentamento durante a hospitalização. Entre os principais desafios da internação, destacaram-se aspectos emocionais e sociais, como a saudade de casa, a ausência da família e, especialmente, a separação dos filhos. A atenção à gestante com hipertensão gestacional exige um cuidado que transcende o aspecto biomédico, envolvendo uma escuta sensível e o acolhimento das vulnerabilidades físicas e emocionais. O diagnóstico, muitas vezes inesperado, gera medo, incertezas e a necessidade de reorganização diante das exigências do corpo e da gestação. Para os profissionais de saúde entrevistados, cuidar vai além da técnica: é um compromisso com a vida, a redução dos riscos na gestação e a garantia do bem-estar de mãe e bebê. O cuidado é visto como responsabilidade, solidariedade e realização pessoal por meio do trabalho em saúde. Os profissionais destacaram diversos desafios no cuidado às gestantes hipertensas, muitos dos quais estão diretamente relacionados às próprias pacientes. Questões culturais, como hábitos alimentares inadequados, foram apontadas como fatores que dificultam o autocuidado e afetam a saúde materno-infantil. Também foram mencionadas a baixa adesão ao tratamento, barreiras na educação em saúde e, em alguns casos, limitações cognitivas que comprometem o entendimento e a aplicação das orientações clínicas. Considerações Finais: Os relatos de gestantes hipertensas e profissionais de saúde mostram que a gestação de alto risco envolve mais do que cuidados técnicos, englobando aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais. A internação é percebida como um espaço simbólico, onde a rotina se transforma e a maternidade adquire novos significados. O cuidado institucional é vivido de forma ambígua: enquanto transmite acolhimento e segurança, também apresenta desconfortos, limitações estruturais e dificuldades de acesso. No entanto, muitas mulheres relatam mudanças importantes, como maior autocuidado e reflexão sobre a maternidade e o planejamento reprodutivo. Para os profissionais, o cuidado vai além da técnica, envolvendo vocação, ética, vínculo afetivo, espiritualidade e trabalho em equipe – elementos centrais para um cuidado integral e humanizado. Diante desse cenário, é fundamental a criação de políticas públicas que assegurem uma assistência obstétrica acessível, qualificada e humanizada. Isso inclui investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e práticas que reconheçam a mulher como protagonista do cuidado. Palavras-chave: Profissionais de saúde; Gestantes; Hipertensão Induzida pela Gravidez.Hypertension during pregnancy affects a significant portion of all pregnancies worldwide. Hypertensive Disorders of Pregnancy are among the leading causes of maternal and perinatal morbidity and mortality. When a pregnant woman presents with one of these conditions and requires hospitalization, feelings of insecurity may arise, influencing how she perceives the care she receives. Furthermore, understanding these needs is an integral part of healthcare professionals' therapeutic approach, offering a personalized multidisciplinary care model that fosters trust in the provided care and encourages adherence to the prescribed treatment. Objective: This study aims to analyze the multidisciplinary care provided to pregnant women with hypertension who are hospitalized in two public hospitals in the state of Ceará, Brazil. Method: This is a qualitative study using semi-structured interviews, recorded and administered to hypertensive pregnant women and healthcare professionals at two public tertiary maternity hospitals, specialized in high-risk obstetrics. A total of 32 hypertensive pregnant women and 21 healthcare professionals (two doctors, six nurses, and 13 nursing technicians) participated in the study, selected using convenience sampling. Data collection occurred between June and October 2024. Interviews with the pregnant women addressed personal data, psychosocial aspects, and experiences related to pregnancy, treatment, and hospital discharge, conducted in accessible language. The interviews with healthcare professionals included information about their training, professional practice, available resources, and care provided, allowing them to freely express their perceptions within the multidisciplinary context. The data were organized into themes and analyzed according to the theoretical framework of Symbolic Interactionism. Results: The analyzed content was categorized into five themes: Sociodemographic, clinical, and psychosocial data of the pregnant women; Sociodemographic, sociocultural, and professional background data of the healthcare professionals; Perceptions of hypertensive pregnant women about the care received; Care provided by the multidisciplinary team to hypertensive pregnant women; Synthesis of convergences and divergences. The experiences of hospitalized hypertensive pregnant women revealed ambivalent feelings, blending comfort and safety with fear, anxiety, and loneliness. The care received went beyond clinical value, taking on symbolic meaning related to the preservation of life, motherhood, and the uncertainties of the gestational period. The significance of hospitalization varied based on factors such as the reason for hospitalization, gestational stage, available support, and previous experiences. Most women perceived it as predominantly positive. The pregnant women expressed concerns about the treatment, particularly regarding maternal and fetal health, cesarean section, sterilization, labor induction, and the possible effects of hypertension on the baby. Their expectations regarding recovery reflected feelings of hope, trust, and the search for stability. They emphasized the importance of rest and cultivating positive thoughts as coping strategies during hospitalization. Key challenges of hospitalization included emotional and social aspects, such as homesickness, family absence, and especially separation from their children. The care for pregnant women with gestational hypertension requires an approach that goes beyond the biomedical model, involving sensitive listening and addressing both physical and emotional vulnerabilities. The diagnosis, often unexpected, generates fear, uncertainty, and the need to reorganize in response to the demands of the body and pregnancy. For the healthcare professionals interviewed, caregiving transcends technical skills: it is a commitment to life, reducing risks during pregnancy, and ensuring the well-being of both mother and baby. Care is seen as a responsibility, solidarity, and personal fulfillment through healthcare work. The healthcare professionals highlighted several challenges in caring for hypertensive pregnant women, many of which are directly related to the patients themselves. Cultural issues, such as inadequate eating habits, were identified as factors that hinder self-care and negatively impact maternal and infant health. They also noted low adherence to treatment, barriers in health education, and, in some cases, cognitive limitations that impair the understanding and application of clinical guidelines.Conclusions: The reports from hypertensive pregnant women and healthcare professionals show that high-risk pregnancies involve more than just technical care, encompassing physical, emotional, social, and spiritual aspects. Hospitalization is seen as a symbolic space, where routine changes and motherhood takes on new meanings. Institutional care is experienced ambivalently: while it provides comfort and safety, it also brings discomfort, structural limitations, and access difficulties. Despite these challenges, many women report significant changes, such as increased self-care and reflections on motherhood and reproductive planning. For healthcare professionals, care goes beyond technique and involves vocation, ethics, emotional bonds, spirituality, and teamwork – key elements of comprehensive and humanized care. Given this context, the creation of public policies is essential to ensure accessible, qualified, and humanized obstetric care. This includes investments in infrastructure, professional training, and practices that recognize women as protagonists in their care. Keywords: Healthcare professionals; Pregnant women; Hypertension Induced by Pregnancy.A Dissertação foi enviada com autorização e certificação via CI 38485/25 em 30/06/2025.Silva, Raimunda Magalhães daMelo, Laura Pinto Torres dePresado, Maria Helena de Carvalho ValenteSousa, Girliani Silva deUniversidade de Fortaleza. Programa de Pós-Graduação em Saúde ColetivaAlbuquerque, Vânia Krisna de Oliveira2025info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdf147f.https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/593349https://uol.unifor.br/auth-sophia/exibicao/43388porreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFORinstname:Universidade de Fortaleza (UNIFOR)instacron:UNIFORinfo:eu-repo/semantics/openAccess2025-07-03T15:41:23Zoai::593349Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://www.unifor.br/bdtdONGhttp://dspace.unifor.br/oai/requestbib@unifor.br||bib@unifor.bropendoar:2025-07-03T15:41:23Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFOR - Universidade de Fortaleza (UNIFOR)false |
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Participaram do estudo 32 gestantes hipertensas e 21 profissionais de saúde (dois médicos, seis enfermeiros e 13 técnicos de enfermagem), selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu entre junho e outubro de 2024. As entrevistas com as gestantes abordaram dados pessoais, aspectos psicossociais e experiências relacionadas à gestação, tratamento e alta hospitalar, sendo conduzidas com linguagem acessível. As entrevistas com os profissionais incluíram informações sobre formação, prática assistencial, recursos disponíveis e cuidados prestados, permitindo a livre expressão de suas percepções no contexto multiprofissional. Os dados foram organizados em temáticas e analisados conforme os marcos conceituais do Interacionismo Simbólico. Resultados: O conteúdo analisado foi categorizado em cinco classes: Dados sociodemográficos, clínicos e psicossociais das gestantes; Dados sociodemográficos, socioculturais e de formação dos profissionais; Percepção das gestantes hipertensas sobre o cuidado recebido; Cuidado ofertado pela equipe multiprofissional às gestantes com hipertensão gestacional; Síntese de convergências e divergências. As experiências das gestantes hipertensas hospitalizadas revelaram sentimentos ambíguos, mesclando acolhimento e segurança com medo, ansiedade e solidão. O cuidado recebido vai além do valor clínico, assumindo um significado simbólico ligado à preservação da vida, à maternidade e às incertezas do período gestacional. O significado da internação variou conforme fatores como motivo da hospitalização, estágio gestacional, suporte disponível e experiências prévias. A maioria das gestantes a percebeu de forma predominantemente positiva. As gestantes demonstraram preocupações com o tratamento, destacando questões como a saúde materna e fetal, parto cesariano, laqueadura, indução do parto e os possíveis efeitos da hipertensão no bebê. As expectativas em relação à recuperação refletiram sentimentos de esperança, confiança e busca por estabilidade. Elas atribuíram importância ao repouso e ao cultivo de pensamentos positivos como estratégias de enfrentamento durante a hospitalização. Entre os principais desafios da internação, destacaram-se aspectos emocionais e sociais, como a saudade de casa, a ausência da família e, especialmente, a separação dos filhos. A atenção à gestante com hipertensão gestacional exige um cuidado que transcende o aspecto biomédico, envolvendo uma escuta sensível e o acolhimento das vulnerabilidades físicas e emocionais. O diagnóstico, muitas vezes inesperado, gera medo, incertezas e a necessidade de reorganização diante das exigências do corpo e da gestação. Para os profissionais de saúde entrevistados, cuidar vai além da técnica: é um compromisso com a vida, a redução dos riscos na gestação e a garantia do bem-estar de mãe e bebê. O cuidado é visto como responsabilidade, solidariedade e realização pessoal por meio do trabalho em saúde. Os profissionais destacaram diversos desafios no cuidado às gestantes hipertensas, muitos dos quais estão diretamente relacionados às próprias pacientes. Questões culturais, como hábitos alimentares inadequados, foram apontadas como fatores que dificultam o autocuidado e afetam a saúde materno-infantil. Também foram mencionadas a baixa adesão ao tratamento, barreiras na educação em saúde e, em alguns casos, limitações cognitivas que comprometem o entendimento e a aplicação das orientações clínicas. Considerações Finais: Os relatos de gestantes hipertensas e profissionais de saúde mostram que a gestação de alto risco envolve mais do que cuidados técnicos, englobando aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais. A internação é percebida como um espaço simbólico, onde a rotina se transforma e a maternidade adquire novos significados. O cuidado institucional é vivido de forma ambígua: enquanto transmite acolhimento e segurança, também apresenta desconfortos, limitações estruturais e dificuldades de acesso. No entanto, muitas mulheres relatam mudanças importantes, como maior autocuidado e reflexão sobre a maternidade e o planejamento reprodutivo. Para os profissionais, o cuidado vai além da técnica, envolvendo vocação, ética, vínculo afetivo, espiritualidade e trabalho em equipe – elementos centrais para um cuidado integral e humanizado. Diante desse cenário, é fundamental a criação de políticas públicas que assegurem uma assistência obstétrica acessível, qualificada e humanizada. Isso inclui investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e práticas que reconheçam a mulher como protagonista do cuidado. Palavras-chave: Profissionais de saúde; Gestantes; Hipertensão Induzida pela Gravidez. |
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