Geocronologia U-Pb-Hf em zircão e U-Pb em monazita das rochas de alto grau metamórfico do Complexo Porto Nacional, Norte do Maciço de Goiás

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: MENEZES, Elaine de Oliveira lattes
Orientador(a): GALARZA TORO, Marco Antonio lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica
Departamento: Instituto de Geociências
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/13517
Resumo: O Complexo Porto Nacional (CPN) está inserido na porção centro-norte da Província Tocantins, como parte da porção norte do Maciço de Goiás, o qual representa um microcontinente do Paleoproterozoico remanescente da tectônica do evento Brasiliano, responsável pela edificação dos orógenos Araguaia, Brasília incluindo o Arco Magmático de Goiás, e Paraguai. O CPN constitui uma faixa de rochas de alto grau metamórfico na direção NE-SW, afetado pela Zona de Cisalhamento Porto Nacional, integrante do Lineamento Transbrasiliano, e reúne, dominantemente, ortogranulitos de composição variada (granulitos máficos, enderbitos, charnoenderbitos e charnockitos) com menor ocorrência de paragnaisses aluminosos, ortognaisses tonalíticos mais ou menos migmatizados e granitoides tipo-S. Estudos petrográficos identificaram as seguintes paragêneses metamórficas: Opx + Cpx + Pl ± Hb (granulito máficos); Opx + Cpx + Pl + Qtz ± Mc ± Bt ± Hb (enderbitos); Pl ± Mc + Qtz + Bt + Grt ± Sil ± Ky ± Grf (cianita-sillimanita-granada gnaisses). Esses dados revelam atuação do metamorfismo de alto grau, em condições da fácies granulito com pico metamórfico alcançando temperatura e pressão acima de 850 ºC e 8 kbar, respectivamente. Para os estudos geocronológicos foram selecionadas duas amostras de enderbitos e duas de sillimanita-granada gnaisses onde foram aplicados os métodos U-Pb-Hf em zircão e U-Pb em monazita, respectivamente. As imagens de catodoluminescência dos cristais de zircão dos enderbitos revelam dois tipos: (I) cristais prismáticos longos com contornos irregulares, homogêneos e sem zoneamento evidente; (II) cristais prismáticos curtos com um núcleo interno bem definido, envolvido por uma zona externa com tonalidade mais clara, sugerindo sobrecrescimento metamórfico. As imagens de monazita dos paragnaisses obtidas por elétrons retroespalhados mostraram cristais homogêneos arredondados a subarredondados, sem estruturação interna. Os resultados geocronológicos U-Pb em zircão do núcleo dos cristais apontaram idade de 2,16 Ga, e das bordas valores mais baixos (2,09 Ga), interpretando-se como idade de cristalização de cristais ígneos dos protólitos tonalíticos, e idade do metamorfismo de alto grau, respectivamente. Em outro enderbito, a idade de cristais de zircão também apresentou valores mais baixos, da ordem de 2,09 Ga, reforçando a interpretação de serem zircões metamórficos. Os valores da razão Th/U dos cristais de zircão das amostras variam de 0,04 – 0,95 e 0,01 – 1,15, respectivamente, sugerindo origem metamórfica e magmática. As idades-modelo Hf-TDM C obtidas nos mesmos cristais de zircão analisados sugerem dois episódios de formação de crosta que deu origem a essas rochas: uma fonte do Sideriano (2,40 a 2,48 Ga) e outra do Neo- Mesoarqueano (2,52 a 3,01 Ga). Os parâmetros petrogenéticos ƐHf(t) positivos (+3,9 a +5,2) evidenciam derivação a partir de fonte mantélica para o material do Sideriano, enquanto que os viii parâmetros petrogenéticos ƐHf(t) negativos e positivos (4,6 a +3,3) evidenciam derivação a partir de mistura entre material crustal e juvenil para o material do Neo-Mesoarqueano. Os resultados geocronológicos U-Pb em monazita dos paragnaisses apontam valores de idades de 2,09 Ga e 2,10 Ga, levemente abaixo do valor obtido nos zircões metamórficos dos enderbitos e confirmam a idade do metamorfismo de alto grau que afetou o CPN no Paleoproterozoico. Isto vem demonstrar a atuação do metamorfismo em condições da fácies granulito quase contemporâneo à cristalização magmática dos protólitos. Essa cronologia tem representatividade em outros terrenos metamórficos de alto grau do Brasil e de outros países, a exemplo dos granulitos do Cráton Oeste Africano (Cinturão Limpopo); Cráton São Francisco, na Bahia, representado pelo cinturão granulítico do Bloco Itabuna-Salvador-Curaçá e, em Minas Gerais no embasamento do Orógeno Araçuaí; pelas faixas granulíticas do Domínio Bacajá do Cráton Amazônico e do Bloco Amapá; e pelo Escudo das Guianas. A análise dos dados geocronológicos demonstra que as idades de cristalização e de metamorfismo obtidas são resultantes de processos ocorridos durante um período restrito no Riaciano.
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spelling 2021-09-09T14:25:02Z2021-09-09T14:25:02Z2021-03-13MENEZES, Elaine de Oliveira. Geocronologia U-Pb-Hf em zircão e U-Pb em monazita das rochas de alto grau metamórfico do Complexo Porto Nacional, Norte do Maciço de Goiás. Orientador: Marco Antonio Galarza. Coorientador: Paulo Sérgio de Sousa Gorayeb. 2021. 83 f. Dissertação (Mestrado em Geologia e Geoquímica) - Instituto de Geociências, Universidade Federal do Pará, Belém, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/13517. Acesso em:.https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/13517O Complexo Porto Nacional (CPN) está inserido na porção centro-norte da Província Tocantins, como parte da porção norte do Maciço de Goiás, o qual representa um microcontinente do Paleoproterozoico remanescente da tectônica do evento Brasiliano, responsável pela edificação dos orógenos Araguaia, Brasília incluindo o Arco Magmático de Goiás, e Paraguai. O CPN constitui uma faixa de rochas de alto grau metamórfico na direção NE-SW, afetado pela Zona de Cisalhamento Porto Nacional, integrante do Lineamento Transbrasiliano, e reúne, dominantemente, ortogranulitos de composição variada (granulitos máficos, enderbitos, charnoenderbitos e charnockitos) com menor ocorrência de paragnaisses aluminosos, ortognaisses tonalíticos mais ou menos migmatizados e granitoides tipo-S. Estudos petrográficos identificaram as seguintes paragêneses metamórficas: Opx + Cpx + Pl ± Hb (granulito máficos); Opx + Cpx + Pl + Qtz ± Mc ± Bt ± Hb (enderbitos); Pl ± Mc + Qtz + Bt + Grt ± Sil ± Ky ± Grf (cianita-sillimanita-granada gnaisses). Esses dados revelam atuação do metamorfismo de alto grau, em condições da fácies granulito com pico metamórfico alcançando temperatura e pressão acima de 850 ºC e 8 kbar, respectivamente. Para os estudos geocronológicos foram selecionadas duas amostras de enderbitos e duas de sillimanita-granada gnaisses onde foram aplicados os métodos U-Pb-Hf em zircão e U-Pb em monazita, respectivamente. As imagens de catodoluminescência dos cristais de zircão dos enderbitos revelam dois tipos: (I) cristais prismáticos longos com contornos irregulares, homogêneos e sem zoneamento evidente; (II) cristais prismáticos curtos com um núcleo interno bem definido, envolvido por uma zona externa com tonalidade mais clara, sugerindo sobrecrescimento metamórfico. As imagens de monazita dos paragnaisses obtidas por elétrons retroespalhados mostraram cristais homogêneos arredondados a subarredondados, sem estruturação interna. Os resultados geocronológicos U-Pb em zircão do núcleo dos cristais apontaram idade de 2,16 Ga, e das bordas valores mais baixos (2,09 Ga), interpretando-se como idade de cristalização de cristais ígneos dos protólitos tonalíticos, e idade do metamorfismo de alto grau, respectivamente. Em outro enderbito, a idade de cristais de zircão também apresentou valores mais baixos, da ordem de 2,09 Ga, reforçando a interpretação de serem zircões metamórficos. Os valores da razão Th/U dos cristais de zircão das amostras variam de 0,04 – 0,95 e 0,01 – 1,15, respectivamente, sugerindo origem metamórfica e magmática. As idades-modelo Hf-TDM C obtidas nos mesmos cristais de zircão analisados sugerem dois episódios de formação de crosta que deu origem a essas rochas: uma fonte do Sideriano (2,40 a 2,48 Ga) e outra do Neo- Mesoarqueano (2,52 a 3,01 Ga). Os parâmetros petrogenéticos ƐHf(t) positivos (+3,9 a +5,2) evidenciam derivação a partir de fonte mantélica para o material do Sideriano, enquanto que os viii parâmetros petrogenéticos ƐHf(t) negativos e positivos (4,6 a +3,3) evidenciam derivação a partir de mistura entre material crustal e juvenil para o material do Neo-Mesoarqueano. Os resultados geocronológicos U-Pb em monazita dos paragnaisses apontam valores de idades de 2,09 Ga e 2,10 Ga, levemente abaixo do valor obtido nos zircões metamórficos dos enderbitos e confirmam a idade do metamorfismo de alto grau que afetou o CPN no Paleoproterozoico. Isto vem demonstrar a atuação do metamorfismo em condições da fácies granulito quase contemporâneo à cristalização magmática dos protólitos. Essa cronologia tem representatividade em outros terrenos metamórficos de alto grau do Brasil e de outros países, a exemplo dos granulitos do Cráton Oeste Africano (Cinturão Limpopo); Cráton São Francisco, na Bahia, representado pelo cinturão granulítico do Bloco Itabuna-Salvador-Curaçá e, em Minas Gerais no embasamento do Orógeno Araçuaí; pelas faixas granulíticas do Domínio Bacajá do Cráton Amazônico e do Bloco Amapá; e pelo Escudo das Guianas. A análise dos dados geocronológicos demonstra que as idades de cristalização e de metamorfismo obtidas são resultantes de processos ocorridos durante um período restrito no Riaciano.The Porto Nacional Complex is inserted in the Tocantins Province’s central-north portion, as part of the northern Goiás Massif, which represents a Paleoproterozoic microcontinent remnant of tectonics Brasilian Cycle, which formed the orogens Araguaia, Brasília, including Goiás magmatic arc, and Paraguai. The CPN constitutes a belt of high-grade metamorphic rocks in the NE-SW direction, affected by the Porto Nacional Shear Zone, part of the Transbrasiliano Lineament, and predominantly gathers orthogranulites which composition vary widely (mafic granulites, enderbites, charnoenderbites and charnockites) with minor occurrences of aluminous paragneisses, more or less migmatized tonalitic orthogneisses and Stype granitoids. Petrographic analyzes identified paragenesis defined the following metamorphic paragenesis: Opx + Cpx + Pl ± Hb (mafic granulites); Opx + Cpx + Pl + Qtz ± Mc ± Bt ± Hb (enderbites); Pl ± Mc + Qtz + Bt + Grt ± Sil ± Ky ± Grf (kyanite-sillimanite-garnet gneisses). These data reveal high-grade metamorphism’s performance, under conditions of granulite facies with a metamorphic peak reaching temperature and pressure above 850 ºC and 8 kbar, respectively. For geochronological studies were selected two samples of enderbite and two sillimanite-garnet gneiss where U-Pb-Hf methods in zircon and U-Pb in monazite were applied, respectively. Scanning electron microscopy images by cathodoluminescence of enderbite’s zircon shows two types: (I) long prismatic crystals with irregular contours, homogeneous and without evident zoning; (II) short prismatic crystals with a well-defined inner core, surrounded by an external zone with a lighter tonality, suggesting metamorphic overgrowth. Back-Scattered Electron of paragneisse’s monazite showed homogeneous crystals rounded to rounded, without internal structure. U-Pb geochronological in zircon’s core indicated ages of 2.16 Ga, and the crystal’s rims showed lower values (2.09 Ga), interpreted as zircon crystallization age of tonalitic protolites, and high-grade metamorphism, respectively. In another sample, zircon ages also indicated values in the order of 2.09 Ga, reinforcing the interpretation of being metamorphic zircons. Th/U ratio zircon obtained for zircon crystals vary 0.04 – 0.95 and 0.01 – 1.15, respectively, suggesting metamorphic and igneous origin. Hf-TDM C model ages in zircon crystals analyzed suggest two continental crust formation episodes: a source from Siderian (2.40 to 2.48 Ga) and another from Neo-Mesoarquean (2.52 to 3.01 Ga). Positive (+3.9 to +5.2) ƐHf(t) petrogenetic parameters shows mantle source derivation for Siderian rocks, and negative and positive (4.6 to +3.3) ƐHf(t) petrogenetic parameters shows mixture between crustal and juvenile material derivation for Neo-Mesoarquean rocks. U-Pb geochronological results in paragneisse’s monazite indicates ages of 2.09 Ga and 2.10 Ga, slightly below the age of metamorphic zircons and are interpreted as high-grade metamorphism age that affected the Porto Nacional Complex in x the Palaeoproterozoic. This demonstrates the paticipation of granulitic metamorphism almost contemporary to the magmatic crystallization of protoliths. This chronology is similar to other high-grade metamorphic terrains in Brazil and other countries, such as West African Craton granulites (Limpopo Belt); São Francisco Craton, in Bahia, represented by Itabuna-Salvador- Curaçá Block granulitic belt and in Minas Gerais in the basement of Araçuaí Belt; Bacajá Domains, Amazonian Craton and Amapá Block granulitic strips; and Guiana Shield. The analysis of the geochronological data demonstrates that the formation of the magmatic protoliths and metamorphism happened close chronologically in the Ryacian.porUniversidade Federal do ParáPrograma de Pós-Graduação em Geologia e GeoquímicaUFPABrasilInstituto de GeociênciasAttribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Brazilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccess1 CD-ROMreponame:Repositório Institucional da UFPAinstname:Universidade Federal do Pará (UFPA)instacron:UFPACNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::GEOCIENCIASGEOCRONOLOGIA E GEOQUÍMICA ISOTÓPICAGEOQUÍMICA E PETROLOGIAGEOLOGIAGeocronologia U-Pb-Hf em ZircãoGeocronologia U- Pb em MonazitaMetamorfismo de Alto GrauComplexo Porto NacionalMaciço de GoiásGeocronologia U-Pb-Hf em zircão e U-Pb em monazita das rochas de alto grau metamórfico do Complexo Porto Nacional, Norte do Maciço de Goiásinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisGALARZA TORO, Marco Antoniohttp://lattes.cnpq.br/8979250766799749GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousahttp://lattes.cnpq.br/4309934026092502http://lattes.cnpq.br/9668164309892153MENEZES, Elaine de OliveiraORIGINALDissertação_Geocronologia ZircaoMonazita.pdfDissertação_Geocronologia ZircaoMonazita.pdfapplication/pdf5519005https://repositorio.ufpa.br/bitstreams/1475d801-53de-43db-8881-67bce7a875b5/download01432373fb96ebc777f300a62d11acacMD51CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; 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GEOLOGIA
description O Complexo Porto Nacional (CPN) está inserido na porção centro-norte da Província Tocantins, como parte da porção norte do Maciço de Goiás, o qual representa um microcontinente do Paleoproterozoico remanescente da tectônica do evento Brasiliano, responsável pela edificação dos orógenos Araguaia, Brasília incluindo o Arco Magmático de Goiás, e Paraguai. O CPN constitui uma faixa de rochas de alto grau metamórfico na direção NE-SW, afetado pela Zona de Cisalhamento Porto Nacional, integrante do Lineamento Transbrasiliano, e reúne, dominantemente, ortogranulitos de composição variada (granulitos máficos, enderbitos, charnoenderbitos e charnockitos) com menor ocorrência de paragnaisses aluminosos, ortognaisses tonalíticos mais ou menos migmatizados e granitoides tipo-S. Estudos petrográficos identificaram as seguintes paragêneses metamórficas: Opx + Cpx + Pl ± Hb (granulito máficos); Opx + Cpx + Pl + Qtz ± Mc ± Bt ± Hb (enderbitos); Pl ± Mc + Qtz + Bt + Grt ± Sil ± Ky ± Grf (cianita-sillimanita-granada gnaisses). Esses dados revelam atuação do metamorfismo de alto grau, em condições da fácies granulito com pico metamórfico alcançando temperatura e pressão acima de 850 ºC e 8 kbar, respectivamente. Para os estudos geocronológicos foram selecionadas duas amostras de enderbitos e duas de sillimanita-granada gnaisses onde foram aplicados os métodos U-Pb-Hf em zircão e U-Pb em monazita, respectivamente. As imagens de catodoluminescência dos cristais de zircão dos enderbitos revelam dois tipos: (I) cristais prismáticos longos com contornos irregulares, homogêneos e sem zoneamento evidente; (II) cristais prismáticos curtos com um núcleo interno bem definido, envolvido por uma zona externa com tonalidade mais clara, sugerindo sobrecrescimento metamórfico. As imagens de monazita dos paragnaisses obtidas por elétrons retroespalhados mostraram cristais homogêneos arredondados a subarredondados, sem estruturação interna. Os resultados geocronológicos U-Pb em zircão do núcleo dos cristais apontaram idade de 2,16 Ga, e das bordas valores mais baixos (2,09 Ga), interpretando-se como idade de cristalização de cristais ígneos dos protólitos tonalíticos, e idade do metamorfismo de alto grau, respectivamente. Em outro enderbito, a idade de cristais de zircão também apresentou valores mais baixos, da ordem de 2,09 Ga, reforçando a interpretação de serem zircões metamórficos. Os valores da razão Th/U dos cristais de zircão das amostras variam de 0,04 – 0,95 e 0,01 – 1,15, respectivamente, sugerindo origem metamórfica e magmática. As idades-modelo Hf-TDM C obtidas nos mesmos cristais de zircão analisados sugerem dois episódios de formação de crosta que deu origem a essas rochas: uma fonte do Sideriano (2,40 a 2,48 Ga) e outra do Neo- Mesoarqueano (2,52 a 3,01 Ga). Os parâmetros petrogenéticos ƐHf(t) positivos (+3,9 a +5,2) evidenciam derivação a partir de fonte mantélica para o material do Sideriano, enquanto que os viii parâmetros petrogenéticos ƐHf(t) negativos e positivos (4,6 a +3,3) evidenciam derivação a partir de mistura entre material crustal e juvenil para o material do Neo-Mesoarqueano. Os resultados geocronológicos U-Pb em monazita dos paragnaisses apontam valores de idades de 2,09 Ga e 2,10 Ga, levemente abaixo do valor obtido nos zircões metamórficos dos enderbitos e confirmam a idade do metamorfismo de alto grau que afetou o CPN no Paleoproterozoico. Isto vem demonstrar a atuação do metamorfismo em condições da fácies granulito quase contemporâneo à cristalização magmática dos protólitos. Essa cronologia tem representatividade em outros terrenos metamórficos de alto grau do Brasil e de outros países, a exemplo dos granulitos do Cráton Oeste Africano (Cinturão Limpopo); Cráton São Francisco, na Bahia, representado pelo cinturão granulítico do Bloco Itabuna-Salvador-Curaçá e, em Minas Gerais no embasamento do Orógeno Araçuaí; pelas faixas granulíticas do Domínio Bacajá do Cráton Amazônico e do Bloco Amapá; e pelo Escudo das Guianas. A análise dos dados geocronológicos demonstra que as idades de cristalização e de metamorfismo obtidas são resultantes de processos ocorridos durante um período restrito no Riaciano.
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