Antropização urbana frente aos elementos de cura de mulheres benzedeiras de Castanhal-Pará

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: SILVA, Gleibson do Nascimento lattes
Outros Autores: https://orcid.org/0000-0002-0083-8554
Orientador(a): ROCHA, Carlos José Trindade da lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Estudos Antrópicos na Amazônia
Departamento: Campus Universitário de Castanhal
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/13209
Resumo: Esta pesquisa assumiu o propósito de investigar como as mulheres benzedeiras são afetadas em suas práticas com elementos de cura na cidade de Castanhal (PA). Neste sentido, abordase a localização geográfica, o perfil das mulheres benzedeiras no município de Castanhal e o saber-fazer, em meio à antropização urbana, os elementos de cura material e imaterial da benzeção e as suas adaptações e dificuldades nas práticas de cura. Para tanto, a investigação apresentou a abordagem qualitativa com procedimentos descritivo-exploratório e desenvolvida sob um olhar antrópico com o viés metodológico da etnometodologia. As técnicas utilizadas foram: observação participante, conversas informais, registros audiovisuais, caderno de campo e entrevistas narrativas com cinco mulheres benzedeiras. A análise dos dados identificou que as mulheres benzedeiras se localizam em duas zonas diferentes, quatro delas se localizam na Àrea da Cidade Compacta de Ocupação Prioritária (ACOP) e correspondem aos respectivos bairros: Novo Olinda (Dona Dedê), Caiçara (Dona Rosilda), Milagre (Dona Gertrudes), bairro São José (Dona Maria) e uma única habita a Zona Predominantemente Residencial (ZPR), correspondendo ao Conjunto Japiim (Dona Sabá). O perfil das benzedeiras compreende a faixa etária entre 62 e 94 anos, são, em sua maioria, viúvas e católicas, naturais do Pará, com média de atuação no trabalho de benzeção de 62 anos e que herdaram o dom do benzimento de mães, pais e/ou avós. O processo de antropização urbana é marcado pela industrialização, comércios e serviços, produzem diferentes modos de aquisição aos seus elementos de cura no ofício da benzeção, além de revelar angústias e anseios a elas, provocados pela escassez de tais elementos, com estreita relação de adaptação, o que as leva a realizarem suas práticas com os elementos cultivados em seus próprios quintais, frente ao contínuo crescimento urbano. Constatou-se que elas se organizam em microterritórios que estruturam uma rede urbana de reciprocidade e solidariedade o que promove trocas de valores e diálogo interpessoal. As mulheres benzedeiras de Castanhal tratam o seu dom como elemento intrínseco e legítimo e como dádiva do divino. Assim, as suas práticas apresentam uma artesania genuinamente amazônica de antropizações que vão sobrevivendo em face do inter-relacionamento do crescimento urbano e contínuo da cidade. A presença de benzeção se configura como ato de resistência proveniente de um passado rural que tensiona e flexibiliza os imaginários geográficos urbanos. Por meio de suas narrativas, percebe-se que a ação da antropização urbana sobre seus ofícios de cura acaba superando as dificuldades com adaptação a novos elementos em suas práticas. A valorização e reconhecimento do trabalho das mulheres benzedeiras de Castanhal é uma ação necessária para potencializar e manter a benzeção e o benzimento no município, além de constituir uma poderosa ferramenta de enfrentamento à crise da (des)humanização.
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Para tanto, a investigação apresentou a abordagem qualitativa com procedimentos descritivo-exploratório e desenvolvida sob um olhar antrópico com o viés metodológico da etnometodologia. As técnicas utilizadas foram: observação participante, conversas informais, registros audiovisuais, caderno de campo e entrevistas narrativas com cinco mulheres benzedeiras. A análise dos dados identificou que as mulheres benzedeiras se localizam em duas zonas diferentes, quatro delas se localizam na Àrea da Cidade Compacta de Ocupação Prioritária (ACOP) e correspondem aos respectivos bairros: Novo Olinda (Dona Dedê), Caiçara (Dona Rosilda), Milagre (Dona Gertrudes), bairro São José (Dona Maria) e uma única habita a Zona Predominantemente Residencial (ZPR), correspondendo ao Conjunto Japiim (Dona Sabá). O perfil das benzedeiras compreende a faixa etária entre 62 e 94 anos, são, em sua maioria, viúvas e católicas, naturais do Pará, com média de atuação no trabalho de benzeção de 62 anos e que herdaram o dom do benzimento de mães, pais e/ou avós. O processo de antropização urbana é marcado pela industrialização, comércios e serviços, produzem diferentes modos de aquisição aos seus elementos de cura no ofício da benzeção, além de revelar angústias e anseios a elas, provocados pela escassez de tais elementos, com estreita relação de adaptação, o que as leva a realizarem suas práticas com os elementos cultivados em seus próprios quintais, frente ao contínuo crescimento urbano. Constatou-se que elas se organizam em microterritórios que estruturam uma rede urbana de reciprocidade e solidariedade o que promove trocas de valores e diálogo interpessoal. As mulheres benzedeiras de Castanhal tratam o seu dom como elemento intrínseco e legítimo e como dádiva do divino. Assim, as suas práticas apresentam uma artesania genuinamente amazônica de antropizações que vão sobrevivendo em face do inter-relacionamento do crescimento urbano e contínuo da cidade. A presença de benzeção se configura como ato de resistência proveniente de um passado rural que tensiona e flexibiliza os imaginários geográficos urbanos. Por meio de suas narrativas, percebe-se que a ação da antropização urbana sobre seus ofícios de cura acaba superando as dificuldades com adaptação a novos elementos em suas práticas. A valorização e reconhecimento do trabalho das mulheres benzedeiras de Castanhal é uma ação necessária para potencializar e manter a benzeção e o benzimento no município, além de constituir uma poderosa ferramenta de enfrentamento à crise da (des)humanização.This research assumed the purpose of investigating how women healers are affected in their practices with elements of healing in the city of Castanhal (PA). In this sense, it addresses the geographical location, the profile of women healers in the municipality of Castanhal and the know-how in the midst of urban anthropization, the elements of material and immaterial healing of the benzection and their adaptations and difficulties in healing practices. Therefore, the investigation presented the qualitative approach with descriptive-exploratory procedures and developed under an anthropic look with the methodological bias of ethnomethodology. The techniques used were: participant observation, informal conversations, audiovisual records, field notebook and interviews with five women healers. The analysis of the data identified that the women healers are located in two different zones, four of them are located in the Area of the Compact City of Priority Occupation (ACPO) and corresponds to the respective neighborhoods: Novo Olinda (Dona Dedê), Caiçara (Dona Rosilda), Milagre (Dona Gertrudes), São José (Dona Maria) and a live in Predominantly Residential Zone (PRZ) corresponding to the Japiim Set (Dona Sabá). The profile of the healers comprises the age group between 62 and 94 years old, they are mostly widows and Catholics, born in Pará. with an average performance of 62 years in the work of benzection and who inherited the gift of benzection from mothers, fathers and / or grandparents. The process of urban anthropization is marked by industrialization, businesses and services, producing different ways of acquiring its elements of healing in the craft of benzetion, in addition to revealing anguish and yearning for them, caused by the scarcity of such elements, with a close adaptation relationship, which leads the healers to carry out their practices with the elements cultivated in their own backyards in the face of continuous urban growth. It was found that they are organized in micro-territories that structure an urban network of reciprocity and solidarity, which promotes exchanges of values and interpersonal dialogue. The healers women of Castanhal treat their gift as an intrinsic and legitimate element and as a gift from the divine. So their practices present genuinely Amazonian craftsmanship anthropization that will survive in the face of the interrelationship of the urban and continuous growth of the city. The presence of benzection is configured as an act of resistance from a rural past that tenses and eases urban geographical imagery. Through their narratives, it is noticed that the action of urban anthropization on their healing trades ends up overcoming the difficulties with adapting to new elements in their practices. The appreciation and recognition of the work of women healers in Castanhal is a necessary action to value and maintain the blessing and the blessing in the municipality, in addition to being a powerful instrument to face the dehumanization crisis.Submitted by Camila Brito (camilabrito@ufpa.br) on 2021-05-15T21:15:14Z No. of bitstreams: 1 Dissertacao_AntropizacaoUrbanaFrente.pdf: 2926979 bytes, checksum: 8fa2adea93edf2177762b9ba6639e920 (MD5)Approved for entry into archive by Camila Brito (camilabrito@ufpa.br) on 2021-05-15T21:15:38Z (GMT) No. of bitstreams: 1 Dissertacao_AntropizacaoUrbanaFrente.pdf: 2926979 bytes, checksum: 8fa2adea93edf2177762b9ba6639e920 (MD5)Made available in DSpace on 2021-05-15T21:15:38Z (GMT). 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