Comunidades bentônicas recifais do Atlântico Sul Ocidental: estrutura, distribuição espacial e influência de variáveis ambientais
| Ano de defesa: | 2020 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | , , , |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal da Paraíba
|
| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas
|
| Departamento: |
Zoologia
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| País: |
Brasil
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| Palavras-chave em Português: | |
| Área do conhecimento CNPq: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37677 |
Resumo: | Os recifes brasileiros são considerados únicos no mundo por possuírem elevada abundância de macroalgas e algas epilíticas e baixa riqueza de corais construtores de recifes. Fatores ambientais (e.g. níveis de turbidez, temperatura da água do mar, disponibilidade de luz) e espaciais (e.g. profundidade e distância da costa) são importantes estruturadores de comunidades bentônicas recifais. Acredita-se que recifes rasos e mesofóticos sejam influenciados de maneira diferente por fatores abióticos, principalmente turbidez e disponibilidade de luz, que limitam/modificam a ocorrência e abundância dos organismos nesses nos recifes. Alguns corais brasileiros são adaptados à águas rasas com elevadas temperaturas e incidência direta de luminosidade, mas a maioria é adaptada recifes turvos ou profundos por serem menos iluminados. Diante disso, o presente estudo utilizou ferramentas de classificação para atingir os objetivos gerais seguintes: 1) identificar e delimitar comunidades bentônicas rasas (0-30 m) distintas em recifes costeiros continentais e oceânicos, assim como identificar as principais variáveis ambientais que as delimitam, 2) determinar o ponto de quebra (i.e. transição) entre comunidades bentônicas rasas e fundas (30-60m), utilizando as ilhas oceânicas brasileiras como modelo e 3) entender a influência de fatores bióticos locais (i.e. interações de contato) e fatores ambientais nos padrões em larga escala de branqueamento basal (i.e. fora de anos com anomalia) dos três corais mais abundantes e importantes construtores de recifes no Brasil Siderastrea spp., Mussismilia hispida e Montastraea cavernosa. Foram obtidos dados sobre comunidades bentônicas e variáveis ambientais (sensoriamento remoto) para 18 localidades (14 costeiras e 4 oceânicas), tornando disponível a mais completa base de dados de abundância de organismos bentônicos recifais para o Brasil. Dez comunidades bentônicas distintas foram identificadas em recifes rasos costeiros e oceânicos, as quais são dominadas por algas epilíticas e macroalgas frondosas. O coeficiente de atenuação difusa (níveis de turbidez) foi a principal variável ambiental responsável pela discriminação das comunidades rasas, formando dois grupos principais: i) um com águas claras (dominado por macroalgas frondosas), ii) outro com águas turvas (dominado por algas epilítica). A profundidade e temperatura tiveram influência significativa na distinção entre comunidades bentônicas recifais rasas e mesofóticas das ilhas oceânicas, com cinco comunidades únicas tendo sido identificadas. O ponto de quebra entre as comunidades rasas e fundas foi aos 12,5 m, não tendo sido registrada mudanças significativas aos 30 m de profundidade como apontado em estudos anteriores. A maior incidência de branqueamento dos corais ocorreu em recifes oceânicos rasos e bem iluminados, confirmando a preferência da maioria dos corais avaliados por habitats costeiros sombreados e/ou profundos. Os resultados demonstram que a aplicação de ferramentas de classificação é útil em estudos sobre comunidades bentônicas em largas escalas espaciais e para o entendimento das variáveis ambientais que as discriminam. Além disso, fornecem dados importantes sobre a saúde de corais brasileiros em anos sem anomalias térmicas, o que representa um importante baseline para avaliações futuras dos impactos causados por eventos de branqueamento em massa no Atlântico Sul Ocidental. |
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2026-02-21T03:06:26Z2022-09-212026-02-21T03:06:26Z2020-10-30https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37677Os recifes brasileiros são considerados únicos no mundo por possuírem elevada abundância de macroalgas e algas epilíticas e baixa riqueza de corais construtores de recifes. Fatores ambientais (e.g. níveis de turbidez, temperatura da água do mar, disponibilidade de luz) e espaciais (e.g. profundidade e distância da costa) são importantes estruturadores de comunidades bentônicas recifais. Acredita-se que recifes rasos e mesofóticos sejam influenciados de maneira diferente por fatores abióticos, principalmente turbidez e disponibilidade de luz, que limitam/modificam a ocorrência e abundância dos organismos nesses nos recifes. Alguns corais brasileiros são adaptados à águas rasas com elevadas temperaturas e incidência direta de luminosidade, mas a maioria é adaptada recifes turvos ou profundos por serem menos iluminados. Diante disso, o presente estudo utilizou ferramentas de classificação para atingir os objetivos gerais seguintes: 1) identificar e delimitar comunidades bentônicas rasas (0-30 m) distintas em recifes costeiros continentais e oceânicos, assim como identificar as principais variáveis ambientais que as delimitam, 2) determinar o ponto de quebra (i.e. transição) entre comunidades bentônicas rasas e fundas (30-60m), utilizando as ilhas oceânicas brasileiras como modelo e 3) entender a influência de fatores bióticos locais (i.e. interações de contato) e fatores ambientais nos padrões em larga escala de branqueamento basal (i.e. fora de anos com anomalia) dos três corais mais abundantes e importantes construtores de recifes no Brasil Siderastrea spp., Mussismilia hispida e Montastraea cavernosa. Foram obtidos dados sobre comunidades bentônicas e variáveis ambientais (sensoriamento remoto) para 18 localidades (14 costeiras e 4 oceânicas), tornando disponível a mais completa base de dados de abundância de organismos bentônicos recifais para o Brasil. Dez comunidades bentônicas distintas foram identificadas em recifes rasos costeiros e oceânicos, as quais são dominadas por algas epilíticas e macroalgas frondosas. O coeficiente de atenuação difusa (níveis de turbidez) foi a principal variável ambiental responsável pela discriminação das comunidades rasas, formando dois grupos principais: i) um com águas claras (dominado por macroalgas frondosas), ii) outro com águas turvas (dominado por algas epilítica). A profundidade e temperatura tiveram influência significativa na distinção entre comunidades bentônicas recifais rasas e mesofóticas das ilhas oceânicas, com cinco comunidades únicas tendo sido identificadas. O ponto de quebra entre as comunidades rasas e fundas foi aos 12,5 m, não tendo sido registrada mudanças significativas aos 30 m de profundidade como apontado em estudos anteriores. A maior incidência de branqueamento dos corais ocorreu em recifes oceânicos rasos e bem iluminados, confirmando a preferência da maioria dos corais avaliados por habitats costeiros sombreados e/ou profundos. Os resultados demonstram que a aplicação de ferramentas de classificação é útil em estudos sobre comunidades bentônicas em largas escalas espaciais e para o entendimento das variáveis ambientais que as discriminam. Além disso, fornecem dados importantes sobre a saúde de corais brasileiros em anos sem anomalias térmicas, o que representa um importante baseline para avaliações futuras dos impactos causados por eventos de branqueamento em massa no Atlântico Sul Ocidental.Brazilian reefs are unique in the world due the high abundance of fleshy macroalgae and turf algae and low richness of reef-building corals. Environmental (e.g. seawater temperature, light availability) and spatial drivers (e.g. depth, offshore distance) are responsible for structuring the benthic marine communities. It is believed that shallow to mesophotic reefs are differently influenced by abiotic drivers, particularly light and temperature, which limit/modify the organisms’ occurrence and abundance on reefs. While few Brazilian corals prefer shallow waters with high temperatures and direct incidence of light, but most of them show preference for turbid waters and deeper zones, as they uptake attenuated light. Considering this, the present study used powerful classifications tools to address the following aims: 1) to identify and boundary discrete shallow benthic communities (0-30m) in coastal and oceanic reefs, as well as identifying their main environmental drivers, 2) to determine the threshold (i.e. transition) between shallow and deep benthic communities (30- 60m), using the Brazilian oceanic islands as a model and 3) to understand the influence of local biotic (i.e. contact interactions) and environmental factors on the large-scale patterns of basal bleaching (i.e. out of years with anomaly) of the three most abundant and important reef-building corals in Brazil Siderastrea spp., Mussismilia hispida e Montastraea cavernosa. As a result, benthic communities and environmental variables (remote-sensing data) were obtained for 18 sites (14 coastal and 4 oceanic), representing the most complete database of abundance of benthic reef organisms for Brazil. Ten distinct benthic communities were identified for both coastal and oceanic reefs, which are dominated by turf algae and fleshy macroalgae. The turbidity was the main environmental driver responsible for the two types of shallow reef communities: i) in warm waters reefs (dominated by macroalgae), ii) another with turbid water (dominated by turf algae). Geographical drivers also influenced the distribution of shallow and mesophotic benthic communities. Depth and temperature had a significant influence on the distinction between shallow reef and mesophotic benthic communities at the oceanic islands, with five distinct communities being identified. The threshold between the shallow and deep communities was 12.5 m, and no significant changes were recorded up to 30 m depth, as previously indicated. The highest incidence of coral bleaching occurred in shallow and well-illuminated (euphotic) oceanic reefs, corroborating the preference of the most corals for shaded coastal and/or deep habitats. The results showed that the use of classification tools is useful for studies of benthic reef communities along the large spatial scales and for understanding the environmental drivers governing them. In addition, they provide important data on the health of Brazilian corals in years without thermal anomalies, which represent an important baseline for future assessments of the impacts caused by mass bleaching events in the Southwestern Atlantic reefs.Submitted by Maria Jose Rodrigues Paiva (mariaj.paiva@biblioteca.ufpb.br) on 2026-02-21T03:06:26Z No. of bitstreams: 3 license_rdf: 805 bytes, checksum: c4c98de35c20c53220c07884f4def27c (MD5) ErikaFláviaCrispimDeSantana_Tese_COM_Tarjamento.pdf: 5307349 bytes, checksum: 8816b19c8931fb580d855a1953c72ee8 (MD5) ErikaFláviaCrispimDeSantana_Tese_Sem_Tarjamento.pdf: 5380486 bytes, checksum: f193360e1213fadb16e9b7b62f3a788a (MD5)Made available in DSpace on 2026-02-21T03:06:26Z (GMT). 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Zoologia - Comunidades bentônicas Corais escleractineos Turbidez Recifes oceânicos Recifes mesofóticos Branqueamento Scleractinian corals Benthos Recifes mesophotic reefs Temperature Bleaching |
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Os recifes brasileiros são considerados únicos no mundo por possuírem elevada abundância de macroalgas e algas epilíticas e baixa riqueza de corais construtores de recifes. Fatores ambientais (e.g. níveis de turbidez, temperatura da água do mar, disponibilidade de luz) e espaciais (e.g. profundidade e distância da costa) são importantes estruturadores de comunidades bentônicas recifais. Acredita-se que recifes rasos e mesofóticos sejam influenciados de maneira diferente por fatores abióticos, principalmente turbidez e disponibilidade de luz, que limitam/modificam a ocorrência e abundância dos organismos nesses nos recifes. Alguns corais brasileiros são adaptados à águas rasas com elevadas temperaturas e incidência direta de luminosidade, mas a maioria é adaptada recifes turvos ou profundos por serem menos iluminados. Diante disso, o presente estudo utilizou ferramentas de classificação para atingir os objetivos gerais seguintes: 1) identificar e delimitar comunidades bentônicas rasas (0-30 m) distintas em recifes costeiros continentais e oceânicos, assim como identificar as principais variáveis ambientais que as delimitam, 2) determinar o ponto de quebra (i.e. transição) entre comunidades bentônicas rasas e fundas (30-60m), utilizando as ilhas oceânicas brasileiras como modelo e 3) entender a influência de fatores bióticos locais (i.e. interações de contato) e fatores ambientais nos padrões em larga escala de branqueamento basal (i.e. fora de anos com anomalia) dos três corais mais abundantes e importantes construtores de recifes no Brasil Siderastrea spp., Mussismilia hispida e Montastraea cavernosa. Foram obtidos dados sobre comunidades bentônicas e variáveis ambientais (sensoriamento remoto) para 18 localidades (14 costeiras e 4 oceânicas), tornando disponível a mais completa base de dados de abundância de organismos bentônicos recifais para o Brasil. Dez comunidades bentônicas distintas foram identificadas em recifes rasos costeiros e oceânicos, as quais são dominadas por algas epilíticas e macroalgas frondosas. O coeficiente de atenuação difusa (níveis de turbidez) foi a principal variável ambiental responsável pela discriminação das comunidades rasas, formando dois grupos principais: i) um com águas claras (dominado por macroalgas frondosas), ii) outro com águas turvas (dominado por algas epilítica). A profundidade e temperatura tiveram influência significativa na distinção entre comunidades bentônicas recifais rasas e mesofóticas das ilhas oceânicas, com cinco comunidades únicas tendo sido identificadas. O ponto de quebra entre as comunidades rasas e fundas foi aos 12,5 m, não tendo sido registrada mudanças significativas aos 30 m de profundidade como apontado em estudos anteriores. A maior incidência de branqueamento dos corais ocorreu em recifes oceânicos rasos e bem iluminados, confirmando a preferência da maioria dos corais avaliados por habitats costeiros sombreados e/ou profundos. Os resultados demonstram que a aplicação de ferramentas de classificação é útil em estudos sobre comunidades bentônicas em largas escalas espaciais e para o entendimento das variáveis ambientais que as discriminam. Além disso, fornecem dados importantes sobre a saúde de corais brasileiros em anos sem anomalias térmicas, o que representa um importante baseline para avaliações futuras dos impactos causados por eventos de branqueamento em massa no Atlântico Sul Ocidental. |
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2020 |
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