Desempenho socioeconômico da forma urbana: implicações do adensamento com verticalização e baixa permeabilidade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Andrade, Patrícia Alonso de lattes
Orientador(a): Amorim, Luiz Manuel do Eirado lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Paraíba
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Departamento: Arquitetura e Urbanismo
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/20961
Resumo: Esta tese insere-se nas discussões sobre morfologia urbana, e seu objetivo é analisar como características formais e espaciais que permeiam as relações entre densidade construída e forma urbana se associam a determinados processos socioeconômicos potencializadores da urbanidade, quais sejam: o número de pessoas nas ruas; e a diversidade de usos do solo. Embora não possam solucionar os problemas socioeconômicos da cidade desigual, os dispositivos e arranjos morfológicos urbanos desempenham um papel essencial para agravá-los ou minimizá-los, ao acentuar ou atenuar padrões de isolamento social, segregação socioespacial e falta de vitalidade urbana. Aprofundar e expandir o conhecimento empírico sobre o potencial de desempenho socioeconômico da forma urbana permite aplicá-lo com mais confiabilidade nas práticas urbanísticas, em prol de cidades mais coesas socialmente, mais vibrantes e propensas à urbanidade. Para tanto, adota-se o modelo teórico dos padrões urbanos convergentes e divergentes de Netto et al. (2012) e, como procedimento metodológico, analisam-se, por correlação bivariada com o coeficiente de Spearman, as relações entre múltiplas variáveis ligadas à densidade construída, à forma urbana e a processos socioeconômicos. Reconhece-se distância, densidade e diversidade como atributos primários formadores do sentido de cidade, no que se refere às relações entre espaço urbano e sociedade. Essas três características fundamentam a seleção das variáveis de análise, a qual também segue uma ontologia da forma urbana baseada nas relações entre espaço público e privado. Utilizam-se os métodos Spacematrix (BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009), Place Syntax (STÅHLE; MARCUS; KARLSTRÖM, 2005; STÅHLE, 2008) e Sintaxe Espacial com Análise Angular de Segmentos (HILLIER; HANSON, 1984; HILLIER, 1996b; TURNER, 2001), além de índices de permeabilidade de interface desenvolvidos no âmbito da pesquisa (ANDRADE; BERGHAUSER PONT; AMORIM, 2018). Tem-se como estudos de caso áreas urbanas de João Pessoa, capital do estado da Paraíba e capital regional posicionada entre as cidades médias brasileiras contemporâneas, na qual é corrente o adensamento por verticalização para fins de moradia. Os resultados da pesquisa demonstram que, dentre as variáveis analisadas, aquelas mais fortemente associadas ao número de pessoas nas ruas são a permeabilidade visual de interface (principalmente aquela voltada para espaços não residenciais) e o uso não residencial. Os estudos de caso corroboram a teoria de Netto et al. (2012) sobre a dinâmica urbana baseada em interferências recíprocas e temporalidades diversas entre padrões convergentes e divergentes de acessibilidade, densidade, localização de atividades e movimento de pedestres, em contraponto à ênfase de Hillier (1996b) no efeito multiplicador dos atratores sobre o movimento natural gerado pela acessibilidade espacial. Reforça-se a alegação de Netto et al. (2012) de que atributos tipo-morfológicos e padrões de localização de atividades podem ter maior influência sobre os padrões de movimento, quando há defasagem entre estes últimos e os padrões de acessibilidade. Os resultados também indicam existir uma heterogeneidade tipo-morfológica nas áreas urbanas investigadas, com processo convergente para o predomínio de padrões desurbanos, avessos à presença e movimento de pessoas nas ruas, e monofuncionais, constituídos por edifícios isolados no lote, com adensamento por verticalização, e baixa permeabilidade de interfaces.
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spelling 2021-09-10T15:54:54Z2021-04-062021-09-10T15:54:54Z2021-03-02https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/20961Esta tese insere-se nas discussões sobre morfologia urbana, e seu objetivo é analisar como características formais e espaciais que permeiam as relações entre densidade construída e forma urbana se associam a determinados processos socioeconômicos potencializadores da urbanidade, quais sejam: o número de pessoas nas ruas; e a diversidade de usos do solo. Embora não possam solucionar os problemas socioeconômicos da cidade desigual, os dispositivos e arranjos morfológicos urbanos desempenham um papel essencial para agravá-los ou minimizá-los, ao acentuar ou atenuar padrões de isolamento social, segregação socioespacial e falta de vitalidade urbana. Aprofundar e expandir o conhecimento empírico sobre o potencial de desempenho socioeconômico da forma urbana permite aplicá-lo com mais confiabilidade nas práticas urbanísticas, em prol de cidades mais coesas socialmente, mais vibrantes e propensas à urbanidade. Para tanto, adota-se o modelo teórico dos padrões urbanos convergentes e divergentes de Netto et al. (2012) e, como procedimento metodológico, analisam-se, por correlação bivariada com o coeficiente de Spearman, as relações entre múltiplas variáveis ligadas à densidade construída, à forma urbana e a processos socioeconômicos. Reconhece-se distância, densidade e diversidade como atributos primários formadores do sentido de cidade, no que se refere às relações entre espaço urbano e sociedade. Essas três características fundamentam a seleção das variáveis de análise, a qual também segue uma ontologia da forma urbana baseada nas relações entre espaço público e privado. Utilizam-se os métodos Spacematrix (BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009), Place Syntax (STÅHLE; MARCUS; KARLSTRÖM, 2005; STÅHLE, 2008) e Sintaxe Espacial com Análise Angular de Segmentos (HILLIER; HANSON, 1984; HILLIER, 1996b; TURNER, 2001), além de índices de permeabilidade de interface desenvolvidos no âmbito da pesquisa (ANDRADE; BERGHAUSER PONT; AMORIM, 2018). Tem-se como estudos de caso áreas urbanas de João Pessoa, capital do estado da Paraíba e capital regional posicionada entre as cidades médias brasileiras contemporâneas, na qual é corrente o adensamento por verticalização para fins de moradia. Os resultados da pesquisa demonstram que, dentre as variáveis analisadas, aquelas mais fortemente associadas ao número de pessoas nas ruas são a permeabilidade visual de interface (principalmente aquela voltada para espaços não residenciais) e o uso não residencial. Os estudos de caso corroboram a teoria de Netto et al. (2012) sobre a dinâmica urbana baseada em interferências recíprocas e temporalidades diversas entre padrões convergentes e divergentes de acessibilidade, densidade, localização de atividades e movimento de pedestres, em contraponto à ênfase de Hillier (1996b) no efeito multiplicador dos atratores sobre o movimento natural gerado pela acessibilidade espacial. Reforça-se a alegação de Netto et al. (2012) de que atributos tipo-morfológicos e padrões de localização de atividades podem ter maior influência sobre os padrões de movimento, quando há defasagem entre estes últimos e os padrões de acessibilidade. Os resultados também indicam existir uma heterogeneidade tipo-morfológica nas áreas urbanas investigadas, com processo convergente para o predomínio de padrões desurbanos, avessos à presença e movimento de pessoas nas ruas, e monofuncionais, constituídos por edifícios isolados no lote, com adensamento por verticalização, e baixa permeabilidade de interfaces.This thesis is part of the discussions on urban morphology, and its objective is to analyze how formal and spatial characteristics that permeate the relationships between built density and urban form are associated with certain socioeconomic processes that enhance urbanity, namely: the number of people on the streets; and the diversity of land uses. Although they cannot solve the socioeconomic problems of the uneven city, urban morphological devices and arrangements play an essential role in aggravating or minimizing them, by accentuating or attenuating patterns of social isolation, sociospatial segregation and lack of urban vitality. Deepening and expanding the empirical knowledge about the potential for socioeconomic performance in the urban form allows it to be more reliably applied in urban practices, in favor of more socially cohesive, more vibrant and urban-prone cities. Therefore, the theoretical model of converging and diverging urban patterns by Netto et al. (2012) is assumed and, as a methodological procedure, the relationships between multiple variables linked to the built density, urban form and socioeconomic processes are analyzed by bivariate correlation with the Spearman coefficient. Distance, density and diversity are recognized as the primary attributes that shape the sense of the city, with regard to the relationships between urban space and society. These three characteristics underlie the selection of the analysis variables, which also follows an ontology of the urban form based on the relationship between public and private space. The methods Spacematrix (BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009), Place Syntax (STÅHLE; MARCUS; KARLSTRÖM, 2005; STÅHLE, 2008) and Spatial Syntax with Angular Segment Analysis (HILLIER; HANSON, 1984; HILLIER, 1996b; TURNER, 2001) are used, in addition to interface permeability indices developed within the scope of the research (ANDRADE; BERGHAUSER PONT; AMORIM, 2018). The case studies include urban areas of João Pessoa, the capital of the state of Paraíba and a regional capital positioned among contemporary Brazilian medium-sized cities, where densification by verticalization is common for housing purposes. The results of the research demonstrate that, among the analyzed variables, those most strongly associated with the number of people on the streets are the visual interface permeability (mainly that aimed at non-residential spaces) and non-residential use. The case studies corroborate the theory of Netto et al. (2012) on urban dynamics based on reciprocal interference and different temporalities between converging and diverging patterns of accessibility, density, activities location and pedestrian movement, in contrast to Hillier's (1996b) emphasis on the multiplier effect of attractors on natural movement generated by spatial accessibility. It is reinforced the claim of Netto et al. (2012) that type-morphological attributes and patterns of activity location can have a greater influence on movement patterns, when there is a discrepancy between the latter and accessibility patterns. The results also indicate that there is a type-morphological heterogeneity in the investigated urban areas, with a converging process for the predominance of disurban patterns, averse to the presence and movement of people on the streets, and monofunctional, constituted by isolated buildings in the lot, with densification by verticalization, and low permeability of interfaces.Submitted by Danielly Marinho (danielly06_dany@hotmail.com) on 2021-09-02T18:05:58Z No. of bitstreams: 2 license_rdf: 805 bytes, checksum: c4c98de35c20c53220c07884f4def27c (MD5) PatriciaAlonsoDeAndrade_Tese.pdf: 245340534 bytes, checksum: 28ad05bd4a8cfac01dfe931175e4ca5d (MD5)Approved for entry into archive by Biblioteca Digital de Teses e Dissertações BDTD (bdtd@biblioteca.ufpb.br) on 2021-09-10T15:54:54Z (GMT) No. of bitstreams: 2 license_rdf: 805 bytes, checksum: c4c98de35c20c53220c07884f4def27c (MD5) PatriciaAlonsoDeAndrade_Tese.pdf: 245340534 bytes, checksum: 28ad05bd4a8cfac01dfe931175e4ca5d (MD5)Made available in DSpace on 2021-09-10T15:54:54Z (GMT). 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