Quando a soqueira não fere a lei: um estudo etnográfico das disputas em torno da tortura na Justiça Militar em Pernambuco
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
UFPE Brasil Programa de Pos Graduacao em Direito |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/67446 |
Resumo: | No Brasil, a prática da tortura é empregada cotidianamente pelo Estado nos mais diversos segmentos da sociedade, sendo neutralizada e naturalizada, sobretudo quando direcionada às populações mais vulneráveis. Nesse contexto, o trabalho estudou a dinâmica da tortura e os desafios de sua apuração e responsabilização no sistema de justiça militar, a partir do estudo de 05 (cinco) Inquéritos Policiais Militares (IPMs) oriundos da Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), vinculada à Polícia Militar de Pernambuco. Considerando-os como artefatos etnográficos, a pesquisa objetivou desvendar a construção das linguagens a partir dos discursos e enquadramentos dados aos fatos relatados enquanto tortura, maus tratos e/ou lesões corporais. Foram lançadas luzes para as disputas de linguagens que podem contribuir ou não para a engenharia da responsabilização policial na justiça militar. Metodologicamente, a pesquisa foi conduzida a partir de uma abordagem qualitativa e documental, tratando os IPMs como artefatos etnográficos. O corpus da análise incluiu autos de prisão em flagrante delito militar, decisões nas audiências de custódia, laudos periciais, termos de depoimento, relatórios e as "soluções" (decisões finais) dos inquéritos. Foi possível observar como as denúncias iniciais de agressão física, relatadas especialmente nas audiências de custódia, foram progressivamente desqualificadas e recontextualizadas ao longo dos IPMs investigados. A análise da prova pericial produzida no IML, que atestou lesões, mas sem atribuir autoria, aliada à ausência de rigor nas investigações dos agentes militares, contribuiu para a construção de uma "verdade oficial" que minimizou a tortura, à revelia do que preconiza o Protocolo de Istambul. Argumenta-se, ainda, que a instrumentalização de elementos como o histórico criminal das vítimas e as fichas de justiça e disciplina dos policiais por vezes são manejadas para deslegitimar as alegações de agressão e blindar a corporação. |
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Foram lançadas luzes para as disputas de linguagens que podem contribuir ou não para a engenharia da responsabilização policial na justiça militar. Metodologicamente, a pesquisa foi conduzida a partir de uma abordagem qualitativa e documental, tratando os IPMs como artefatos etnográficos. O corpus da análise incluiu autos de prisão em flagrante delito militar, decisões nas audiências de custódia, laudos periciais, termos de depoimento, relatórios e as "soluções" (decisões finais) dos inquéritos. Foi possível observar como as denúncias iniciais de agressão física, relatadas especialmente nas audiências de custódia, foram progressivamente desqualificadas e recontextualizadas ao longo dos IPMs investigados. A análise da prova pericial produzida no IML, que atestou lesões, mas sem atribuir autoria, aliada à ausência de rigor nas investigações dos agentes militares, contribuiu para a construção de uma "verdade oficial" que minimizou a tortura, à revelia do que preconiza o Protocolo de Istambul. Argumenta-se, ainda, que a instrumentalização de elementos como o histórico criminal das vítimas e as fichas de justiça e disciplina dos policiais por vezes são manejadas para deslegitimar as alegações de agressão e blindar a corporação.CAPESIn Brazil, the practice of torture is used daily by the State in the most diverse segments of society, being neutralized and naturalized, especially when directed at the most vulnerable populations. In this context, this work studied the dynamics of torture and the challenges of its investigation and accountability in the military justice system, based on the study of five (05) Military Police Inquiries (IPMs) from the Military Judicial Police Precinct (DPJM), linked to the Military Police of Pernambuco. Considering them as ethnographic artifacts, the research aimed to uncover the construction of languages based on the discourses and framings given to facts reported as torture, ill-treatment, and/or bodily harm. Light was shed on the language disputes that may or may not contribute to the engineering of police accountability in military justice. Methodologically, the research was conducted using a qualitative and documentary approach, treating the IPMs as ethnographic artifacts. The analysis corpus included military in-flagrante-delicto arrest records, custody hearing decisions, forensic expert reports, deposition transcripts, reports, and the final "solutions" (final decisions) of the inquiries. It was possible to observe how the initial complaints of physical aggression, reported especially in custody hearings, were progressively disqualified and recontextualized throughout the investigated IPMs. The analysis of the forensic evidence from the IML (Medical Legal Institute), which confirmed injuries but without attributing authorship, combined with the lack of rigor in the military agents' investigations, contributed to the construction of an "official truth" that minimized the torture, in defiance of the principles set forth in the Istanbul Protocol. Furthermore, it is argued that the instrumentalization of elements such as the victims' criminal records and the police officers' justice and discipline files are at times manipulated to delegitimize the allegations of aggression and shield the corporation.Universidade Federal de PernambucoUFPEBrasilPrograma de Pos Graduacao em DireitoVALENÇA, Manuela Abathhttp://lattes.cnpq.br/0474520548873627http://lattes.cnpq.br/4639632022380361https://orcid.org/0000-0002-7292-4232VALE, Gisele Vicente Meneses do2026-01-07T13:12:13Z2026-01-07T13:12:13Z2025-06-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfVALE, Gisele Vicente Meneses do. Quando a soqueira não fere a lei: um estudo etnográfico das disputas em torno da tortura na Justiça Militar em Pernambuco. 2025. Dissertação (Mestrado em Direito) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2025.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/67446porhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPE2026-01-11T19:38:17Zoai:repositorio.ufpe.br:123456789/67446Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212026-01-11T19:38:17Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false |
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