Déjà-Vu: a precarização no trabalho plataformizado e a importância de uma hermenêutica estruturante que garanta a efetividade dos direitos trabalhistas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: FONSECA, Vanessa Patriota da
Orientador(a): COSENTINO FILHO, Carlo Benito
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300002c59h
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Direito
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/60410
Resumo: O estudo tem como objeto o trabalho por meio de plataformas digitais. Debruça-se, por um lado, sobre o crowdwork offline de motoristas e entregadores/as visando a identificar a vertente da subordinação jurídica nele presente. Por outro, curva-se sobre o crowdwork online a fim de verificar se os/as trabalhadores/as nele inseridos/as podem ser abrigados/as pelo Direito do Trabalho. Para adentrar nos meandros das plataformas digitais de trabalho, este estudo começa por abordar: a) a centralidade do trabalho na formação e no desenvolvimento do ser social e a configuração que ele assumiu na sociedade do capital; b) o papel do Direito e do Estado na legitimação do modo de produção capitalista; c) o movimento natural do capitalismo em termos de acumulação e expansão; d) a importância das tecnologias para a intensificação da produção e o aumento do mais-valor relativo; e) a relação entre as reestruturações produtivas, os diferentes estágios do capitalismo e as tecnologias existentes; f) a importância do exército de reserva para a manutenção do baixo padrão das condições de trabalho; g) a racionalidade neoliberal e sua capacidade de obscurecer qualquer tentativa de superar o sistema do capital. Ressalta-se que o trabalho por meio de plataformas digitais vem sendo organizado e controlado de diferentes formas. No caso do crowdwork offline de motoristas e entregadores/as, a partir da análise de provas obtidas em inquéritos civis e dos resultados de pesquisas científicas, em cotejo com o conceito de subordinação jurídica nas suas diferentes vertentes, esta pesquisa assegura que, além dos demais pressupostos da relação de emprego, faz-se presente a subordinação na sua vertente clássica, em que as ordens são emitidas diretamente pelas empresas, mas através da programação algorítmica realizada, e tais ordens são intensas, constantes e vinculantes. No que diz respeito ao crowdwork online, o estudo atesta que há uma miríade de possibilidades de classificação do tipo de vínculo mantido entre as partes, que vai desde o trabalho realmente autônomo, passando pelo trabalho autônomo economicamente dependente, até o trabalho subordinado sob as perspectivas clássica, estrutural, integrativa ou estrutural-reticular. A categorização dependerá da análise do caso concreto e, para tanto, o/a intérprete deve se distanciar do senso comum teórico e do positivismo, para se conectar com os princípios gerais e específicos do Direito e, assim, adotar uma hermenêutica estruturante que garanta o trabalho digno no ambiente digital. Salienta-se, no entanto, que a jurisprudência pátria, especialmente oriunda do Supremo Tribunal Federal, vem empregando hermenêuticas não recepcionadas pelos princípios do Direito do Trabalho e privilegiando os interesses econômicos em detrimento dos interesses sociais mais caros à classe-que-vive-do-trabalho. Ressalta-se a importância da mobilização dos/as trabalhadores/as para enfrentar a precarização mencionada – o que deve ocorrer em âmbito internacional, já que a contratação do trabalho plataformizado também se dá em âmbito planetário. Por fim, reafirma-se a teoria marxiana segundo a qual não há trabalhador/a realmente livre vendendo sua força de trabalho ao capital, mas, por outro lado, aponta-se para a direção da emancipação social, que não será obra e graça do Direito, e que pressupõe um momento transitório em que se faz necessário ampliar a proteção social para inibir a precarização e as mortes lentas no trabalho pari passu à provocação de fissuras no sistema que abalem suas estruturas. O estudo é dividido em duas partes e nove capítulos e emprega o método histórico- dialético, pois reconhece que é da prática que deve partir o pensamento de quem realiza uma pesquisa científica, não da teoria e da ideia. Afasta-se do discurso de autoridade, do humanismo teórico, do racionalismo instrumental e das vertentes reformistas do Direito Burguês.
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spelling FONSECA, Vanessa Patriota dahttp://lattes.cnpq.br/9634415544539574http://lattes.cnpq.br/9403069473693221COSENTINO FILHO, Carlo BenitoANTUNES, Ricardo2025-02-14T13:39:49Z2025-02-14T13:39:49Z2024-04-16FONSECA, Vanessa Patriota da. Déjà-Vu: a precarização no trabalho plataformizado e a importância de uma hermenêutica estruturante que garanta a efetividade dos direitos trabalhistas. 2024. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2024.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/60410ark:/64986/001300002c59hO estudo tem como objeto o trabalho por meio de plataformas digitais. Debruça-se, por um lado, sobre o crowdwork offline de motoristas e entregadores/as visando a identificar a vertente da subordinação jurídica nele presente. Por outro, curva-se sobre o crowdwork online a fim de verificar se os/as trabalhadores/as nele inseridos/as podem ser abrigados/as pelo Direito do Trabalho. Para adentrar nos meandros das plataformas digitais de trabalho, este estudo começa por abordar: a) a centralidade do trabalho na formação e no desenvolvimento do ser social e a configuração que ele assumiu na sociedade do capital; b) o papel do Direito e do Estado na legitimação do modo de produção capitalista; c) o movimento natural do capitalismo em termos de acumulação e expansão; d) a importância das tecnologias para a intensificação da produção e o aumento do mais-valor relativo; e) a relação entre as reestruturações produtivas, os diferentes estágios do capitalismo e as tecnologias existentes; f) a importância do exército de reserva para a manutenção do baixo padrão das condições de trabalho; g) a racionalidade neoliberal e sua capacidade de obscurecer qualquer tentativa de superar o sistema do capital. Ressalta-se que o trabalho por meio de plataformas digitais vem sendo organizado e controlado de diferentes formas. No caso do crowdwork offline de motoristas e entregadores/as, a partir da análise de provas obtidas em inquéritos civis e dos resultados de pesquisas científicas, em cotejo com o conceito de subordinação jurídica nas suas diferentes vertentes, esta pesquisa assegura que, além dos demais pressupostos da relação de emprego, faz-se presente a subordinação na sua vertente clássica, em que as ordens são emitidas diretamente pelas empresas, mas através da programação algorítmica realizada, e tais ordens são intensas, constantes e vinculantes. No que diz respeito ao crowdwork online, o estudo atesta que há uma miríade de possibilidades de classificação do tipo de vínculo mantido entre as partes, que vai desde o trabalho realmente autônomo, passando pelo trabalho autônomo economicamente dependente, até o trabalho subordinado sob as perspectivas clássica, estrutural, integrativa ou estrutural-reticular. A categorização dependerá da análise do caso concreto e, para tanto, o/a intérprete deve se distanciar do senso comum teórico e do positivismo, para se conectar com os princípios gerais e específicos do Direito e, assim, adotar uma hermenêutica estruturante que garanta o trabalho digno no ambiente digital. Salienta-se, no entanto, que a jurisprudência pátria, especialmente oriunda do Supremo Tribunal Federal, vem empregando hermenêuticas não recepcionadas pelos princípios do Direito do Trabalho e privilegiando os interesses econômicos em detrimento dos interesses sociais mais caros à classe-que-vive-do-trabalho. Ressalta-se a importância da mobilização dos/as trabalhadores/as para enfrentar a precarização mencionada – o que deve ocorrer em âmbito internacional, já que a contratação do trabalho plataformizado também se dá em âmbito planetário. Por fim, reafirma-se a teoria marxiana segundo a qual não há trabalhador/a realmente livre vendendo sua força de trabalho ao capital, mas, por outro lado, aponta-se para a direção da emancipação social, que não será obra e graça do Direito, e que pressupõe um momento transitório em que se faz necessário ampliar a proteção social para inibir a precarização e as mortes lentas no trabalho pari passu à provocação de fissuras no sistema que abalem suas estruturas. O estudo é dividido em duas partes e nove capítulos e emprega o método histórico- dialético, pois reconhece que é da prática que deve partir o pensamento de quem realiza uma pesquisa científica, não da teoria e da ideia. Afasta-se do discurso de autoridade, do humanismo teórico, do racionalismo instrumental e das vertentes reformistas do Direito Burguês.The study aims to observe the work that happens through digital platforms. It focuses, on the one hand, on the offline crowdwork of drivers and delivery workers in order to identify the aspect of legal subordination present in it. On the other hand, it focuses on online crowdwork in order to verify whether the workers involved in it can be protected by Labor Law. To delve into the intricacies of digital work platforms, this study begins by addressing: a) the centrality of work in the formation and development of the social being and the configuration it assumed in capital society; b) the role of Law and the State in legitimizing the capitalist mode of production; c) the natural movement of capitalism in terms of accumulation and expansion; d) the importance of technologies for intensifying production and increasing relative surplus value; e) the relationship between productive restructuring, the different stages of capitalism and existing technologies; f) the importance of the reserve army of labor for maintaining the low standard of working conditions; g) neoliberal rationality and its ability to obscure any attempt to overcome the capital system. It is noteworthy that work through digital platforms has been organized and controlled in different ways. In the case of offline crowdwork by drivers and delivery workers, based on the analysis of evidence obtained in civil investigations and the results of scientific research, in comparison with the concept of legal subordination in its different aspects, this research ensures that, in addition to the other assumptions of the employment relationship, subordination is present in its classic aspect, in which orders are issued directly by companies, but through algorithmic programming carried out, and such orders are intense, constant and binding. With regard to online crowdwork, the study attests that there are a myriad of possibilities for classifying the type of link maintained between the parties, ranging from truly autonomous work, through economically dependent autonomous work, to subordinate work from the classical, structural, integrative or reticular structure model perspectives. The categorization will depend on the analysis of the specific case and, to this end, the interpreter must distance themselves from theoretical common sense and positivism, to connect with the general and specific principles of Law and, thus, adopt a structuring hermeneutics that guarantees decent work in the digital environment. It should be noted, however, that Brazilian jurisprudence, especially from the Federal Supreme Court, has been employing hermeneutics not accepted by the principles of Labor Law and privileging economic interests to the detriment of the social interests most dear to the working class. The importance of mobilizing workers to face the aforementioned precariousness is highlighted – which must occur at an international level, since the hiring of platformed work also takes place on a global scale. Finally, the marxist theory is reaffirmed according to which there is no truly free worker selling their labor power to capital, but, on the other hand, it points to the direction of social emancipation, which will not be the result of Law’s working efforts, and which presupposes a transitional moment in which it is necessary to expand social protection to inhibit precariousness and slow deaths in work pari passu to the creation of fissures in the system that undermine its structures. The study is divided into two parts and nine chapters and uses the historical-dialectic method, as it recognizes that it is from practice that the thinking of those who carry out scientific research must come from, not from theory and ideas. It moves away from the discourse of authority, theoretical humanism, instrumental rationalism and the reformist aspects of Bourgeois Law.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em DireitoUFPEBrasilAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessTrabalho plataformizadoCrowdwork off-lineCrowdwork onlineSubordinação x autonomiaHermenêuticaLutas de classeDéjà-Vu: a precarização no trabalho plataformizado e a importância de uma hermenêutica estruturante que garanta a efetividade dos direitos trabalhistasinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutoradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALTESE Vanessa Patriota da Fonseca.pdfTESE Vanessa Patriota da Fonseca.pdfapplication/pdf3001176https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/60410/1/TESE%20Vanessa%20Patriota%20da%20Fonseca.pdf5cbbfb25ea1bf78e1e0e5db22f196b05MD51CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; 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