O silêncio e o segredo do cabeça de cuia: um estudo sobre a situação de violência vivida pelos gays no Vale do Rio Guaribas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Fernando Mafra de Souza Junior, Paulo
Orientador(a): de Lourdes Meira Cordeiro, Rosineide
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/0013000013zzv
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/9764
Resumo: Este estudo trata da situação de violência vivida pelos gays no entorno do Vale do Rio Guaribas Piauí, tendo como objetivos: analisar as expressões da violência vivida pelos gays por meio da: 1) caracterização das formas de violência contra gays; 2) descrição dos mecanismos de enfrentamento da violência e efetivação das denúncias; e, 3) identificação das transformações ocorridas nas situações de violência após a realização das Paradas de LGBT na cidade de Picos. É uma pesquisa de metodologia qualitativa, na qual foram analisados os aspectos subjetivos da violência. Foram realizadas doze entrevistas, delimitadas através das técnicas de saturação de dados e bola de neve‟, tendo como seleção dos sujeitos pesquisados os seguintes critérios de coleta dos dados: a) ser indicado direta ou indiretamente pelos representantes do movimento LGBT na cidade de Picos; b) assumir o posicionamento gay em diversas situações do seu cotidiano; c) ter mais de 18 anos de idade. A análise dos dados se deu segundo as perspectivas foulcaultianas, configuradas no campo dos Estudos Gays e Teorias Queers. A hipótese que direcionou esta dissertação é de que a violência vivida pelos gays se constitui sob os mecanismos do poder que, através dos dispositivos da sexualidade e técnicas de hierarquização das subcategorias sexuais, fomentados pela economia burguesa, põem luminosidades sob o posicionamento-identitário gay, fazendo com que este apareça, ora como anormal e transgressor da heteronormatividade, ora como normal e regulador das práticas homossexuais. Os resultados mostraram que a situação de violência contra gay se expressa, freqüentemente, através dos olhares, gestos, palavras, agressões físicas e latrocínios, sendo as primeiras experiências percebidas no contexto familiar, doméstico e, sobretudo, escolar. A violência é, majoritariamente, associada às situações nas quais os eventos, lugares e posicionamentos dos sujeitos apresentaram-se regularizados e normatizados pela heterossexualidade, apontados como: reunião familiar, sala de aula, comércio, festas de rua, bares, praças e em negociações sexuais com parentes, vizinhos, garotos de programa e desconhecidos. É freqüente a discriminação verbal, controle dos gestos e olhares disciplinadores no ambiente familiar e doméstico; gestos e palavras pejorativas, agressões físicas, ameaças e atitudes preconceituosas e discriminatórias no ambiente escolar, comercial e em bares; nas festas de rua, praças, lugares ermos e residência das vítimas, as agressões verbais, físicas e latrocínios. As denúncias não são exercidas na comunidade, a polícia não é procurada porque a situação de violência é agravada, segundo experiências de alguns dos entrevistados, observando-se a lei do silêncio e a norma do segredo, pois às denúncias é praticada apenas entre os amigos, que entre si, procuram elaborar formas alternativas de enfrentamento da situação de violência. A violência contra gays no espaço público diminuiu consideravelmente após a realização das Paradas de LGBT, havendo um recrudescimento nos ambientes familiares e doméstico, percebida nas mudanças na forma de olhar, permanecendo de forma mais sutil nas atitudes preconceituosas, discriminação verbal e expressões gestuais
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É uma pesquisa de metodologia qualitativa, na qual foram analisados os aspectos subjetivos da violência. Foram realizadas doze entrevistas, delimitadas através das técnicas de saturação de dados e bola de neve‟, tendo como seleção dos sujeitos pesquisados os seguintes critérios de coleta dos dados: a) ser indicado direta ou indiretamente pelos representantes do movimento LGBT na cidade de Picos; b) assumir o posicionamento gay em diversas situações do seu cotidiano; c) ter mais de 18 anos de idade. A análise dos dados se deu segundo as perspectivas foulcaultianas, configuradas no campo dos Estudos Gays e Teorias Queers. A hipótese que direcionou esta dissertação é de que a violência vivida pelos gays se constitui sob os mecanismos do poder que, através dos dispositivos da sexualidade e técnicas de hierarquização das subcategorias sexuais, fomentados pela economia burguesa, põem luminosidades sob o posicionamento-identitário gay, fazendo com que este apareça, ora como anormal e transgressor da heteronormatividade, ora como normal e regulador das práticas homossexuais. Os resultados mostraram que a situação de violência contra gay se expressa, freqüentemente, através dos olhares, gestos, palavras, agressões físicas e latrocínios, sendo as primeiras experiências percebidas no contexto familiar, doméstico e, sobretudo, escolar. A violência é, majoritariamente, associada às situações nas quais os eventos, lugares e posicionamentos dos sujeitos apresentaram-se regularizados e normatizados pela heterossexualidade, apontados como: reunião familiar, sala de aula, comércio, festas de rua, bares, praças e em negociações sexuais com parentes, vizinhos, garotos de programa e desconhecidos. É freqüente a discriminação verbal, controle dos gestos e olhares disciplinadores no ambiente familiar e doméstico; gestos e palavras pejorativas, agressões físicas, ameaças e atitudes preconceituosas e discriminatórias no ambiente escolar, comercial e em bares; nas festas de rua, praças, lugares ermos e residência das vítimas, as agressões verbais, físicas e latrocínios. As denúncias não são exercidas na comunidade, a polícia não é procurada porque a situação de violência é agravada, segundo experiências de alguns dos entrevistados, observando-se a lei do silêncio e a norma do segredo, pois às denúncias é praticada apenas entre os amigos, que entre si, procuram elaborar formas alternativas de enfrentamento da situação de violência. A violência contra gays no espaço público diminuiu consideravelmente após a realização das Paradas de LGBT, havendo um recrudescimento nos ambientes familiares e doméstico, percebida nas mudanças na forma de olhar, permanecendo de forma mais sutil nas atitudes preconceituosas, discriminação verbal e expressões gestuaisporUniversidade Federal de PernambucoAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessViolência contra GayHomofobiaHomossexualidadeMovimento GayParadas LGBT.O silêncio e o segredo do cabeça de cuia: um estudo sobre a situação de violência vivida pelos gays no Vale do Rio Guaribasinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPETHUMBNAILarquivo6532_1.pdf.jpgarquivo6532_1.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1198https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/9764/4/arquivo6532_1.pdf.jpg2dfb2d321bf18b487ead28debb119c3fMD54ORIGINALarquivo6532_1.pdfapplication/pdf1979918https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/9764/1/arquivo6532_1.pdfcd5adaae4465b7a7145b88a7cb9bd6adMD51LICENSElicense.txttext/plain1748https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/9764/2/license.txt8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD52TEXTarquivo6532_1.pdf.txtarquivo6532_1.pdf.txtExtracted texttext/plain465048https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/9764/3/arquivo6532_1.pdf.txtb9b37852e871aa8c7e6f59127fbc5665MD53123456789/97642019-10-25 15:17:44.131oai:repositorio.ufpe.br:123456789/9764Tk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212019-10-25T18:17:44Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false
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