O social-comercial na publicidade que dialoga com a criança : processos de ressignificação do discurso publicitário frente às demandas sociais por regulamentação
| Ano de defesa: | 2019 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
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| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pos Graduacao em Comunicacao
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Brasil
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/41991 |
Resumo: | A investigação aqui proposta analisa práticas discursivas do setor publicitário diante da validação de um instrumento jurídico que versa sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente brasileiros (Resolução 163/2014 do CONANDA). As possibilidades de interseção entre as experiências infantis e os processos de publicização de marcas na contemporaneidade são incontáveis e representam uma das principais controvérsias entre o setor publicitário e os movimentos consumeristas brasileiros que demandam a regulamentação do que se costuma intitular “publicidade infantil”. Vimos, então, que quando os discursos publicitários evidenciam traços de sua vertente econômica, e distanciam-se de valores de justiça, deixando-se de associar ao bem-estar das pessoas, um certo incômodo social germina e aquece articulações de resistência baseadas em uma espécie de saturação discursiva. Apropriamo-nos, então, dos chamados planos de leitura de Stuart Hall (1997 [1973]) para refletir sobre como as instâncias produtoras dos discursos das marcas têm decodificado as práticas sociais de modo a se pronunciarem em conformidade com posturas dominante-hegemônicas; de oposição; ou negociadas. Em decorrência deste exercício, percebemos uma crescente sensibilidade do setor no oferecimento de conteúdos que ao mesmo tempo em que propiciam soluções para dilemas e carências sociais, reforçam tendências centralizadoras. Os “discursos publicitários pós- resolução 163 do CONANDA” são, portanto, observados a partir de lentes nacionais e globais, com o objetivo de apontar tendências discursivas, pondo à prova a hipótese de uma comunicação publicitária que, nas entrelinhas de seus enunciados, se propõe como coparticipante na formação de cidadãos responsáveis e, assim, dissolve e absorve parte da resistência. Desse modo, a publicidade que dialoga com as crianças passa a se traduzir por “atos de comunicação de marcas”, enquanto percorre um trajeto em busca de dignidade por meio de uma associação de seus propósitos “existenciais” à promoção de conteúdos e experiências conectados com atitudes e comportamentos socialmente responsáveis para com o meio ambiente, em prol do outro, e/ou no cuidado de si. Utilizam-se, como aporte teórico- metodológico, conceitos de autores da sociologia da infância como Ariès (1981) e Qvortrup (2010); dos estudos sobre a relação mídia e infância com Buckingham (2007; 2012); da sociologia do consumo, por meio de Taschner (2011), Fontenelle (2017), Rocha (2010) e Cook (2004); da filosofia da linguagem com Bakhtin (1996) e Fairclough (2001); dos Estudos Culturais através de Hall (1997[1973]), Grossberg (2010), Williams (2011[1980]) e Machado (2011); da antropologia do consumo através de Rocha (2006); da ética publicitária com Méndiz Noguero (2005) e Bragaglia (2009); das narrativas do consumo com Covaleski (2010; 2015; 2016), Burrowes (2017), Rett (2017) e Malmelin (2010); e da Publicidade Social por meio de Nos Aldás (2007), Feliu García (2004) e Saldanha (2018). As discussões do trabalho se fundamentam sobre exemplos coletados com vistas a responder a problemática enunciada, além de entrevistas realizadas com representantes do setor publicitário. A partir da confirmação de nossa hipótese de trabalho constatamos como o potencial de associação dos discursos de publicização das marcas ao “social” pode ser acionado de modo a driblar a Resolução 163/2014 do CONANDA. |
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GUEDES, Brenda Lyrahttp://lattes.cnpq.br/8331182362728167http://lattes.cnpq.br/8848818321253108COVALESKI, Rogério Luiz2021-12-07T14:56:01Z2021-12-07T14:56:01Z2019-08-21GUEDES, Brenda Lyra. O social-comercial na publicidade que dialoga com a criança: processos de ressignificação do discurso publicitário frente às demandas sociais por regulamentação. 2019. Tese (Doutorado em Comunicação) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/41991A investigação aqui proposta analisa práticas discursivas do setor publicitário diante da validação de um instrumento jurídico que versa sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente brasileiros (Resolução 163/2014 do CONANDA). As possibilidades de interseção entre as experiências infantis e os processos de publicização de marcas na contemporaneidade são incontáveis e representam uma das principais controvérsias entre o setor publicitário e os movimentos consumeristas brasileiros que demandam a regulamentação do que se costuma intitular “publicidade infantil”. Vimos, então, que quando os discursos publicitários evidenciam traços de sua vertente econômica, e distanciam-se de valores de justiça, deixando-se de associar ao bem-estar das pessoas, um certo incômodo social germina e aquece articulações de resistência baseadas em uma espécie de saturação discursiva. Apropriamo-nos, então, dos chamados planos de leitura de Stuart Hall (1997 [1973]) para refletir sobre como as instâncias produtoras dos discursos das marcas têm decodificado as práticas sociais de modo a se pronunciarem em conformidade com posturas dominante-hegemônicas; de oposição; ou negociadas. Em decorrência deste exercício, percebemos uma crescente sensibilidade do setor no oferecimento de conteúdos que ao mesmo tempo em que propiciam soluções para dilemas e carências sociais, reforçam tendências centralizadoras. Os “discursos publicitários pós- resolução 163 do CONANDA” são, portanto, observados a partir de lentes nacionais e globais, com o objetivo de apontar tendências discursivas, pondo à prova a hipótese de uma comunicação publicitária que, nas entrelinhas de seus enunciados, se propõe como coparticipante na formação de cidadãos responsáveis e, assim, dissolve e absorve parte da resistência. Desse modo, a publicidade que dialoga com as crianças passa a se traduzir por “atos de comunicação de marcas”, enquanto percorre um trajeto em busca de dignidade por meio de uma associação de seus propósitos “existenciais” à promoção de conteúdos e experiências conectados com atitudes e comportamentos socialmente responsáveis para com o meio ambiente, em prol do outro, e/ou no cuidado de si. Utilizam-se, como aporte teórico- metodológico, conceitos de autores da sociologia da infância como Ariès (1981) e Qvortrup (2010); dos estudos sobre a relação mídia e infância com Buckingham (2007; 2012); da sociologia do consumo, por meio de Taschner (2011), Fontenelle (2017), Rocha (2010) e Cook (2004); da filosofia da linguagem com Bakhtin (1996) e Fairclough (2001); dos Estudos Culturais através de Hall (1997[1973]), Grossberg (2010), Williams (2011[1980]) e Machado (2011); da antropologia do consumo através de Rocha (2006); da ética publicitária com Méndiz Noguero (2005) e Bragaglia (2009); das narrativas do consumo com Covaleski (2010; 2015; 2016), Burrowes (2017), Rett (2017) e Malmelin (2010); e da Publicidade Social por meio de Nos Aldás (2007), Feliu García (2004) e Saldanha (2018). As discussões do trabalho se fundamentam sobre exemplos coletados com vistas a responder a problemática enunciada, além de entrevistas realizadas com representantes do setor publicitário. A partir da confirmação de nossa hipótese de trabalho constatamos como o potencial de associação dos discursos de publicização das marcas ao “social” pode ser acionado de modo a driblar a Resolução 163/2014 do CONANDA.CAPESThis research analyses discursive practices of the advertising industry considering the approval of the “Resolução 163/2014 do CONANDA”. When it comes to advertise to children (directly or not) the possibilities are countless and the lack of clarity about the strategies used by the brands are one of the main controversies between advertisers and brazilian consumer movements that demand legal parameters to guide this issue. We saw, then, that when advertising discourses evidence its economic aspect moving away from values of justice, failing to associate with the well-being of people, a certain social discomfort germinates and favors resistance articulations based on what we named as discursive saturation. Considering Stuart Hall’s (1997 [1973]) perspective of decoding practices, we noticed a growing sensitivity of the industry in offering content that, while providing solutions to social needs, reinforce centralizing tendencies. Our hypothesis stands for a (communicational) practice that presents itself as an important social agent in the process of educating responsible citizens – an argument that weakens part of the resistance. From this point of view, we can think about advertising practices that dialogue with children as “acts of brand communication” in search of dignity – a path that is traveled through an association of advertising purposes with the promotion of great content connected with socially responsable atitudes to the environment, towards other people, and for itself. The investigation is supported by theoretical and methodological contributions from Ariès (1981); Qvortrup (2010); Buckingham (2007; 2012); Taschner (2011); Fontenelle (2017); Rocha (2010); Cook (2004); Bakhtin (1996); Fairclough (2001); Hall (1997[1973]); Grossberg (2010); Williams (2011[1980]); Machado (2011); Rocha (2006); Méndiz Noguero (2005); Bragaglia (2009); Covaleski (2010; 2015; 2016); Burrowes (2017); Rett (2017); Malmelin (2010); Nos Aldás (2007); Feliu García (2004); Saldanha (2018), among others. The discussions presented in this research are based on examples collected in order to answer the problem of the investigation, as well as on interviews with representatives of the advertising industry. Confirming our working hypothesis, we testified about the potential association of brand discourses with “social” aspects in order to circumvent CONANDA’s resolution and dissolve the resistances.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em ComunicacaoUFPEBrasilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessNarrativas PublicitáriasInfânciaResponsabilidade SocialResistênciaRegulamentaçãoO social-comercial na publicidade que dialoga com a criança : processos de ressignificação do discurso publicitário frente às demandas sociais por regulamentaçãoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutoradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALTESE Brenda Lyra Guedes.pdfTESE Brenda Lyra Guedes.pdfapplication/pdf14861551https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/41991/1/TESE%20Brenda%20Lyra%20Guedes.pdfd85bba4e1161eb58589c49a85ff08e9aMD51CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; charset=utf-8811https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/41991/2/license_rdfe39d27027a6cc9cb039ad269a5db8e34MD52LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81908https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/41991/3/license.txtc59d330e2c454f71974f5866a0e8a96aMD53TEXTTESE Brenda Lyra Guedes.pdf.txtTESE Brenda Lyra Guedes.pdf.txtExtracted texttext/plain514839https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/41991/4/TESE%20Brenda%20Lyra%20Guedes.pdf.txt58dd610b9419e828a4f2be625bc6191eMD54THUMBNAILTESE Brenda Lyra Guedes.pdf.jpgTESE Brenda Lyra Guedes.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1318https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/41991/5/TESE%20Brenda%20Lyra%20Guedes.pdf.jpg08bf7a8b14c34d6c01fcfb6786412520MD55123456789/419912021-12-08 02:09:18.939oai:repositorio.ufpe.br:123456789/41991VGVybW8gZGUgRGVww7NzaXRvIExlZ2FsIGUgQXV0b3JpemHDp8OjbyBwYXJhIFB1YmxpY2HDp8OjbyBkZSBUcmFiYWxob3MgQWNhZMOqbWljb3Mgbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvIERpZ2l0YWwgZGEgVUZQRQoKRGVjbGFybyBwYXJhIG9zIGRldmlkb3MgZmlucyBkZXN0ZSBUZXJtbyBkZSBEZXDDs3NpdG8gTGVnYWwgZSBBdXRvcml6YcOnw6NvIHBhcmEgUHVibGljYcOnw6NvIGRlIFRyYWJhbGhvcyBBY2Fkw6ptaWNvcyBubyBSZXBvc2l0w7NyaW8gRGlnaXRhbCBkYSBVRlBFIHF1ZSBlc3RvdSBjaWVudGUgcXVlOgpJIC0gbyBjb250ZcO6ZG8gZGlzcG9uaWJpbGl6YWRvIMOpIGRlIG1pbmhhIGludGVpcmEgcmVzcG9uc2FiaWxpZGFkZTsKSUkgLSBvIGNvbnRlw7pkbyDDqSBvcmlnaW5hbCwgZSBzZSBvIHRyYWJhbGhvIGUvb3UgcGFsYXZyYXMgZGUgb3V0cmFzIHBlc3NvYXMgZm9yYW0gdXRpbGl6YWRvcywgZXN0YXMgZm9yYW0gZGV2aWRhbWVudGUgcmVjb25oZWNpZGFzOwpJSUkgLSBhIGFsdGVyYcOnw6NvIGRhIG1vZGFsaWRhZGUgZGUgYWNlc3NvIGFvIHRyYWJhbGhvIGFww7NzIG8gZGVww7NzaXRvIGUgYW50ZXMgZGUgZmluZGFyIG8gcGVyw61vZG8gZGUgZW1iYXJnbywgcXVhbmRvIGZvciBlc2NvbGhpZG8gYWNlc3NvIHJlc3RyaXRvLCBzZXLDoSBwZXJtaXRpZGEgbWVkaWFudGUgc29saWNpdGHDp8OjbyBkbyAoYSkgYXV0b3IgKGEpIGFvIFNpc3RlbWEgSW50ZWdyYWRvIGRlIEJpYmxpb3RlY2FzIGRhIFVGUEUgKFNJQi9VRlBFKS4KIApQYXJhIHRyYWJhbGhvcyBlbSBBY2Vzc28gYWJlcnRvOgpOYSBxdWFsaWRhZGUgZGUgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgZGUgYXV0b3IgcXVlIHJlY2FlbSBzb2JyZSBlc3RlIFRyYWJhbGhvIEFjYWTDqm1pY28sIGZ1bmRhbWVudGFkbyBuYSBMZWkgZGUgRGlyZWl0byBBdXRvcmFsIG5vIDkuMTYwIGRlIDE5IGRlIGZldmVyZWlybyBkZSAxOTk4LCBhcnQuIDI5LCBpbmNpc28gSUlJLCBhdXRvcml6byBhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBGZWRlcmFsIGRlIFBlcm5hbWJ1Y28gYSBkaXNwb25pYmlsaXphciBncmF0dWl0YW1lbnRlLCBzZW0gcmVzc2FyY2ltZW50byBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMsIHBhcmEgZmlucyBkZSBsZWl0dXJhLCBpbXByZXNzw6NvIGUvb3UgZG93bmxvYWQgKGFxdWlzacOnw6NvKSBhdHJhdsOpcyBkbyBzaXRlIGRvIFJlcG9zaXTDs3JpbyBEaWdpdGFsIGRhIFVGUEUgbm8gZW5kZXJlw6dvIGh0dHA6Ly93d3cucmVwb3NpdG9yaW8udWZwZS5iciwgYSBwYXJ0aXIgZGEgZGF0YSBkZSBkZXDDs3NpdG8uCgpQYXJhIHRyYWJhbGhvcyBlbSBBY2Vzc28gcmVzdHJpdG86Ck5hIHF1YWxpZGFkZSBkZSB0aXR1bGFyIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcyBkZSBhdXRvciBxdWUgcmVjYWVtIHNvYnJlIGVzdGUgVHJhYmFsaG8gZGUgQ29uY2x1c8OjbyBkZSBDdXJzbywgZnVuZGFtZW50YWRvIG5hIExlaSBkZSBEaXJlaXRvIEF1dG9yYWwgbm8gOS4xNjAgZGUgMTkgZGUgZmV2ZXJlaXJvIGRlIDE5OTgsIGFydC4gMjksIGluY2lzbyBJSUksIGF1dG9yaXpvIGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgUGVybmFtYnVjbyBhIGRpc3BvbmliaWxpemFyIGdyYXR1aXRhbWVudGUsIHNlbSByZXNzYXJjaW1lbnRvIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgcGFyYSBmaW5zIGRlIGxlaXR1cmEsIGltcHJlc3PDo28gZS9vdSBkb3dubG9hZCAoYXF1aXNpw6fDo28pIGF0cmF2w6lzIGRvIHNpdGUgZG8gUmVwb3NpdMOzcmlvIERpZ2l0YWwgZGEgVUZQRSBubyBlbmRlcmXDp28gaHR0cDovL3d3dy5yZXBvc2l0b3Jpby51ZnBlLmJyLCBxdWFuZG8gZmluZGFyIG8gcGVyw61vZG8gZGUgYXTDqSAwMSBhbm8gZGUgZW1iYXJnbywgY29uZm9ybWUgaW5mb3JtYWRvIG5vIGNhbXBvIERhdGEgZGUgRW1iYXJnby4KRepositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212021-12-08T05:09:18Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false |
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A investigação aqui proposta analisa práticas discursivas do setor publicitário diante da validação de um instrumento jurídico que versa sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente brasileiros (Resolução 163/2014 do CONANDA). As possibilidades de interseção entre as experiências infantis e os processos de publicização de marcas na contemporaneidade são incontáveis e representam uma das principais controvérsias entre o setor publicitário e os movimentos consumeristas brasileiros que demandam a regulamentação do que se costuma intitular “publicidade infantil”. Vimos, então, que quando os discursos publicitários evidenciam traços de sua vertente econômica, e distanciam-se de valores de justiça, deixando-se de associar ao bem-estar das pessoas, um certo incômodo social germina e aquece articulações de resistência baseadas em uma espécie de saturação discursiva. Apropriamo-nos, então, dos chamados planos de leitura de Stuart Hall (1997 [1973]) para refletir sobre como as instâncias produtoras dos discursos das marcas têm decodificado as práticas sociais de modo a se pronunciarem em conformidade com posturas dominante-hegemônicas; de oposição; ou negociadas. Em decorrência deste exercício, percebemos uma crescente sensibilidade do setor no oferecimento de conteúdos que ao mesmo tempo em que propiciam soluções para dilemas e carências sociais, reforçam tendências centralizadoras. Os “discursos publicitários pós- resolução 163 do CONANDA” são, portanto, observados a partir de lentes nacionais e globais, com o objetivo de apontar tendências discursivas, pondo à prova a hipótese de uma comunicação publicitária que, nas entrelinhas de seus enunciados, se propõe como coparticipante na formação de cidadãos responsáveis e, assim, dissolve e absorve parte da resistência. Desse modo, a publicidade que dialoga com as crianças passa a se traduzir por “atos de comunicação de marcas”, enquanto percorre um trajeto em busca de dignidade por meio de uma associação de seus propósitos “existenciais” à promoção de conteúdos e experiências conectados com atitudes e comportamentos socialmente responsáveis para com o meio ambiente, em prol do outro, e/ou no cuidado de si. Utilizam-se, como aporte teórico- metodológico, conceitos de autores da sociologia da infância como Ariès (1981) e Qvortrup (2010); dos estudos sobre a relação mídia e infância com Buckingham (2007; 2012); da sociologia do consumo, por meio de Taschner (2011), Fontenelle (2017), Rocha (2010) e Cook (2004); da filosofia da linguagem com Bakhtin (1996) e Fairclough (2001); dos Estudos Culturais através de Hall (1997[1973]), Grossberg (2010), Williams (2011[1980]) e Machado (2011); da antropologia do consumo através de Rocha (2006); da ética publicitária com Méndiz Noguero (2005) e Bragaglia (2009); das narrativas do consumo com Covaleski (2010; 2015; 2016), Burrowes (2017), Rett (2017) e Malmelin (2010); e da Publicidade Social por meio de Nos Aldás (2007), Feliu García (2004) e Saldanha (2018). As discussões do trabalho se fundamentam sobre exemplos coletados com vistas a responder a problemática enunciada, além de entrevistas realizadas com representantes do setor publicitário. A partir da confirmação de nossa hipótese de trabalho constatamos como o potencial de associação dos discursos de publicização das marcas ao “social” pode ser acionado de modo a driblar a Resolução 163/2014 do CONANDA. |
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