Caracterização termodinâmica da resposta imune humoral contra a proteína do envelope do vírus da Dengue
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
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| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pos Graduacao em Quimica
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Não Informado pela instituição
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| País: |
Brasil
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66617 |
Resumo: | Evasão imune é o fenômeno pelo qual um patógeno passa a escapar das tentativas do sistema imune do hospedeiro de combatê-lo, geralmente por acúmulo de mutações genéticas. A evasão imune humoral pode ser modelada quimicamente como um sistema de interações proteína a proteína (anticorpo-antígeno), no qual alterações no antígeno nativo podem levar ao desligamento do complexo. Variações de duas ordens de grandeza na constante de dissociação do complexo mutante em relação ao nativo, correspondentes a aumentos de energia livre de Gibbs (∆∆G) de 2,84 kcal/mol, são suficientes para levar à evasão. A Dengue é a mais importante doença viral transmitida por mosquitos, causada por um flavivírus de RNA (DENV) com quatro sorotipos distintos. No paradigma fisiopatológico vigente, não há evasão imune por sorotipo (um paciente pode contrair cada sorotipo de DENV apenas uma vez). Porém, a situação epidemiológica de 2024 (aumento desproporcional de incidência ao curto intervalo) e evidências da possibilidade de evasão imune na Dengue, podem apontar o contrário, motivo deste trabalho. A hipótese principal foi de que o acúmulo de mutações na proteína mais antigênica do sorotipo 2 de DENV, a proteína do envelope (E), pode provocar evasão imune humoral. Tendo em vista o alto volume de dados e a necessidade de cálculos rápidos, comum em problemas biológicos, tal hipótese foi testada por três metodologias computacionais distintas, duas com cálculo por métodos físicos (Rosetta Flex ddG e FoldX), e uma por algoritmo de aprendizagem de máquinas (PBEE). Comparamos o ∆∆G de interação da proteína E com anticorpos de mamíferos àquela entre os mesmos anticorpos e proteínas E com estrutura resolvida no PDB (cepas de 2010-2014) e mais recentes (2023-2024), obtidas em parceria com a Rede Genômica da FIOCRUZ. Resultados dos métodos físicos corroboram a hipótese principal; já os do PBEE corroboram a hipótese nula, sendo os únicos compatíveis com a determinação experimental de ∆∆G de complexos da proteína E, disponível para quatro das dez estruturas testadas em nosso conjunto de dados. Tais resultados não sugerem ocorrência de evasão imune nas cepas testadas até o momento, e infere-se que as estratégias vacinais desenvolvidas e testadas experimentalmente devem manter sua eficácia por ora. O trabalho traz novidade metodológica, dado o desenvolvimento de um novo protocolo de avaliação computacional rápida de evasão imune humoral em vírus a partir de dados de sequenciamento genômico. Espera-se que este contribua para melhor compreensão da fisiopatologia e dinâmica viral, permitindo o desenvolvimento de ferramentas de vigilância epidemiológicas mais robustas, acuradas e preditivas, incluindo a previsão de eficácia vacinal frente a futuros surtos. |
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Variações de duas ordens de grandeza na constante de dissociação do complexo mutante em relação ao nativo, correspondentes a aumentos de energia livre de Gibbs (∆∆G) de 2,84 kcal/mol, são suficientes para levar à evasão. A Dengue é a mais importante doença viral transmitida por mosquitos, causada por um flavivírus de RNA (DENV) com quatro sorotipos distintos. No paradigma fisiopatológico vigente, não há evasão imune por sorotipo (um paciente pode contrair cada sorotipo de DENV apenas uma vez). Porém, a situação epidemiológica de 2024 (aumento desproporcional de incidência ao curto intervalo) e evidências da possibilidade de evasão imune na Dengue, podem apontar o contrário, motivo deste trabalho. A hipótese principal foi de que o acúmulo de mutações na proteína mais antigênica do sorotipo 2 de DENV, a proteína do envelope (E), pode provocar evasão imune humoral. Tendo em vista o alto volume de dados e a necessidade de cálculos rápidos, comum em problemas biológicos, tal hipótese foi testada por três metodologias computacionais distintas, duas com cálculo por métodos físicos (Rosetta Flex ddG e FoldX), e uma por algoritmo de aprendizagem de máquinas (PBEE). Comparamos o ∆∆G de interação da proteína E com anticorpos de mamíferos àquela entre os mesmos anticorpos e proteínas E com estrutura resolvida no PDB (cepas de 2010-2014) e mais recentes (2023-2024), obtidas em parceria com a Rede Genômica da FIOCRUZ. Resultados dos métodos físicos corroboram a hipótese principal; já os do PBEE corroboram a hipótese nula, sendo os únicos compatíveis com a determinação experimental de ∆∆G de complexos da proteína E, disponível para quatro das dez estruturas testadas em nosso conjunto de dados. Tais resultados não sugerem ocorrência de evasão imune nas cepas testadas até o momento, e infere-se que as estratégias vacinais desenvolvidas e testadas experimentalmente devem manter sua eficácia por ora. O trabalho traz novidade metodológica, dado o desenvolvimento de um novo protocolo de avaliação computacional rápida de evasão imune humoral em vírus a partir de dados de sequenciamento genômico. Espera-se que este contribua para melhor compreensão da fisiopatologia e dinâmica viral, permitindo o desenvolvimento de ferramentas de vigilância epidemiológicas mais robustas, acuradas e preditivas, incluindo a previsão de eficácia vacinal frente a futuros surtos.Immune evasion is the phenomenon by which a pathogen escapes the host's immune response, typically through the accumulation of genetic mutations. Humoral immune evasion can be chemically modeled as a protein–protein interaction system (antibody–antigen), where mutations in the native antigen may disrupt the complex. A two-order magnitude increase in the dissociation constant of the mutant complex compared to the native—corresponding to a rise in Gibbs free energy (∆∆G) of 2.84 kcal/mol—is sufficient to induce evasion. Dengue is the most significant mosquito-borne viral disease, caused by an RNA flavivirus (DENV) with four distinct serotypes. The prevailing pathophysiological paradigm asserts that serotype specific immune evasion does not occur (i.e., a patient can only contract each DENV serotype once). However, the disproportionate increase in incidence over a short interval in 2024, along with emerging evidence of immune evasion in Dengue, may challenge this view—motivating this investigation. Our central hypothesis was that the accumulation of mutations in the envelope (E) protein, the most antigenic protein of DENV serotype 2, may lead to humoral immune evasion. Given the need for rapid and high-throughput calculations, common in biological problems, this hypothesis was tested using three distinct computational approaches: two physics-based methods (Rosetta Flex ddG and FoldX) and one machine learning algorithm (PBEE). We compared the ∆∆G of interaction between the E protein and mammalian antibodies with that of the same antibodies and E proteins with resolved structures from the PDB (2010 2014 strains) versus newer ones (2023–2024), obtained in collaboration with FIOCRUZ's Genomic Network. Results from the physics-based methods support the central hypothesis; results from PBEE support the null hypothesis, and only the latter aligned with experimentally determined ∆∆G values of E–antibody complexes. These findings do not suggest immune evasion in the tested strains—a positive outcome, indicating that current experimentally tested vaccine strategies are likely to remain effective for now. This work also presents methodological innovation, with the development of a new protocol for rapid computational assessment of viral humoral immune evasion based on genomic sequencing data. It is expected to contribute to a better understanding of viral pathophysiology and dynamics, enabling the development of more robust, accurate, and predictive epidemiological surveillance tools, including forecasts of vaccine efficacy against future outbreaks.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em QuimicaUFPEBrasilhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessVírus da Dengueevasão imune humoralenergia livre de GibbsCaracterização termodinâmica da resposta imune humoral contra a proteína do envelope do vírus da Dengueinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesismestradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALDISSERTAÇÃO Julio Cesar de Melo Simoes.pdfDISSERTAÇÃO Julio Cesar de Melo Simoes.pdfapplication/pdf17995003https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/66617/1/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20Julio%20Cesar%20de%20Melo%20Simoes.pdfa214a2a7e963b3d6088db56f04c670afMD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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