A sagração do dinheiro no neopentecostalismo : religião e interesse à luz do sistema da dádiva
| Ano de defesa: | 2006 |
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Universidade Federal de Pernambuco
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/9690 |
Resumo: | A presente tese procura refletir sobre o dinheiro como elemento de mediação na relação com o sagrado, na experiência religiosa neopentecostal. A referência empírica escolhida para este estudo é a Igreja Internacional da Graça de Deus. A compreensão do dinheiro como questão sociológica não pretende reduzir-se a uma crítica do mercado e ao utilitarismo diante do fato de que o dinheiro é uma peça central na expressão da fé daqueles que participam desse grupo religioso. O dinheiro, no uso que dele se faz no espaço do culto, indica uma produção social ou uma espécie de reinvenção do social comunitário. Esse aspecto sociológico é eixo norteador da análise que faremos a seguir e, para tanto, é preciso tratar o dinheiro para além de um equivalente geral, é preciso tratá-lo como símbolo. Para isso, a reflexão trilha seus caminhos à luz do sistema da dádiva. O referido caminho nos leva a afirmar que certo movimento utilitarista, trazido pela onda capitalista do mundo moderno, produziu o deslocamento das coisas dadas para aquelas que são guardadas, conservadas para si. E essa coisa chamada dinheiro parece figurar na vida social, no ápice de sua ousadia, quando, por qualquer motivo, encontramo-lo como parte do domínio do sagrado ou neste penetrando: o dinheiro não é danação ou algo considerado como tal, mas é santificado, quando imolado para se tornar oferta e, assim, contribuir para multiplicar as obras de Deus. Alguns textos e contextos tenderiam a afirmar que a penetração do dinheiro, no campo do sagrado, seria para profaná-lo, destruí-lo. Seria verdadeiro? O dízimo é dinheiro, é algo que pertence a Deus. Perguntamo-nos, todavia, sobre o que existe de sagrado nesse objeto, hoje tão nomeado no espaço religioso. Existe uma alma nesse objeto, e uma alma com muita importância (ou com a devida importância). O dinheiro é um ponto sólido, isto é, está entre as tantas realidades que fazem parte das trocas de dons cuja identidade estudamos na experiência atual do Neopentecostalismo. No contexto de uma sociedade centrada na economia de sistema de mercado, essa realidade chamada dinheiro parece ter encontrado, aí, nova base de sustentação que, como uma realidade abstraída por tal experiência religiosa, já mencionada, nós percebemos não como algo simplesmente provisório, mas duradouro. Mas a pergunta, a partir do espírito do dom e a qual não queremos calar, é esta: o dinheiro é sagrado? Quem o pede e quem o recebe? Quem o dá e quem espera receber? Existe um laço espiritual, um fio condutor espiritual que costura esse processo de relação com o dinheiro no espaço religioso que tomamos como ponto de referência |
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Elias da Silva, DranceHenrique Novaes Martins Albuquerque, Paulo 2014-06-12T23:15:45Z2014-06-12T23:15:45Z2006Elias da Silva, Drance; Henrique Novaes Martins Albuquerque, Paulo. A sagração do dinheiro no neopentecostalismo : religião e interesse à luz do sistema da dádiva. 2006. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/9690A presente tese procura refletir sobre o dinheiro como elemento de mediação na relação com o sagrado, na experiência religiosa neopentecostal. A referência empírica escolhida para este estudo é a Igreja Internacional da Graça de Deus. A compreensão do dinheiro como questão sociológica não pretende reduzir-se a uma crítica do mercado e ao utilitarismo diante do fato de que o dinheiro é uma peça central na expressão da fé daqueles que participam desse grupo religioso. O dinheiro, no uso que dele se faz no espaço do culto, indica uma produção social ou uma espécie de reinvenção do social comunitário. Esse aspecto sociológico é eixo norteador da análise que faremos a seguir e, para tanto, é preciso tratar o dinheiro para além de um equivalente geral, é preciso tratá-lo como símbolo. Para isso, a reflexão trilha seus caminhos à luz do sistema da dádiva. O referido caminho nos leva a afirmar que certo movimento utilitarista, trazido pela onda capitalista do mundo moderno, produziu o deslocamento das coisas dadas para aquelas que são guardadas, conservadas para si. E essa coisa chamada dinheiro parece figurar na vida social, no ápice de sua ousadia, quando, por qualquer motivo, encontramo-lo como parte do domínio do sagrado ou neste penetrando: o dinheiro não é danação ou algo considerado como tal, mas é santificado, quando imolado para se tornar oferta e, assim, contribuir para multiplicar as obras de Deus. Alguns textos e contextos tenderiam a afirmar que a penetração do dinheiro, no campo do sagrado, seria para profaná-lo, destruí-lo. Seria verdadeiro? O dízimo é dinheiro, é algo que pertence a Deus. Perguntamo-nos, todavia, sobre o que existe de sagrado nesse objeto, hoje tão nomeado no espaço religioso. Existe uma alma nesse objeto, e uma alma com muita importância (ou com a devida importância). O dinheiro é um ponto sólido, isto é, está entre as tantas realidades que fazem parte das trocas de dons cuja identidade estudamos na experiência atual do Neopentecostalismo. No contexto de uma sociedade centrada na economia de sistema de mercado, essa realidade chamada dinheiro parece ter encontrado, aí, nova base de sustentação que, como uma realidade abstraída por tal experiência religiosa, já mencionada, nós percebemos não como algo simplesmente provisório, mas duradouro. Mas a pergunta, a partir do espírito do dom e a qual não queremos calar, é esta: o dinheiro é sagrado? 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