Controle judicial da atividade normativa da ANAC: uma análise comparativa de decisões judiciais no setor da aviação civil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: FREIRE, Sheyla Canuto Barbosa
Orientador(a): NOBREGA, Marcos Antônio Rios da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Direito
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66986
Resumo: Este estudo analisa os contornos e os limites do controle jurisdicional sobre a atividade normativa da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), tendo como pano de fundo os desafios jurídicos e institucionais impostos pela crescente complexidade técnica da regulação setorial. Parte-se da constatação de uma lacuna teórica e jurisprudencial: a inexistência de critérios sistemáticos e juridicamente definidos para orientar a revisão judicial de normas infralegais editadas por agências reguladoras no Brasil. Embora a jurisprudência reconheça a legitimidade dessas entidades para editar normas técnicas, subsiste incerteza quanto à extensão dessa competência e, sobretudo, quanto aos parâmetros que devem nortear seu controle judicial. A pesquisa, de natureza qualitativa, combinou análise temática de conteúdo com estudo comparado de três decisões da Justiça Federal envolvendo atos normativos da ANAC. Os achados demonstram a coexistência de posturas judiciais díspares, ora deferentes, ora ativistas, marcadas por argumentações frágeis no exame da motivação técnica, das evidências consideradas e da observância aos procedimentos participativos exigidos pela boa governança regulatória. A ausência de critérios estáveis para o controle judicial das normas produzidas por agências reguladoras compromete a previsibilidade das políticas públicas e evidencia a dificuldade de consolidar uma cultura orientada por parâmetros consistentes de fiscalização procedimental. A análise das decisões judiciais sobre a atuação normativa da ANAC revela que, nos casos concretos estudados, o Judiciário oscila entre intervenções apressadas e deferência genérica, sem examinar com profundidade a motivação técnica, a análise de impacto regulatório ou a efetividade dos mecanismos participativos. Essa lacuna aponta não apenas uma imprecisão doutrinária, mas a dificuldade ou resistência prática em internalizar os comandos atualmente expressos na LINDB, inseridos pela Lei nº 13.655/2018, que exigem fundamentação qualificada, ponderação de consequências e respeito ao devido processo. Nesse contexto, ganha relevo a necessidade de uma atuação judicial institucionalmente responsável – que, sem invadir o mérito técnico, condicione a validade das normas regulatórias à observância de exigências mínimas de integridade procedimental, como a justificação transparente, a consideração de dados verificáveis e a abertura à participação social. Essa forma de controle reforça a racionalidade das escolhas administrativas e contribui para a qualificação da regulação, sem suprimir a discricionariedade técnica das agências. Tal abordagem sintoniza-se com os debates contemporâneos sobre deferência judicial, que rejeitam tanto o ativismo desinformado quanto a passividade institucional. No entanto, é preciso reconhecer os limites desse caminho: a exigência de justificativas públicas e procedimentos adequados por parte das agências é um passo relevante, mas não garante, por si só, a estabilidade e a legitimidade da regulação. Para além do controle judicial, esse aprimoramento depende da consolidação de uma cultura decisória mais transparente, do fortalecimento institucional das agências e de um controle social efetivo e qualificado. O Judiciário pode exercer um papel relevante nesse processo, mas não será ele, sozinho, o motor da transformação.
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Embora a jurisprudência reconheça a legitimidade dessas entidades para editar normas técnicas, subsiste incerteza quanto à extensão dessa competência e, sobretudo, quanto aos parâmetros que devem nortear seu controle judicial. A pesquisa, de natureza qualitativa, combinou análise temática de conteúdo com estudo comparado de três decisões da Justiça Federal envolvendo atos normativos da ANAC. Os achados demonstram a coexistência de posturas judiciais díspares, ora deferentes, ora ativistas, marcadas por argumentações frágeis no exame da motivação técnica, das evidências consideradas e da observância aos procedimentos participativos exigidos pela boa governança regulatória. A ausência de critérios estáveis para o controle judicial das normas produzidas por agências reguladoras compromete a previsibilidade das políticas públicas e evidencia a dificuldade de consolidar uma cultura orientada por parâmetros consistentes de fiscalização procedimental. A análise das decisões judiciais sobre a atuação normativa da ANAC revela que, nos casos concretos estudados, o Judiciário oscila entre intervenções apressadas e deferência genérica, sem examinar com profundidade a motivação técnica, a análise de impacto regulatório ou a efetividade dos mecanismos participativos. Essa lacuna aponta não apenas uma imprecisão doutrinária, mas a dificuldade ou resistência prática em internalizar os comandos atualmente expressos na LINDB, inseridos pela Lei nº 13.655/2018, que exigem fundamentação qualificada, ponderação de consequências e respeito ao devido processo. Nesse contexto, ganha relevo a necessidade de uma atuação judicial institucionalmente responsável – que, sem invadir o mérito técnico, condicione a validade das normas regulatórias à observância de exigências mínimas de integridade procedimental, como a justificação transparente, a consideração de dados verificáveis e a abertura à participação social. Essa forma de controle reforça a racionalidade das escolhas administrativas e contribui para a qualificação da regulação, sem suprimir a discricionariedade técnica das agências. Tal abordagem sintoniza-se com os debates contemporâneos sobre deferência judicial, que rejeitam tanto o ativismo desinformado quanto a passividade institucional. No entanto, é preciso reconhecer os limites desse caminho: a exigência de justificativas públicas e procedimentos adequados por parte das agências é um passo relevante, mas não garante, por si só, a estabilidade e a legitimidade da regulação. Para além do controle judicial, esse aprimoramento depende da consolidação de uma cultura decisória mais transparente, do fortalecimento institucional das agências e de um controle social efetivo e qualificado. O Judiciário pode exercer um papel relevante nesse processo, mas não será ele, sozinho, o motor da transformação.This study examines the contours and limits of judicial review over the normative activity of the National Civil Aviation Agency (ANAC), against the backdrop of legal and institutional challenges posed by the growing technical complexity of sectoral regulation. It starts from the identification of a theoretical and jurisprudential gap: the absence of systematic and legally defined criteria to guide judicial review of infralegal norms issued by regulatory agencies in Brazil. Although jurisprudence acknowledges the legitimacy of such entities to issue technical norms, uncertainty persists regarding the scope of this competence and, especially, the parameters that should govern their judicial oversight. The qualitative research combined thematic content analysis with a comparative study of three Federal Court decisions involving ANAC's normative acts. The findings reveal coexisting divergent judicial stances—ranging from deferential to activist—marked by weak arguments when examining technical reasoning, evidence considered, and compliance with participatory procedures required by sound regulatory governance. The lack of stable criteria for judicial review of agency-issued norms undermines the predictability of public policies and highlights the difficulty in consolidating a culture guided by consistent parameters of procedural scrutiny. Analysis of judicial decisions on ANAC's normative actions demonstrates that, in the cases studied, the Judiciary oscillates between hasty interventions and generic deference, without deeply examining technical justification, regulatory impact analysis, or the effectiveness of participatory mechanisms. This gap reflects not only doctrinal imprecision but also practical resistance to internalizing the requirements currently set forth in the LINDB (Law of Introduction to Brazilian Legal Norms), as amended by Law No. 13.655/2018, which demand qualified reasoning, consequence assessment, and due process. In this context, the need for institutionally responsible judicial action becomes paramount—one that conditions the validity of regulatory norms to minimum procedural integrity requirements (e.g., transparent justification, verifiable data, and social participation), without encroaching on technical merit. Such control reinforces the rationality of administrative choices and enhances regulatory quality without suppressing agencies' technical discretion. This approach aligns with contemporary debates on judicial deference, rejecting both uninformed activism and institutional passivity. However, its limits must be acknowledged: requiring public justification and adequate procedures from agencies is crucial but insufficient alone to ensure regulatory stability and legitimacy. Beyond judicial oversight, this progress depends on consolidating a more transparent decision-making culture, strengthening agencies institutionally, and establishing effective, qualified social control. While the Judiciary can play a key role, it alone cannot drive this transformation.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em DireitoUFPEBrasilhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessANACAgências reguladorasControle judicial dos atos normativosDireito da regulaçãoAviação civilControle judicial da atividade normativa da ANAC: uma análise comparativa de decisões judiciais no setor da aviação civilinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutoradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALTESE Sheyla Canuto Barbosa Freire.pdfTESE Sheyla Canuto Barbosa Freire.pdfapplication/pdf3107569https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/66986/1/TESE%20Sheyla%20Canuto%20Barbosa%20Freire.pdfd63847b55ef803c935ccbfdcc36e20fbMD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-82362https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/66986/2/license.txt5e89a1613ddc8510c6576f4b23a78973MD52TEXTTESE Sheyla Canuto Barbosa Freire.pdf.txtTESE Sheyla Canuto Barbosa Freire.pdf.txtExtracted texttext/plain845187https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/66986/3/TESE%20Sheyla%20Canuto%20Barbosa%20Freire.pdf.txt66294a424052f1d7f9601c3ebeb45f42MD53THUMBNAILTESE Sheyla Canuto Barbosa Freire.pdf.jpgTESE Sheyla Canuto Barbosa Freire.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1270https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/66986/4/TESE%20Sheyla%20Canuto%20Barbosa%20Freire.pdf.jpg910318bad052fba41bc0ee4489488a4bMD54123456789/669862025-11-30 16:35:38.0oai:repositorio.ufpe.br:123456789/66986VGVybW8gZGUgRGVww7NzaXRvIExlZ2FsIGUgQXV0b3JpemHDp8OjbyBwYXJhIFB1YmxpY2l6YcOnw6NvIGRlIERvY3VtZW50b3Mgbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvIERpZ2l0YWwgZGEgVUZQRQoKCkRlY2xhcm8gZXN0YXIgY2llbnRlIGRlIHF1ZSBlc3RlIFRlcm1vIGRlIERlcMOzc2l0byBMZWdhbCBlIEF1dG9yaXphw6fDo28gdGVtIG8gb2JqZXRpdm8gZGUgZGl2dWxnYcOnw6NvIGRvcyBkb2N1bWVudG9zIGRlcG9zaXRhZG9zIG5vIFJlcG9zaXTDs3JpbyBEaWdpdGFsIGRhIFVGUEUgZSBkZWNsYXJvIHF1ZToKCkkgLSBvcyBkYWRvcyBwcmVlbmNoaWRvcyBubyBmb3JtdWzDoXJpbyBkZSBkZXDDs3NpdG8gc8OjbyB2ZXJkYWRlaXJvcyBlIGF1dMOqbnRpY29zOwoKSUkgLSAgbyBjb250ZcO6ZG8gZGlzcG9uaWJpbGl6YWRvIMOpIGRlIHJlc3BvbnNhYmlsaWRhZGUgZGUgc3VhIGF1dG9yaWE7CgpJSUkgLSBvIGNvbnRlw7pkbyDDqSBvcmlnaW5hbCwgZSBzZSBvIHRyYWJhbGhvIGUvb3UgcGFsYXZyYXMgZGUgb3V0cmFzIHBlc3NvYXMgZm9yYW0gdXRpbGl6YWRvcywgZXN0YXMgZm9yYW0gZGV2aWRhbWVudGUgcmVjb25oZWNpZGFzOwoKSVYgLSBxdWFuZG8gdHJhdGFyLXNlIGRlIG9icmEgY29sZXRpdmEgKG1haXMgZGUgdW0gYXV0b3IpOiB0b2RvcyBvcyBhdXRvcmVzIGVzdMOjbyBjaWVudGVzIGRvIGRlcMOzc2l0byBlIGRlIGFjb3JkbyBjb20gZXN0ZSB0ZXJtbzsKClYgLSBxdWFuZG8gdHJhdGFyLXNlIGRlIFRyYWJhbGhvIGRlIENvbmNsdXPDo28gZGUgQ3Vyc28sIERpc3NlcnRhw6fDo28gb3UgVGVzZTogbyBhcnF1aXZvIGRlcG9zaXRhZG8gY29ycmVzcG9uZGUgw6AgdmVyc8OjbyBmaW5hbCBkbyB0cmFiYWxobzsKClZJIC0gcXVhbmRvIHRyYXRhci1zZSBkZSBUcmFiYWxobyBkZSBDb25jbHVzw6NvIGRlIEN1cnNvLCBEaXNzZXJ0YcOnw6NvIG91IFRlc2U6IGVzdG91IGNpZW50ZSBkZSBxdWUgYSBhbHRlcmHDp8OjbyBkYSBtb2RhbGlkYWRlIGRlIGFjZXNzbyBhbyBkb2N1bWVudG8gYXDDs3MgbyBkZXDDs3NpdG8gZSBhbnRlcyBkZSBmaW5kYXIgbyBwZXLDrW9kbyBkZSBlbWJhcmdvLCBxdWFuZG8gZm9yIGVzY29saGlkbyBhY2Vzc28gcmVzdHJpdG8sIHNlcsOhIHBlcm1pdGlkYSBtZWRpYW50ZSBzb2xpY2l0YcOnw6NvIGRvIChhKSBhdXRvciAoYSkgYW8gU2lzdGVtYSBJbnRlZ3JhZG8gZGUgQmlibGlvdGVjYXMgZGEgVUZQRSAoU0lCL1VGUEUpLgoKIApQYXJhIHRyYWJhbGhvcyBlbSBBY2Vzc28gQWJlcnRvOgoKTmEgcXVhbGlkYWRlIGRlIHRpdHVsYXIgZG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzIGRlIGF1dG9yIHF1ZSByZWNhZW0gc29icmUgZXN0ZSBkb2N1bWVudG8sIGZ1bmRhbWVudGFkbyBuYSBMZWkgZGUgRGlyZWl0byBBdXRvcmFsIG5vIDkuNjEwLCBkZSAxOSBkZSBmZXZlcmVpcm8gZGUgMTk5OCwgYXJ0LiAyOSwgaW5jaXNvIElJSSwgYXV0b3Jpem8gYSBVbml2ZXJzaWRhZGUgRmVkZXJhbCBkZSBQZXJuYW1idWNvIGEgZGlzcG9uaWJpbGl6YXIgZ3JhdHVpdGFtZW50ZSwgc2VtIHJlc3NhcmNpbWVudG8gZG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzLCBwYXJhIGZpbnMgZGUgbGVpdHVyYSwgaW1wcmVzc8OjbyBlL291IGRvd25sb2FkIChhcXVpc2nDp8OjbykgYXRyYXbDqXMgZG8gc2l0ZSBkbyBSZXBvc2l0w7NyaW8gRGlnaXRhbCBkYSBVRlBFIG5vIGVuZGVyZcOnbyBodHRwOi8vd3d3LnJlcG9zaXRvcmlvLnVmcGUuYnIsIGEgcGFydGlyIGRhIGRhdGEgZGUgZGVww7NzaXRvLgoKIApQYXJhIHRyYWJhbGhvcyBlbSBBY2Vzc28gUmVzdHJpdG86CgpOYSBxdWFsaWRhZGUgZGUgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgZGUgYXV0b3IgcXVlIHJlY2FlbSBzb2JyZSBlc3RlIGRvY3VtZW50bywgZnVuZGFtZW50YWRvIG5hIExlaSBkZSBEaXJlaXRvIEF1dG9yYWwgbm8gOS42MTAgZGUgMTkgZGUgZmV2ZXJlaXJvIGRlIDE5OTgsIGFydC4gMjksIGluY2lzbyBJSUksIGF1dG9yaXpvIGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgUGVybmFtYnVjbyBhIGRpc3BvbmliaWxpemFyIGdyYXR1aXRhbWVudGUsIHNlbSByZXNzYXJjaW1lbnRvIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgcGFyYSBmaW5zIGRlIGxlaXR1cmEsIGltcHJlc3PDo28gZS9vdSBkb3dubG9hZCAoYXF1aXNpw6fDo28pIGF0cmF2w6lzIGRvIHNpdGUgZG8gUmVwb3NpdMOzcmlvIERpZ2l0YWwgZGEgVUZQRSBubyBlbmRlcmXDp28gaHR0cDovL3d3dy5yZXBvc2l0b3Jpby51ZnBlLmJyLCBxdWFuZG8gZmluZGFyIG8gcGVyw61vZG8gZGUgZW1iYXJnbyBjb25kaXplbnRlIGFvIHRpcG8gZGUgZG9jdW1lbnRvLCBjb25mb3JtZSBpbmRpY2FkbyBubyBjYW1wbyBEYXRhIGRlIEVtYmFyZ28uCg==Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212025-11-30T19:35:38Repositório Institucional da UFPE - 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