O Centro Educativo Operário en Recife durante o estado novo (1937/1945) : educação e religião no controle dos trabalhadores

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2006
Autor(a) principal: Renata de Mélo Filho, Lílian
Orientador(a): Rejane Accioly Sellaro, Lêda
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300000mn9j
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/4414
Resumo: O presente estudo, intitulado O Centro Educativo Operário em Recife durante o Estado Novo (1937/1945): educação e religião no controle dos trabalhadores, se propõe a analisar a atuação da instituição, no período de ditadura do Estado Novo (1937/1945), como uma forma de doutrinação e controle dos trabalhadores. Essa instituição criada, em 1935, pelo Sr. Milton Pontes, um militante católico, da Congregação Mariana, da Ordem Jesuíta, objetivava impedir a propagação da ideologia comunista entre os trabalhadores recifenses. O Centro deveria amenizar à luta de classes, evidente nas paralisações deflagradas pelos trabalhadores durante a década de 20, em Pernambuco, quando mostraram grande poder de organização e mobilização. Para tanto, o Centro deveria promover o convívio social e o fortalecimento da família operária, por meio de uma ação assistencial e educativa, firmada em valores cívicopatrióticos e religiosos. Ao assumir o governo de Pernambuco, como interventor federal, Agamenon Magalhães conta com importantes aliados católicos, especialmente os congregados marianos, entre os quais recruta boa parte do seu secretariado. E, consciente da força representada pela Igreja Católica (em crescente processo de mobilização, no sentido de reaver os espaços perdidos desde a instalação da República laica (1889), Agamenon reabre tais espaços, re-introduz o ensino religioso nas escolas públicas, passando a ter na Igreja uma fortíssima aliada. Embora a criação do Centro tenha sido anterior ao Estado Novo, é durante este período que ele tem sua atuação institucionalizada, reconhecida e expandida. Os Centros são vinculados à Prefeitura do Recife, por meio da Diretoria de Reeducação e Assistência Social (DRAS), multiplicando-se pelos bairros mais populosos da cidade. Suas diretrizes, definidas com base na doutrina social da Igreja Católica, expressa nas Encíclicas Rerum Novarum e Quadragesimo Anno, enfatizavam, entre outros pontos, a necessidade de harmonia entre as classes sociais. Para realização da pesquisa foram utilizadas como fontes: legislação, encíclicas, relatórios, fotografias, matérias de jornal, entre outras. O estudo e análise das fontes tiveram por base os princípios da Nova História e a técnica da Análise do Discurso. Os achados foram agrupados em categorias, que evidenciam os princípios orientadores do Centro educativo, às formas de operacionalização de tais princípios; e os resultados obtidos, com base nos objetivos explicitados - do Centro Educativo e da política do Estado Novo. Concluise que, o Centro Educativo Operário, ao lado das ações voltadas para a melhoria das condições de vida e qualificação de trabalhadores, em um período no qual o ensino profissionalizante estava dando seus primeiros passos (surgimento do SENAI e SENAC), reuniu elementos muito caros ao novo regime. Sua proposta, que emergiu no seio da Congregação Mariana, portanto marcada pelos valores católicos, foi usada adequadamente para a doutrinação e controle dos trabalhadores, tendo contribuído, ao lado dos meios de comunicação da época (jornal, rádio e cinema), para a formação de um indivíduo mais imbuído dos valores do regime, tais como disciplina, eficiência e obediência; e, conseqüentemente, menos permeável à influencia do comunismo e das ações reivindicativas por ele insufladas
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Essa instituição criada, em 1935, pelo Sr. Milton Pontes, um militante católico, da Congregação Mariana, da Ordem Jesuíta, objetivava impedir a propagação da ideologia comunista entre os trabalhadores recifenses. O Centro deveria amenizar à luta de classes, evidente nas paralisações deflagradas pelos trabalhadores durante a década de 20, em Pernambuco, quando mostraram grande poder de organização e mobilização. Para tanto, o Centro deveria promover o convívio social e o fortalecimento da família operária, por meio de uma ação assistencial e educativa, firmada em valores cívicopatrióticos e religiosos. Ao assumir o governo de Pernambuco, como interventor federal, Agamenon Magalhães conta com importantes aliados católicos, especialmente os congregados marianos, entre os quais recruta boa parte do seu secretariado. E, consciente da força representada pela Igreja Católica (em crescente processo de mobilização, no sentido de reaver os espaços perdidos desde a instalação da República laica (1889), Agamenon reabre tais espaços, re-introduz o ensino religioso nas escolas públicas, passando a ter na Igreja uma fortíssima aliada. Embora a criação do Centro tenha sido anterior ao Estado Novo, é durante este período que ele tem sua atuação institucionalizada, reconhecida e expandida. Os Centros são vinculados à Prefeitura do Recife, por meio da Diretoria de Reeducação e Assistência Social (DRAS), multiplicando-se pelos bairros mais populosos da cidade. Suas diretrizes, definidas com base na doutrina social da Igreja Católica, expressa nas Encíclicas Rerum Novarum e Quadragesimo Anno, enfatizavam, entre outros pontos, a necessidade de harmonia entre as classes sociais. Para realização da pesquisa foram utilizadas como fontes: legislação, encíclicas, relatórios, fotografias, matérias de jornal, entre outras. O estudo e análise das fontes tiveram por base os princípios da Nova História e a técnica da Análise do Discurso. Os achados foram agrupados em categorias, que evidenciam os princípios orientadores do Centro educativo, às formas de operacionalização de tais princípios; e os resultados obtidos, com base nos objetivos explicitados - do Centro Educativo e da política do Estado Novo. Concluise que, o Centro Educativo Operário, ao lado das ações voltadas para a melhoria das condições de vida e qualificação de trabalhadores, em um período no qual o ensino profissionalizante estava dando seus primeiros passos (surgimento do SENAI e SENAC), reuniu elementos muito caros ao novo regime. 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