Análise dos casos de câncer de mama no período pré-pandemia e pandemia de COVID-19 em um hospital de referência de Recife-PE

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: OLIVEIRA, Clécia Maria Carvalho de
Orientador(a): PEREIRA, Michelly Cristiny
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300002gq0z
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Gestao e Economia da Saude
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66368
Resumo: A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) demandou medidas restritivas e reorganização temporária do sistema de saúde. Com isso, os atendimentos eletivos, incluindo o rastreamento de câncer foram interrompidos na maioria dos países. O câncer de mama é a quarta principal causa de morte por câncer em todo o mundo e é considerado um câncer de bom prognóstico, quando diagnosticado e tratado precocemente evitando que os pacientes evoluam para um cenário metastático. O estudo avaliou as possíveis modificações no diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer de mama, durante o período pré-pandêmico e pandêmico em um serviço de referência de Recife-PE. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, baseado em dados secundários extraídos dos prontuários médicos e sistema de informação hospitalar, de uma amostragem de 180 pacientes do sexo feminino, 93 do grupo pré-pandêmico e 87 do grupo pandêmico, que foram diagnosticadas com câncer de mama primário em cada período. Foram analisadas as variáveis sociodemográficas; fatores de riscos modificáveis, genéticos e reprodutivos; variáveis clínicas dos tumores, o tipo de tratamento e o valor faturado do tratamento quimioterápico inicial. Também foram avaliados intervalos de tempos desde o rastreamento até o diagnóstico e as associações com variáveis sociodemográficas e clínicas. As análises estatísticas foram realizadas através dos softwares SPPS® e STATA/SE®, sendo utilizados os testes exato de Fisher, Qui-quadrado, Kolmogorov- Smirnov e Mann-Whitney. Variáveis com p valor <0,05 foram consideradas significantes. Os resultados mostraram maiores quedas no atendimento em abril e maio de 2020, quando se iniciaram as medidas de restrições e isolamento. Em relação às características sociodemográficas, os dois grupos apresentaram perfis semelhantes, com idade média de 52,5 anos, a maioria das pacientes residiam na área metropolitana do Recife e tinham apenas o ensino fundamental. Quanto às características clínico-patológicas dos tumores, foi observado diferenças significativas no subtipo molecular sendo no grupo 1 o luminal B e triplo negativo mais frequentes, enquanto no grupo 2 foram mais frequentes os subtipos receptores hormonais positivos, luminal B e luminal A. A presença de metástase e estadiamento dos tumores apresentaram diferenças significativas, com maior índice de envolvimento axilar e metástase à distância no grupo pandêmico, assim como os tumores com estadiamento mais avançados (3 e 4) do subtipo luminal B foram mais frequentes neste grupo. No que se refere ao tipo de tratamento indicado, houve diferenças significativas, sendo o tratamento paliativo mais frequente, assim como a quimioterapia paliativa foi a mais prescrita no grupo 2. Não houve diferenças significativas quanto aos intervalos de tempos analisados; no entanto, destaca-se que um percentual elevado de pacientes espera mais de 60 dias para ter o diagnóstico e iníciar o tratamento. O estudo concluiu que apesar do hospital de referência não ter interrompido os atendimentos ambulatoriais e de tratamento durante a pandemia, houve um aumento na frequência de tumores diagnosticados em estágios mais avançados necessitando de tratamentos mais longos e de caráter paliativo. Investigações futuras com grupo populacional maior e período mais prolongado são necessárias para avaliar o efeito da pandemia no câncer de mama nos anos seguintes. Torna-se evidente a necessidade de manter os programas de rastreamento em cenários desfavoráveis como em pandemias ou surtos infecciosos.
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O câncer de mama é a quarta principal causa de morte por câncer em todo o mundo e é considerado um câncer de bom prognóstico, quando diagnosticado e tratado precocemente evitando que os pacientes evoluam para um cenário metastático. O estudo avaliou as possíveis modificações no diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer de mama, durante o período pré-pandêmico e pandêmico em um serviço de referência de Recife-PE. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, baseado em dados secundários extraídos dos prontuários médicos e sistema de informação hospitalar, de uma amostragem de 180 pacientes do sexo feminino, 93 do grupo pré-pandêmico e 87 do grupo pandêmico, que foram diagnosticadas com câncer de mama primário em cada período. Foram analisadas as variáveis sociodemográficas; fatores de riscos modificáveis, genéticos e reprodutivos; variáveis clínicas dos tumores, o tipo de tratamento e o valor faturado do tratamento quimioterápico inicial. Também foram avaliados intervalos de tempos desde o rastreamento até o diagnóstico e as associações com variáveis sociodemográficas e clínicas. As análises estatísticas foram realizadas através dos softwares SPPS® e STATA/SE®, sendo utilizados os testes exato de Fisher, Qui-quadrado, Kolmogorov- Smirnov e Mann-Whitney. Variáveis com p valor <0,05 foram consideradas significantes. Os resultados mostraram maiores quedas no atendimento em abril e maio de 2020, quando se iniciaram as medidas de restrições e isolamento. Em relação às características sociodemográficas, os dois grupos apresentaram perfis semelhantes, com idade média de 52,5 anos, a maioria das pacientes residiam na área metropolitana do Recife e tinham apenas o ensino fundamental. Quanto às características clínico-patológicas dos tumores, foi observado diferenças significativas no subtipo molecular sendo no grupo 1 o luminal B e triplo negativo mais frequentes, enquanto no grupo 2 foram mais frequentes os subtipos receptores hormonais positivos, luminal B e luminal A. A presença de metástase e estadiamento dos tumores apresentaram diferenças significativas, com maior índice de envolvimento axilar e metástase à distância no grupo pandêmico, assim como os tumores com estadiamento mais avançados (3 e 4) do subtipo luminal B foram mais frequentes neste grupo. No que se refere ao tipo de tratamento indicado, houve diferenças significativas, sendo o tratamento paliativo mais frequente, assim como a quimioterapia paliativa foi a mais prescrita no grupo 2. Não houve diferenças significativas quanto aos intervalos de tempos analisados; no entanto, destaca-se que um percentual elevado de pacientes espera mais de 60 dias para ter o diagnóstico e iníciar o tratamento. O estudo concluiu que apesar do hospital de referência não ter interrompido os atendimentos ambulatoriais e de tratamento durante a pandemia, houve um aumento na frequência de tumores diagnosticados em estágios mais avançados necessitando de tratamentos mais longos e de caráter paliativo. Investigações futuras com grupo populacional maior e período mais prolongado são necessárias para avaliar o efeito da pandemia no câncer de mama nos anos seguintes. Torna-se evidente a necessidade de manter os programas de rastreamento em cenários desfavoráveis como em pandemias ou surtos infecciosos.The novel coronavirus (SARS-CoV-2) pandemic required restrictive measures and temporary reorganisation of the health system. As a result, elective treatments, including cancer screening, have been stopped in most countries. Breast cancer is the fourth leading cause of cancer death worldwide and is considered a cancer with a good prognosis when diagnosed and treated early, preventing patients from progressing to a metastatic stage. The study evaluated the possible changes in the diagnosis and treatment of breast cancer patients during the pre-pandemic and pandemic periods in a reference service in Recife-PE. This is a retrospective observational study, based on secondary data extracted from medical records and the hospital information system, from a sample of 180 female patients, 93 from the pre-pandemic group and 87 from the pandemic group, who were diagnosed with primary breast cancer in each period. Sociodemographic variables were analysed; modifiable, genetic and reproductive risk factors; clinical variables of the tumours, the type of treatment and the amount billed for the initial chemotherapy treatment. Time intervals from screening to diagnosis and associations with sociodemographic and clinical variables were also assessed. Statistical analyses were carried out using SPPS® and STATA/SE® software, using Fisher's exact, Chi-square, Kolmogorov-Smirnov and Mann-Whitney tests. Variables with a p-value <0.05 were considered significant. The results showed greater falls in attendance in April and May 2020, when the restriction and isolation measures began. With regard to sociodemographic characteristics, the two groups had similares profiles, with a mean age of 52.5 years, the majority of patients living in the metropolitan area of Recife and having only primary education. As for the clinical-pathological characteristics of the tumours, significant differences were observed in the molecular subtype, with luminal B and triple negative being more frequent in group 1, while in group 2 hormone receptor positive, luminal B and luminal A subtypes were more frequent. The presence of metastasis and tumour staging showed significant differences, with a higher rate of axillary involvement and distant metastasis in the pandemic group, as well as tumours with more advanced staging (3 and 4) of the luminal B subtype being more frequent in this group. With regard to the type of treatment indicated, there were significant differences, with palliative treatment being more frequent, as well as palliative chemotherapy being the most prescribed in group 2. There were no significant differences in the time intervals analysed; however, it is worth noting that a high percentage of patients wait more than 60 days to be diagnosed and start treatment. The study concluded that although the Reference Hospital did not interrupt outpatient care and treatment during the pandemic, there was an increase in the frequency of tumours diagnosed at more advanced stages, requiring longer and more palliative treatment. Future research with a larger population group and a longer period of time is needed to assess the effect of the pandemic on breast cancer in subsequent years. The need to maintain screening programmes in unfavourable scenarios such as pandemics or infectious outbreaks is evident.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em Gestao e Economia da SaudeUFPEBrasilhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessCâncer de mamaCOVID-19Efeito da pandemiaTempo de espera no diagnóstico e tratamentoAnálise dos casos de câncer de mama no período pré-pandemia e pandemia de COVID-19 em um hospital de referência de Recife-PEinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutorado profissionalreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALTESE Clécia Maria Carvalho de Oliveira.pdfTESE Clécia Maria Carvalho de Oliveira.pdfapplication/pdf2216080https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/66368/1/TESE%20Cl%c3%a9cia%20Maria%20Carvalho%20de%20Oliveira.pdf8c46d97b65efe3c6ad8b5514389beed6MD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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