Políticas de encriptação : entre a codificação de direitos, regulação pública e o cipher-ativismo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: COSTA, André Barbosa Ramiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
UFPE
Brasil
Programa de Pos Graduacao em Ciencia da Computacao
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/42872
Resumo: Restrições e liberdades sobre o uso de criptografia - e de encriptar, especificamente, conferindo sigilo às comunicações - acompanha (ou mesmo antecede) a popularização do uso da Internet e, de forma ampla, tem relação estreita com o desenvolvimento tecnológico. Se até a segunda metade do século vinte o emprego de técnicas de encriptação era, em grande medida, restrito ao Estado, a partir de meados da década de setenta uma revolução criptográfica entra em cena, com a criptografia de chave pública, para implicar uma redistribuição de poder e, consequentemente, provocar em conflitos políticos e regulatórios envolvendo indústria, Estado, academia e sociedade civil. Por um lado, o emprego de criptografia forte significa o estabelecimento de sistemas de segurança da informação confiáveis e resilientes, além de simbolizar a retomada da autonomia, privacidade e autodeterminação informacional do indivíduo, associando-se com a garantia aos direitos fundamentais em tempos de programas de vigilância governamental em expansão e de abusivos mercados de dados pessoais. Por outro, a democratização das técnicas de sigilo têm provoca do ações reativas das forças de investigação criminal, uma vez que é desafiada a capacidade de interceptação de comunicações e acesso a dispositivos e comunicações pessoais, repercutindo sobre a cultura investigativa de produção de provas sobre tradicionais formas de monitoramento social. Três bloqueios do WhatsApp em território nacional (com repercussão em países vizinhos), entre 2015 e 2016, duas ações em trâmite no Supremo Tribunal Federal e uma série de Projetos de Lei que, em maior ou menor medida, objetivam flexibilizar a robustez da criptografia são alguns dos fatos sociopolíticos que ilustram o debate no Brasil. No plano internacional, entre as agendas políticas mais recorrentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) e, em ampla medida, do Department of Justice dos Estados Unidos nos últimos anos, estão as tentativas de criar meios legais para obrigar plataformas a inserirem meios de “acesso excepcional” a comunicações encriptadas em seus sistemas. Como resultado, uma histórica e persistente disputa de narrativas é entrelaçada ao longo das últimas três décadas, gerando movimentos ativistas pautados no uso livre da criptografia, articulações científicas pela ética e responsabilidade no trabalho criptográfico e coalizões geopolíticas internacionais representadas, por um lado, por agências investigação governamentais, e por outro, por entidades da sociedade civil organizada. Este trabalho, portanto, buscou realizar, criticamente, um revisão de literatura sobre os principais pontos de tensão dentro do recorte histórico proposto, na tentativa de criar um mosaico compreensivo sobre a dimensão política da criptografia.
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Por um lado, o emprego de criptografia forte significa o estabelecimento de sistemas de segurança da informação confiáveis e resilientes, além de simbolizar a retomada da autonomia, privacidade e autodeterminação informacional do indivíduo, associando-se com a garantia aos direitos fundamentais em tempos de programas de vigilância governamental em expansão e de abusivos mercados de dados pessoais. Por outro, a democratização das técnicas de sigilo têm provoca do ações reativas das forças de investigação criminal, uma vez que é desafiada a capacidade de interceptação de comunicações e acesso a dispositivos e comunicações pessoais, repercutindo sobre a cultura investigativa de produção de provas sobre tradicionais formas de monitoramento social. Três bloqueios do WhatsApp em território nacional (com repercussão em países vizinhos), entre 2015 e 2016, duas ações em trâmite no Supremo Tribunal Federal e uma série de Projetos de Lei que, em maior ou menor medida, objetivam flexibilizar a robustez da criptografia são alguns dos fatos sociopolíticos que ilustram o debate no Brasil. No plano internacional, entre as agendas políticas mais recorrentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) e, em ampla medida, do Department of Justice dos Estados Unidos nos últimos anos, estão as tentativas de criar meios legais para obrigar plataformas a inserirem meios de “acesso excepcional” a comunicações encriptadas em seus sistemas. Como resultado, uma histórica e persistente disputa de narrativas é entrelaçada ao longo das últimas três décadas, gerando movimentos ativistas pautados no uso livre da criptografia, articulações científicas pela ética e responsabilidade no trabalho criptográfico e coalizões geopolíticas internacionais representadas, por um lado, por agências investigação governamentais, e por outro, por entidades da sociedade civil organizada. Este trabalho, portanto, buscou realizar, criticamente, um revisão de literatura sobre os principais pontos de tensão dentro do recorte histórico proposto, na tentativa de criar um mosaico compreensivo sobre a dimensão política da criptografia.CAPESRestrictions and freedoms on the use of cryptography - and the act of encryption, specifically, giving secrecy to communications - follow (or even precede) the popularization of the use of the Internet and, more broadly, are closely related to technological development. If, until the second half of the twentieth century, the use of encryption techniques was largely restricted to States, from the mid-seventies onwards a cryptographic revolution came into the scene with the public-key encryption to promote a redistribution of power and, consequently, lead to political and regulatory conflicts involving industry, State, academia and civil society. On the one hand, the use of strong encryption means the establishment of reliable and resilient information security systems, in addition to symbolizing the resumption of autonomy, privacy and informational self-determination of the individual, associating itself with the guarantee of fundamental rights in times of expansion of governmental surveillance programs and abusive markets of personal data. On the other hand, the democratization of techniques of secrecy has provoked reactions by law enforcement, since the ability to intercept communications and access to personal devices and communications is challenged, causing impacts on the investigative culture of producing evidence and traditional forms of social monitoring. Three WhatsApp shutdowns in national territory (with repercussions in neighboring countries), between 2015 and 2016, two constitutional actions in progress at the Brazilian Supreme Court and a series of Bills that aim to make the strength of encryption more flexible are some of the sociopolitical facts that illustrate the debate in Brazil. At the international level, among the most recurrent political agendas of the Federal Bureau of Investigation (FBI) and, to a large extent, of the U.S. Department of Justice in recent years are attempting to create legal means to force platforms to insert solutions of “exceptional access” to encrypted communications on their systems. As a result, a historical and persistent dispute of narratives is intertwined over the last three decades, generating activist movements based on the freedom to encrypt, scientific articulations for ethics and social responsibility in cryptographic work, and geopolitical coalitions represented, on the one hand, by law enforcement agencies, and on the other, organized civil society entities. Therefore, this work critically carried out a literature review on the main points of tension within the proposed historical framework, in an attempt to create a comprehensive mosaic about the political dimension of encryption.Universidade Federal de PernambucoUFPEBrasilPrograma de Pos Graduacao em Ciencia da ComputacaoQUEIROZ, Ruy José Guerra Barretto dehttp://lattes.cnpq.br/6323248020208338http://lattes.cnpq.br/1825502153580661COSTA, André Barbosa Ramiro2022-02-16T14:00:43Z2022-02-16T14:00:43Z2021-04-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfCOSTA, André Barbosa Ramiro. Políticas de encriptação: entre a codificação de direitos, regulação pública e o cipher-ativismo. 2021. Dissertação (Mestrado em Ciência da Computação) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2021.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/42872porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPE2022-02-17T05:14:09Zoai:repositorio.ufpe.br:123456789/42872Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212022-02-17T05:14:09Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false
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