A Paisagem como Dispositivo Ontológico: os Regimes de Patrimonialização do Iphan e a Hibridização do Patrimônio Cultural (1970-2010)
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
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| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pos Graduacao em Desenvolvimento Urbano
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| País: |
Brasil
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/69863 |
Resumo: | A tese propõe compreender a paisagem como dispositivo ontológico, isto é, como operação histórica que produz condições de realidade antes de separar natureza e cultura, mundo e descrição. A pesquisa a entende como matriz de inscrição que organiza a visibilidade, autoriza evidências e define quais formas de existência podem ingressar no campo patrimonial. Inspirada no pragmatismo material, a investigação desloca o foco para as operações concretas que fabricam mundos, observando como as práticas institucionais do IPHAN consolidam uma ontologia naturalista ancorada em dicotomias - ao mesmo tempo em que são por elas continuamente tensionadas. A hipótese central afirma que as transgressões no regime patrimonial não resultam da ampliação do repertório de bens, mas da transformação das condições de realidade que autorizam determinados mundos a serem reconhecidos como patrimônio. Esse deslocamento torna-se perceptível quando ontologias não-naturalistas - especialmente as cosmopolíticas indígenas - desorganizam a matriz moderna e expõem os limites da divisão natureza/cultura, no momento de inscrição e identificação do bem de interesse patrimonial. Nessas situações, a paisagem deixa de ser cenário e emerge como meio relacional que revela, como a co-habitação ontológica ajuda por sua vez a iluminar a infraestrutura naturalista, e as operações de purificação, tradução e hibridização coexistentes em um processo histórico de hibridização: o patrimônio cultural. O objetivo geral é analisar como o IPHAN fabrica a realidade patrimonial por meio desse dispositivo, identificando os momentos em que sua infraestrutura ontológica se torna visível, por meio da desorganização de outra ontologia que demanda espaço no patrimônio cultural. Os regimes de patrimonialização do IPHAN tornam-se zonas de fricção em que diferentes ontologias negociam critérios de existência, produzindo formas híbridas que reconfiguram como o patrimônio pode ser reconhecido. |
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Inspirada no pragmatismo material, a investigação desloca o foco para as operações concretas que fabricam mundos, observando como as práticas institucionais do IPHAN consolidam uma ontologia naturalista ancorada em dicotomias - ao mesmo tempo em que são por elas continuamente tensionadas. A hipótese central afirma que as transgressões no regime patrimonial não resultam da ampliação do repertório de bens, mas da transformação das condições de realidade que autorizam determinados mundos a serem reconhecidos como patrimônio. Esse deslocamento torna-se perceptível quando ontologias não-naturalistas - especialmente as cosmopolíticas indígenas - desorganizam a matriz moderna e expõem os limites da divisão natureza/cultura, no momento de inscrição e identificação do bem de interesse patrimonial. Nessas situações, a paisagem deixa de ser cenário e emerge como meio relacional que revela, como a co-habitação ontológica ajuda por sua vez a iluminar a infraestrutura naturalista, e as operações de purificação, tradução e hibridização coexistentes em um processo histórico de hibridização: o patrimônio cultural. O objetivo geral é analisar como o IPHAN fabrica a realidade patrimonial por meio desse dispositivo, identificando os momentos em que sua infraestrutura ontológica se torna visível, por meio da desorganização de outra ontologia que demanda espaço no patrimônio cultural. Os regimes de patrimonialização do IPHAN tornam-se zonas de fricção em que diferentes ontologias negociam critérios de existência, produzindo formas híbridas que reconfiguram como o patrimônio pode ser reconhecido.The thesis proposes to understand landscape as an ontological dispositif - that is, as a historical operation that produces conditions of reality prior to the separation between nature and culture, world and description. The research conceives it as a matrix of inscription that organizes visibility, authorizes evidences, and defines which forms of existence may enter the patrimonial field. Inspired by material pragmatism, the investigation shifts the focus toward the concrete operations that fabricate worlds, examining how IPHAN’s institutional practices consolidate a naturalist ontology anchored in dichotomies - even as they are continually destabilized by them. The central hypothesis argues that transgressions within the patrimonial regime do not result from the mere expansion of the repertoire of heritage assets, but from the transformation of the conditions of reality that authorize certain worlds to be recognized as heritage. This displacement becomes perceptible when non-naturalist ontologies -especially Indigenous cosmopolitics - disrupt the modern matrix and expose the limits of the nature/culture divide at the moment of inscription and identification of a patrimonial good. In such situations, landscape ceases to function as a backdrop and emerges instead as a relational medium that reveals how ontological co-habitation illuminates the naturalist infrastructure and the coexisting operations of purification, translation, and hybridization within a long historical process of hybridization: cultural heritage itself. The general objective is to analyze how IPHAN fabricates patrimonial reality through this dispositif, identifying the moments when its ontological infrastructure becomes visible through the disorganization introduced by another ontology that demands space within cultural heritage. IPHAN’s patrimonialization regimes thus become friction zones in which different ontologies negotiate criteria of existence, producing hybrid forms that reconfigure how heritage can be recognized.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em Desenvolvimento UrbanoUFPEBrasilhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessPaisagemPatrimônio CulturalIPHANA Paisagem como Dispositivo Ontológico: os Regimes de Patrimonialização do Iphan e a Hibridização do Patrimônio Cultural (1970-2010)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutoradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPEORIGINALTESE Hugo Stefano Monteiro Dantas.pdfTESE Hugo Stefano Monteiro Dantas.pdfapplication/pdf2578936https://attena.ufpe.br/bitstream/123456789/69863/1/TESE%20Hugo%20Stefano%20Monteiro%20Dantas.pdff1c8ebd19d332e1558ceee51434a6c4cMD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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