Distribuição e Abundância Relativa do Agulhão Branco (Tetrapturus albidus Poey, 1860) Capturado No Oceano Atlântico.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Oliveira, Igor Da Mata
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300000qhsj
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/12192
Resumo: O presente trabalho teve como objetivo analisar as capturas, a distribuição e a abundância relativa do agulhão branco (Tetrapturus albidus) no oceano Atlântico. Para que se promova um manejo efetivo dessa espécie altamente migratória, se faz necessário um melhor conhecimento sobre sua ecologia, especialmente no que se refere à sua distribuição e abundância associadas às mudanças sazonais do ambiente pelágico oceânico. Para tal, foram utilizados dados de pesca (captura e esforço), ambientais (temperatura da superfície do mar - SST e profundidade da camada de mistura - DML) e de biometria (comprimento mandíbula-inferior-furca). Como índices de abundância, foi utilizada também a CPUE (Captura por Unidade de Esforço), em termos do no de indivíduos/100 anzóis. Esses dados foram agrupados em bancos de dados e analisados. Como ferramentas estatísticas, foram utilizados o modelo COZIGAM (Constrained Zero-Inflated Generalized Additive Model), mapas e gráficos para análise da evolução e da relação das capturas e frequências de comprimento com fatores ambientais, espaciais e temporais. Para análise da distribuição por classes de comprimento, foram classificados indivíduos jovens e adultos (comprimento de 1ª maturação sexual de 147 cm). O espinhel pelágico responde por mais de 90% das capturas em peso de agulhão branco. No entanto, a espécie representa apenas 0,37% das capturas com espinhel no Atlântico. O Brasil é o segundo país que mais captura agulhão branco em peso, devido a abundancia da espécie no lado oeste do Atlântico sul ao longo do ano. A espécie representa, em média, 2,2% em peso do total das capturas brasileiras com espinhel. Nos últimos anos, com a diminuição da frota que opera espinhel e o aumento da prática de soltura de indivíduos vivos, os desembarques vêm diminuindo significativamente e o Brasil, desde 2008, vem respeitando à sua cota de captura para a espécie. Todas as variáveis utilizadas (latitude-longitude, mês, temperatura da superfície do mar e profundidade da camada de mistura) foram altamente significativas ao modelo COZIGAM desenvolvido, o que sugere uma alta correlação das mesmas com a CPUE da espécie. O elevado efeito positivo sobre as capturas em altas temperaturas (28ºC) e baixa DML (80 m) podem representar fenômenos de soerguimento da termoclina, o que causaria uma compressão dos indivíduos dentro dessa camada, na qual é predominantemente exercido o esforço da pesca com espinhel, aumentando a vulnerabilidade da espécie. O esforço de pesca se concentra principalmente na região equatorial, onde também são observadas as maiores capturas. Os resultados confirmam uma maior concentração da espécie na área de estudo no 3º e 4º trimestres do ano. No 4º trimestre, foi observada maior concentração próxima à região sudeste do Brasil, acompanhando o deslocamento da isoterma de 25º C. Na costa sul, as maiores taxas de captura foram obtidas no 1º trimestre, especialmente na área situada entre 25º-30oS e 035-040o W, a qual é mencionada por diversos autores como uma importante área de desova no Atlântico Sul . Esses resultados confirmam uma tendência de realização de uma migração no sentido N-S ao longo da costa brasileira, do 3º ao 1º trimestre do ano. A distribuição de tamanho por trimestres sugere um padrão cíclico da migração de adultos e juvenis de agulhão branco. Adultos ocorreram em toda a área, mas com concentrações mais elevadas na faixa entre 0 e 5º N (1º trimestre), e ao largo das costas sudeste e sul do Brasil (3º e 4º trimestres). Juvenis foram mais abundantes na faixa de 5oN a 5oS, especialmente no 1º trimestre do ano, as quais parecem constituir importantes áreas para o desenvolvimento da espécie. Os dados de comprimento dos exemplares amostrados indicam que mais de 80% dos agulhões brancos capturados e embarcados pela frota espinheleira brasileira, apresentam tamanho superior ao comprimento de 1ª maturação sexual estimado para a espécie (de 139 cm para machos e 147 para fêmeas).
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