A questão ambiental e os mecanismos de desmonte da Empresa Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobras (2012 - 2020)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: SILVA, Silvana Crisostomo da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
UFPE
Brasil
Programa de Pos Graduacao em Servico Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66580
Resumo: Este estudo trata dos mecanismos de desmonte da empresa Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, entre os anos de 2012 e 2020. A apropriação privada de recursos naturais e sua destrutividade são constituintes do modo de produção capitalista, este em crise estrutural acirra a questão ambiental, ao mesmo tempo que a transforma em novo nicho de capital, com a criação de um mercado verde. As estratégias adotadas a partir do capitalismo verde para combater as expressões da questão ambiental, como a crise climática, partem da financeirização da natureza. A transição energética, necessária para continuidade da vida planetária, é capitaneada como forma de expansão do capitalismo contemporâneo sob apropriação de recursos naturais dos países periféricos por países de capitalismo central. Assim, não só a indústria dos hidrocarbonetos foi incorporada ao mundo das finanças, como o ar tornou-se rentabilizado nas bolsas de valores. No século XXI, as disputas em torno das reservas de petróleo tomaram novas dimensões como as guerras não convencionais mediante enfraquecimento de governos e processos democráticos em países detentores das reservas. Dessa forma, objetivamos analisar o processo de desmonte da empresa Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, entre os anos de 2012 e 2020. Para desenvolvimento da pesquisa social, norteamo-nos pelo método materialista histórico e dialético. Adotamos categorias analíticas para subsidiar a análise da realidade, com isso, realizamos revisão de literatura a partir de estudos qualitativos de autores clássicos e contemporâneos. Também utilizamos pesquisa documental com dados de domínio público, como documentos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Petrobras. Apontamos que houve atuação do imperialismo estadunidense na dinâmica petrolífera brasileira, motivada pela descoberta de petróleo no pré-sal, concomitante à deflagração da Operação Lava Jato e o processo de golpe jurídico-parlamentar-midiático como componentes de uma guerra não convencional. O desmonte da Petrobras também se deu pela adoção do preço de paridade internacional (PPI) com vinculação dos preços do mercado interno à cotação do dólar e ao preço do barril de petróleo (Brent), acirrando a crise econômica brasileira, os determinantes da superexploração do trabalho e a condição estrutural de capitalismo dependente; deu-se, ainda, pelo discurso de endividamento para continuidade e aumento dos desinvestimentos, à medida que ocorreu a priorização do pagamento de dividendos aos acionistas. Nesse processo, a produção de petróleo no país aumentou e a participação da Petrobras como concessionária reduziu, diante do desmembramento e sucateamento da empresa e do avanço das corporações transnacionais. Assim, o conjunto de mecanismos de desmonte da Petrobras está coadunado à engrenagem do capitalismo contemporâneo, que busca alternativas para a crise estrutural, mediante enfraquecimento das bases democráticas para saques de recursos naturais de países periféricos e destruição da natureza.
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Assim, não só a indústria dos hidrocarbonetos foi incorporada ao mundo das finanças, como o ar tornou-se rentabilizado nas bolsas de valores. No século XXI, as disputas em torno das reservas de petróleo tomaram novas dimensões como as guerras não convencionais mediante enfraquecimento de governos e processos democráticos em países detentores das reservas. Dessa forma, objetivamos analisar o processo de desmonte da empresa Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, entre os anos de 2012 e 2020. Para desenvolvimento da pesquisa social, norteamo-nos pelo método materialista histórico e dialético. Adotamos categorias analíticas para subsidiar a análise da realidade, com isso, realizamos revisão de literatura a partir de estudos qualitativos de autores clássicos e contemporâneos. Também utilizamos pesquisa documental com dados de domínio público, como documentos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Petrobras. Apontamos que houve atuação do imperialismo estadunidense na dinâmica petrolífera brasileira, motivada pela descoberta de petróleo no pré-sal, concomitante à deflagração da Operação Lava Jato e o processo de golpe jurídico-parlamentar-midiático como componentes de uma guerra não convencional. O desmonte da Petrobras também se deu pela adoção do preço de paridade internacional (PPI) com vinculação dos preços do mercado interno à cotação do dólar e ao preço do barril de petróleo (Brent), acirrando a crise econômica brasileira, os determinantes da superexploração do trabalho e a condição estrutural de capitalismo dependente; deu-se, ainda, pelo discurso de endividamento para continuidade e aumento dos desinvestimentos, à medida que ocorreu a priorização do pagamento de dividendos aos acionistas. Nesse processo, a produção de petróleo no país aumentou e a participação da Petrobras como concessionária reduziu, diante do desmembramento e sucateamento da empresa e do avanço das corporações transnacionais. Assim, o conjunto de mecanismos de desmonte da Petrobras está coadunado à engrenagem do capitalismo contemporâneo, que busca alternativas para a crise estrutural, mediante enfraquecimento das bases democráticas para saques de recursos naturais de países periféricos e destruição da natureza.This study deals with the dismantling mechanisms of the company Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, between 2012 and 2020. The private appropriation of natural resources and their destructiveness are constituents of the capitalist mode of production, this one in structural crisis intensifies the environmental issue, at the same time that it transforms it into a new capital niche, with the creation of a green market. Strategies adopted from green capitalism to combat expressions of the environmental issue, such as the climate crisis, start from the financialization of nature. The energy transition, necessary for the continuity of planetary life, is spearheaded as a form of expansion of contemporary capitalism under the appropriation of natural resources from peripheral countries by countries of central capitalism. Thus, not only was the hydrocarbon industry incorporated into the world of finance, but also the air became profitable on the stock exchanges. In the 21st century, disputes over oil reserves took on new dimensions, such as unconventional wars, by weakening governments and democratic processes in countries holding reserves. Thus, we aim to analyze the process of dismantling the company Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, between 2012 and 2020. For the development of social research, we are guided by the historical and dialectical materialist method. We adopted analytical categories to support the analysis of reality, with that, we carried out a literature review based on qualitative studies of classic and contemporary authors. We also used documental research with public domain data, such as documents from the Organization of Petroleum Exporting Countries (OPEC), the National Agency of Petroleum, Natural Gas and Biofuels (ANP) and Petrobras. We point out that there was action by US imperialism in the Brazilian oil dynamics, motivated by the discovery of oil in the pre-salt layer, concomitant with the outbreak of Operation Lava Jato and the process of legal-parliamentary-media coup as components of an unconventional war. The dismantling of Petrobras also took place due to the adoption of the international parity price (PPI) with linking domestic market prices to the dollar quotation and the price of a barrel of oil (Brent), intensifying the Brazilian economic crisis, the determinants of the overexploitation of the work and the structural condition of dependent capitalism; it was also due to the discourse of indebtedness for continuity and an increase in divestments, as the payment of dividends to shareholders was prioritized. In this process, oil production in the country increased and Petrobras' participation as a concessionaire reduced, given the dismemberment and scrapping of the company and the advance of transnational corporations. Thus, Petrobras' set of dismantling mechanisms is in line with the gears of contemporary capitalism, which seeks alternatives to the structural crisis, by weakening the democratic bases for looting natural resources from peripheral countries and destroying nature.Universidade Federal de PernambucoUFPEBrasilPrograma de Pos Graduacao em Servico SocialSILVA, Maria das Graças ehttp://lattes.cnpq.br/0729071468702216http://lattes.cnpq.br/1370572660294004SILVA, Silvana Crisostomo da2025-10-17T01:02:45Z2025-10-17T01:02:45Z2023-08-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfSILVA, Silvana Crisostomo da. A questão ambiental e os mecanismos de desmonte da empresa petróleo brasileiro S.A. - petrobras (2012 - 2020). 2023. Tese (Doutorado em Serviço Social) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/66580porhttps://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/info:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPE2025-10-19T17:42:31Zoai:repositorio.ufpe.br:123456789/66580Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212025-10-19T17:42:31Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false
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