Autismo e intersubjetividade: um estudo sobre as relações eu-outro-mundo no contexto escolar de um adolescente

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: VIANA, Márcia Carolina da Mota
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
UFPE
Brasil
Programa de Pos Graduacao em Psicologia Cognitiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/62263
Resumo: Esta pesquisa teve como objetivo principal analisar especificidades comunicativas e interacionais da dinâmica intersubjetiva eu-outro-mundo, no contexto escolar de um adolescente autista. O estudo foi realizado no campo da Psicologia Cultural e a base epistemológica que norteou a pesquisa foi o dialogismo bakhtiniano, no qual a ênfase foi estudar a intersubjetividade com o adolescente autista no centro das relações com um olhar para o corpo, o afeto e a linguagem em sua experiência no mundo. Neste contexto, a perspectiva idiográfica junto ao estudo de caso contribuiu para conhecermos profundamente uma realidade a partir de uma investigação detalhada para compreensão subjetiva do fenômeno investigado. A dinâmica singular foi estudada como via de acesso ao generalizável, pois entendemos que o estudo da singularidade de modo profundo nos leva a uma compreensão ampla e nos induz rumo ao geral. Utilizamos para construção dos registros relatos do cotidiano do adolescente; videogravação e observação do contexto escolar; e entrevistas semi-estruturadas com o adolescente, seu mediador, sua mãe, seu pai, seu irmão e uma colega de classe. Para analisar os dados, contamos com as análises dialógica e interacional, com um olhar direcionado para o adolescente como agentividade única no processo de construção de sentidos sobre a tríade eu-outro-mundo. O foco da investigação foi a relação dinâmica entre ele e outras pessoas com quem se relaciona. Os dados nos mostraram que o ponto de partida para qualquer estudo qualitativo que envolva pessoas no espectro autista deve ser considerar a perspectiva única da pessoa, seu modo único de ver o mundo, se relacionar, comunicar, seus interesses, habilidades e vulnerabilidades. A relação construída ao longo do tempo entre a pesquisadora e o adolescente, favoreceu o acesso às questões investigadas, considerando que a confiabilidade esteve presente nas diversas etapas da construção dos dados. As unidades de análise foram as tensões comunicativas e coconstruções de significados emergentes. Nas relações intersubjetivas com o adolescente no espectro autista emergiram três categorias interpretativas: 1) Reconhecimento da singularidade; 2) Troca comunicativa; e 3) Afetividade. Na proximidade das relações estabelecidas pelo adolescente na escola, o mediador é a mais próxima, seguida pelos pares, professores/professoras e demais profissionais do contexto escolar. No âmbito afetivo, considerando a relação com a pessoa autista, um aspecto que merece importante destaque é a confiabilidade. Na relação intersubjetiva entre docente e estudante autista, primordialmente, é preciso reconhecer as especificidades do/da estudante; questões sensoriais, motoras e sociocomunicacionais, sendo preciso que o/a docente encontre a sintonia na troca com cada um/uma se orientando para: 1) Perceber o outro; 2) Considerar suas especificidades; 3) Se adequar a elas de modo a favorecer a troca. No cenário da comunicação, uma atenção específica para a intencionalidade e a temporalidade comunicativa na troca com a/o estudante. A pesquisa realizada, trouxe contribuições para compreensão da subjetividade/intersubjetividade do adolescente autista e para o contexto escolar, aspectos que podem ampliar a leitura de outras realidades que se aproximem da sua.
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A dinâmica singular foi estudada como via de acesso ao generalizável, pois entendemos que o estudo da singularidade de modo profundo nos leva a uma compreensão ampla e nos induz rumo ao geral. Utilizamos para construção dos registros relatos do cotidiano do adolescente; videogravação e observação do contexto escolar; e entrevistas semi-estruturadas com o adolescente, seu mediador, sua mãe, seu pai, seu irmão e uma colega de classe. Para analisar os dados, contamos com as análises dialógica e interacional, com um olhar direcionado para o adolescente como agentividade única no processo de construção de sentidos sobre a tríade eu-outro-mundo. O foco da investigação foi a relação dinâmica entre ele e outras pessoas com quem se relaciona. Os dados nos mostraram que o ponto de partida para qualquer estudo qualitativo que envolva pessoas no espectro autista deve ser considerar a perspectiva única da pessoa, seu modo único de ver o mundo, se relacionar, comunicar, seus interesses, habilidades e vulnerabilidades. A relação construída ao longo do tempo entre a pesquisadora e o adolescente, favoreceu o acesso às questões investigadas, considerando que a confiabilidade esteve presente nas diversas etapas da construção dos dados. As unidades de análise foram as tensões comunicativas e coconstruções de significados emergentes. Nas relações intersubjetivas com o adolescente no espectro autista emergiram três categorias interpretativas: 1) Reconhecimento da singularidade; 2) Troca comunicativa; e 3) Afetividade. Na proximidade das relações estabelecidas pelo adolescente na escola, o mediador é a mais próxima, seguida pelos pares, professores/professoras e demais profissionais do contexto escolar. No âmbito afetivo, considerando a relação com a pessoa autista, um aspecto que merece importante destaque é a confiabilidade. Na relação intersubjetiva entre docente e estudante autista, primordialmente, é preciso reconhecer as especificidades do/da estudante; questões sensoriais, motoras e sociocomunicacionais, sendo preciso que o/a docente encontre a sintonia na troca com cada um/uma se orientando para: 1) Perceber o outro; 2) Considerar suas especificidades; 3) Se adequar a elas de modo a favorecer a troca. No cenário da comunicação, uma atenção específica para a intencionalidade e a temporalidade comunicativa na troca com a/o estudante. A pesquisa realizada, trouxe contribuições para compreensão da subjetividade/intersubjetividade do adolescente autista e para o contexto escolar, aspectos que podem ampliar a leitura de outras realidades que se aproximem da sua.The main objective of this research was to analyze the communicative and interactional specificities of the self-other-world intersubjective dynamics, in the school context of an autistic teenager. The study was carried out in the field of Cultural Psychology and the epistemological basis that guided the research was Bakhtinian dialogism, in which the emphasis was to study intersubjectivity with the autistic teenager at the center of relationships with a look at the body, affection and language in your experience in the world. In this context, the idiographic perspective together with the case study contributed to our in-depth knowledge of a reality based on a detailed investigation for a subjective understanding of the phenomenon investigated. The singular dynamics was studied as a way of accessing the generalizable, as we understand that the study of singularity in a profound way leads us to a broad understanding and leads us towards the general. We used reports of the teenager's daily life to construct the records; video recording and observation of the school context; and semi-structured interviews with the teenager, his mediator, his mother, his father, his brother and a classmate. To analyze the data, we relied on dialogical and interactional analyses, with a focus on the adolescent as a unique agent in the process of constructing meanings about the self-other-world triad. The focus of the investigation was the dynamic relationship between him and other people with whom he interacts. The data showed us that the starting point for any qualitative study involving people on the autism spectrum must be to consider the person's unique perspective, their unique way of seeing the world, relating, communicating, their interests, skills and vulnerabilities. The relationship built over time between the researcher and the adolescent favored access to the questions investigated, considering that reliability was present in the various stages of data construction. The units of analysis were communicative tensions and co-constructions of emerging meanings. In intersubjective relationships with adolescents on the autistic spectrum, three interpretative categories emerged: 1) Recognition of singularity; 2) Communicative exchange; and 3) Affectivity. In the proximity of the relationships established by the adolescent at school, the mediator is the closest, followed by peers, teachers and other professionals in the school context. In the emotional sphere, considering the relationship with the autistic person, an aspect that deserves important emphasis is reliability. In the intersubjective relationship between a teacher and an autistic student, it is primarily necessary to recognize the specificities of the student; sensory, motor and socio-communicational issues, requiring the teacher to find harmony in the exchange with each person orienting themselves to: 1) Perceiving the other; 2) Consider its specificities; 3) Adapt to them in order to favor exchange. In the communication scenario, specific attention to intentionality and communicative temporality in the exchange with the student. The research carried out brought contributions to understanding the subjectivity/intersubjectivity of autistic adolescents and the school context, aspects that can broaden the reading of other realities that are close to their own.Universidade Federal de PernambucoUFPEBrasilPrograma de Pos Graduacao em Psicologia CognitivaPINHEIRO, Marina Assishttp://lattes.cnpq.br/7476389316309044VIANA, Márcia Carolina da Mota2025-04-11T20:49:58Z2025-04-11T20:49:58Z2023-12-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfVIANA, Márcia Carolina da Mota. Autismo e intersubjetividade: um estudo sobre as relações eu-outro-mundo no contexto escolar de um adolescente. 2023. Tese (Doutorado em Psicologia Cognitiva) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023.https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/62263ark:/64986/001300002djcrporhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/embargoedAccessreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPE2025-04-12T05:47:00Zoai:repositorio.ufpe.br:123456789/62263Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufpe.br/oai/requestattena@ufpe.bropendoar:22212025-04-12T05:47Repositório Institucional da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)false
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