A pluralidade do protagonismo indígena na educação superior : a atuação nos Intitutos Federais de Pernambuco - IFPE e IFSertãoPE

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: SILVA, Maria da Penha da
Orientador(a): SOUZA, Vânia Rocha Fialho de Paiva e
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/64986/001300002fh77
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Antropologia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/63332
Resumo: O tema “Indígenas na educação superior” como interesse da Antropologia tem se avolumado no século XXI em grande parte dos países da América Latina. Numa perspectiva ampliada, vimos que esse fenômeno está associado às mudanças políticas que ocorreram nesse continente nas últimas décadas do século passado, impulsionadas pelas políticas globais rumo à erradicação da pobreza no mundo. Com ênfase na defesa da universalização da educação como um fator preponderante do desenvolvimento humano. Na esteira dessas mudanças surgiram grandes mobilizações sociais de grupos historicamente silenciados e invisibilizados a exemplo da população negra e indígena, as quais participaram ativamente na formulação de novas legislações que garantiram direitos fundamentais. De fato, a efetivação de parte desses direitos depende do acesso à formação no âmbito da educação superior, nas diversas áreas. No Brasil, a produção de pesquisas antropológicas sobre o citado tema tem seguido esse fluxo. Por vezes, fomentando o diálogo entre a Antropologia e a Educação. A presente tese se insere nesse contexto, com o objetivo de compreender a atuação política dos/as discentes indígenas nos Cursos Superiores nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE e IFSertãoPE. Nesse propósito, evidenciamos as formas de protagonismos políticos do público discente indígena naquelas instituições, as quais se expressam no movimento estudantil e na produção acadêmica de cunho político. Para tanto, empreendemos uma pesquisa etnográfica colaborativa duplamente reflexiva, a qual nos levou à seguinte conclusão: a primeira situação foi motivada pelo desejo de obter visibilidade e reconhecimento como sujeitos coletivos de direito, no enfrentamento do racismo estrutural, e acesso às políticas públicas específicas; a segunda, motivada pela necessidade de estabelecer conexões entre os conhecimentos acadêmicos e os “conhecimentos tradicionais”. Visualizamos três categorias de protagonismos: “protagonismo compartilhado”, “protagonismo transitório” e “protagonismo cíclico”. A primeira se caracteriza pela parceria com atores e instituições não indígenas; a segunda se caracteriza pela condição estudantil que é transitória; a terceira se caracteriza pela inserção de novos estudantes no movimento estudantil para ocupar o lugar daqueles que estão concluindo seus cursos. Concluímos que os protagonismos indígenas nos Institutos Federais em Pernambuco se inserem no contexto mais amplo das mobilizações políticas coletivas dos povos indígenas pela garantia de direitos. Onde as ações empreendidas pelos/as discentes indígenas nos IFs, se assemelham às formas de articulação do movimento indígena em geral, uma vez que no caso do presente estudo observa-se que os/as discentes indígenas que obtiveram projeção no movimento estudantil ou na produção acadêmica são oriundos das escolas indígenas ou são parentes de lideranças tradicionais, e por sua vez atuam em coletivos que constituem a pluralidade do movimento indígena local e nacional. O movimento estudantil indígena, em si, é um dos segmentos do movimento de juventude indígena, respondendo aos anseios específicos dessa geração, e também de interesse do movimento indígena mais amplo, a exemplo de formar profissionais para atender demandas coletivas nos territórios.
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Com ênfase na defesa da universalização da educação como um fator preponderante do desenvolvimento humano. Na esteira dessas mudanças surgiram grandes mobilizações sociais de grupos historicamente silenciados e invisibilizados a exemplo da população negra e indígena, as quais participaram ativamente na formulação de novas legislações que garantiram direitos fundamentais. De fato, a efetivação de parte desses direitos depende do acesso à formação no âmbito da educação superior, nas diversas áreas. No Brasil, a produção de pesquisas antropológicas sobre o citado tema tem seguido esse fluxo. Por vezes, fomentando o diálogo entre a Antropologia e a Educação. A presente tese se insere nesse contexto, com o objetivo de compreender a atuação política dos/as discentes indígenas nos Cursos Superiores nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE e IFSertãoPE. Nesse propósito, evidenciamos as formas de protagonismos políticos do público discente indígena naquelas instituições, as quais se expressam no movimento estudantil e na produção acadêmica de cunho político. Para tanto, empreendemos uma pesquisa etnográfica colaborativa duplamente reflexiva, a qual nos levou à seguinte conclusão: a primeira situação foi motivada pelo desejo de obter visibilidade e reconhecimento como sujeitos coletivos de direito, no enfrentamento do racismo estrutural, e acesso às políticas públicas específicas; a segunda, motivada pela necessidade de estabelecer conexões entre os conhecimentos acadêmicos e os “conhecimentos tradicionais”. Visualizamos três categorias de protagonismos: “protagonismo compartilhado”, “protagonismo transitório” e “protagonismo cíclico”. A primeira se caracteriza pela parceria com atores e instituições não indígenas; a segunda se caracteriza pela condição estudantil que é transitória; a terceira se caracteriza pela inserção de novos estudantes no movimento estudantil para ocupar o lugar daqueles que estão concluindo seus cursos. Concluímos que os protagonismos indígenas nos Institutos Federais em Pernambuco se inserem no contexto mais amplo das mobilizações políticas coletivas dos povos indígenas pela garantia de direitos. Onde as ações empreendidas pelos/as discentes indígenas nos IFs, se assemelham às formas de articulação do movimento indígena em geral, uma vez que no caso do presente estudo observa-se que os/as discentes indígenas que obtiveram projeção no movimento estudantil ou na produção acadêmica são oriundos das escolas indígenas ou são parentes de lideranças tradicionais, e por sua vez atuam em coletivos que constituem a pluralidade do movimento indígena local e nacional. O movimento estudantil indígena, em si, é um dos segmentos do movimento de juventude indígena, respondendo aos anseios específicos dessa geração, e também de interesse do movimento indígena mais amplo, a exemplo de formar profissionais para atender demandas coletivas nos territórios.The theme of “Indigenous people in higher education” as an interest of Anthropology has grown in the 21st century in most Latin American countries. In a broader perspective, we saw that this phenomenon is associated with the political changes that occurred on this continent in the last decades of the last century, driven by global policies towards the eradication of poverty in the world. With an emphasis on defending the universalization of education as a preponderant factor in human development. In the wake of these changes, large social mobilizations emerged from groups that had historically been silenced and made invisible, such as the black and indigenous populations, who actively participated in the formulation of new legislation that guaranteed fundamental rights. In fact, the realization of part of these rights depends on access to training in Higher Education, in various areas. In Brazil, the production of anthropological research on the aforementioned theme has followed this flow. Sometimes fostering dialogue between Anthropology and Education. This doctoral thesis fits into this context, with the objective of understanding the political actions of indigenous students in Higher Education Courses at the Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE e IFSertãoPE. In this purpose, we highlight the forms of political protagonism of the indigenous student population in those institutions, which are expressed in the student movement and in academic production of a political nature. To this end, we undertook a doubly reflexive collaborative ethnographic research, which led us to the following conclusion: the first situation was motivated by the desire to obtain visibility and recognition as collective subjects of law, in the confrontation of structural racism, and access to specific public policies; the second, motivated by the need to establish connections between academic knowledge and “traditional knowledge”. We visualize three categories of protagonism: “shared protagonism”, “transient protagonism” and “cyclical protagonism”. The first is characterized by the partnership with non-indigenous actors and institutions; the second is characterized by the student condition that is transitory; the third is characterized by the insertion of new students into the student movement to take the place of those who are completing their courses. We conclude that indigenous protagonism in the Federal Institutes in Pernambuco is part of the broader context of the collective political mobilizations of indigenous peoples to guarantee their rights. Where the actions undertaken by indigenous students in the IFs resemble the forms of articulation of the indigenous movement in general, since in the case of the present study it is observed that the indigenous students who gained prominence in the student movement or in academic production come from indigenous schools or are relatives of traditional leaders, and in turn act in collectives that constitute the plurality of the local and national indigenous movement. The indigenous student movement, in itself, is one of the segments of the indigenous youth movement, responding to the specific desires of this generation, and also of interest to the broader indigenous movement, such as training professionals to meet collective demands in the territories.porUniversidade Federal de PernambucoPrograma de Pos Graduacao em AntropologiaUFPEBrasilhttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessProtagonismos indígenasEducação superiorInstitutos Federais em PernambucoA pluralidade do protagonismo indígena na educação superior : a atuação nos Intitutos Federais de Pernambuco - IFPE e IFSertãoPEinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisdoutoradoreponame:Repositório Institucional da UFPEinstname:Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)instacron:UFPELICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-82362https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/63332/3/license.txt5e89a1613ddc8510c6576f4b23a78973MD53TEXTTESE Maria da Penha da Silva.pdf.txtTESE Maria da Penha da Silva.pdf.txtExtracted texttext/plain765557https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/63332/4/TESE%20Maria%20da%20Penha%20da%20Silva.pdf.txtb7858c29a530b182ba27a1eb610db125MD54THUMBNAILTESE Maria da Penha da Silva.pdf.jpgTESE Maria da Penha da Silva.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1187https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/63332/5/TESE%20Maria%20da%20Penha%20da%20Silva.pdf.jpg8a2ade17596128113495f1fc5d878b71MD55CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; 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