Maconha e representações sociais: A construção discursiva da cannabis em contextos midiáticos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: SOUSA, Yuri Sá Oliveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/10279
Resumo: O campo das drogas é constituído por uma pluralidade de objetos que assumem diferentes formas e significados a depender do contexto de inserção. A cannabis – ou maconha, por sua vez, é a droga ilícita mais utilizada no Brasil e, além disso, tem movimentado debates em diferentes setores como os da política, saúde e direito. A pesquisa realizada teve o objetivo de analisar a construção social da maconha a partir de discursos produzidos em dois meios de comunicação: um jornal de circulação nacional e um fórum digital de discussão. Desse modo, foram realizados dois estudos complementares a partir do campo teórico-conceitual das representações sociais. De forma comum aos dois meios de comunicação abordados, se considerou todo o material textual veiculado no período de dois anos (2010 - 2012) cujo tema central fosse a maconha. No primeiro estudo foram analisadas 489 matérias do jornal Folha de S. Paulo. Os dados foram tratados com auxílio do software Alceste e em seguida foram realizadas análises de conteúdo. A partir do procedimento de Classificação Hierárquica Descendente o Alceste dividiu o material em 6 classes, permitindo identificar diferentes formas de discurso sobre o tema. A classe 1 apresentou a maconha como uma mercadoria do tráfico, objetivando-a nas apreensões policiais; a classe 4 também apresentou discursos sobre a apreensão de maconha, mas de forma relacionada especificamente à fronteira entre Brasil e Paraguai; a classe 2 contemplou notícias sobre casos de consumo de maconha que produzem alguma ruptura com a ordem cotidiana, como a descoberta do consumo entre celebridades e crianças; a classe 6 tratou da regulação política da cannabis, particularmente a partir de transformações legais experimentadas em outros países; na classe 5 a maconha surge como um objeto da medicina, tratando sobre os seus potenciais efeitos danosos e terapêuticos; por fim, a classe 3 apresentou a inserção da cannabis em manifestações da marcha da maconha. Para compor o material do segundo estudo, foram coletadas as produções do fórum digital Yahoo Respostas, totalizando 1058 publicações de participantes. Com auxílio do software Atlas.ti, os dados foram analisados pelo procedimento de análise de conteúdo temática. Os resultados inserem a maconha nas relações de consumo e tráfico de drogas, enfatizando a dimensão legal do objeto. Além disso, a maconha foi descrita como responsável pela emergência de fenômenos negativos: dependência; “porta de entrada” para outras drogas; tráfico e crimes violentos; sofrimento familiar; danos à saúde e mortes. De forma minoritária, o prazer decorrente do consumo e a cura de doenças foram mencionados. Apesar disso, os discursos dos participantes privilegiam a caracterização da maconha como uma droga marcadamente negativa. Tal resultado importa, por exemplo, para o entendimento do processo de estigmatização social da cannabis e dos seus usuários, que são comumente compreendidos a partir de lógicas criminosas, patológicas e de degradação moral. Por fim, os resultados dos dois estudos apontam para o caráter polêmico e polissêmico do processo de construção social da maconha no Brasil, demandando reflexão constante sobre os fenômenos psicossociais a ela relacionados.
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