Maus-tratos infantis e uso de substâncias psicoativas na adolescência e início da vida adulta

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Valério, Inaê Dutra
Orientador(a): Gonçalves, Helen
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia
Departamento: Faculdade de Medicina
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/handle/prefix/9703
Resumo: Maus-tratos infantis são quaisquer atos de abuso ou omissão que possam resultar em danos à saúde, segurança ou dignidade de uma criança, podendo afetar sua saúde emocional, física e social a curto e longo prazo. Dentro desses danos, estudos têm descrito a associação de maus-tratos infantis com o uso de substâncias psicoativas. Contudo, há uma escassez de investigações realizadas em países de baixa e média renda, que têm contextos sociais que muitas vezes podem favorecer tanto os maus-tratos, quanto o acesso e utilização das substâncias psicoativas. Ainda, é necessário estudos que investiguem na mesma população a associação de diferentes tipos de maus-tratos com uma variedade de tipos de substâncias psicoativas a fim de identificar indivíduos em maior vulnerabilidade. Logo, essa tese teve o objetivo de investigar associações longitudinais entre maus-tratos na infância e uso de substâncias psicoativas durante a adolescência e início da idade adulta utilizando dados da Coorte de nascimentos de 1993. Três artigos compõe a tese em conjunto com o projeto de pesquisa. O primeiro artigo avaliou a associação entre quatro tipos de maus-tratos infantis ocorridos até aos 15 anos com a utilização de tabaco, uso prejudicial de álcool e utilização de drogas ilícitas em três pontos de avaliação: aos 15, 18 e aos 22 anos. Esse artigo também explorou diferenças da associação entre sexos. De forma geral, os maus-tratos infantis foram associados ao uso de substâncias e a força das associações diminuiu com o tempo. Quando as diferenças entre sexo foram presentes, as associações foram mais fortes entre as mulheres. O segundo artigo compreendeu uma revisão sistemática dos estudos que exploraram a associação entre maus-tratos infantis e uso de substâncias psicoativas. Nessa revisão, as associações foram positivas de forma geral, sendo observado maior força de associação quando os maus-tratos era do tipo sexual e a substância ilícita, apesar de intervalos de confiança se sobreporem comumente. Contudo, algumas limitações metodológicas nos estudos incluídos foram identificadas e devem ser levadas em consideração na interpretação. Quase metade dos estudos foram transversais/retrospectivos, dificultando a certeza temporal dos eventos e podendo ter ajuste errôneo para um mediador e subestimar ou mesmo anular a medida do efeito de associação. Por fim, o terceiro artigo avaliou o papel mediador do sofrimento mental (aos 18 anos) na associação entre maus-tratos infantis (até aos 15 anos) e uso de substâncias psicoativas (aos 18 anos), encontrando que o sofrimento mental media parcialmente essa associação.
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spelling 2023-06-28T01:34:39Z2023-06-28T01:34:39Z2023VALÉRIO, Inaê Dutra. Maus-tratos infantis e uso de substâncias psicoativas na adolescência e início da vida adulta. 2023. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, 2023.http://guaiaca.ufpel.edu.br/handle/prefix/9703Maus-tratos infantis são quaisquer atos de abuso ou omissão que possam resultar em danos à saúde, segurança ou dignidade de uma criança, podendo afetar sua saúde emocional, física e social a curto e longo prazo. Dentro desses danos, estudos têm descrito a associação de maus-tratos infantis com o uso de substâncias psicoativas. Contudo, há uma escassez de investigações realizadas em países de baixa e média renda, que têm contextos sociais que muitas vezes podem favorecer tanto os maus-tratos, quanto o acesso e utilização das substâncias psicoativas. Ainda, é necessário estudos que investiguem na mesma população a associação de diferentes tipos de maus-tratos com uma variedade de tipos de substâncias psicoativas a fim de identificar indivíduos em maior vulnerabilidade. Logo, essa tese teve o objetivo de investigar associações longitudinais entre maus-tratos na infância e uso de substâncias psicoativas durante a adolescência e início da idade adulta utilizando dados da Coorte de nascimentos de 1993. Três artigos compõe a tese em conjunto com o projeto de pesquisa. O primeiro artigo avaliou a associação entre quatro tipos de maus-tratos infantis ocorridos até aos 15 anos com a utilização de tabaco, uso prejudicial de álcool e utilização de drogas ilícitas em três pontos de avaliação: aos 15, 18 e aos 22 anos. Esse artigo também explorou diferenças da associação entre sexos. De forma geral, os maus-tratos infantis foram associados ao uso de substâncias e a força das associações diminuiu com o tempo. Quando as diferenças entre sexo foram presentes, as associações foram mais fortes entre as mulheres. O segundo artigo compreendeu uma revisão sistemática dos estudos que exploraram a associação entre maus-tratos infantis e uso de substâncias psicoativas. Nessa revisão, as associações foram positivas de forma geral, sendo observado maior força de associação quando os maus-tratos era do tipo sexual e a substância ilícita, apesar de intervalos de confiança se sobreporem comumente. Contudo, algumas limitações metodológicas nos estudos incluídos foram identificadas e devem ser levadas em consideração na interpretação. Quase metade dos estudos foram transversais/retrospectivos, dificultando a certeza temporal dos eventos e podendo ter ajuste errôneo para um mediador e subestimar ou mesmo anular a medida do efeito de associação. Por fim, o terceiro artigo avaliou o papel mediador do sofrimento mental (aos 18 anos) na associação entre maus-tratos infantis (até aos 15 anos) e uso de substâncias psicoativas (aos 18 anos), encontrando que o sofrimento mental media parcialmente essa associação.Child maltreatment refers to any act of abuse or neglect that can result in harm to the health, safety or dignity of a child, and can affect their emotional, physical and social health both in the short and long term. Within these harms, studies have described the association of child abuse with the use of psychoactive substances. However, there is a lack of investigations conducted in low- and middle-income countries, which often have social contexts that can both favor abuse and access and use of psychoactive substances. Furthermore, it is necessary to study the association of different types of abuse with a variety of types of psychoactive substances in the same population in order to identify individuals at greatest risk. Thus, this thesis aimed to investigate longitudinal associations between childhood abuse and use of psychoactive substances during adolescence and early adulthood using data from the 1993 Birth Cohort. Three articles compose the thesis together with the research project. The first article evaluated the association between four types of child maltreatment occurring up to the age of 15 with the use of tobacco, harmful use of alcohol and use of illicit drugs at three assessment points: at 15, 18 and 22 years. This article also explored differences in association by sex. In general, child maltreatment was associated with substance use and the strength of associations decreased over time. When differences by sex were present, associations were stronger among women. The second article comprised a systematic review of studies that explored the association between child maltreatment and use of psychoactive substances. In this review, associations were generally positive, with a stronger association observed when the abuse was of a sexual type and the illicit substance, although confidence intervals often overlapped. However, some methodological limitations in the included studies were identified and should be taken into consideration when interpreting the results. Almost half of the studies were cross sectional/retrospective, making it difficult to establish the temporal certainty of events and potentially leading to erroneous adjustment for a mediator and underestimating or even nullifying the measurement of the association effect. Finally, the third article evaluated the mediating role of mental disorder (at 18 years) in the association between child maltreatment (up to 15 years) and use of psychoactive substances (at 18 years), finding that mental suffering partially mediated this association.Sem bolsaporUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em EpidemiologiaUFPelBrasilFaculdade de MedicinaCNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA::EPIDEMIOLOGIAEpidemiologiaMaus-tratos infantisUso de álcoolTabagismoDrogas ilícitasEstudos longitudinaisMaus-tratos infantis e uso de substâncias psicoativas na adolescência e início da vida adultaChild abuse and psychoactive substance use in adolescence and early adulthoodinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisSoares, Ana Luiza GonçalvesGonçalves, HelenValério, Inaê Dutrainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELTEXTTese Inae Dutra Valério.pdf.txtTese Inae Dutra Valério.pdf.txtExtracted texttext/plain523894http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/9703/6/Tese%20Inae%20Dutra%20Val%c3%a9rio.pdf.txt107a24450b32851a8ef33a1f034bf54cMD56open accessTHUMBNAILTese Inae Dutra Valério.pdf.jpgTese Inae Dutra Valério.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1254http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/9703/7/Tese%20Inae%20Dutra%20Val%c3%a9rio.pdf.jpg4e8c60e5083237e2956bfe8d119333d9MD57open accessORIGINALTese Inae Dutra Valério.pdfTese Inae Dutra Valério.pdfapplication/pdf3986494http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/9703/1/Tese%20Inae%20Dutra%20Val%c3%a9rio.pdf858dd59ecd3b17b4c7b6278e4b560507MD51open accessCC-LICENSElicense_urllicense_urltext/plain; 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