A nasalidade vocálica do português brasileiro : evidências empíricas para a sua representação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Correa, Bruna Teixeira
Orientador(a): Gonçalves, Giovana Ferreira
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Letras
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/13991
Resumo: Este estudo investiga o estatuto fonológico das vogais nasais do português brasileiro por meio de dados acústicos e perceptuais. O principal objetivo do trabalho é buscar, por meio da análise de dados experimentais e tendo como base a Fonologia Gestual (BROWMAN; GOLDSTEIN, 1986), argumentos para a representação fonológica das vogais nasais do português brasileiro, se constituídas por um ou por dois segmentos. Os objetivos específicos do trabalho são: aferir a contribuição do uso de diferentes experimentos de análise (acústico e perceptual) para a discussão da representação fonológica das vogais nasais; descrever as características do sinal acústico nasal das vogais nasais do português brasileiro; investigar a influência dos momentos acústicos das vogais nasais na percepção desses segmentos enquanto unidades fonológicas; comparar acústica e perceptualmente o comportamento das vogais nasais em suas diferentes constituições às vogais nasalizadas por uma consoante posterior; e formalizar a nasalidade do PB, a partir de pautas gestuais, e, portanto, explicar a constituição da representação fonológica das vogais nasais a partir da Fonologia Gestual. Para cumprir com esses objetivos, foram realizados dois experimentos, um acústico e outro perceptual. As coletas do experimento acústico foram realizadas no Laboratoire de Phonétique et Phonologie, da Université Paris III – Sorbonne Nouvelle, em Paris/França. O corpus desse experimento conta com pares de logatomas trissilábicos e paroxítonos, elaborados com o objetivo de apresentar a nasalidade vocálica distintiva. Esses logatomas foram inseridos em frase-veículo, com as cinco vogais nasais do português brasileiro – [ɐ̃], [ẽ], [ĩ], [õ], [ũ] –, juntamente com logatomas que contivessem as suas contrapartes orais. Essas vogais estão distribuídas entre sílabas pretônicas e tônicas e seus contextos anteriores se constituíram das oclusivas [p t k] e seus contextos posteriores constituíram-se das plosivas [p, t, k] e das fricativas [f, s, ʃ] surdas. O experimento contou com 5 informantes, as quais produziram 598 dados. Foram observados e analisados – por meio do software PRAAT – os sinais acústicos oral e nasal, com o objetivo de melhor compreender a propagação da nasalidade nesses segmentos. Os resultados apontaram: (i) a predominância de vogais compostas pelos momentos acústicos Oral+Nasal+Murmúrio (O+N+M) e Nasal+Murmúrio (N+M) em detrimento de Oral+Murmúrio (O+M); (ii) ausência de padrão de antecipação de nasalidade coarticulatória, o que foi observado para vogais nasalizadas, sem diferenças consideráveis na duração relativa do momento acústico oral, independentemente do ponto de articulação seguinte e (iii) semelhanças entre o tempo para o início do abaixamento do palato mole observado por Amelot et al. (2008) para vogais monofonêmicas francesas e nossos resultados. O segundo experimento, relativo à percepção, teve sua coleta realizada no FONAPLI – Laboratório de Fonética Aplicada –, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Fizeram os testes de identificação e de discriminação – criados por meio do software Psychopy – 13 ouvintes mulheres, as quais geraram um total de 6396 dados. Foram criados e manipulados estímulos a fim de: avaliar a percepção da vogal nasal, levando em conta suas diferentes constituições (ONM, NM e OM); verificar o papel do murmúrio na percepção da vogal nasal do PB, considerando suas diferentes constituições; e avaliar as diferenças de percepção que se estabelecem entre vogais nasais e nasalizadas. Os principais resultados apontaram que: (i) a constituição de fases não parece ter interferência da variação dialetal, já que os resultados do teste piloto e da coleta final, que contavam com informantes de naturalidades diferentes, foram bastante semelhantes; (ii) a constituição OM não parece ser satisfatoriamente reconhecida pelas informantes, apresentando um tempo maior de reação e um número expressivo de erros nos estímulos relativos à confiabilidade; (iii) vogais nasais ONM e NM, mesmo sem o murmúrio, são entendidas como nasais, OM, porém, ao contrário; (iv) a vogal nasalizada sem consoante é entendida como oral, o que mostra percepções diferentes para esses segmentos. A análise via Fonologia Gestual – especialmente a formalização por meio de pautas gestuais – permitiu evidenciar, para as vogais de constituição ONM e NM, um padrão em fase dos gestos articulatórios envolvidos, ao contrário do que seria esperado para uma representação fonológica constituída por dois segmentos, formando uma sílaba VC. A constituição OM, porém, pode ser formalizada por meio de duas representações, uma que apresenta padrão de antifase entre o gesto vélico e os gestos vocálicos e outra em que a sobreposição gestual entre o gesto vélico e os gestos da consoante seguinte responde pela ausência da fase nasal, não estando relacionada, portanto, a uma relação de antifase. Assim, como foi possível constatar, por meio dos resultados decorrentes da análise de dados experimentais da sua formalização por meio das pautas gestuais, indicia-se uma representação fonológica das vogais nasais do português brasileiro como constituída por apenas um segmento.
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spelling 2024-09-06T21:00:50Z2024-09-062024-09-06T21:00:50Z2023-08-31CORREA, Bruna Teixeira. A nasalidade vocálica do português brasileiro: evidências empíricas para a sua representação. 255 f. Tese (Doutorado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Centro de Letras e Comunicação, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2023.http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/13991Este estudo investiga o estatuto fonológico das vogais nasais do português brasileiro por meio de dados acústicos e perceptuais. O principal objetivo do trabalho é buscar, por meio da análise de dados experimentais e tendo como base a Fonologia Gestual (BROWMAN; GOLDSTEIN, 1986), argumentos para a representação fonológica das vogais nasais do português brasileiro, se constituídas por um ou por dois segmentos. Os objetivos específicos do trabalho são: aferir a contribuição do uso de diferentes experimentos de análise (acústico e perceptual) para a discussão da representação fonológica das vogais nasais; descrever as características do sinal acústico nasal das vogais nasais do português brasileiro; investigar a influência dos momentos acústicos das vogais nasais na percepção desses segmentos enquanto unidades fonológicas; comparar acústica e perceptualmente o comportamento das vogais nasais em suas diferentes constituições às vogais nasalizadas por uma consoante posterior; e formalizar a nasalidade do PB, a partir de pautas gestuais, e, portanto, explicar a constituição da representação fonológica das vogais nasais a partir da Fonologia Gestual. Para cumprir com esses objetivos, foram realizados dois experimentos, um acústico e outro perceptual. As coletas do experimento acústico foram realizadas no Laboratoire de Phonétique et Phonologie, da Université Paris III – Sorbonne Nouvelle, em Paris/França. O corpus desse experimento conta com pares de logatomas trissilábicos e paroxítonos, elaborados com o objetivo de apresentar a nasalidade vocálica distintiva. Esses logatomas foram inseridos em frase-veículo, com as cinco vogais nasais do português brasileiro – [ɐ̃], [ẽ], [ĩ], [õ], [ũ] –, juntamente com logatomas que contivessem as suas contrapartes orais. Essas vogais estão distribuídas entre sílabas pretônicas e tônicas e seus contextos anteriores se constituíram das oclusivas [p t k] e seus contextos posteriores constituíram-se das plosivas [p, t, k] e das fricativas [f, s, ʃ] surdas. O experimento contou com 5 informantes, as quais produziram 598 dados. Foram observados e analisados – por meio do software PRAAT – os sinais acústicos oral e nasal, com o objetivo de melhor compreender a propagação da nasalidade nesses segmentos. Os resultados apontaram: (i) a predominância de vogais compostas pelos momentos acústicos Oral+Nasal+Murmúrio (O+N+M) e Nasal+Murmúrio (N+M) em detrimento de Oral+Murmúrio (O+M); (ii) ausência de padrão de antecipação de nasalidade coarticulatória, o que foi observado para vogais nasalizadas, sem diferenças consideráveis na duração relativa do momento acústico oral, independentemente do ponto de articulação seguinte e (iii) semelhanças entre o tempo para o início do abaixamento do palato mole observado por Amelot et al. (2008) para vogais monofonêmicas francesas e nossos resultados. O segundo experimento, relativo à percepção, teve sua coleta realizada no FONAPLI – Laboratório de Fonética Aplicada –, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Fizeram os testes de identificação e de discriminação – criados por meio do software Psychopy – 13 ouvintes mulheres, as quais geraram um total de 6396 dados. Foram criados e manipulados estímulos a fim de: avaliar a percepção da vogal nasal, levando em conta suas diferentes constituições (ONM, NM e OM); verificar o papel do murmúrio na percepção da vogal nasal do PB, considerando suas diferentes constituições; e avaliar as diferenças de percepção que se estabelecem entre vogais nasais e nasalizadas. Os principais resultados apontaram que: (i) a constituição de fases não parece ter interferência da variação dialetal, já que os resultados do teste piloto e da coleta final, que contavam com informantes de naturalidades diferentes, foram bastante semelhantes; (ii) a constituição OM não parece ser satisfatoriamente reconhecida pelas informantes, apresentando um tempo maior de reação e um número expressivo de erros nos estímulos relativos à confiabilidade; (iii) vogais nasais ONM e NM, mesmo sem o murmúrio, são entendidas como nasais, OM, porém, ao contrário; (iv) a vogal nasalizada sem consoante é entendida como oral, o que mostra percepções diferentes para esses segmentos. A análise via Fonologia Gestual – especialmente a formalização por meio de pautas gestuais – permitiu evidenciar, para as vogais de constituição ONM e NM, um padrão em fase dos gestos articulatórios envolvidos, ao contrário do que seria esperado para uma representação fonológica constituída por dois segmentos, formando uma sílaba VC. A constituição OM, porém, pode ser formalizada por meio de duas representações, uma que apresenta padrão de antifase entre o gesto vélico e os gestos vocálicos e outra em que a sobreposição gestual entre o gesto vélico e os gestos da consoante seguinte responde pela ausência da fase nasal, não estando relacionada, portanto, a uma relação de antifase. Assim, como foi possível constatar, por meio dos resultados decorrentes da análise de dados experimentais da sua formalização por meio das pautas gestuais, indicia-se uma representação fonológica das vogais nasais do português brasileiro como constituída por apenas um segmento.This study investigates the phonological status of nasal vowels in Brazilian Portuguese using acoustic and perceptual data. The main objective of this work is to investigate, through the analysis of experimental data and based on Gestural Phonology (BROWMAN; GOLDSTEIN, 1986), arguments for the phonological representation of nasal vowels in Brazilian Portuguese, whether they are constituted by one or two segments. The specific objectives of the study are: to assess the contribution of employing different analysis experiments (acoustic and perceptual) to the discussion of the phonological representation of nasal vowels; to describe the characteristics of the nasal acoustic signal of nasal vowels in Brazilian Portuguese; to investigate the influence of the acoustic features of nasal vowels on the perception of these segments as phonological units; to acoustically and perceptually compare the behavior of nasal vowels in their different structures with vowels nasalized by a following consonant; and to formalize the nasality in Brazilian Portuguese, based on gestural principles, and thus, to explain the composition of the phonological representation of nasal vowels using Gestural Phonology. To achieve these objectives, two experiments were conducted, one acoustic and the other perceptual. The acoustic experiment was conducted at the Laboratoire de Phonétique et Phonologie, at Université Paris III – Sorbonne Nouvelle, in Paris/France. The corpus of this experiment comprises pairs of trisyllabic pseudowords and paroxytones, designed with the aim of presenting the distinctive vowel nasality. These pseudowords were inserted into carrier phrases, along with the five nasal vowels of Brazilian Portuguese – [ɐ̃ ɐ̃], [ẽ ], [ĩ], [õ], [ũ ] – together with pseudowords containing their oral counterparts. These vowels are distributed between pretonic and tonic syllables, and their preceding contexts consisted of the stops [p t k], while their following contexts were formed by voiceless stops [p, t, k] and voiceless fricatives [f, s, ʃ']. The experiment involved 5 speakers, who produced 598 data. The oral and nasal acoustic signals were observed and analyzed – using the software PRAAT – with the aim of better understanding the propagation of nasality in these segments. The results indicated: (i) the predominance of vowels composed of the acoustic moments Oral+Nasal+Murmur (O+N+M) and Nasal+Murmur (N+M) to the detriment of Oral+Murmur (O+M); (ii) the absence of a coarticulatory nasality anticipation pattern, which was observed for nasalized vowels, with no considerable differences in the relative duration of the oral acoustic moment, regardless of the following articulation point, and (iii) similarities between the timing of the onset of soft palate lowering observed by Amelot et al. (2008) for French monophonemic vowels and our results. The second experiment, related to perception, had its data collection conducted at FONAPLI – Laboratory of Applied Phonetics –, at the Federal University of Santa Catarina, in Florianópolis. Thirteen female listeners participated in identification and discrimination tests – created using the Psychopy software – generating a total of 6396 data. Stimuli were created and manipulated in order to: evaluate the perception of nasal vowels, considering their different compositions (ONM, NM, and OM); investigate the role of murmur in the perception of nasal vowels in Brazilian Portuguese, considering their different compositions; and assess the perceptual differences that arise between nasal vowels and nasalized vowels. The main results indicated that: (i) the phase composition does not appear to be influenced by dialectal variation, as the results from the pilot test and the final collection, which included informants from different backgrounds, were quite similar; (ii) the OM composition does not seem to be satisfactorily recognized by the informants, showing longer reaction times and a significant number of errors in stimuli related to reliability; (iii) ONM and NM nasal vowels, even without murmur, are perceived as nasal, whereas OM is perceived as oral; (iv) nasalized vowels without a consonant are perceived as oral, indicating distinct perceptions for these segments. The analysis through Gestural Phonology – especially the formalization through gestural scores – allowed for the revelation of a pattern in the phase of the articulatory gestures involved, particularly for the vowels with ONM and NM compositions, contrary to what would be expected for a phonological representation consisting of two segments, forming a VC syllable. However, the OM composition can be formalized through two representations: one that exhibits an antiphase pattern between the velic gesture and the vocalic gestures, and another in which the gestural overlap between the velic gesture and the gestures of the following consonant accounts for the absence of nasal phase, thus not being associated with an antiphase relationship. Therefore, as the results from the analysis of experimental data through gestural scores indicate, a phonological representation of Brazilian Portuguese nasal vowels can be inferred as being composed of only one segment.porUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em LetrasUFPelBrasilCC BY-NC-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessLINGUISTICA, LETRAS E ARTESLETRASVogais nasais do portuguêsEstatuto fonológicoAcústicaPercepçãoFonologia gestualPortuguese nasal vowelsPhonological statusAcousticsPerceptionGestural phonologyA nasalidade vocálica do português brasileiro : evidências empíricas para a sua representaçãoVowel nasality in Brazilian Portuguese: empirical evidence for its representationinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesishttp://lattes.cnpq.br/0288144424269134http://lattes.cnpq.br/1966228513900929Seara, Izabel Christinehttp://lattes.cnpq.br/4217616136588518Gonçalves, Giovana FerreiraCorrea, Bruna Teixeirareponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELORIGINALTese_Bruna Teixeira Correa.pdfTese_Bruna Teixeira Correa.pdfapplication/pdf4776144http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/13991/1/Tese_Bruna%20Teixeira%20Correa.pdffed29da4700e112be8ea142e5566b814MD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81960http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/13991/2/license.txta963c7f783e32dba7010280c7b5ea154MD52open accessTEXTTese_Bruna Teixeira Correa.pdf.txtTese_Bruna Teixeira Correa.pdf.txtExtracted texttext/plain487010http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/13991/3/Tese_Bruna%20Teixeira%20Correa.pdf.txtd65d4500ef4b5e97709e5e0b96c5b458MD53open accessTHUMBNAILTese_Bruna Teixeira Correa.pdf.jpgTese_Bruna Teixeira Correa.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1171http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/13991/4/Tese_Bruna%20Teixeira%20Correa.pdf.jpg5465d089cea5750f80d872cb1cd8d760MD54open accessprefix/139912024-09-07 03:02:43.647open accessoai:guaiaca.ufpel.edu.br:prefix/13991TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkkgLSBDb20gYSBhcHJlc2VudGHDp8OjbyBkZXN0YSBsaWNlbsOnYSwgdm9jw6ogKG8ocykgYXV0b3IoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIChSSSkgZGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgUGVsb3RhcyAoVUZQZWwpIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCB0cmFkdXppciAKKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gKGluY2x1aW5kbyBvIHJlc3VtbykgcG9yIHRvZG8gbyBtdW5kbyBubyBmb3JtYXRvIGltcHJlc3NvIAplIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIGZvcm1hdG9zIMOhdWRpbyBvdSB2w61kZW87CgpJSSAtIFZvY8OqIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIFJJIGRhIFVGUGVsIHBvZGUsIHNlbSBhbHRlcmFyIG8gY29udGXDumRvLCB0cmFuc3BvciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gcGFyYSBxdWFscXVlciBtZWlvIG91IGZvcm1hdG8gCnBhcmEgZmlucyBkZSBwcmVzZXJ2YcOnw6NvOwoKSUlJIC0gVm9jw6ogdGFtYsOpbSBjb25jb3JkYSBxdWUgbyBSSSBkYSBVRlBlbCBwb2RlIG1hbnRlciBtYWlzIGRlIHVtYSBjw7NwaWEgZGUgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIGZpbnMgZGUgc2VndXJhbsOnYSwgYmFja3VwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo287CgpJViAtIFZvY8OqIGRlY2xhcmEgcXVlIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyDDqSBvcmlnaW5hbCBlIHF1ZSB2b2PDqiB0ZW0gbyBwb2RlciBkZSBjb25jZWRlciBvcyBkaXJlaXRvcyBjb250aWRvcyBuZXN0YSBsaWNlbsOnYS4gClZvY8OqIHRhbWLDqW0gZGVjbGFyYSBxdWUgbyBkZXDDs3NpdG8gZGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgbsOjbyBpbmZyaW5nZSBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcyAKZGUgbmluZ3XDqW07CgpWIC0gQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBSSSBkYSBVRlBlbCBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhOwoKVkkgLSBDQVNPIEEgUFVCTElDQcOHw4NPIE9SQSBERVBPU0lUQURBIFRFTkhBIFNJRE8gUkVTVUxUQURPIERFIFVNIFBBVFJPQ8ONTklPIE9VIEFQT0lPIERFIFVNQSBBR8OKTkNJQSBERSBGT01FTlRPIE9VCk9VVFJBIE9SR0FOSVpBw4fDg08sIFZPQ8OKIERFQ0xBUkEgUVVFIFJFU1BFSVRPVSBUT0RPUyBFIFFVQUlTUVVFUiBESVJFSVRPUyBERSBSRVZJU8ODTyBDT01PIFRBTULDiU0gQVMgREVNQUlTIE9CUklHQcOHw5VFUyAKRVhJR0lEQVMgUE9SIENPTlRSQVRPIE9VIEFDT1JETzsKClZJSSAtIE8gUkkgZGEgVUZQZWwgc2UgY29tcHJvbWV0ZSBhIGlkZW50aWZpY2FyIGNsYXJhbWVudGUgbyBzZXUgbm9tZSBvdSBvKHMpIG5vbWUocykgZG8ocykgZGV0ZW50b3IoZXMpIGRvcyBkaXJlaXRvcyAKYXV0b3JhaXMgZGEgcHVibGljYcOnw6NvLCBlIG7Do28gZmFyw6EgcXVhbHF1ZXIgYWx0ZXJhw6fDo28sIGFsw6ltIGRhcXVlbGFzIGNvbmNlZGlkYXMgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EuCg==Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.ufpel.edu.br/oai/requestrippel@ufpel.edu.br || repositorio@ufpel.edu.br || aline.batista@ufpel.edu.bropendoar:2024-09-07T06:02:43Repositório Institucional da UFPel - Guaiaca - Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)false
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Foram observados e analisados – por meio do software PRAAT – os sinais acústicos oral e nasal, com o objetivo de melhor compreender a propagação da nasalidade nesses segmentos. Os resultados apontaram: (i) a predominância de vogais compostas pelos momentos acústicos Oral+Nasal+Murmúrio (O+N+M) e Nasal+Murmúrio (N+M) em detrimento de Oral+Murmúrio (O+M); (ii) ausência de padrão de antecipação de nasalidade coarticulatória, o que foi observado para vogais nasalizadas, sem diferenças consideráveis na duração relativa do momento acústico oral, independentemente do ponto de articulação seguinte e (iii) semelhanças entre o tempo para o início do abaixamento do palato mole observado por Amelot et al. (2008) para vogais monofonêmicas francesas e nossos resultados. O segundo experimento, relativo à percepção, teve sua coleta realizada no FONAPLI – Laboratório de Fonética Aplicada –, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Fizeram os testes de identificação e de discriminação – criados por meio do software Psychopy – 13 ouvintes mulheres, as quais geraram um total de 6396 dados. Foram criados e manipulados estímulos a fim de: avaliar a percepção da vogal nasal, levando em conta suas diferentes constituições (ONM, NM e OM); verificar o papel do murmúrio na percepção da vogal nasal do PB, considerando suas diferentes constituições; e avaliar as diferenças de percepção que se estabelecem entre vogais nasais e nasalizadas. Os principais resultados apontaram que: (i) a constituição de fases não parece ter interferência da variação dialetal, já que os resultados do teste piloto e da coleta final, que contavam com informantes de naturalidades diferentes, foram bastante semelhantes; (ii) a constituição OM não parece ser satisfatoriamente reconhecida pelas informantes, apresentando um tempo maior de reação e um número expressivo de erros nos estímulos relativos à confiabilidade; (iii) vogais nasais ONM e NM, mesmo sem o murmúrio, são entendidas como nasais, OM, porém, ao contrário; (iv) a vogal nasalizada sem consoante é entendida como oral, o que mostra percepções diferentes para esses segmentos. A análise via Fonologia Gestual – especialmente a formalização por meio de pautas gestuais – permitiu evidenciar, para as vogais de constituição ONM e NM, um padrão em fase dos gestos articulatórios envolvidos, ao contrário do que seria esperado para uma representação fonológica constituída por dois segmentos, formando uma sílaba VC. A constituição OM, porém, pode ser formalizada por meio de duas representações, uma que apresenta padrão de antifase entre o gesto vélico e os gestos vocálicos e outra em que a sobreposição gestual entre o gesto vélico e os gestos da consoante seguinte responde pela ausência da fase nasal, não estando relacionada, portanto, a uma relação de antifase. Assim, como foi possível constatar, por meio dos resultados decorrentes da análise de dados experimentais da sua formalização por meio das pautas gestuais, indicia-se uma representação fonológica das vogais nasais do português brasileiro como constituída por apenas um segmento.
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