Conservação ex situ e biologia reprodutiva da espinheira santa (Maytenus ilicifolia, Celastraceae)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Perleberg, Tângela Denise
Orientador(a): Barbieri, Rosa Lia
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Agronomia
Departamento: Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufpel.edu.br/handle/prefix/3667
Resumo: A espinheira-santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek) é uma planta medicinal nativa do Brasil utilizada no tratamento de gastrites e úlceras gástricas. Para conservar a variabilidade genética dessa espécie, 129 acessos provenientes de 15 municípios do Rio Grande do Sul são mantidos no Banco Ativo de Germoplasma de Espinheira-Santa da Embrapa Clima Temperado em parceria com o Instituto Federal Sul-rio-grandense. Essa Tese teve como objetivo contribuir para o avanço do conhecimento relacionado à biologia reprodutiva de M. ilicifolia. Foram feitas avaliações da biologia floral, da fenologia reprodutiva, do sistema reprodutivo e dos polinizadores e dispersores de sementes. As fenofases de botão floral, antese floral, fruto maduro e imaturo foram avaliadas mensalmente. Os visitantes florais foram observados no período de floração e classificados em polinizadores ou pilhadores de néctar. As aves que consumiram os frutos foram registradas no período de maturação, sendo consideradas dispersoras de sementes as que engoliram os diásporos (arilo e sementes) inteiros. Foi verificado que as flores têm antese diurna, são morfologicamente hermafroditas, semelhantes no tamanho, formato e coloração, mas apresentam comportamento de flores funcionalmente femininas (produzem frutos) ou flores funcionalmente masculinas (produzem pólen), raramente hermafroditas. As flores funcionalmente femininas e masculinas produzem óvulos e pólen, e o estigma é receptivo. O ovário das flores funcionalmente masculinas não forma frutos. O pólen é fértil em ambos os morfotipos florais. Todavia, nas flores funcionalmente femininas não ocorre pólen em 37% das anteras e nas demais foi registrado apenas quatro grãos, em média. As flores funcionalmente masculinas e funcionalmente femininas ocorrem em diferentes plantas, caracterizando a espécie como funcionalmente dioica. Somente flores funcionalmente femininas e hermafroditas originaram frutos por polinização cruzada e geitonogamia, caracterizando autoincompatibilidade na espinheira-santa. O período reprodutivo ocorreu de junho, com a emissão dos botões florais, até fevereiro, com a maturação dos frutos. Os polinizadores são as moscas, com destaque para Lucilia eximia e Limnophora sp., e as vespas, com destaque para Brachygastra melifica, Polistes canadensis e uma espécie da família Tiphiidae. Oito espécies de aves consumiram diásporos, atuando como dispersoras, com destaque para Tangara sayaca, Elaenia sp. e Pipraeidea bonariensis. M. ilicifolia é uma espécie alógama, apresentando morfologia floral compatível com a polinização entomófila e generalista. As fenofases reprodutivas estão correlacionadas com a temperatura e o comprimento do dia, e o início da floração depende da latitude. Esta tese contribui para o avanço do conhecimento sobre a biologia reprodutiva de espinheira-santa, apresentando informações relevantes para a conservação e uso deste importante recurso genético.
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Para conservar a variabilidade genética dessa espécie, 129 acessos provenientes de 15 municípios do Rio Grande do Sul são mantidos no Banco Ativo de Germoplasma de Espinheira-Santa da Embrapa Clima Temperado em parceria com o Instituto Federal Sul-rio-grandense. Essa Tese teve como objetivo contribuir para o avanço do conhecimento relacionado à biologia reprodutiva de M. ilicifolia. Foram feitas avaliações da biologia floral, da fenologia reprodutiva, do sistema reprodutivo e dos polinizadores e dispersores de sementes. As fenofases de botão floral, antese floral, fruto maduro e imaturo foram avaliadas mensalmente. Os visitantes florais foram observados no período de floração e classificados em polinizadores ou pilhadores de néctar. As aves que consumiram os frutos foram registradas no período de maturação, sendo consideradas dispersoras de sementes as que engoliram os diásporos (arilo e sementes) inteiros. Foi verificado que as flores têm antese diurna, são morfologicamente hermafroditas, semelhantes no tamanho, formato e coloração, mas apresentam comportamento de flores funcionalmente femininas (produzem frutos) ou flores funcionalmente masculinas (produzem pólen), raramente hermafroditas. As flores funcionalmente femininas e masculinas produzem óvulos e pólen, e o estigma é receptivo. O ovário das flores funcionalmente masculinas não forma frutos. O pólen é fértil em ambos os morfotipos florais. Todavia, nas flores funcionalmente femininas não ocorre pólen em 37% das anteras e nas demais foi registrado apenas quatro grãos, em média. As flores funcionalmente masculinas e funcionalmente femininas ocorrem em diferentes plantas, caracterizando a espécie como funcionalmente dioica. Somente flores funcionalmente femininas e hermafroditas originaram frutos por polinização cruzada e geitonogamia, caracterizando autoincompatibilidade na espinheira-santa. O período reprodutivo ocorreu de junho, com a emissão dos botões florais, até fevereiro, com a maturação dos frutos. Os polinizadores são as moscas, com destaque para Lucilia eximia e Limnophora sp., e as vespas, com destaque para Brachygastra melifica, Polistes canadensis e uma espécie da família Tiphiidae. Oito espécies de aves consumiram diásporos, atuando como dispersoras, com destaque para Tangara sayaca, Elaenia sp. e Pipraeidea bonariensis. M. ilicifolia é uma espécie alógama, apresentando morfologia floral compatível com a polinização entomófila e generalista. As fenofases reprodutivas estão correlacionadas com a temperatura e o comprimento do dia, e o início da floração depende da latitude. Esta tese contribui para o avanço do conhecimento sobre a biologia reprodutiva de espinheira-santa, apresentando informações relevantes para a conservação e uso deste importante recurso genético.Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) is a medicinal plant native in Brazil. It is used in the treatment of gastritis and gastric ulcers. To conserve the genetic variability of this species, 129 accessions from 15 municipalities of Rio Grande do Sul State, Brazil, are conserved in the Active Germplasm Bank of Espinheira-Santa by Embrapa Clima Temperado in partnership with the Instituto Federal Sul-rio-grandense. This thesis had the objective to contribute to the advancement of knowledge related to the reproductive biology of M. ilicifolia. Evaluations were made of floral biology, reproductive phenology, reproductive system, pollinators and seed dispersers. The phenophases of flower bud, floral anthesis, ripe and immature fruit were evaluated monthly. Floral visitors were observed in the period of flowering and were classified in pollinators or nectar scavengers. The birds consuming fruit were registered at the time of ripening, and those that swallowed the whole diasporas (aril and seeds) were considered dispersors of seeds. The flowers have diurnal anthesis, are morphologically hermaphrodites, they are similar in size, shape and coloration, but exhibit behavior of functionally female flowers (producing fruit), or functionally male flowers (producing pollen), rarely hermaphrodites. Both floral morphotypes produce ovules and pollen, and the stigma is receptive. The ovary of the functionally male flowers does not produce fruit. Pollen is fertile in both floral morphotypes. However, pollen was not present in 37% of the anthers in functionally female flowers, and only four grains were recorded on the other flowers.The functionally male and female flowers occur on different plants, characterizing this species as functionally dioecious. Only functionally female flowers pollinated with pollen from other flowers set fruit bycross-pollination and geitonogamy, characterizing autoincompatibility in espinheira-santa. The reproductive period occurred from June, with the emission of flower buds, until February, with the maturation of the fruit. The pollinators are the flies, mainly Lucilia eximia and Limnophora sp., and wasps, especially Brachygastra melifica, Polistes canadensis and a species of Tiphiidae family. Eight species of birds consumed diaspores, acting as dispersors, standing out the Tangara sayaca, Elaenia sp. and the Pipraeidea bonariensis. M. ilicifolia is an allogamous species, showing floral morphology compatible with entomophilous and generalist pollination. The reproductive phenophases are correlated with temperature and length of the day, and the beginning of bloom depends on the latitude. This thesis contributes to the advancement of knowledge of the reproductive biology of espinheira-santa, featuring relevant information to the conservation and use of this important genetic resource.porUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em AgronomiaUFPelBrasilFaculdade de Agronomia Eliseu MacielCNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIABanco ativo de germoplasmaRecursos genéticosPlantas medicinaisActive germoplasm bankGenetic resourcesMedicinal plantsConservação ex situ e biologia reprodutiva da espinheira santa (Maytenus ilicifolia, Celastraceae)Ex situ conservation and reproductive biology of espinheira-santa (Maytenus ilicifolia, Celastraceae)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELTEXTTese Tângela Denise Perleberg.pdf.txtTese Tângela Denise Perleberg.pdf.txtExtracted texttext/plain172918http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/6/Tese%20T%c3%a2ngela%20Denise%20Perleberg.pdf.txt1a1db38ed7eaab76a978f0c1058c1879MD56open accessTHUMBNAILTese Tângela Denise Perleberg.pdf.jpgTese Tângela Denise Perleberg.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1318http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/7/Tese%20T%c3%a2ngela%20Denise%20Perleberg.pdf.jpg9e068c7ea03f8c9a61215af4c8060861MD57open accessORIGINALTese Tângela Denise Perleberg.pdfTese Tângela Denise Perleberg.pdfapplication/pdf2356216http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/1/Tese%20T%c3%a2ngela%20Denise%20Perleberg.pdf2747b9d603113f3a0a969935a0a20be1MD51open accessCC-LICENSElicense_urllicense_urltext/plain; charset=utf-849http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/2/license_url4afdbb8c545fd630ea7db775da747b2fMD52open accesslicense_textlicense_texttext/html; charset=utf-80http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/3/license_textd41d8cd98f00b204e9800998ecf8427eMD53open accesslicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; charset=utf-80http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/4/license_rdfd41d8cd98f00b204e9800998ecf8427eMD54open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-867http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/3667/5/license.txtfbd6c74465857056e3ca572d7586661bMD55open accessprefix/36672023-07-13 03:50:17.367open accessoai:guaiaca.ufpel.edu.br:prefix/3667VG9kb3Mgb3MgaXRlbnMgZGVzc2EgY29tdW5pZGFkZSBzZWd1ZW0gYSBsaWNlbsOnYSBDcmVhdGl2ZSBDb21tb25zLg==Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.ufpel.edu.br/oai/requestrippel@ufpel.edu.br || repositorio@ufpel.edu.br || aline.batista@ufpel.edu.bropendoar:2023-07-13T06:50:17Repositório Institucional da UFPel - Guaiaca - Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)false
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