Decisões do TRF4 sobre comissões de heteroidentificação: epistemologias e moralidades em disputa?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Gomes, Mara Beatriz Nunes
Orientador(a): Spolle, Marcus Vinícius
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/16079
Resumo: No Brasil, as ações afirmativas são pressionadas por denúncias sobre fraudes na ocupação das cotas reservadas a pessoas negras, num contexto em que na sociedade brasileira vigora o racismo de marca/epidérmico. A vigilância do Movimento Social Negro vem contribuindo para o avanço na fiscalização da política, com elementos que refutam autodeclarações de candidatos sem fenótipo negro que tentam acessar indevidamente a política. Porém, mesmo após a normatização da heteroidentificação como critério de validação da autodeclaração, que ganhou corpo a partir do ano de 2016, o debate continua aceso. Nesse cenário, a região sul do país, composta por Paraná (PR), Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC), desponta com a peculiaridade de que, no ano de 2017, concentrava a maior parte das comissões de heteroidentificação existentes naquele momento nas instituições federais de ensino do país. Por sua vez, no judiciário federal dessa mesma região, sob a jurisdição do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), detectou-se significativa parcela de decisões a favor de autodeclarações indeferidas pelas comissões responsáveis. Mas afinal, como explicar que pessoas sem fenótipo negro sejam outorgadas, por decisões judiciais, a ocupar vagas reservadas ao acesso afirmativo? Eis o fio condutor desta investigação, que sob a ótica dos concursos e seleções públicas, examinou a(s) epistemologia(s) e moralidades(s) que contornam o(s) sentido(s) de justiça dados pelos julgadores do TRF4 nas decisões sobre heteroidentificação durante a janela de Agosto/2016 a Agosto/2021. A partir desses demarcadores, no campo empírico foram catalogadas 30 decisões, em articulação com a biografia dos 11 sujeitos pesquisados (julgadores do TRF4), constituindo um conjunto de dados cuja diagramação indicou os seguintes achados: i) existência de dois grandes eixos argumentativos nas decisões do TRF4, denominados de teoria da autonomia/legitimidade da comissão e teoria da zona cinzenta/zona da dúvida razoável; ii) presença de backlash racial nas decisões judiciais do TRF4 sobre heteroidentificação que permitem a ocupação indevida das cotas raciais, em uma lógica delimitada pelas particularidades epistemológicas do racismo brasileiro.
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Porém, mesmo após a normatização da heteroidentificação como critério de validação da autodeclaração, que ganhou corpo a partir do ano de 2016, o debate continua aceso. Nesse cenário, a região sul do país, composta por Paraná (PR), Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC), desponta com a peculiaridade de que, no ano de 2017, concentrava a maior parte das comissões de heteroidentificação existentes naquele momento nas instituições federais de ensino do país. Por sua vez, no judiciário federal dessa mesma região, sob a jurisdição do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), detectou-se significativa parcela de decisões a favor de autodeclarações indeferidas pelas comissões responsáveis. Mas afinal, como explicar que pessoas sem fenótipo negro sejam outorgadas, por decisões judiciais, a ocupar vagas reservadas ao acesso afirmativo? Eis o fio condutor desta investigação, que sob a ótica dos concursos e seleções públicas, examinou a(s) epistemologia(s) e moralidades(s) que contornam o(s) sentido(s) de justiça dados pelos julgadores do TRF4 nas decisões sobre heteroidentificação durante a janela de Agosto/2016 a Agosto/2021. A partir desses demarcadores, no campo empírico foram catalogadas 30 decisões, em articulação com a biografia dos 11 sujeitos pesquisados (julgadores do TRF4), constituindo um conjunto de dados cuja diagramação indicou os seguintes achados: i) existência de dois grandes eixos argumentativos nas decisões do TRF4, denominados de teoria da autonomia/legitimidade da comissão e teoria da zona cinzenta/zona da dúvida razoável; ii) presença de backlash racial nas decisões judiciais do TRF4 sobre heteroidentificação que permitem a ocupação indevida das cotas raciais, em uma lógica delimitada pelas particularidades epistemológicas do racismo brasileiro.In Brazil, affirmative actions are questioned by allegations of fraud in the occupation of quotas reserved for black people, in a context where epidermal racism prevails in Brazilian society. The vigilance of the Black Social Movement has contributed to the advancement in the policy monitoring, with elements that refute self-declarations of candidates without a black phenotype who try to improperly access the policy. However, even after the standardization of heteroidentification as a criterion to support self-declaration, which gained traction from 2016 onwards, the debate remains heated. In this scenario, the southern region of the country, composed of Paraná (PR), Rio Grande do Sul (RS), and Santa Catarina (SC), stands out with the peculiarity that, in 2017, it concentrated most of the heteroidentification committees existing at that time in federal educational institutions in the country. In turn, in the federal judiciary of this same region, under the jurisdiction of the Federal Regional Court of the 4th Region (TRF4), a significant portion of decisions in favor of self-declarations rejected by the responsible committees was detected. But, how explain that people without a black phenotype are allowed, by judicial decisions, the right to occupy reserved affirmative action vacancies? This is the guiding thread of this investigation, which, from the perspective of public competitions and selections, examined the epistemologies and moralities that surround the senses of justice given by TRF4 judges in decisions on heteroidentification during the window from August 2016 to August 2021.Based on these markers, in the empirical field, 30 decisions were catalogued, in conjunction with the biography of the 11 subjects researched (judges of TRF4), creating a dataset that indicated the following findings: i) the existence of two main argumentative axis in the TRF4 decisions, named the theory of commission autonomy/legitimacy and the theory of the gray area/zone of reasonable doubt; ii) the presence of racial backlash in the TRF4 judicial decisions on heteroidentification that allow the improper occupation of racial quotas, in a logic delineated by the epistemological particularities of Brazilian racism.Sem bolsaporUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em SociologiaUFPelBrasilCC BY-NC-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessCIENCIAS SOCIAIS APLICADASSOCIOLOGIADecisões judiciaisComissões de HeteroidentificaçãoCotasFraudesEpistemologiasMoralidadesTRF4Decisões do TRF4 sobre comissões de heteroidentificação: epistemologias e moralidades em disputa?TRF4 decisions on heteroidentification commissions: epistemologies and moralities in dispute?info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesishttp://lattes.cnpq.br/5484811664118979http://lattes.cnpq.br/7994446298778464Spolle, Marcus ViníciusGomes, Mara Beatriz Nunesreponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELORIGINALMara Beatriz Nunes Gomes.pdfMara Beatriz Nunes Gomes.pdfapplication/pdf15529403http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/16079/1/Mara%20Beatriz%20Nunes%20Gomes.pdf9061f96c47536a7776309b230d76258eMD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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