A experiência de mulheres-mães que tiveram bebês prematuros em tempos de covid-19
| Ano de defesa: | 2023 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/311267 |
Resumo: | O presente estudo objetivou investigar a experiência de maternidade de mulheres-mães que tiveram bebês prematuros durante a pandemia de COVID-19. Participaram do estudo sete mulheres-mães primíparas, brasileiras, com 29 a 39 anos de idade, cujos bebês haviam nascido pré-termo entre os anos de 2020 e 2021. Trata-se de um estudo de caso múltiplo, em que se buscou inicialmente compreender cada caso para depois examinar possíveis semelhanças e diferenças entre os mesmos. Cada mãe respondeu a uma entrevista estruturada, realizada de forma semi-dirigida e duas fichas sobre os dados sociodemográficos e condições clínicas do bebê e da mãe. Os relatos dos participantes foram submetidos à análise temática, com base em quatro eixos teóricos derivados de Stern (1997): vida-crescimento, relacionar-se primário, matriz de apoio e reorganização da identidade. Os resultados apontaram para os desafios impostos à experiência de maternidade diante da prematuridade no contexto da pandemia. As preocupações previstas, em relação ao nascimento pré-termo, foram intensificadas perante os riscos iminentes à vida que representou a COVID-19. Nesse sentido, o envolvimento das mães com os(as) filhos(as) atravessou tais adversidades e necessitou de um processo de elaboração para que as participantes conseguissem se reconhecer como mães. Além disso, as suas redes de cuidado e instrução ficaram comprometidas devido aos protocolos de isolamento social. Salientou-se o sentimento de solidão ao não poderem contar com acompanhantes em momentos como a realização de exames e o parto. Em paralelo, destacou-se a importância dos cônjuges, bem como o reconhecimento das novas configurações familiares, como a dupla maternidade e questionou-se sobre o papel do pai na rede de apoio. A figura da mãe da mãe foi mencionada como fonte de apoio para as participantes, além de surgirem como modelos de referência na construção da identidade das novas mães. As participantes também revelaram a necessidade de negociação da maternidade com outros papéis de sua vida, como filhas, esposas e, principalmente, profissionais. Como conflito atual, preponderou o desejo de retornar ao trabalho, embora se sentissem culpadas pela separação com os bebês. Assim, a realização com maternidade também dependia da possibilidade de investir em aspirações particulares e esferas múltiplas das suas identidades. Durante o estudo, as participantes foram escutadas, permitindo que encontrassem novos significados para suas experiências e recebessem apoio. Essa abordagem foi particularmente relevante durante a pandemia, quando o isolamento social, as restrições na rede de apoio e a insuficiência do sistema de saúde intensificaram os sentimentos de desamparo. |
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Os resultados apontaram para os desafios impostos à experiência de maternidade diante da prematuridade no contexto da pandemia. As preocupações previstas, em relação ao nascimento pré-termo, foram intensificadas perante os riscos iminentes à vida que representou a COVID-19. Nesse sentido, o envolvimento das mães com os(as) filhos(as) atravessou tais adversidades e necessitou de um processo de elaboração para que as participantes conseguissem se reconhecer como mães. Além disso, as suas redes de cuidado e instrução ficaram comprometidas devido aos protocolos de isolamento social. Salientou-se o sentimento de solidão ao não poderem contar com acompanhantes em momentos como a realização de exames e o parto. Em paralelo, destacou-se a importância dos cônjuges, bem como o reconhecimento das novas configurações familiares, como a dupla maternidade e questionou-se sobre o papel do pai na rede de apoio. A figura da mãe da mãe foi mencionada como fonte de apoio para as participantes, além de surgirem como modelos de referência na construção da identidade das novas mães. As participantes também revelaram a necessidade de negociação da maternidade com outros papéis de sua vida, como filhas, esposas e, principalmente, profissionais. Como conflito atual, preponderou o desejo de retornar ao trabalho, embora se sentissem culpadas pela separação com os bebês. Assim, a realização com maternidade também dependia da possibilidade de investir em aspirações particulares e esferas múltiplas das suas identidades. Durante o estudo, as participantes foram escutadas, permitindo que encontrassem novos significados para suas experiências e recebessem apoio. Essa abordagem foi particularmente relevante durante a pandemia, quando o isolamento social, as restrições na rede de apoio e a insuficiência do sistema de saúde intensificaram os sentimentos de desamparo.The present study aimed to investigate the motherhood experience of women who had premature babies during the COVID-19 pandemic. Seven primiparous Brazilian mothers, aged 29 to 39, whose babies were born preterm between the years 2020 and 2021, participated in the study. It was a multiple case study, initially seeking to understand each case and then examine possible similarities and differences among them. Each mother responded to a semi-structured interview, as well as provided socio-demographic and clinical data on the baby and the mother. The participants' accounts were subjected to thematic analysis based on four theoretical axes derived from Stern (1997): life-growth, primary relatedness, support matrix, and identity reorganization. The results highlighted the challenges posed to the motherhood experience in the face of prematurity within the context of the pandemic. The anticipated concerns regarding preterm birth were intensified in the face of the imminent risks posed by COVID-19. In this sense, the mothers' involvement with their children crossed such adversities and required a process of elaboration for the participants to recognize themselves as mothers. Additionally, their care and support networks were compromised due to social isolation protocols. The feeling of loneliness was emphasized as they were unable to have companions during moments such as exams and childbirth. In parallel, the importance of spouses was highlighted, as well as the recognition of new family configurations, such as same-sex parenting, and questioned the role of fathers in the support network. The participants mentioned the role of their own mothers as a source of support and as reference models in the construction of their identity as new mothers. The participants also revealed the need to negotiate motherhood with other roles in their lives, such as being daughters, wives, and especially professionals. The desire to return to work predominated as a current conflict, although they felt guilty about the separation from their babies. Thus, fulfillment in motherhood also depended on the possibility of investing in personal aspirations and multiple spheres of their identities. Throughout the study, the participants were listened to, allowing them to find new meanings in their experiences and receive support. This approach was particularly relevant during the pandemic, when social isolation, restrictions in the support network, and inadequate healthcare system intensified feelings of helplessness.application/pdfporMaternidadePandemia de COVID-19 (2020-2023)PrematuroMotherhoodPrematurityCOVID-19 pandemicA experiência de mulheres-mães que tiveram bebês prematuros em tempos de covid-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de PsicologiaPrograma de Pós-Graduação em PsicologiaPorto Alegre, BR-RS2023mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Lume - Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001309173.pdf.txt001309173.pdf.txtExtracted Texttext/plain236448http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/311267/2/001309173.pdf.txtca5685d7b41556370162e48c99cd5981MD52ORIGINAL001309173.pdfTexto parcialapplication/pdf749890http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/311267/1/001309173.pdfb0c890005ff3e65556564fe498271770MD5110183/3112672026-08-08 08:06:27.38752oai:www.lume.ufrgs.br:10183/311267Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2026-08-08T11:06:27Lume - Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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