O processo educativo da luta e do trabalho das mulheres : via campesina no Brasil, UNORCA/UNMIC e CONAMI no México

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Conte, Isaura Isabel
Orientador(a): Ribeiro, Marlene
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/102257
Resumo: A presente Tese de Doutorado analisa e discute os aprendizados do universo de trabalho e de luta das mulheres camponesas da Via Campesina do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, e camponesas e indígenas da UNORCA/UNMIC e da CONAMI no México. Enfatiza-se, assim, os saberes para além do contexto escolar, em que se aprende a vida toda, com ênfase no fazerse gente, sujeito com consciência crítica, feministas ou não, mas que lutam, coletivamente por dias melhores e, perdem a vergonha, passando a andar de cabeça erguida, sem baixar la mirada. Apesar de terem sido relegadas a seres de segunda ordem na sociedade patriarcal, refletindo historicamente, no pouco ou nada de acesso à educação escolar pelo fato de vierem no campo ou por serem mulheres índias; na luta geral não levadas em conta e, nas específicas, grandemente acusadas de divisoras ou antirrevolucionárias, elas continuam demarcando espaços, ampliando e multiplicando saberes. Para tal, afirma-se a importância de coletivos de mulheres no interior de movimentos mistos que se somam a movimentos específicos, conduzidos por elas. A pesquisa desenvolvida como estudo de caso, no Brasil situou-se no estado do Rio Grande do Sul e as organizações pesquisadas foram MMC, MST, MAB e MPA da Via Campesina, tendo como sujeitos, duas mulheres de cada organização. No México, foram pesquisadas três mulheres da UNORCA/UNMIC e também da CONAMI, dos estados do Distrito Federal, Sonora, Guerrero, Morelos e Chiapas. Para a coleta de dados foram utilizados dois questionários: um, aberto, semiestruturado com questões usadas para gravação e posterior transcrição; outro, também aberto, com questões estruturadas, registrado instantaneamente. Outro instrumento utilizado foi o diário de campo com registros de observações de reuniões e encontros envolvendo sujeitos da pesquisa ou representantes de suas organizações. Junto a isso, foi realizado estudo de subsídios produzidos pelos referidos movimentos, tanto em livros, cartilhas e panfletos, como em sítios eletrônicos, além de ampla pesquisa bibliográfica. Sobre os aprendizados mais relevantes da pesquisa evidencia-se: a importância de as mulheres poderem dizer a sua palavra e, para tal, terem e/ou criarem as condições para tal, tanto ao que se refere a estudos em cursos formais ou não e, propriamente nas articulações e construções de suas lutas; perder o medo e enfrentar as contradições por estarem na luta coletiva; coordenar processos e junto a isso perceber limites, avanços e desafios, de si mesmas, das companheiras e companheiros e da luta em si; exigir respeito pelo fato serem mulheres e sustentar posições teórico-políticas; estudar, perceber a força e o poder que têm no coletivo; aprender experienciando na luta, e, mais que isso: passar a saber que sabem e que seus saberes são relevantes na contestação da sociedade machista e patriarcal, bem como, na construção de possibilidades de serem libertas.
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spelling Conte, Isaura IsabelRibeiro, Marlene2014-09-02T02:20:01Z2014http://hdl.handle.net/10183/102257000933016A presente Tese de Doutorado analisa e discute os aprendizados do universo de trabalho e de luta das mulheres camponesas da Via Campesina do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, e camponesas e indígenas da UNORCA/UNMIC e da CONAMI no México. Enfatiza-se, assim, os saberes para além do contexto escolar, em que se aprende a vida toda, com ênfase no fazerse gente, sujeito com consciência crítica, feministas ou não, mas que lutam, coletivamente por dias melhores e, perdem a vergonha, passando a andar de cabeça erguida, sem baixar la mirada. Apesar de terem sido relegadas a seres de segunda ordem na sociedade patriarcal, refletindo historicamente, no pouco ou nada de acesso à educação escolar pelo fato de vierem no campo ou por serem mulheres índias; na luta geral não levadas em conta e, nas específicas, grandemente acusadas de divisoras ou antirrevolucionárias, elas continuam demarcando espaços, ampliando e multiplicando saberes. Para tal, afirma-se a importância de coletivos de mulheres no interior de movimentos mistos que se somam a movimentos específicos, conduzidos por elas. A pesquisa desenvolvida como estudo de caso, no Brasil situou-se no estado do Rio Grande do Sul e as organizações pesquisadas foram MMC, MST, MAB e MPA da Via Campesina, tendo como sujeitos, duas mulheres de cada organização. No México, foram pesquisadas três mulheres da UNORCA/UNMIC e também da CONAMI, dos estados do Distrito Federal, Sonora, Guerrero, Morelos e Chiapas. Para a coleta de dados foram utilizados dois questionários: um, aberto, semiestruturado com questões usadas para gravação e posterior transcrição; outro, também aberto, com questões estruturadas, registrado instantaneamente. Outro instrumento utilizado foi o diário de campo com registros de observações de reuniões e encontros envolvendo sujeitos da pesquisa ou representantes de suas organizações. Junto a isso, foi realizado estudo de subsídios produzidos pelos referidos movimentos, tanto em livros, cartilhas e panfletos, como em sítios eletrônicos, além de ampla pesquisa bibliográfica. Sobre os aprendizados mais relevantes da pesquisa evidencia-se: a importância de as mulheres poderem dizer a sua palavra e, para tal, terem e/ou criarem as condições para tal, tanto ao que se refere a estudos em cursos formais ou não e, propriamente nas articulações e construções de suas lutas; perder o medo e enfrentar as contradições por estarem na luta coletiva; coordenar processos e junto a isso perceber limites, avanços e desafios, de si mesmas, das companheiras e companheiros e da luta em si; exigir respeito pelo fato serem mulheres e sustentar posições teórico-políticas; estudar, perceber a força e o poder que têm no coletivo; aprender experienciando na luta, e, mais que isso: passar a saber que sabem e que seus saberes são relevantes na contestação da sociedade machista e patriarcal, bem como, na construção de possibilidades de serem libertas.The present doctoral dissertation analyses and discusses the learning of the work and struggle universe of peasant women from Via Campesina from Rio Grande do Sul / Brazil and the peasant and Indian women from UNORCA/UNMIC and CONAMI from Mexico. It is highlighted the knowledge besides the school context, in what is learnt the whole life, emphasizing turning into a person, a subject with critical awareness, feminist or not, but who struggles in collective for better days, and is not ashamed, starting to walk with head up without bringing down la mirada. Beyond being put aside as human been of second order in a patriarchal society, historically reflecting, in little or even no access to school education by the fact of coming from the countryside or being Indian women; in general fight not taking in account and in specific fights were intensely accused as divisive or antirevolutionaries, they keep demarcating spaces amplifying and multiplying knowledge. For that, it is affirmed the relevance of women collective inner mixed movements that are summed up to specific movements conducted by themselves. The research developed as a case study, in Brazil, was situated in Rio Grande do Sul and the organizations researched were MMC, MST, MAB and MPA of Via Campesina, having as subjects, two women of each organization. In Mexico, were researched three women of UNORCA/ UNMIC and also CONAMI from the states of Federal District, Sonora, Guerrero, Morelos and Chiapas. In order to collect the data were utilized two questionnaires: one, open, semi structured, with questions to record and later transcript; another, open, with structured questions, registered instantly. Other instrument used was a field diary for registering the observation of meetings evolving subjects of the research or representative of their organizations. It was also done a study produced by the referred movements, in books, primers, folders, sites, as well as a broad bibliographic research. About the most relevant learning of the research was evident: the importance of women saying their words, and or to create conditions for it, in what refers to studies in formal courses or not, and also in the articulation and construction of their struggles; not having fear to face contradictions for being in collective struggle; coordinating processes and also seeing limits, advances and challenges, from themselves, their partners female or male and the struggle itself; requiring respect by the fact they are women and sustain theoreticalpolitical positions; studying and realizing their strength and power that is in the collective; learning through experience in struggle, and more than that, realizing they know and their knowledge is relevant contesting the chauvinist and patriarchal society, as well in the construction of possibilities of being set free.application/pdfporMulherTrabalhador ruralIndígenasWomenStruggleWorkLearningO processo educativo da luta e do trabalho das mulheres : via campesina no Brasil, UNORCA/UNMIC e CONAMI no Méxicoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoPorto Alegre, BR-RS2014doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSORIGINAL000933016.pdf000933016.pdfTexto completoapplication/pdf2164446http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/102257/1/000933016.pdfd411e2caa0b3bbef6fd8fb1c822780d4MD51TEXT000933016.pdf.txt000933016.pdf.txtExtracted Texttext/plain533143http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/102257/2/000933016.pdf.txtb7b9d6ef32a84f28994c05286e3fbc24MD52THUMBNAIL000933016.pdf.jpg000933016.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1472http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/102257/3/000933016.pdf.jpg8b8ca69c533b06f1c482a408c8525e04MD5310183/1022572018-10-23 08:56:46.752oai:www.lume.ufrgs.br:10183/102257Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2018-10-23T11:56:46Repositório Institucional da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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