Nós, os fabulistas : o pensamento baseado na oralidade e as narrativas de Guimarães Rosa
| Ano de defesa: | 2007 |
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| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/11152 |
Resumo: | Este trabalho tem como objetivo analisar a obra de Guimarães Rosa a partir do aproveitamento que o autor faz de elementos provenientes de uma cultura oral. Para tanto, são analisadas as estórias “Entremeio com o vaqueiro Mariano”, de Estas estórias, “Pé-duro, chapéu-de-couro”, de Ave, palavra, “Três homens e o boi dos três homens que inventaram um boi”, de Tutaméia, “Cara-de-Bronze” e “O recado do Morro”, de No Urubuquaquá, no Pinhém, e “Uma estória de amor”, de Manuelzão e Miguilim. A escolha dessas narrativas diz respeito ao fato de que as mesmas são ilustrativas do projeto do autor em recriar a literatura de tradição oral, mas também de recriar a situação de enunciação e de divulgação de narrativas que existem em um contexto de oralidade. Além da linguagem, que não é o foco desta pesquisa, o autor valoriza a importância da palavra proferida por seus porta-vozes e a maneira como ela é transmitida, bem como o efeito que ela causa em seus espectadores, através da performance. Para explorar uma espécie de “episteme do pensamento sertanejo”, Rosa constrói um discurso autoral que visa a reforçar seu engajamento com tudo aquilo que provém do sertão, dando credibilidade e verossimilhança ao que é ensinado através das narrativas. O autor apropria-se de um universo popular sem que o resultado disso seja uma produção “artificial” ou simplesmente descritiva, sob um ponto de vista intelectual, distanciado. Dada essa fusão entre popular e erudito e entre oral e escrito, optou-se por recorrer a teóricos preocupados em discutir tanto o comportamento das produções artísticas de caráter oral e as condições de sua produção (como Paul Zumthor, Walter Ong, Peter Burke, André Jolles, Câmara Cascudo) quanto as estratégias ficcionais utilizadas pelo autor para satisfazer seus propósitos (com base nas teorias e nos argumentos de Paul Ricouer, Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Wolfgang Iser, entre outros). Assim, foi possível perceber que Guimarães Rosa transita entre o popular e o erudito, na medida em que recorre a ambos para compor suas narrativas. Muito mais do que diferenças, o autor demonstra que a fixação do texto na escrita não impede que as situações de oralidade (que privilegiam a troca de experiências entre grupos que compartilham valores, crenças e costumes) deixem suas marcas na leitura silenciosa e solitária que um livro exige. |
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Flach, Alessandra BittencourtTettamanzy, Ana Lúcia Liberato2007-11-14T05:12:20Z2007http://hdl.handle.net/10183/11152000604483Este trabalho tem como objetivo analisar a obra de Guimarães Rosa a partir do aproveitamento que o autor faz de elementos provenientes de uma cultura oral. Para tanto, são analisadas as estórias “Entremeio com o vaqueiro Mariano”, de Estas estórias, “Pé-duro, chapéu-de-couro”, de Ave, palavra, “Três homens e o boi dos três homens que inventaram um boi”, de Tutaméia, “Cara-de-Bronze” e “O recado do Morro”, de No Urubuquaquá, no Pinhém, e “Uma estória de amor”, de Manuelzão e Miguilim. A escolha dessas narrativas diz respeito ao fato de que as mesmas são ilustrativas do projeto do autor em recriar a literatura de tradição oral, mas também de recriar a situação de enunciação e de divulgação de narrativas que existem em um contexto de oralidade. Além da linguagem, que não é o foco desta pesquisa, o autor valoriza a importância da palavra proferida por seus porta-vozes e a maneira como ela é transmitida, bem como o efeito que ela causa em seus espectadores, através da performance. Para explorar uma espécie de “episteme do pensamento sertanejo”, Rosa constrói um discurso autoral que visa a reforçar seu engajamento com tudo aquilo que provém do sertão, dando credibilidade e verossimilhança ao que é ensinado através das narrativas. O autor apropria-se de um universo popular sem que o resultado disso seja uma produção “artificial” ou simplesmente descritiva, sob um ponto de vista intelectual, distanciado. Dada essa fusão entre popular e erudito e entre oral e escrito, optou-se por recorrer a teóricos preocupados em discutir tanto o comportamento das produções artísticas de caráter oral e as condições de sua produção (como Paul Zumthor, Walter Ong, Peter Burke, André Jolles, Câmara Cascudo) quanto as estratégias ficcionais utilizadas pelo autor para satisfazer seus propósitos (com base nas teorias e nos argumentos de Paul Ricouer, Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Wolfgang Iser, entre outros). Assim, foi possível perceber que Guimarães Rosa transita entre o popular e o erudito, na medida em que recorre a ambos para compor suas narrativas. Muito mais do que diferenças, o autor demonstra que a fixação do texto na escrita não impede que as situações de oralidade (que privilegiam a troca de experiências entre grupos que compartilham valores, crenças e costumes) deixem suas marcas na leitura silenciosa e solitária que um livro exige.This research is aimed at analyzing the work of Guimarães Rosa from the point of view of his incorporation of elements from the oral tradition. For this purpose, the following stories are analyzed: “Entremeio com o vaqueiro Mariano” from Estas estórias, “Pé-duro, chapéu-de-couro” from Ave, palavra, “Três homens e o boi dos três homens que inventaram um boi” from Tutaméia, “Cara-de-Bronze” and “O recado do Morro” from No Urubuquaquá, no Pinhém, and “Uma estória de amor” from Manuelzão e Miguilim. These narratives were chosen because they illustrate Rosa’s project to recreate not only traditional oral literature, but also the situation of telling and spreading narratives in an oral context. In addition to focusing on language, which is not dealt with in this research, Rosa highlights the importance of the character’s own voice and the means by which it is conveyed as well as the effect it has on the audience during the performance. In order to explore a kind of “episteme of the sertanejo thought”, Rosa presents an authorial discourse which reinforces his commitment to all that is related to the sertão, attaching credibility and veracity to lessons taught through oral narratives. Although the author incorporates a popular universe into his work, it does not result in an “artificial” or merely descriptive production presented from an intellectualized, distanced perspective. Due to this fusion between popular and scholarly discourses and between oral and written narratives, the support for the present research includes theoretical frameworks concerned with both discussing the characteristics of oral artistic productions and the conditions of their production (Paul Zumthor, Walter Ong, Peter Burke, André Jolles, Câmara Cascudo) and exploring the fictional strategies employed by the author to achieve his goals (based on theories and arguments by Paul Ricouer, Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Wolfgang Iser, among others). In conclusion, it is evidenced that Guimarães Rosa traverses between the popular and the scholarly realms given that he embraces both in constructing his narratives. Beyond differences, the author demonstrates that the permanence of the story in written form does not prevent aspects related to its oral character (which reveal the exchange of experiences among groups that share values, beliefs and habits) from leaving their marks on the silent, solitary moment that reading a book requires.application/pdfporLiteratura brasileiraRosa, João Guimarães, 1908-1967Critica e interpretacaoOralidadeNarrativaGuimarães RosaImplied authorOral discourseNarrativePerformanceNós, os fabulistas : o pensamento baseado na oralidade e as narrativas de Guimarães Rosainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2007mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSORIGINAL000604483.pdf000604483.pdfTexto completoapplication/pdf536197http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/11152/1/000604483.pdf99e25729f0fa6287ae9ee4d167b12fe3MD51TEXT000604483.pdf.txt000604483.pdf.txtExtracted Texttext/plain413197http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/11152/2/000604483.pdf.txt70303b5c1ee544bd5a74320371b82821MD52THUMBNAIL000604483.pdf.jpg000604483.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg979http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/11152/3/000604483.pdf.jpg742b3688669883f4e003473a1e58c072MD5310183/111522018-10-17 07:24:49.695oai:www.lume.ufrgs.br:10183/11152Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2018-10-17T10:24:49Repositório Institucional da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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