Extrativismo em área de reserva da biosfera da Mata Atlântica no Rio Grande do Sul : um estudo etnobiológico em Maquiné

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2003
Autor(a) principal: Coelho-de-Souza, Gabriela
Orientador(a): Elisabetsky, Elaine
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/3826
Resumo: As frondes de Rumohra adiantiformis (G.Forest.) Ching, conhecida como “leatherleaf”, “seven-weeks-fern” ou samambaia-preta, são usadas mundialmente em arranjos florais. Na África do Sul e Brasil o comércio da espécie é baseado no extrativismo. No Brasil a coleta é realizada em áreas de Mata Atlântica, sendo que 50% da produção provém das áreas de capoeira das encostas da Serra Geral no Rio Grande do Sul (RS). Atualmente, cerca de 2.000 famílias de agricultores familiares vivem nestas áreas, tendo no extrativismo sua principal fonte de renda. No entanto no RS a coleta, o comércio e o transporte de plantas ornamentais nativas são proibidos, já que nesta zona de transição da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (Maquiné, RS) há grandes restrições quanto à exploração dos recursos naturais. O êxodo rural e o próprio extrativismo estabelecido a partir da década de 70, permitiram a regeneração da Floresta Ombrófila Densa. Como a espécie é característica de estágios sucessionais iniciais, a regeneração florestal está levando à diminuição dos estoques naturais. Este trabalho se propôs a identificar alternativas econômicas para diversificação da economia de famílias de extrativistas, no intuito de minimizar a tensão associada à diminuição dos estoques naturais de samambaia-preta, às dificuldades no manejo da terra e à legislação ambiental. Junto à comunidade extrativista do distrito de Solidão (Maquiné) foram coletados dados etnobiológicos sobre plantas medicinais e plantas relacionadas ao artesanato. As principais espécies identificadas foram: Bambusa tuldoides (taquareira, colmo), Clytostoma sciuripabulum (cipó-branco, caule), Cyperus prolixus (tiririca, partes aéreas), Musa acuminata (bananeira, palha), Scirpus californicus (junco, partes aéreas), Typha dominguensis (taboa, partes aéreas), sendo que Macfadyena dentata (cipó-unha-de-gato, caule), Roupala brasiliensis (carvalho-brasileiro, folhas) e Tillandsia usneoides (barbade- pau, planta inteira) são as espécies prioritárias para a avaliação da sustentabilidade do extrativismo. Os dados etnobiológicos e ecológicos mostram que é possível estabelecer o manejo sustentável da R. adiantiformis. Os maiores entraves para o estabelecimento do manejo sustentado para as espécies identificadas incluem: a) estabelecer as bases de manejo sustentável destas espécies; b) compatibilizar esta atividade extrativista com o atual Código Florestal Estadual. Plantas medicinais não parecem ser uma alternativa viável a curto prazo, enquanto o artesanato requer a adequação da atividade artesanal no meio rural com os direitos à aposentadoria rural.
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O êxodo rural e o próprio extrativismo estabelecido a partir da década de 70, permitiram a regeneração da Floresta Ombrófila Densa. Como a espécie é característica de estágios sucessionais iniciais, a regeneração florestal está levando à diminuição dos estoques naturais. Este trabalho se propôs a identificar alternativas econômicas para diversificação da economia de famílias de extrativistas, no intuito de minimizar a tensão associada à diminuição dos estoques naturais de samambaia-preta, às dificuldades no manejo da terra e à legislação ambiental. Junto à comunidade extrativista do distrito de Solidão (Maquiné) foram coletados dados etnobiológicos sobre plantas medicinais e plantas relacionadas ao artesanato. As principais espécies identificadas foram: Bambusa tuldoides (taquareira, colmo), Clytostoma sciuripabulum (cipó-branco, caule), Cyperus prolixus (tiririca, partes aéreas), Musa acuminata (bananeira, palha), Scirpus californicus (junco, partes aéreas), Typha dominguensis (taboa, partes aéreas), sendo que Macfadyena dentata (cipó-unha-de-gato, caule), Roupala brasiliensis (carvalho-brasileiro, folhas) e Tillandsia usneoides (barbade- pau, planta inteira) são as espécies prioritárias para a avaliação da sustentabilidade do extrativismo. Os dados etnobiológicos e ecológicos mostram que é possível estabelecer o manejo sustentável da R. adiantiformis. Os maiores entraves para o estabelecimento do manejo sustentado para as espécies identificadas incluem: a) estabelecer as bases de manejo sustentável destas espécies; b) compatibilizar esta atividade extrativista com o atual Código Florestal Estadual. Plantas medicinais não parecem ser uma alternativa viável a curto prazo, enquanto o artesanato requer a adequação da atividade artesanal no meio rural com os direitos à aposentadoria rural.The fronds of (Rumohra adiantiformis (G.Forest.) Ching), known as “leatherleaf”, “seven-weeks-fern” or samambaia-preta (black fern), are used worldwide as florists´ greenery. In South Africa and Brazil the trade of this species is based on extractivism. In Brasil collections are made in the Atlantic Rainforest, with 50% of the production coming from areas of seconday forest in the slopes of Serra Geral no Rio Grande do Sul (RS). Currently, some 2.000 families of farmers live in such areas, and have in the extractivism its major source of income. Nevertheless, in the state of RS the collection, commerce and transport of ornamental native species are prohibited, since in this area considered a transition zone for the Biosphere Reserve of the Atlantic Rainforest (Maquiné, RS) restrictions to the exploitation of natural resources are strict. The rural exodus and the very extrativism established since the 70s allowed for the regeneration of the Atlantic Rain Forest. Since the species is characteristic of the early stages of succession, the forest regeneration is leading to a decrease of natural stocks. This study was aimed to identify alternatives for diversifying the local family economy, needed for minimizing the tension associated with the diminishing resources of samambaia-preta, the difficulties in land management and the environment legislation. Working closely with the extractive community in Solidão (Maquiné) ethnobiological data associated with medicinal plants and with species useful for art craft were collected. The most important species identified were: Bambusa tuldoides, Clytostoma sciuripabulum, Cyperus prolixus, Musa acuminata, Scirpus californicus and Typha dominguensis. Ethnobiological and ethnoecological data show that it is possible to establish a sustainable management of R. adiantiformis. The principle obstacles for this establishment include: a) to establish the basis for the sustainable collection of this species, and b) to harmonize this extractive activity with the current forest legislation at the State level. Medicinal plants do not seem to be a likely alternative in the short term future, whereas art craft activities require that art craft in rural areas are made compatible with the rights for retirement benefits.application/pdfporArtesanatoBotânica econômicaEtnobotânicaExtrativismo vegetalMata atlantica : Reservas naturais : BrasilMedicina popularPlantas medicinaisRemédios caseirosSamambaiasTesesFitogeografia : Rio Grande do SulMaquiné (RS)Mata AtlânticaRio Grande do SulExtrativismo em área de reserva da biosfera da Mata Atlântica no Rio Grande do Sul : um estudo etnobiológico em Maquinéinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de BiociênciasPrograma de Pós-Graduação em BotânicaPorto Alegre, BR-RS2003doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSORIGINAL000393645.pdf000393645.pdfTexto completoapplication/pdf2827632http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/3826/1/000393645.pdf4faa5eb34e8dc85068f19d643a2e61ecMD51TEXT000393645.pdf.txt000393645.pdf.txtExtracted Texttext/plain334130http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/3826/2/000393645.pdf.txt0ceac83eb72a878da5ea7c89287ded32MD52THUMBNAIL000393645.pdf.jpg000393645.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1249http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/3826/3/000393645.pdf.jpg14881ca9bebd84c4f21d692aa6dfa978MD5310183/38262018-10-17 09:36:34.959oai:www.lume.ufrgs.br:10183/3826Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2018-10-17T12:36:34Repositório Institucional da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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