As experiências docentes de professoras de sociologia : os desafios do cotidiano em meio ao conservadorismo
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/302151 |
Resumo: | Esta dissertação investiga como professoras de Sociologia de Porto Alegre e região metropolitana exercem sua docência em relação com seu gênero e ao abordarem temas de gênero, num contexto de onda conservadora que o Brasil passa, tendo seu ápice com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Cinco professoras, com formação em Ciências Sociais, foram entrevistadas através de um questionário de perguntas abertas e fechadas, transcritas e analisadas através das técnicas de análise temática (Braun; Clarke, 2006) e análise relacional (Apple, 1999; Gandin, 2011). A análise temática sistematiza os dados, gerando padrões (temas). A partir dessa análise surgiram três temas, cada um gerando um capítulo da dissertação: "precarização do trabalho docente", "generificação e temas transversais" e "ensino de Sociologia". Fez-se uso da análise relacional como forma de compreender a educação a partir de seu contexto social, articulando-a às diversas dinâmicas que estruturam a sociedade, em especial as dinâmicas de gênero e raça e no campo da política. Percebe-se que as professoras passam por diversas dificuldades como a precarização da docência (fenômeno que perpassa todas as disciplinas), pelo histórico inconstante da Sociologia na educação básica, pela desvalorização da Sociologia através dos discursos neoliberais e pela desmoralização da Sociologia pelos discursos conservadores, que acusam a Sociologia de ser uma disciplina "doutrinadora" ou "ideologizante". Além disso, nota-se uma diferenciação entre professores homens e professoras mulheres, de modo que as professoras passam por situações que os professores não passaram ou passam em menor medida, como o desrespeito dos alunos e discursos masculinistas. A diferenciação também nota-se em relação à questões de raça e idade. Nota-se que questões de gênero, sexualidade, religião, raça e política são os temas mais delicados de serem tratados em aula, com alunos se recusando a participar ou a partir da interferência de familiares, chegando até mesmo a demissões. Percebe-se um clima de censura por parte dos estudantes e familiares e de temor por parte das professoras, diante da instabilidade de seu cargo e pelo medo da violência escolar. Apesar disso, a relação com os alunos é também significado, nas narrativas, como um dos pontos positivos para as professoras e um dos motivos para continuarem na docência, por entenderem a importância da Sociologia na vida dos alunos, em especial no tratamento que essa área pode oferecer para análise das questões de gênero e sexualidade. Conclui-se que a Sociologia tem um longo caminho a frente para sua legitimação e valorização, ainda mais após a Reforma do Ensino Médio, ainda mais diante das lutas necessárias para fazer frente aos discursos neoliberais e conservadores presentes nas comunidades escolares. Uma luta onde, mesmo com todos os percalços, as professoras se mantém na linha da frente. |
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Ferreira, Jaqueline GarskeFerreira, Guilherme Gomes2026-03-10T08:01:21Z2025http://hdl.handle.net/10183/302151001301775Esta dissertação investiga como professoras de Sociologia de Porto Alegre e região metropolitana exercem sua docência em relação com seu gênero e ao abordarem temas de gênero, num contexto de onda conservadora que o Brasil passa, tendo seu ápice com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Cinco professoras, com formação em Ciências Sociais, foram entrevistadas através de um questionário de perguntas abertas e fechadas, transcritas e analisadas através das técnicas de análise temática (Braun; Clarke, 2006) e análise relacional (Apple, 1999; Gandin, 2011). A análise temática sistematiza os dados, gerando padrões (temas). A partir dessa análise surgiram três temas, cada um gerando um capítulo da dissertação: "precarização do trabalho docente", "generificação e temas transversais" e "ensino de Sociologia". Fez-se uso da análise relacional como forma de compreender a educação a partir de seu contexto social, articulando-a às diversas dinâmicas que estruturam a sociedade, em especial as dinâmicas de gênero e raça e no campo da política. Percebe-se que as professoras passam por diversas dificuldades como a precarização da docência (fenômeno que perpassa todas as disciplinas), pelo histórico inconstante da Sociologia na educação básica, pela desvalorização da Sociologia através dos discursos neoliberais e pela desmoralização da Sociologia pelos discursos conservadores, que acusam a Sociologia de ser uma disciplina "doutrinadora" ou "ideologizante". Além disso, nota-se uma diferenciação entre professores homens e professoras mulheres, de modo que as professoras passam por situações que os professores não passaram ou passam em menor medida, como o desrespeito dos alunos e discursos masculinistas. A diferenciação também nota-se em relação à questões de raça e idade. Nota-se que questões de gênero, sexualidade, religião, raça e política são os temas mais delicados de serem tratados em aula, com alunos se recusando a participar ou a partir da interferência de familiares, chegando até mesmo a demissões. Percebe-se um clima de censura por parte dos estudantes e familiares e de temor por parte das professoras, diante da instabilidade de seu cargo e pelo medo da violência escolar. Apesar disso, a relação com os alunos é também significado, nas narrativas, como um dos pontos positivos para as professoras e um dos motivos para continuarem na docência, por entenderem a importância da Sociologia na vida dos alunos, em especial no tratamento que essa área pode oferecer para análise das questões de gênero e sexualidade. Conclui-se que a Sociologia tem um longo caminho a frente para sua legitimação e valorização, ainda mais após a Reforma do Ensino Médio, ainda mais diante das lutas necessárias para fazer frente aos discursos neoliberais e conservadores presentes nas comunidades escolares. Uma luta onde, mesmo com todos os percalços, as professoras se mantém na linha da frente.This dissertation investigates how female Sociology teachers in Porto Alegre and the metropolitan region practice their teachership in relation to their gender, within the context of a conservative wave that Brazil is experiencing, culminating in the election of Jair Bolsonaro in 2018. Five women teachers, with a background in Social Sciences or Sociology, were interviewed using a questionnaire with closed-ended questions, transcribed and analyzed through thematic analysis (Braun; Clarke, 2006) and relational analysis (Apple, 1999; Gandin, 2011). The thematic analysis systematizes the data, generating patterns (themes). From this analysis, three themes emerged, each generating a chapter of the dissertation: Precariousness of Teaching Work, Gender and Cross-Cutting Themes, and the Teaching of Sociology. Relational analysis was used as a way to understand education from its social context, articulating it to the various dynamics that structure society, especially the dynamics of gender, politics, and race in this dissertation. It is perceived that the teachers face several difficulties such as the precariousness of teaching, a phenomenon that permeates all disciplines, due to the inconsistent history of Sociology in basic education, the devaluation of Sociology by neoliberal discourses, and the demoralization of Sociology by conservative discourses, which accuse Sociology of being a "indoctrinating" or "ideologizing" discipline. Furthermore, a differentiation is noted between male and female teachers, with female teachers experiencing situations that male teachers do not experience or experience to a lesser extent, such as disrespect from students and masculinist discourses. This differentiation is also noted in issues of race and age. It is observed that issues of gender, sexuality, religion, race, and politics are the most delicate topics to address in class, with students refusing to participate or interference from family members, even leading to dismissals. A climate of censorship on the part of students and family members and fear on the part of the teachers is perceived, due to the instability of their position and the fear of school violence. Despite this, the relationship with the students is also one of the positive aspects for the teachers and one of the reasons for them to continue teaching, as they understand the importance of Sociology in the lives of the students, especially regarding gender and sexuality issues. It is concluded that Sociology has a long way to go for its legitimation, even more so after the High School Reform, in addition to fighting against neoliberal and conservative discourses in school communities. A struggle in which, even with all the setbacks, the teachers remain on the front lines.application/pdfporDocênciaGêneroNeoliberalismoConservadorismoTeacher’s workGenderConservatismNeoliberalismAs experiências docentes de professoras de sociologia : os desafios do cotidiano em meio ao conservadorismoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001301775.pdf.txt001301775.pdf.txtExtracted Texttext/plain247912http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302151/2/001301775.pdf.txta61e4dff896d36b0d167176281192adbMD52ORIGINAL001301775.pdfTexto completoapplication/pdf1252158http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302151/1/001301775.pdf5e9f92165316d311295b2e151c4da083MD5110183/3021512026-03-11 07:53:09.58573oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302151Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2026-03-11T10:53:09Repositório Institucional da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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