A mercantilização em contramovimento : relações de reciprocidade e coesão social na agricultura sustentada pela comunidade em Minas Gerais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Eckert, Daniele
Orientador(a): Meira, Fábio Bittencourt
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/143641
Resumo: O modelo convencional de organização da cadeia de produção e distribuição de alimentos é baseado na dependência cada vez maior do capital financeiro e industrial, no uso de agroquímicos, adubos, fertilizantes industriais e de outras técnicas provenientes da Revolução Verde, na livre circulação de mercadorias nos países e na inserção de intermediários na cadeia de distribuição. Esse modelo representa um movimento de mercantilização da agricultura e prejudica a autonomia dos indivíduos sobre a sua reprodução material e social, fazendo com que a sociedade enfrente um incremento de pobreza, insegurança alimentar, êxodo rural, danos à saúde e ao meio ambiente, assim como uma perda do senso de comunidade e de solidariedade. Além da compreensão do conceito e das formas de expressão do movimento de mercantilização, a lente teórica, que tem origem em Karl Polanyi, possibilita capturar o conceito da pluralidade e da coexistência dos princípios de regulação econômica e também do contramovimento como uma forma de resistência e de resgate da autonomia relativa dos indivíduos. É nesse contexto que a Agricultura Sustentada pela Comunidade (CSA) surge como uma possibilidade de contramovimento ao mercado convencional de alimentos ao adicionar uma qualidade ao ato de alimentar-se pela produção agroecológica e ao reconectar produção e consumo mediante o encurtamento da cadeia de distribuição. O problema que norteou a pesquisa desta dissertação foi compreender quais seriam as formas de contramovimento que se configuram na Agricultura Sustentada pela Comunidade diante da generalização do processo de mercantilização. Por isso, o objetivo geral consistiu em compreender e analisar, em uma experiência real de CSA situada na região sudeste do Brasil, os padrões de troca não mercantil em operação e os fatores que favorecem a autonomia relativa e elevam a coesão social de produtores e consumidores que participam da experiência observada. O método empregado foi a observação participante, utilizando as técnicas da etnografia. Em termos gerais, os resultados encontrados na pesquisa sinalizam que os indivíduos não são passivos diante dos efeitos da mercantilização e articulam-se em movimentos que buscam proteção e ganho de autonomia. Os resultados confirmam a hipótese inicial de que nas atividades de CSA coexistem, com a troca de mercado, outros princípios de regulação da economia, especificamente a reciprocidade, que aparece em diversos momentos, desde as motivações para o engajamento dos indivíduos até a forma em que a própria troca é realizada. Isso porque ao privilegiar nas suas trocas o ato em vez do objeto e do interesse privado, há menção a uma relação mais humana que permite o estabelecimento de amizade, solidariedade, tolerância, fidelidade e comprometimento mútuos, mas, principalmente, possibilita a ampliação da autonomia relativa dos indivíduos e o estabelecimento de um senso de comunidade, que se faz em torno do alimento. Na pesquisa, foram identificados três fatores específicos desta eficácia: a forma de produzir o alimento, oposto ao da agricultura tradicional, o encurtamento da cadeia e as atividades em conjunto mobilizadas pelo grupo de agricultores e consumidores. Desta forma, a Agricultura Sustentada pela Comunidade constitui um contramovimento à mercantilização na agricultura e aparece como uma alternativa eficaz na construção da autonomia daqueles que estão entrelaçados nessa rede de alimentos e na ampliação da coesão social. Os resultados e conclusões apresentados ao longo da dissertação ganham relevância na medida em que contribuem com novas informações e possibilidades de atuação na reversão do êxodo rural, na diminuição da pobreza, na redução de gastos públicos em saúde com uma alimentação mais saudável, assim como na promoção de iniciativas de preservação do meio ambiente.
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Por isso, o objetivo geral consistiu em compreender e analisar, em uma experiência real de CSA situada na região sudeste do Brasil, os padrões de troca não mercantil em operação e os fatores que favorecem a autonomia relativa e elevam a coesão social de produtores e consumidores que participam da experiência observada. O método empregado foi a observação participante, utilizando as técnicas da etnografia. Em termos gerais, os resultados encontrados na pesquisa sinalizam que os indivíduos não são passivos diante dos efeitos da mercantilização e articulam-se em movimentos que buscam proteção e ganho de autonomia. Os resultados confirmam a hipótese inicial de que nas atividades de CSA coexistem, com a troca de mercado, outros princípios de regulação da economia, especificamente a reciprocidade, que aparece em diversos momentos, desde as motivações para o engajamento dos indivíduos até a forma em que a própria troca é realizada. Isso porque ao privilegiar nas suas trocas o ato em vez do objeto e do interesse privado, há menção a uma relação mais humana que permite o estabelecimento de amizade, solidariedade, tolerância, fidelidade e comprometimento mútuos, mas, principalmente, possibilita a ampliação da autonomia relativa dos indivíduos e o estabelecimento de um senso de comunidade, que se faz em torno do alimento. Na pesquisa, foram identificados três fatores específicos desta eficácia: a forma de produzir o alimento, oposto ao da agricultura tradicional, o encurtamento da cadeia e as atividades em conjunto mobilizadas pelo grupo de agricultores e consumidores. Desta forma, a Agricultura Sustentada pela Comunidade constitui um contramovimento à mercantilização na agricultura e aparece como uma alternativa eficaz na construção da autonomia daqueles que estão entrelaçados nessa rede de alimentos e na ampliação da coesão social. Os resultados e conclusões apresentados ao longo da dissertação ganham relevância na medida em que contribuem com novas informações e possibilidades de atuação na reversão do êxodo rural, na diminuição da pobreza, na redução de gastos públicos em saúde com uma alimentação mais saudável, assim como na promoção de iniciativas de preservação do meio ambiente.The conventional model of organization of the production and distribution of food chain is based on the increasing dependence on the financial and industrial capital, the use of agrochemicals, fertilizers, industrial fertilizers and other techniques from the Green Revolution, the free circulation of goods in countries and the inclusion of intermediaries in the distribution chain. This model represents a movement of commodification of agriculture and undermines the autonomy of individuals concerning their material and social reproduction, leading society to a status of poverty, food insecurity, rural exodus, damage to health and environment, as well as to a loss of sense of community and solidarity. In addition to understanding the concept and the ways of expression of the commodification movement, the theoretical approach, based on Karl Polanyi, enables to capture the concept of plurality and coexistence of the principles of economic regulation and also the countermovement as a form of resistance and rescue of the individuals’ autonomy. In this context, the Community-Supported Agriculture (CSA) emerges as a possibility of countermovement to the conventional food market to add quality to the act of feeding by the agroecological production and to reconnect production and consumption by shortening the supply chain. The problem that guided the research of this dissertation was to understand what are the forms of countermovement that are present in the Community-Supported Agriculture before the generalization of the commodification process. Therefore, the overall objective was to understand and analyze, in a real experience of CSA located in southeast region of Brazil, the patterns of non-market exchange and the elements that favor the relative autonomy and increase social cohesion among producers and consumers participating in the observed experience. The method used was participant observation, using the techniques of ethnography. In general, the results found in the study show that individuals are not passive before the effects of commodification and they articulate in movements that seek protection and autonomy. The results confirm the initial hypothesis that, in the CSA, activities coexist with the exchange market, such as other principles of regulation of economy, especially reciprocity, which appears at various times, in motivation for engagement and in the way the exchange itself is performed. This happens because, when they prioritize their exchanges act instead of the object and the private interest, they develop a more human relationship that allows the establishment of friendship, solidarity, tolerance, mutual fidelity and commitment and also enable the expansion of autonomy of individuals and establish a sense of community, which is around the food. In this study, we have identified three specific elements that contribute to the effectiveness of the process: the way of producing food, as opposed to traditional agriculture, the shortening of chain and the activities in group promoted by the group of farmers and consumers. Thus, the Community-Supported Agriculture is a countermovement to the commodification in agriculture and an effective alternative in the construction of autonomy of those who are part of this net of food and in the expansion of social cohesion. The results and conclusions presented throughout the dissertation are relevant since they contribute with new information and possibilities of actions to slowdown rural exodus, alleviate poverty, reduce public spending on health with a healthier diet, as well as to promote the development of initiatives to preserve the environment.application/pdfporAgricultura sustentávelMercantilizaçãoCommunity-supported agriculture (CSA)Short chainsSocial cohesionAgriculture commodificationReciprocityA mercantilização em contramovimento : relações de reciprocidade e coesão social na agricultura sustentada pela comunidade em Minas Geraisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulEscola de AdministraçãoPrograma de Pós-Graduação em AdministraçãoPorto Alegre, BR-RS2016mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSORIGINAL000997149.pdf000997149.pdfTexto completoapplication/pdf5766342http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/143641/1/000997149.pdf1d57ac08a0a0869c827b123236d8158cMD51TEXT000997149.pdf.txt000997149.pdf.txtExtracted Texttext/plain545294http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/143641/2/000997149.pdf.txt89e5f83ed886192b670799ce969a5326MD52THUMBNAIL000997149.pdf.jpg000997149.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1071http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/143641/3/000997149.pdf.jpga05aa52000ffc7ac70e32051cb80b20bMD5310183/1436412018-10-26 10:22:34.546oai:www.lume.ufrgs.br:10183/143641Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2018-10-26T13:22:34Repositório Institucional da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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