Entre axé, vivências e negociações : uma etnografia sobre relações raciais e de gênero em um terreiro na cidade de Viamão–RS

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Souza, Mariana Pinheiro de
Orientador(a): Joseph, Handerson
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/308634
Resumo: Esta dissertação tem como objetivo geral analisar de que modo raça e gênero são produzidos, negociadas e reelaboradas no cotidiano de um terreiro de linha cruzada — Batuque do Rio Grande do Sul e Umbanda de Almas e Angola — localizado no município de Viamão–RS. A pesquisa parte da compreensão do terreiro como um espaço relacional, atravessado por dinâmicas sociais mais amplas, não sendo concebido nem como um território imune às lógicas da colonialidade, nem como simples reprodutor dessas estruturas. O referencial teórico mobiliza contribuições da antropologia das religiões afro-brasileiras, dos estudos sobre relações raciais, branquitude e gênero, tais como Aníbal Quijano (2005), Cida Bento (2022), Antonio Sérgio Guimarães (1995), José Carlos dos Anjos (2006) e María Lugones (2014), além de literatura clássica e contemporânea sobre o Batuque e a Umbanda no sul do Brasil. A metodologia adotada é de caráter qualitativo, ancorada na etnografia, por meio de observação e conversas formais e informais. A partir das análises foi possível compreender que raça e gênero se manifestam no contexto investigado de forma relacional e situada, emergindo mais frequentemente em narrativas, silêncios, trajetórias individuais e hierarquias internas do que como categorias explicitamente tematizadas. As análises também permitiram compreender que o terreiro opera simultaneamente como espaço de acolhimento, produção de pertencimento e reinvenção da vida, ao mesmo tempo, em que revela tensões e ambiguidades decorrentes das marcas históricas da colonialidade, configurando-se como um campo de negociação constante entre resistência e reprodução das desigualdades sociais.
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