Negras mulheres, poledancers e periféricas : as relações de identidade, comunidade e violência vividas por quem constrói o Perifa no Pole
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/298677 |
Resumo: | O projeto “Perifa no Pole” foi criado como um projeto social para oportunizar aulas gratuitas para pessoas de grupos minoritários, especialmente, periféricas/os, negras/os, indígenas, trans e travestis na cidade de São Paulo/SP. Ao compreender que as cicatrizes históricas que atravessam o corpo negro feminino são complexificada ao serem vinculadas à prática, essa pesquisa analisa os sentidos produzidos, bem como os usos que negras mulheres cis/trans e travestis e periféricas fazem do Pole Dance ao construirem e vivenciarem o Perifa no Pole. A interseccionalidade (Akotirene, 2019; Crenshaw, 1989) entre gênero (Scott, 1996; Meyer, 2004; Meyer; Silva, 2020; Senna, 2021; Oliveira, 2023), sexualidade (Foucault, 1988; Weeks, 1996; Louro, 2000), raça (Moreira, 2019; Gonzalez, 2020) e periferia (Oliveira, 2018; D’andrea, 2013; 2020;) direcionam a escrevivência (Evaristo, 2020) e a pesquisa narrativa (Wittizorecki et al., 2007; Lima; Geraldi; Geraldi, 2015). Para a produção do material empírico, foi acionado os recursos de diário de campo, observação participante e entrevistas narrativas com as negras mulheres participantes do Perifa no Pole e, posteriormente, analisado de acordo com a escrevivência (Evaristo, 2020; Ramos, 2023). Dessa forma, foi possível identificar três categorias. A primeira, intitulada “O Pole é de preta e periférica: a identidade de negra, periférica e mulher poledancer das praticantes de Pole Dance do Perifa no Pole”, buscou compreender as formas que a identidade é produzida e reproduzida por essas negras mulheres e, assim, signos que antes eram negativos, passam a ser vibrados. Já a segunda, “A gente é uma grande família de puta: a relação de comunidade-família das irmãs que constroem o Perifa no Pole”, analisou as formas que as relações entre as poledancers eram constituídas. Por último, “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim: as dinâmicas de conflito que as negras mulheres poledancer viveram e vivem”, se voltando para os modos em que a violência de gênero é acionada e opera nas relações dessas mulheres. Sendo assim, essas negras mulheres atribuem sentidos e usam o Pole Dance para reafirmar suas identidades de raça, gênero, sexualidade e periferia, além de, por partilharem de vivências similares, constroem uma relação de comunidade-família que auxilia na re-existência dos seus corpos. Ao ponto de, por terem um vínculo com o Perifa no Pole, passam a reconhecer as violências de gênero que sofriam e a reagir se apropriando da mesma gramática de uma masculinidade cistheteronormativa. Nesse sentido, a prática do Pole Dance atravessa para além dos movimentos com a barra, sendo parte do cotidiano e da identidade dessas negras mulheres. |
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Fagundes, Mariana GhignattiSilva, André Luiz dos Santos2025-11-04T06:59:48Z2025http://hdl.handle.net/10183/298677001296589O projeto “Perifa no Pole” foi criado como um projeto social para oportunizar aulas gratuitas para pessoas de grupos minoritários, especialmente, periféricas/os, negras/os, indígenas, trans e travestis na cidade de São Paulo/SP. Ao compreender que as cicatrizes históricas que atravessam o corpo negro feminino são complexificada ao serem vinculadas à prática, essa pesquisa analisa os sentidos produzidos, bem como os usos que negras mulheres cis/trans e travestis e periféricas fazem do Pole Dance ao construirem e vivenciarem o Perifa no Pole. A interseccionalidade (Akotirene, 2019; Crenshaw, 1989) entre gênero (Scott, 1996; Meyer, 2004; Meyer; Silva, 2020; Senna, 2021; Oliveira, 2023), sexualidade (Foucault, 1988; Weeks, 1996; Louro, 2000), raça (Moreira, 2019; Gonzalez, 2020) e periferia (Oliveira, 2018; D’andrea, 2013; 2020;) direcionam a escrevivência (Evaristo, 2020) e a pesquisa narrativa (Wittizorecki et al., 2007; Lima; Geraldi; Geraldi, 2015). Para a produção do material empírico, foi acionado os recursos de diário de campo, observação participante e entrevistas narrativas com as negras mulheres participantes do Perifa no Pole e, posteriormente, analisado de acordo com a escrevivência (Evaristo, 2020; Ramos, 2023). Dessa forma, foi possível identificar três categorias. A primeira, intitulada “O Pole é de preta e periférica: a identidade de negra, periférica e mulher poledancer das praticantes de Pole Dance do Perifa no Pole”, buscou compreender as formas que a identidade é produzida e reproduzida por essas negras mulheres e, assim, signos que antes eram negativos, passam a ser vibrados. Já a segunda, “A gente é uma grande família de puta: a relação de comunidade-família das irmãs que constroem o Perifa no Pole”, analisou as formas que as relações entre as poledancers eram constituídas. Por último, “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim: as dinâmicas de conflito que as negras mulheres poledancer viveram e vivem”, se voltando para os modos em que a violência de gênero é acionada e opera nas relações dessas mulheres. Sendo assim, essas negras mulheres atribuem sentidos e usam o Pole Dance para reafirmar suas identidades de raça, gênero, sexualidade e periferia, além de, por partilharem de vivências similares, constroem uma relação de comunidade-família que auxilia na re-existência dos seus corpos. Ao ponto de, por terem um vínculo com o Perifa no Pole, passam a reconhecer as violências de gênero que sofriam e a reagir se apropriando da mesma gramática de uma masculinidade cistheteronormativa. Nesse sentido, a prática do Pole Dance atravessa para além dos movimentos com a barra, sendo parte do cotidiano e da identidade dessas negras mulheres.The “Perifa no Pole” project was created as a social initiative aiming to provide free classes for social minorities, specially, peripheral, black and brown, indigenous, trans and travestis at São Paulo/SP city. While comprehending that the historical scars already crossing the black female body become more complex when associated with the practice, this paper analyses the connotations produced, as well as how ‘hooden black cis/trans women and travestis use Pole Dance as they build and experience Perifa no Pole. Intersectionality (Akotirene, 2019; Crenshaw, 1989) between gender (Scott, 1996; Meyer, 2004; Meyer; Silva, 2020; Senna, 2021; Oliveira, 2023), sexuality (Foucault, 1988; Weeks, 1996; Louro, 2000), race (Moreira, 2019; Gonzalez, 2020) and periphery (Oliveira, 2018; D’andrea, 2013; 2020;) guide the escrevivência (Evaristo, 2020) and narrative research (Wittizorecki et al., 2007; Lima; Geraldi; Geraldi, 2015). For producing this empirical material, resources such as field notes, active observation, narrative interviews with the black cis/trans women and travestis who are part of Perifa no Pole were used and, afterwards, they were analysed according to the escrevivência concept (Evaristo, 2020). Thereby, it was possible to identify three categories. The first, entitled “The Pole Dance is for black and peripheral subjects: black, peripheral and woman poledancer identity of Perifa no Pole’s practicers” sought to comprehend how identity is produced and reproduced by these black women and, as a result, signs that once were negative, become celebrated. The second one, “We are a big family of whores: the family-community relationship of sisters who build Perifa no Pole”, analysed the way that poledancer’s relationships were composed. Finally, “U will regret raising your hand to me: the conflict dynamics that black women experienced and experience”, addressing the ways in wich gender violence is evoked and operated on these women’s relationships. Therefore, these black women attribute meanings and use Pole Dance to reassure their racial, gender, sexual and peripheral identity, in addition, since sharing similar experiences, they build a family-community relationship that assists their body’s re-existence. To the extent, by having a connection with Perifa no Pole, they begin to recognize the gender violence suffered by them and react as they take over the same cisheteronormative masculinity grammar.application/pdfporPole danceRacismoMulheres negrasPeriferiaViolência de gêneroRaceBlack womenGender violenceNegras mulheres, poledancers e periféricas : as relações de identidade, comunidade e violência vividas por quem constrói o Perifa no Poleinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulEscola de Educação Física, Fisioterapia e DançaPrograma de Pós-Graduação em Ciências do Movimento HumanoPorto Alegre, BR-RS2025.mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001296589.pdf.txt001296589.pdf.txtExtracted Texttext/plain243927http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/298677/2/001296589.pdf.txte6b3da179f0e71afd794c397c6f2979eMD52ORIGINAL001296589.pdfTexto completoapplication/pdf13973962http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/298677/1/001296589.pdf5b8d8f27c7400d79ac4b9e0c81fd2268MD5110183/2986772025-11-05 07:57:49.217293oai:www.lume.ufrgs.br:10183/298677Repositório InstitucionalPUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.bropendoar:2025-11-05T09:57:49Repositório Institucional da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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