A segurança biológica na transição de gênero: uma etnografia das políticas da vida no campo social da saúde trans

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Rêgo, Francisco Cleiton Vieira Silva do
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Brasil
UFRN
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
SUS
Link de acesso: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/31277
Resumo: Esta tese busca compreender o processo sociopolítico e cultural de legitimação da supervisão biomédica da transição de gênero enquanto matéria de saúde pública. O material empírico no qual esse trabalho se baseia foi construído por meio de etnografia cuja observação participante contou com análise de documentos, entrevistas de longa duração, estudo de acervos historiográficos e da literatura médico-psi especializada. Acompanhou-se a mobilização de homens trans e demais sujeitos transmasculinos, bem como o trabalho de médicos e outros profissionais de saúde e funcionários estatais no contexto institucional e pessoal, sejam em serviços de saúde, em espaços de socialidade, de ativismo ou de governo para entender suas atuações e experiências. Ao partir da região metropolitana correspondente a cidade de Fortaleza, no Ceará, procurouse gerar um quadro da heterogeneidade dos agentes implicados na conformação da atenção à saúde trans como um instrumento básico à cidadania e como espaço de atividade científica benéfica à vida. Assim, privilegia-se a descrição de interpretações locais de grupos sociais distintos, mas que entram em relação para estabelecer a pertinência de uma transição biologicamente segura. O presente texto se concentra em dar relevo aos fluxos de saberes das ciências bioquímicas, e não apenas das psi, ao lado das transformações da abordagem médica diante das transexualidades. Com isso, descreve-se as estratégias políticas que permitem a sujeitos trans reclamar a necessidade de cobertura pública da assistência médica e da sua apropriação em diversos termos. Ao se preocupar com esse cenário, evidenciam-se as formas que as políticas da vida assumem na contemporaneidade e como estão aí incluídos processos trans de medicalização e de produção da ciência que permitem a existência e o aperfeiçoamento do eu diante de intervenções clínicas e cirúrgicas, bem como as produções de conflitos e contradições. Nesse sentido, a produção de reinterpretações do conhecimento biomédico, atrelada a mobilização social por serviços de saúde estruturados pelo Estado constituiu um ativismo biossocial que politiza as modificações corporais também em níveis moleculares. Essas interações orgânicas devem ser controladas pela assistência biomédica para que adoecimentos decorrentes sejam prevenidos. Assim, assiste-se a novas feições da medicina trans que se coloca de uma maneira diferenciada em relação às primeiras abordagens patologizantes, as quais formam uma cena multifacetada de visões divergentes. Isso tudo possibilita a formação de um campo social específico à saúde trans como matéria de política e de ciência. Esse é um recorte da vida social observada, e, nesse sentido, investiu-se na exposição de experiências etnográficas que demarquem práticas corporais, agências, subjetivação, movimentos por direitos em saúde, trajetórias biográficas, cuidado, itinerários terapêuticos, processos de adoecimentos, dinâmicas profissionais, produção científica de conhecimentos, intervenções biomédicas e a formação do Estado brasileiro através da circunscrição sociológica do Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde.
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Acompanhou-se a mobilização de homens trans e demais sujeitos transmasculinos, bem como o trabalho de médicos e outros profissionais de saúde e funcionários estatais no contexto institucional e pessoal, sejam em serviços de saúde, em espaços de socialidade, de ativismo ou de governo para entender suas atuações e experiências. Ao partir da região metropolitana correspondente a cidade de Fortaleza, no Ceará, procurouse gerar um quadro da heterogeneidade dos agentes implicados na conformação da atenção à saúde trans como um instrumento básico à cidadania e como espaço de atividade científica benéfica à vida. Assim, privilegia-se a descrição de interpretações locais de grupos sociais distintos, mas que entram em relação para estabelecer a pertinência de uma transição biologicamente segura. O presente texto se concentra em dar relevo aos fluxos de saberes das ciências bioquímicas, e não apenas das psi, ao lado das transformações da abordagem médica diante das transexualidades. 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