Do cerrado brasileiro à savana moçambicana: controvérsias da cooperação brasileira na promoção de uma nova revolução verde na África

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Santarelli, Mariana lattes
Orientador(a): Maluf, Renato Sérgio Jamil
Banca de defesa: Maluf, Renato Sergio Jamil, Schmitt, Cláudia Job, Wilkinson, John, Barroso, Maria Macedo, Cesarino, Letícia Maria Costa da Nóbrega
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade
Departamento: Instituto de Ciências Humanas e Sociais
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://rima.ufrrj.br/jspui/handle/20.500.14407/9465
Resumo: Entre 2003 e 2011, o Brasil viveu um momento de significativa expansão de sua Cooperação Internacional para o Desenvolvimento – CID, influenciado pelo deslocamento do eixo da política externa brasileira para as relações Sul-Sul. O ProSavana, um projeto de cooperação trilateral entre os governos do Brasil, Moçambique e Japão, surgiu nesse contexto, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento rural da região do Corredor de Nacala, em Moçambique. O Programa é percebido nesta tese como uma tentativa de composição de mais uma aliança organizada para responder ao chamado internacional por uma nova etapa da Longa Revolução Verde na África. Uma rede de atores e interesses que encontra suas origens em uma antiga parceria nipo-brasileira voltada para a consolidação de cadeias de commodities agrícolas e minerais, na qual o Brasil assumiu originalmente o papel de transmissor de uma determinada visão e de tecnologias de desenvolvimento rural, com o objetivo de reproduzir na Savana moçambicana um modelo já testado no Cerrado brasileiro. A partir do rastreamento das associações existentes entre os diversos atores e interesses, este estudo mostra como são produzidas e sustentadas as principais narrativas sobre o ProSavana, e como despontam as principais controvérsias e disjunções. Observa-se nesta tese que o Programa passa por um processo de ressignificação, em que busca se dissociar da denúncia de usurpação de terras (LandGrab), ao mesmo tempo em que são redesenhadas as estratégias, de forma a alterar o foco do Programa para a integração dos pequenos produtores à agricultura comercial. Nesse processo, os atores brasileiros perdem relevância, o que suscita a questão central que a conclusão desta tese busca responder: por que a perspectiva de transferência de visões de desenvolvimento e políticas públicas, que caracteriza a emergente CSS brasileira, não se sustenta no desenho do ProSavana? Essa questão é trazida à tona como forma de iluminar a reflexão sobre os entraves e as possibilidades da difusão das políticas brasileiras para a agricultura e a segurança alimentar e nutricional enquanto referências de cooperação Sul-Sul para os países africanos, em um contexto local e global de disputa de paradigmas sobre perspectivas de desenvolvimento e formas de garantia do direito humano à alimentação.
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O ProSavana, um projeto de cooperação trilateral entre os governos do Brasil, Moçambique e Japão, surgiu nesse contexto, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento rural da região do Corredor de Nacala, em Moçambique. O Programa é percebido nesta tese como uma tentativa de composição de mais uma aliança organizada para responder ao chamado internacional por uma nova etapa da Longa Revolução Verde na África. Uma rede de atores e interesses que encontra suas origens em uma antiga parceria nipo-brasileira voltada para a consolidação de cadeias de commodities agrícolas e minerais, na qual o Brasil assumiu originalmente o papel de transmissor de uma determinada visão e de tecnologias de desenvolvimento rural, com o objetivo de reproduzir na Savana moçambicana um modelo já testado no Cerrado brasileiro. A partir do rastreamento das associações existentes entre os diversos atores e interesses, este estudo mostra como são produzidas e sustentadas as principais narrativas sobre o ProSavana, e como despontam as principais controvérsias e disjunções. Observa-se nesta tese que o Programa passa por um processo de ressignificação, em que busca se dissociar da denúncia de usurpação de terras (LandGrab), ao mesmo tempo em que são redesenhadas as estratégias, de forma a alterar o foco do Programa para a integração dos pequenos produtores à agricultura comercial. Nesse processo, os atores brasileiros perdem relevância, o que suscita a questão central que a conclusão desta tese busca responder: por que a perspectiva de transferência de visões de desenvolvimento e políticas públicas, que caracteriza a emergente CSS brasileira, não se sustenta no desenho do ProSavana? Essa questão é trazida à tona como forma de iluminar a reflexão sobre os entraves e as possibilidades da difusão das políticas brasileiras para a agricultura e a segurança alimentar e nutricional enquanto referências de cooperação Sul-Sul para os países africanos, em um contexto local e global de disputa de paradigmas sobre perspectivas de desenvolvimento e formas de garantia do direito humano à alimentação.CNPqBetween 2003 and 2011 Brazil experienced a time of significant expansion of its International Development Cooperation, influenced by changes of the foreign policy towards South-South relations. ProSavana, a trilateral cooperation project between the governments of Brazil, Mozambique and Japan, arises in this context, in order to support the rural development of the Nacala Corridor region in Mozambique. The program is perceived in the thesis as an attempt to assemble a new alliance to respond to an international call for a new phase of what is known as the Long Green Revolution in Africa. A network of actors and interests originated from a previous Japanese-Brazilian partnership focused on the consolidation of agricultural and mineral commodities chains, in which Brazil originally assumed a role in the transmission of rural development views and technologies, in order to reproduce in the Mozambican Savannah a model already tested in the Brazilian Cerrado. By tracing the associations between the various actors and interests, the study shows how narratives about ProSavana are produced and sustained, and how the main controversies and disjunctions emerge. The Program goes through a reframing process, it seeks to dissociate itself from denounces of Land Grab, at the same time that strategies are redefined in order to change the focus of the Program for the integration of small farmers to commercial agriculture. In this process Brazilian actors lose relevance, which raises the central question answer at the conclusion of this thesis: Why the proposal of transferring development visions and public policies, which featured the emergent Brazilian South South cooperation, did not sustain itself in ProSavana design? This issue is raised to the reflection upon the obstacles and possibilities of the diffusion of Brazilian public policies for agriculture and food and nutrition security as a reference of South-South cooperation with African countries, in a local and global context, of disputes over development paradigms and strategies to guarantee food rights.application/pdfporUniversidade Federal Rural do Rio de JaneiroPrograma de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e SociedadeUFRRJBrasilInstituto de Ciências Humanas e SociaisSouth-South CooperationGreen RevolutionCooperação Sul-SulRevolução VerdeProSavanaTransferência de Políticas PúblicasProSavanaPolicy TransferCiência PolíticaDo cerrado brasileiro à savana moçambicana: controvérsias da cooperação brasileira na promoção de uma nova revolução verde na Áfricainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesishttps://tede.ufrrj.br/retrieve/7735/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/20574/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/26901/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/33296/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/39672/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/46084/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/52456/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/retrieve/58908/2016%20-%20Mariana%20Santarelli.pdf.jpghttps://tede.ufrrj.br/jspui/handle/jspui/1967Submitted by Jorge Silva (jorgelmsilva@ufrrj.br) on 2017-08-17T17:27:53Z No. of bitstreams: 1 2016 - Mariana Santarelli.pdf: 1431315 bytes, checksum: 95871c5e25a13c74e478b613532c15ac (MD5)Made available in DSpace on 2017-08-17T17:27:53Z (GMT). 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