Etnoecologia de paisagens na terra indígena Ibirama Laklãnõ, Santa Catarina, Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Cruz, Takumã Machado Scarponi
Orientador(a): Peroni, Nivaldo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/129664
Resumo: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Florianópolis, 2014
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spelling Universidade Federal de Santa CatarinaCruz, Takumã Machado ScarponiPeroni, Nivaldo2015-02-05T21:21:31Z2015-02-05T21:21:31Z2014332305https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/129664Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Florianópolis, 2014Terras indígenas são áreas protegidas que promovem a conservação da diversidade biológica e cultural. Após um século do contato pacífico e posterior aldeiamento dos grupos que viviam na Floresta Atlântica do sul do Brasil, os Xokleng, que pertencem à família linguística Jê, lutam para preservar sua cultura e território. Os objetivos desta pesquisa foram estudar o uso, conhecimento e manejo da flora arbóreo-arbustiva e palmeiras (capítulo 1) e das paisagens (capítulo 2) pelos Xokleng em duas aldeias da Terra Indígena Ibirama Laklãnõ, localizada no Vale do Itajaí, Santa Catarina, Brasil. No capítulo 1 foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, turnês guiadas para coletas botânicas e observações em campo. No contexto das paisagens, também foram realizadas entrevistas semi-estruturadas e mapeamentos participativos com colaboradores-chave, utilizando imagens de satélite (ano 2012 e escalas 1:8.500 e 1:30.000) para indicação das unidades de paisagem (UP's), suas características, usos, benefícios e espécies indicadoras. Foram calculadas a riqueza e abundância de espécies citadas, distribuições de frequência, valor de consenso de uso (VCU) e as formas de manejo da flora. Para as análises sobre as paisagens foram confeccionados mapas-síntese por meio do software DIVAGIS 7.5, cálculos de índices de concenso, estatísticas descritivas e análises multivariadas. Foram realizadas 113 entrevistas (70 na aldeia Bugio e 43 na aldeia Sede) e nove turnês guiadas para coletas botânicas, sendo registradas 146 espécies botânicas, 58 nomes de plantas em Xokleng e 187 nomes populares da flora, sendo Fabaceae, Lauraceae e Myrtaceae as famílias mais representativas (capítulo 1). As principais espécies citadas foram Esenbeckia grandiflora (Doló), Eucaliptus sp. (Kó) e Mollinedia spp. (Kó vãtxozãlén - Salvação-da-Senhora). Os principais usos foram alimentação, medicinal, artesanato e construção. Algumas espécies têm uma importância cultural significativa e que apresentaram os maiores VCU's, como Salvação-da-Senhora (Kó vãtxozãlén) com 80%; Gabiroba (Panvó) - 56,6%; Araucária (Zág) - 46,% e Palmito (Détéj) - 46,6%. No capítulo 2, foram citadas 61 unidades de paisagem, sendo Matão (Kute bág), Grota (Ungojo), Peral (Txó), Lomba (Kuplé), Capoeira (Kózéj) e Roça (Hapõ) as mais citadas. Sete espécies podem ser consideradas espécies indicadoras, e todas associadas aos ambientes florestais. Os etnomapeamentos resultaram em dois mapas síntese da percepção dos Xokleng sobre as paisagens locais, e que configuram como documentos cartográficos. Há semelhança entre os nomes de fitofisionomias e outros elementos da paisagem definidos pelos Xokleng com a classificação científica. Apesar das mudanças sociais e ambientais, os Xokleng mantêm condições de produção e reprodução cultural, com uso e conhecimento de uma riqueza considerável da flora silvestre; nomeando locais e paisagens de acordo com atributos abióticos e bióticos, como espécies da fauna e flora; memórias ou referindo-se à locais de uso histórico para caça e coleta, com emprego de espécies referência para a nomeação e localização daqueles locais. A abordagem dos dois capítulos traz uma maior compreensão do conhecimento Xokleng sobre a natureza e sua integração na cultura e território. A presente pesquisa pode servir como suporte para a difusão e valorização dos saberes indígenas e para propostas práticas e colaborativas de sustentabilidade local, como o manejo da flora e das paisagens, gestão territorial, produção de alimento ou ainda para a restauração de áreas degradadas.<br>Abstract: Indigenous territories are protected areas that have favored the conservation of biological and cultural diversity. After a century of pacific contact and later "aldeiamento" of groups who lived in the Atlantic Forest of southern Brazil, the Xokleng, who belong to linguistic family Jê, struggling to preserve their culture and territory. The objectives of this research were to study the use, knowledge and management of flora-shrubby tree crown and palm trees (chapter 1) and the landscapes (chapter 2) by Xokleng people in two villages of Indigenous Land Ibirama Laklãnõ, located in the upper valley of the Itajaí do Norte River, Santa Catarina, Brazil. Semi-structured interviews were conducted, guided tours for botanical collections and observations in the field. In the context of landscapes, were also conducted semi-structured interviews and participatory mappings with key-informants, using satellite images (year 2012 and scales 1:8,500 and 1:30,000) for indication of landscape units, its characteristics, uses and indicator species. The analyzes were calculated the richness and abundance of species cited, frequency distributions, the value of consensus of use (VCU) and the forms of management of flora. For the analyzes on the landscapes were made maps-synthesis through software DIVAGIS 7.5, calculation of indices of consensus, descriptive statistics and multivariate analysis. 113 Interviews were carried out (70 in the Bugio village and 43 in the Sede village) and nine guided tours for botanical collections. 146 botanical species were recorded, 58 names of plants in Xokleng language and 187 popular names of flora, and Fabaceae, Lauraceae and Myrtaceae the families more representative. The main species cited were Esenbeckia grandiflora (Dolõ - "Vara-de-Cutia"), Eucalyptus sp. ("Eucalipto") and Mollinedia spp. (Kó vãtxozãlén - "Salvação-da-Senhora"). The main uses were food, medicinal, crafts and construction. Some species have a significant cultural importance and that presented the greatest VCU's, as Salvação-da-Senhora (80%); Gabiroba (56,6%); Araucária (Zág) and Palm (Detej) (46,6%). In the context of landscapes, were cited 61 landscape units, being "Matão" (Kute bág), "Grota" (Ungojo), "Peral" (Txó), "Lomba" (Kuplé), "Capoeira" (Kozéj) and "Roça" (Hapõ) the most cited. Seven species can be considered indicator species, all associated with forest environments. The ethnomappings resulted in two maps synthesis of perception of Xokleng on the local landscape and two other mental maps of the Bugio village, who have configured a cartographical document. There are a similarity between the names of the physiognomies and other landscape elements defined by Xokleng with the scientific classification. Despite the social and environmental changes, the Xokleng maintains conditions of cultural production and reproduction, where use and know a considerable wealth of wild flora, nominate places and landscapes in accordance with abiotic and biotic attributes such as species of fauna and flora, or referring to sites of historical use of hunting and gathering. This research can serve as support for the dissemination and appreciation of indigenous knowledge and for practical and collaborative proposals of local sustainability, such as the management of flora and the landscapes, management of the territory or even for the restoration of degraded areas.326 p.| il., grafs., tabs.porEcologiaIndios XoklengEtnologiaMapeamento florestalEtnoecologia de paisagens na terra indígena Ibirama Laklãnõ, Santa Catarina, Brasilinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisreponame:Repositório Institucional da UFSCinstname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)instacron:UFSCinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINAL332305.pdfapplication/pdf4109039https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/129664/1/332305.pdf1301f83efbd37dc5863613192bf9ce4aMD51123456789/1296642015-02-05 19:21:31.936oai:repositorio.ufsc.br:123456789/129664Repositório InstitucionalPUBhttp://150.162.242.35/oai/requestsandra.sobrera@ufsc.bropendoar:23732015-02-05T21:21:31Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)false
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