Educação inclusiva no ensino superior para alunos surdos: resistências e desafios

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: SCHNEIDER, Roseléia
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: UPF
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/212902
Resumo: Esta tese insere-se na Linha de Pesquisa Fundamentos da Educação, do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade de Passo Fundo. O estudo traz como temática central a educação inclusiva no ensino superior para alunos surdos. Para tanto, buscou-se analisar as concepções e práticas que predominam no processo de inclusão do aluno com surdez nesse nível de formação, investigando a cultura que predomina nas instituições de ensino superior em relação a esses alunos, as marcas dessa cultura e como a mesma se reproduz, tendo como referência a Universidade de Passo Fundo-UPF e o Instituto Federal Farroupilha-IFF, Campus de Santo Ângelo. Para este estudo foram entrevistados professores universitários, alunos surdos e intérpretes. O material empírico foi gerado por meio de entrevistas semiestruturadas, questionários e observações, e analisado por meio da triangulação de dados e com base nas seguintes categorias de análise: o domínio teórico/conceitos; o ingresso e acolhida do acadêmico; a aceitação e o compromisso. Cada uma dessas categorias foi composta por uma série de questões, abertas e ordenadas sequencialmente. A tese está apoiada no paradigma analítico-interpretativo, nos referenciais teóricos que discutem a surdez e em obras de Carlos Skliar, Martha Nussbaum e Norbert Elias. Com o estudo desenvolvido constata-se que o processo de inclusão do aluno surdo no ensino superior significa mais do que oferecer vagas e aceitar as pessoas surdas nos cursos de graduação. Ele requer compromisso da instituição com uma cultura de inclusão e com a presença de docentes instrumentalizados e suficientemente humanizados para ensinar independente das diferenças das condições físicas, cognitivas e subjetivas de seus alunos. Os resultados apontam para o despreparo dos professores e para a carência de intérpretes, o que compromete o processo de inclusão do aluno surdo no ensino superior, gerando conflitos, pois o mesmo se sente isolado e não reconhecido em sua cultura pelos alunos ouvintes e pelos próprios professores. Assim torna-se necessário aos professores ancorar o seu debate pedagógico nas arenas da ética e da justiça, não bastando, para isso, o título acadêmico, pois a docência é uma profissão que requer competências específicas e especializadas. Conclui-se, ainda, que a viabilização da inclusão do aluno surdo no ensino superior passa pelo conhecimento do processo de inclusão e de seus princípios, para que nenhum aluno surdo seja excluído do seu direito irrenunciável de estar na universidade. Dessa forma, a educação inclusiva no ensino superior pode vir a ser pautada por relações de reconhecimento mútuo e de respeito às diferenças linguísticas e culturais.
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Para este estudo foram entrevistados professores universitários, alunos surdos e intérpretes. O material empírico foi gerado por meio de entrevistas semiestruturadas, questionários e observações, e analisado por meio da triangulação de dados e com base nas seguintes categorias de análise: o domínio teórico/conceitos; o ingresso e acolhida do acadêmico; a aceitação e o compromisso. Cada uma dessas categorias foi composta por uma série de questões, abertas e ordenadas sequencialmente. A tese está apoiada no paradigma analítico-interpretativo, nos referenciais teóricos que discutem a surdez e em obras de Carlos Skliar, Martha Nussbaum e Norbert Elias. Com o estudo desenvolvido constata-se que o processo de inclusão do aluno surdo no ensino superior significa mais do que oferecer vagas e aceitar as pessoas surdas nos cursos de graduação. Ele requer compromisso da instituição com uma cultura de inclusão e com a presença de docentes instrumentalizados e suficientemente humanizados para ensinar independente das diferenças das condições físicas, cognitivas e subjetivas de seus alunos. Os resultados apontam para o despreparo dos professores e para a carência de intérpretes, o que compromete o processo de inclusão do aluno surdo no ensino superior, gerando conflitos, pois o mesmo se sente isolado e não reconhecido em sua cultura pelos alunos ouvintes e pelos próprios professores. Assim torna-se necessário aos professores ancorar o seu debate pedagógico nas arenas da ética e da justiça, não bastando, para isso, o título acadêmico, pois a docência é uma profissão que requer competências específicas e especializadas. 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