Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Cruz, Guilherme Durante
Orientador(a): Rafacho, Alex
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/229117
Resumo: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas, Florianópolis, 2021.
id UFSC_eb32d62ba98354bcf8310e8dcf6eb7e7
oai_identifier_str oai:repositorio.ufsc.br:123456789/229117
network_acronym_str UFSC
network_name_str Repositório Institucional da UFSC
repository_id_str
spelling Universidade Federal de Santa CatarinaCruz, Guilherme DuranteRafacho, AlexAlthoff, Sérgio Luiz2021-10-14T19:28:46Z2021-10-14T19:28:46Z2021373101https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/229117Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas, Florianópolis, 2021.O hábito alimentar de uma espécie pode ser determinante para o seu metabolismo geral. Muitos morcegos são conhecidos por fazerem uso restrito de determinadas dietas, e isso envolveu adaptações em sua estrutura corpórea, acumuladas ao longo de milhares de anos, incluindo os órgãos metabólicos (i.e., pâncreas, fígado, musculatura esquelética, intestinos, etc). Assim, buscamos nos morcegos uma forma de avaliar comparativamente essa relação de órgãos envolvidos na homeostase glicêmica com determinados padrões alimentares. Mais especificamente, objetivamos avaliar parâmetros metabólicos e estruturais relacionados a homeostase glicêmica em quatro espécies de morcegos com diferentes hábitos alimentares (frugívoro, hematófago, insetívoro e nectarívoro). Nossa hipótese é que as espécies que se restrinjam mais a dietas proteicas (i.e., hematófagos e insetívoros) possuirão ilhotas pancreáticas com uma contribuição menor das células beta e maior das células alfa; fígado e músculo com maiores reservas de glicogênio e mais aptos a disponibilidade energética e intestinos com arquitetura mais complexa. Da mesma forma nas espécies com dieta rica em carboidratos (i.e., frugívoros e nectarívoros) esperamos diferentes adaptações funcionais e estruturais em relação as espécies com dieta rica em proteína. Morcegos das espécies Artibeus lituratus e A. fimbriatus (frugívoros), n=15; Desmodus rotundus (hematófago), n=9; Molossus molossus (insetívoro), n=6 e Anoura caudifer (nectarívoro), n=5, foram capturados na natureza e pernoitaram em laboratório antes de serem estudados. Foram analisados glicemia, perfil lipídico (colesterol total, triglicerídeos, LDL, HDL, VLDL), sensibilidade a insulina e tolerância a glicose, conteúdo de glicogênio hepático e muscular, comprimento intestinal, massa de órgãos e relações com a massa corpórea, exames histológicos de microscopia de luz, imunofluorescência bem como microscopia de transmissão e de varredura. Nossos principais resultados revelaram que morcegos em dietas ricas em proteína apresentam equivalências metabólicas e estruturais entre si e diferenças em relação aos morcegos com dietas predominantes em carboidratros. Houve diferenças complexas no perfil lipídico e no teor de glicogênio hepático entre as espécies, em particular na espécie insetívora, que apresentou glicogênio tipo beta (ß) (lenta mobilização) em fígado e músculo e em grande abundância. A espécie hematófaga foi a única com valores de glicogênio muscular superior ao hepático. Em relação as estruturas intestinais foram observadas evidências indiretas de atividade paracelular intestinal nas espécies com dieta rica em carboidrato, bem como maiores vilosidades e microvilosidades. Na espécie insetívora foi observado co-localização de grânulos endócrinos em células acinares pancreáticas. A relação de massa absoluta de ilhota (mg) foi maior no hematófago. A relação de massa absoluta normalizada pelo peso corpóreo (mg/g p.c.), massa relativa de ilhotas (%), bem como a densidade foram maiores na espécie nectarívora. Os dois grupos com dietas ricas em carboidratos e os insetívoros, na sequência, obtiveram as maiores massas de células beta. O hematófago foi o único grupo com massa absoluta de células alfa mais elevado que a massa de células beta. Assim, concluímos que morcegos com dieta predominante em proteínas possuem maiores reservas de glicogênio, embora questionável no hematófago, e ilhotas pancreática onde as células alfa apresentam uma preponderância maior do que nas espécies com predomínio em dieta rica em carboidrato, sendo estas espécies munidas de maior massa de células beta e um intestino com maior complexidade luminal. Além da dieta, outros fatores como o modo de forrageamento certamente influenciaram em adaptações metabólicas e morfológicas únicas dentro de cada grupo, ainda que estes sejam tão próximos filogeneticamente.Abstract: The feeding habits of a species can be determinant for its general metabolism. Many bats are known to make limited use of certain diets, and this involved adaptations in their body structure, accumulated over thousands of years, including metabolic organs (i.e., pancreas, liver, skeletal musculature, intestines, etc.). Thus, we seek in bats a way to comparatively evaluate this relation of organs involved in glycemic homeostasis with certain dietary patterns. More specifically, we aim to evaluate metabolic and structural parameters related to glycemic homeostasis in four species of bats with different eating habits (frugivore, hematophagous, insectivore and nectarivore). Our hypothesis is that species that are more restricted to protein diets (i.e., hematophagous and insectivorous) will have pancreatic islets with a smaller contribution from beta cells (ß) and a greater contribution from alpha cells (a); liver and muscle with higher glycogen reserves and more apt to energy availability and intestines with more complex architecture. Likewise in species with a high carbohydrate diet (i.e., frugivores and nectarivores) we expect different functional and structural adaptations in relation to species with a high protein diet. Bats of the species Artibeus lituratus and A. fimbriatus (frugivores), n = 15; Desmodus rotundus (hematophagous), n = 9; Molossus molossus (insectivore), n = 6 and Anoura caudifer (nectarivore), n = 5, were captured in the wild and spent the night in the laboratory before being studied. Blood glucose, lipid profile (total cholesterol, triglycerides, LDL, HDL, VLDL), insulin sensitivity and glucose tolerance, hepatic and muscular glycogen content, intestinal length, organ mass and relationships with body mass were analyzed. histological studies of light microscopy, immunofluorescence as well as transmission and scanning microscopy. Our main results revealed that bats on high protein diets have metabolic and structural equivalences and differences from bats with predominant carbohydrate diets. There were complex differences in the lipid profile and in the hepatic glycogen content between species, particularly in the insectivorous species, which presented beta (ß) glycogen (slow mobilization) in liver and muscle and in great abundance. The hematophagous species was the only one with muscle glycogen values higher than the liver. Regarding intestinal structures, indirect evidence of intestinal paracellular activity was observed in species with a high carbohydrate diet, as well as greater villi and microvilli. In the insectivorous species, co-localization of endocrine granules was observed in pancreatic acinar cells. The ratio of absolute islet mass (mg) was higher in the hematophagous. The ratio of absolute mass normalized by body weight (mg / g p.c.), islet relative mass (%), as well as density were higher in the nectarivorous species. The two groups with diets rich in carbohydrates and the insectivores, in sequence, obtained the largest masses of beta cells. The hematophagus was the only group with an absolute alpha cell mass higher than the beta cell mass. Thus, we conclude that bats with a predominant diet in proteins have higher glycogen reserves, although questionable in the hematophagous, and pancreatic islets where alpha cells have a greater preponderance than in species with a predominance in a diet rich in carbohydrates, these species being provided with greater mass of beta cells and an intestine with greater luminal complexity. In addition to the diet, other factors such as the foraging mode certainly influenced unique metabolic and morphological adaptations within each group, even though they are so close phylogenetically.124 p.| il., gráfs.porCiências fisiológicasMorcegosMicroscopia eletrônicaFisiologiaMetabolismoPâncreasBiologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentaresinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisreponame:Repositório Institucional da UFSCinstname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)instacron:UFSCinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINALPCFI0036-T.pdfPCFI0036-T.pdfapplication/pdf8748519https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/229117/-1/PCFI0036-T.pdf5c124a5025b560b344bb42bd47461e39MD5-1123456789/2291172021-10-14 16:28:46.267oai:repositorio.ufsc.br:123456789/229117Repositório InstitucionalPUBhttp://150.162.242.35/oai/requestsandra.sobrera@ufsc.bropendoar:23732021-10-14T19:28:46Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)false
dc.title.none.fl_str_mv Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
title Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
spellingShingle Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
Cruz, Guilherme Durante
Ciências fisiológicas
Morcegos
Microscopia eletrônica
Fisiologia
Metabolismo
Pâncreas
title_short Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
title_full Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
title_fullStr Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
title_full_unstemmed Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
title_sort Biologia funcional e estrutural relacionada a homeostase glicêmica em morcegos (Mammalia, Chiroptera): uma abordagem pautada nos diferentes hábitos alimentares
author Cruz, Guilherme Durante
author_facet Cruz, Guilherme Durante
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Universidade Federal de Santa Catarina
dc.contributor.author.fl_str_mv Cruz, Guilherme Durante
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv Rafacho, Alex
dc.contributor.advisor-co1.fl_str_mv Althoff, Sérgio Luiz
contributor_str_mv Rafacho, Alex
Althoff, Sérgio Luiz
dc.subject.classification.none.fl_str_mv Ciências fisiológicas
Morcegos
Microscopia eletrônica
Fisiologia
Metabolismo
Pâncreas
topic Ciências fisiológicas
Morcegos
Microscopia eletrônica
Fisiologia
Metabolismo
Pâncreas
description Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas, Florianópolis, 2021.
publishDate 2021
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2021-10-14T19:28:46Z
dc.date.available.fl_str_mv 2021-10-14T19:28:46Z
dc.date.issued.fl_str_mv 2021
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/229117
dc.identifier.other.none.fl_str_mv 373101
identifier_str_mv 373101
url https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/229117
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv 124 p.| il., gráfs.
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UFSC
instname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
instacron:UFSC
instname_str Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
instacron_str UFSC
institution UFSC
reponame_str Repositório Institucional da UFSC
collection Repositório Institucional da UFSC
bitstream.url.fl_str_mv https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/229117/-1/PCFI0036-T.pdf
bitstream.checksum.fl_str_mv 5c124a5025b560b344bb42bd47461e39
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
repository.mail.fl_str_mv sandra.sobrera@ufsc.br
_version_ 1851759176419639296