A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Diamico, Manuela de Souza
Orientador(a): Guivant, Julia Silvia
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/167765
Resumo: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Florianópolis, 2016.
id UFSC_fb6bd23dd0f8019ecf599dbd61d26ddd
oai_identifier_str oai:repositorio.ufsc.br:123456789/167765
network_acronym_str UFSC
network_name_str Repositório Institucional da UFSC
repository_id_str
spelling Universidade Federal de Santa CatarinaDiamico, Manuela de SouzaGuivant, Julia Silvia2016-09-20T04:18:17Z2016-09-20T04:18:17Z2016339969https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/167765Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Florianópolis, 2016.Nosso objetivo é analisar o que denominamos campo acadêmico dos estudos alimentares constituído por disciplinas como engenharia de alimentos, nutrição, tecnologia de alimentos, entre outras. Entendemos campo como o lugar de disputas por reconhecimento e legitimidade que delimitam as atuações dos seus componentes. Os componentes analisados são os professores que atuam nas universidades e na formação profissional. Devido à centralidade que as controvérsias científicas sobre alimentos saudáveis e os riscos alimentares têm na sociedade contemporânea, procuramos identificar como aquelas aparecem no campo estudado. Discutimos este tema a partir da ótica dos cientistas e engenheiros de alimentos que atuam na academia. Essa é uma pesquisa que pode ser considerada pioneira na área de sociologia da alimentação e na área dos estudos sociais da ciência e da técnica e, por este motivo, em certa medida, exploratória. Abordamos a trajetória da construção das disciplinas deste campo, bem como suas diferenças na UFSC (Brasil) e na Ulg (Bélgica). Realizamos pesquisa documental sobre os cursos, seus currículos e as políticas governamentais de ensino superior; análise de artigos acadêmicos; entrevistas semi-estruturadas, tendo como fio condutor as definições e significados do que entendem por alimento saudável e as implicações deste segmento em suas pesquisas. Argumentamos que a interface entre o campo da saúde e da alimentação é uma zona de tensão em que a definição do que seja considerado saudável torna-se um importante argumento na disputa por legitimidade, reconhecimento e espaço de atuação. Esta tensão reflete-se, por exemplo, na falta de consenso sobre o lugar da nutrição entre estes dois campos, pois embora os conhecimentos nutricionais sejam a base para as alegações sobre a saúde dos alimentos que são industrializados, o curso de nutrição não é necessariamente reconhecido como parte desse campo. A análise do campo acadêmico no Brasil e na Bélgica facilitou identificar articulações entre a academia e outros atores no processo de produção do conhecimento científico e nas tensões envolvidas neste processo. Partindo da concepção de que o campo não é uma estrutura estática, mas que depende das negociações entre diferentes setores na sua construção e manutenção, identificamos as interfaces da academia com as políticas públicas de ensino superior e de desenvolvimento econômico que, por sua vez, influenciam a maneira como os professores atuam no processo de construção de conhecimentos e inovações científicas. Nesse contexto os financiamentos de pesquisa têm um importante papel e a maneira como eles estão estruturados nos dois países se traduz no habitus profissional, criando no Brasil umaconcorrência individual e na Bélgica uma concorrência de ?networks?. Argumentamos que esta concorrência influencia como os entrevistados percebem sua área de atuação, defendendo um formato do campo mais abrangente (tradicional) ou mais especializado e diversificado (revolucionário), de acordo com a disponibilidade de recursos e de mercado. O posicionamento tradicional ou revolucionário reflete, portanto, não só uma luta pelo reconhecimento, mas também pelo espaço de atuação e pelos recursos de financiamento de pesquisa.<br>Abstract: Our goal is to analyse what we call academic field of food studies that is consisted of disciplines such as food engineering, nutrition, food technology, among others. We understand field as the place of disputes for recognition and legitimacy and that define the actions of its components. The analysed components are the professors-researchers who work at universities. Based in the centrality that scientific controversies about healthy food and food hazards have in contemporary society, we try to identify how those appear in the studied field. We discuss this topic from the perspective of the scientists and engineers of foods that work at the academy. This research can be considered a pioneer in the food sociology and in social studies of science and technology and, therefore, to some extent, exploratory. We approach the trajectory of the construction of the subjects of this field, as well as their differences in UFSC (Brazil) and ULG (Belgium). We conducted documentary research about the courses, their curricular program and the government policies of higher education; analysis of scholarly articles; semi-structured interviews, having as the common thread the definitions and meanings of what is considered healthy food and the implications of this segment in their research. We argue that the interface between the field of health and of food is a tension area in which the definition of what is considered healthy becomes an important argument in the fight for legitimacy, recognition and performance space. This tension can be noticed, for example, on the lack of consensus on the role of nutrition between these two fields, as although the nutritional knowledge is the basis for the claims about the health of foods, the nutritionist as a professional is not necessarily recognized as part of this field. The comparison of the academic field in Brazil and Belgium helped to identify the links between academia and other stakeholders in the scientific knowledge production process and the tensions involved in this process. Starting from the assumption that the field is not a static structure, but it depends on the negotiations between different sectors for their construction and maintenance, we identify the interfaces between the academia and the public policies of higher education and economic development that, in turn, influence the way the teachers work in the construction of knowledge and scientific innovations. In this context, the research funding has an important role and the way they are structured in two countries has influence in the professional habitus, creating in Brazil an individual competition and in Belgium a competition of "networks". We argue that this competition influenceshow respondents perceive their area, advocating a broader field format (traditional) or more specialized and diversified (revolutionary), according to the availability of resources and market. The traditional or revolutionary position reflects therefore not only a struggle for recognition, but also for the performance space and for the research funding resources.278 p.| il., grafs., tabs.porSociologiaSociologia politicaAlimentosAspectos sociaisCiência dos alimentosA academia, seus peritos e a produção industrial de alimentosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisreponame:Repositório Institucional da UFSCinstname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)instacron:UFSCinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINAL339969.pdfapplication/pdf2833942https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/167765/1/339969.pdf2ef34f93f8b83fd59c23dcbb234dadf1MD51123456789/1677652016-09-20 01:18:17.663oai:repositorio.ufsc.br:123456789/167765Repositório InstitucionalPUBhttp://150.162.242.35/oai/requestsandra.sobrera@ufsc.bropendoar:23732016-09-20T04:18:17Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)false
dc.title.pt_BR.fl_str_mv A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
title A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
spellingShingle A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
Diamico, Manuela de Souza
Sociologia
Sociologia politica
Alimentos
Aspectos sociais
Ciência dos alimentos
title_short A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
title_full A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
title_fullStr A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
title_full_unstemmed A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
title_sort A academia, seus peritos e a produção industrial de alimentos
author Diamico, Manuela de Souza
author_facet Diamico, Manuela de Souza
author_role author
dc.contributor.pt_BR.fl_str_mv Universidade Federal de Santa Catarina
dc.contributor.author.fl_str_mv Diamico, Manuela de Souza
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv Guivant, Julia Silvia
contributor_str_mv Guivant, Julia Silvia
dc.subject.classification.pt_BR.fl_str_mv Sociologia
Sociologia politica
Alimentos
Aspectos sociais
Ciência dos alimentos
topic Sociologia
Sociologia politica
Alimentos
Aspectos sociais
Ciência dos alimentos
description Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Florianópolis, 2016.
publishDate 2016
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2016-09-20T04:18:17Z
dc.date.available.fl_str_mv 2016-09-20T04:18:17Z
dc.date.issued.fl_str_mv 2016
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/167765
dc.identifier.other.pt_BR.fl_str_mv 339969
identifier_str_mv 339969
url https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/167765
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv 278 p.| il., grafs., tabs.
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UFSC
instname:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
instacron:UFSC
instname_str Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
instacron_str UFSC
institution UFSC
reponame_str Repositório Institucional da UFSC
collection Repositório Institucional da UFSC
bitstream.url.fl_str_mv https://repositorio.ufsc.br/bitstream/123456789/167765/1/339969.pdf
bitstream.checksum.fl_str_mv 2ef34f93f8b83fd59c23dcbb234dadf1
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
repository.mail.fl_str_mv sandra.sobrera@ufsc.br
_version_ 1851759301616467968