Mimetismo em anfíbios: Colorido, morfologia cutânea e veneno em Ameerega picta, Leptodactylus lineatus e Leptodactylus andreae
| Ano de defesa: | 2010 |
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Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
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| Link de acesso: | http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/9817 |
Resumo: | A pele dos anfíbios atua em muitas funções vitais, relacionadas à atividade de dois tipos de glândulas cutâneas: mucosas e granulosas. As glândulas granulosas (de veneno) atuam na defesa química que caracteriza os anfíbios, secretando uma grande diversidade de compostos. A presença de secreções de alta toxicidade está frequentemente associada a padrões de colorido chamativos, ditos apossemáticos, reconhecidos e evitado por predadores. O colorido de espécies apossemáticas pode estar presente também em certas espécies indefesas, que assim adquirem proteção, um fenômeno designado mimetismo batesiano. Por outro lado, um conjunto de espécies tóxicas pode apresentar colorido semelhante, caracterizando o chamado mimetismo mulleriano. Dentre os anfíbios, muitos casos de mimetismo envolvem rãs tóxicas e apossemáticas da família Dendrobatidae. A rã Leptodactylus lineatus (família Leptodactylidae) possui colorido similar ao de vários dendrobatídeos, em especial ao de Ameerega picta. Embora assumido como um mímico de A. picta, dentre outros dendrobatídeos, não há de fato evidências de que L. lineatus não secrete toxinas. Uma terceira espécie, Leptodactylus andreae, guarda semelhanças com essas duas no padrão de colorido. Essa investigação tencionou esclarecer a síndrome mimética envolvendo essas três espécies. Objetivou-se determinar: há mimetismo entre elas? Se sim, ele é de natureza batesiana ou mulleriana? Para tanto, atentou-se para a morfologia cutânea, com foco na estrutura e distribuição das glândulas de veneno, assim como para a bioquímica das secreções, o colorido da pele e informações de sua história natural. Foi observado que L. lineatus possui grande número de glândulas granulosas, que se apresentam concentradas em regiões de acúmulo na face dorsal e ventral do corpo. No dorso, esses acúmulos apresentam notável correlação com a posição de listas e manchas, sugerindo que o colorido sinaliza regiões onde o veneno está concentrado. Essas regiões são enfatizadas por um conjunto de posturas defensivas, que podem aumentar as chances de contato do predador com as toxinas ou favorecer o reconhecimento de L. lineatus. A distribuição glandular de L. andreae é semelhante, mas os acúmulos são mal definidos e possuem muito baixa densidade. A. picta, por outro lado, possui distribuição de glândulas uniforme no dorso e ventre. A caracterização histoquímica, bioquímica e ultraestrutural sugerem grande quantidade e diversidade de proteínas nas secreções de L. lineatus, dotadas de significativa atividade enzimática proteolítica. Por outro lado, as proteínas estão praticamente ausentes das secreções de A. picta, nas quais foram detectadas mucossubstâncias de caráter glicídico, que podem contribuir para a toxicidade da espécie. Os dados sugerem que, assim como A. picta, L. lineatus é uma espécie tóxica, que parece atuar como um co-mímico mulleriano desse e possivelmente de outros dendrobatídeos. Em contraste, a morfologia cutânea sugere que L. andreae apresenta baixa toxicidade, possivelmente atuando como um mímico batesiano de A. picta e L. lineatus. São apresentados dados sobre outros atributos da pele, como as glândulas mucosas e a presença de uma camada calcificada na derme. Os resultados são discutidos no contexto de diferenças entre as espécies com relação ao comportamento e ecologia. |
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Prates, Ivan [UNIFESP]Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)Jared, Carlos [UNIFESP]2015-07-22T20:50:26Z2015-07-22T20:50:26Z2010-08-25A pele dos anfíbios atua em muitas funções vitais, relacionadas à atividade de dois tipos de glândulas cutâneas: mucosas e granulosas. As glândulas granulosas (de veneno) atuam na defesa química que caracteriza os anfíbios, secretando uma grande diversidade de compostos. A presença de secreções de alta toxicidade está frequentemente associada a padrões de colorido chamativos, ditos apossemáticos, reconhecidos e evitado por predadores. O colorido de espécies apossemáticas pode estar presente também em certas espécies indefesas, que assim adquirem proteção, um fenômeno designado mimetismo batesiano. Por outro lado, um conjunto de espécies tóxicas pode apresentar colorido semelhante, caracterizando o chamado mimetismo mulleriano. Dentre os anfíbios, muitos casos de mimetismo envolvem rãs tóxicas e apossemáticas da família Dendrobatidae. A rã Leptodactylus lineatus (família Leptodactylidae) possui colorido similar ao de vários dendrobatídeos, em especial ao de Ameerega picta. Embora assumido como um mímico de A. picta, dentre outros dendrobatídeos, não há de fato evidências de que L. lineatus não secrete toxinas. Uma terceira espécie, Leptodactylus andreae, guarda semelhanças com essas duas no padrão de colorido. Essa investigação tencionou esclarecer a síndrome mimética envolvendo essas três espécies. Objetivou-se determinar: há mimetismo entre elas? Se sim, ele é de natureza batesiana ou mulleriana? Para tanto, atentou-se para a morfologia cutânea, com foco na estrutura e distribuição das glândulas de veneno, assim como para a bioquímica das secreções, o colorido da pele e informações de sua história natural. Foi observado que L. lineatus possui grande número de glândulas granulosas, que se apresentam concentradas em regiões de acúmulo na face dorsal e ventral do corpo. No dorso, esses acúmulos apresentam notável correlação com a posição de listas e manchas, sugerindo que o colorido sinaliza regiões onde o veneno está concentrado. Essas regiões são enfatizadas por um conjunto de posturas defensivas, que podem aumentar as chances de contato do predador com as toxinas ou favorecer o reconhecimento de L. lineatus. A distribuição glandular de L. andreae é semelhante, mas os acúmulos são mal definidos e possuem muito baixa densidade. A. picta, por outro lado, possui distribuição de glândulas uniforme no dorso e ventre. A caracterização histoquímica, bioquímica e ultraestrutural sugerem grande quantidade e diversidade de proteínas nas secreções de L. lineatus, dotadas de significativa atividade enzimática proteolítica. Por outro lado, as proteínas estão praticamente ausentes das secreções de A. picta, nas quais foram detectadas mucossubstâncias de caráter glicídico, que podem contribuir para a toxicidade da espécie. Os dados sugerem que, assim como A. picta, L. lineatus é uma espécie tóxica, que parece atuar como um co-mímico mulleriano desse e possivelmente de outros dendrobatídeos. Em contraste, a morfologia cutânea sugere que L. andreae apresenta baixa toxicidade, possivelmente atuando como um mímico batesiano de A. picta e L. lineatus. São apresentados dados sobre outros atributos da pele, como as glândulas mucosas e a presença de uma camada calcificada na derme. Os resultados são discutidos no contexto de diferenças entre as espécies com relação ao comportamento e ecologia.TEDEBV UNIFESP: Teses e dissertações141 p.PRATES, Ivan. Mimetismo em anfíbios: Colorido, morfologia cutânea e veneno em Ameerega picta, Leptodactylus lineatus e Leptodactylus andreae. 2010. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2010.Publico-473a.pdfPublico-473b.pdfPublico-473c.pdfPublico-473d.pdfhttp://repositorio.unifesp.br/handle/11600/9817ark:/48912/001300001r1jmporUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessAposematismoDendrobatidaeGlândulasLeptodactylidaePeleAnfíbiosDendrobatidaeLeptodactylidaeAmphibiansSkinMimetismo em anfíbios: Colorido, morfologia cutânea e veneno em Ameerega picta, Leptodactylus lineatus e Leptodactylus andreaeMimicry in amphibians: color pattern, skin morphology and poison in Ameerega picta, Leptodactylus lineatus and Leptodactylus andreaeinfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPSão Paulo, Escola Paulista de Medicina (EPM)Biologia Estrutural e Funcional – São PauloORIGINALPublico-473a.pdfPublico-473a.pdfapplication/pdf1899923https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/553feccd-2984-4d84-990b-80f0b27ad7c9/download4a40fa2a22819d07579c7e056a50bf1eMD51Publico-473b.pdfPublico-473b.pdfapplication/pdf1599520https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/bde9f7d3-a108-4c2b-9d98-511e402e5089/downloadfcac8df165322ad0fce45f3b7d063c99MD52Publico-473c.pdfPublico-473c.pdfapplication/pdf1721709https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/bddb2bc6-e644-4fe0-931c-13a3808b19b2/download29b6bbfb21f7a474a3e76e4a48ac6992MD53Publico-473d.pdfPublico-473d.pdfapplication/pdf818804https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/1ede2091-64e3-4281-81d5-0b5c4113f864/downloadc6b649692312ae9b882998edd329e916MD54TEXTPublico-473a.pdf.txtPublico-473a.pdf.txtExtracted texttext/plain102851https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/72da51d1-7c20-4b1e-af0e-8747aae579b7/download766029b2fdaf71d2c45e2bd98f90d653MD513Publico-473b.pdf.txtPublico-473b.pdf.txtExtracted texttext/plain10791https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/86485d01-0857-427e-ac3f-2292add63aba/download2b86cfe05ffbdd2ae7bc98d6d2d6bfc7MD515Publico-473c.pdf.txtPublico-473c.pdf.txtExtracted texttext/plain12356https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/75cde275-25ec-407b-9ba0-05f5ccdd9392/download0ca03a93b3e51005b58697510d8aebcdMD517Publico-473d.pdf.txtPublico-473d.pdf.txtExtracted texttext/plain30396https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/d970f711-d179-461e-a920-ed5a7dc1401e/downloadd465692d19679a4a4057c5cf71f0927fMD519THUMBNAILPublico-473a.pdf.jpgPublico-473a.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1805https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/22f9ce0c-f914-4407-a1a3-61be42628887/downloade6f58f355b42d6146c8f39aef4af9d9bMD514Publico-473b.pdf.jpgPublico-473b.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3397https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/5f6e2ca2-9410-4835-a130-32132fe12cd3/download4db7bc18c06a2f2436bf66f1421ddd0cMD516Publico-473c.pdf.jpgPublico-473c.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1805https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/c9127f87-b379-4c5c-9df8-7a0b52b7692a/downloade6f58f355b42d6146c8f39aef4af9d9bMD518Publico-473d.pdf.jpgPublico-473d.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3511https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/aa3162b4-97fb-4780-8e7f-61be2c66b41b/download694ab64ae29e7b0b9369f671392fed80MD52011600/98172024-08-06 12:32:35.869oai:repositorio.unifesp.br:11600/9817https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652024-08-06T12:32:35Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false |
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A pele dos anfíbios atua em muitas funções vitais, relacionadas à atividade de dois tipos de glândulas cutâneas: mucosas e granulosas. As glândulas granulosas (de veneno) atuam na defesa química que caracteriza os anfíbios, secretando uma grande diversidade de compostos. A presença de secreções de alta toxicidade está frequentemente associada a padrões de colorido chamativos, ditos apossemáticos, reconhecidos e evitado por predadores. O colorido de espécies apossemáticas pode estar presente também em certas espécies indefesas, que assim adquirem proteção, um fenômeno designado mimetismo batesiano. Por outro lado, um conjunto de espécies tóxicas pode apresentar colorido semelhante, caracterizando o chamado mimetismo mulleriano. Dentre os anfíbios, muitos casos de mimetismo envolvem rãs tóxicas e apossemáticas da família Dendrobatidae. A rã Leptodactylus lineatus (família Leptodactylidae) possui colorido similar ao de vários dendrobatídeos, em especial ao de Ameerega picta. Embora assumido como um mímico de A. picta, dentre outros dendrobatídeos, não há de fato evidências de que L. lineatus não secrete toxinas. Uma terceira espécie, Leptodactylus andreae, guarda semelhanças com essas duas no padrão de colorido. Essa investigação tencionou esclarecer a síndrome mimética envolvendo essas três espécies. Objetivou-se determinar: há mimetismo entre elas? Se sim, ele é de natureza batesiana ou mulleriana? Para tanto, atentou-se para a morfologia cutânea, com foco na estrutura e distribuição das glândulas de veneno, assim como para a bioquímica das secreções, o colorido da pele e informações de sua história natural. Foi observado que L. lineatus possui grande número de glândulas granulosas, que se apresentam concentradas em regiões de acúmulo na face dorsal e ventral do corpo. No dorso, esses acúmulos apresentam notável correlação com a posição de listas e manchas, sugerindo que o colorido sinaliza regiões onde o veneno está concentrado. Essas regiões são enfatizadas por um conjunto de posturas defensivas, que podem aumentar as chances de contato do predador com as toxinas ou favorecer o reconhecimento de L. lineatus. A distribuição glandular de L. andreae é semelhante, mas os acúmulos são mal definidos e possuem muito baixa densidade. A. picta, por outro lado, possui distribuição de glândulas uniforme no dorso e ventre. A caracterização histoquímica, bioquímica e ultraestrutural sugerem grande quantidade e diversidade de proteínas nas secreções de L. lineatus, dotadas de significativa atividade enzimática proteolítica. Por outro lado, as proteínas estão praticamente ausentes das secreções de A. picta, nas quais foram detectadas mucossubstâncias de caráter glicídico, que podem contribuir para a toxicidade da espécie. Os dados sugerem que, assim como A. picta, L. lineatus é uma espécie tóxica, que parece atuar como um co-mímico mulleriano desse e possivelmente de outros dendrobatídeos. Em contraste, a morfologia cutânea sugere que L. andreae apresenta baixa toxicidade, possivelmente atuando como um mímico batesiano de A. picta e L. lineatus. São apresentados dados sobre outros atributos da pele, como as glândulas mucosas e a presença de uma camada calcificada na derme. Os resultados são discutidos no contexto de diferenças entre as espécies com relação ao comportamento e ecologia. |
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