Impacto do treinamento por simulação mental e desempenho real na aprendizagem de sequências probabilísticas em pacientes com esquizofrenia: análise comportamental e de EEG

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Scapi, Yanina Leon [UNIFESP]
Orientador(a): Barbosa, Dulce Aparecida [UNIFESP]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300001mqn0
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/72902
Resumo: Introdução: A esquizofrenia é um transtorno mental que pode ser considerado como incapacitante e crônico. Este transtorno é uma das 15 principais causas de incapacidade em todo o mundo. A esquizofrenia está significativamente ligada às disfunções de memória e estes sintomas podem se mostrar de forma heterogênea de paciente para paciente, podendo ter níveis de deficiência cognitiva, o que torna mais complexo determinar o perfil do paciente e as demandas de tratamento. Os déficits na memória entre indivíduos com esquizofrenia são bem documentados, entretanto não há muita evidência de que estes déficits sejam bem avaliados. Apesar da potencial gravidade da doença, há uma dificuldade no diagnóstico deste transtorno, que depende de exercícios clínicos subjetivos. Boa parte desse desafio se deve ao fato de ser uma doença multifatorial e que abrange, de modos variados, aspectos cognitivos e mentais distintos. É possível medir a aprendizagem implícita em tarefas probabilísticas. Objetivos: Avaliar a capacidade dos pacientes com esquizofrenia de prever sequências probabilísticas; caracterizar estes pacientes considerando os aspectos de memória. Métodos: Foram realizados procedimentos usando- se um computador programado com uma execução de estruturas probabilísticas definida por uma árvore de contexto com a finalidade de avaliar a capacidade de aprendizado destes pacientes, em condições de imaginação (simulação mental) e execução motora. Os pacientes foram avaliados quanto à capacidade de imaginar e visualizar movimentos motores através do Questionário de Imagética Motora Cinestésica e Visual. O Inventário de Dominância Lateral de Edimburgo foi utilizado para definir a dominância manual. O protocolo experimental incluiu a apresentação de 750 estímulos auditivos, organizados de acordo com uma estrutura de eventos sequenciais. Os participantes foram instruídos a realizar uma execução de toque de dedos ao ouvir um número (1, 2 ou 3). O grupo de execução motora foi orientado a realizar fisicamente a ação correspondente, enquanto o grupo de simulação mental deveria apenas imaginar a execução da ação. A análise dos tempos de reação foi conduzida por meio de uma Análise de Variância (ANOVA) univariada com modelo linear generalizado (GLM), seguida de um teste post-hoc de Tukey para realizar comparações múltiplas entre os grupos. Durante a tarefa de de tempo de reação serial foi conduzido o registro de EEG. Para a análise dos potenciais evocados (ERPs), foi realizado um teste t pareado, seguido de permutação (p<0,05) e correção para múltiplas comparações utilizando a False Discovery Rate (FDR). Resultados: Trinta e um pacientes voluntários com esquizofrenia foram alocados em dois grupos: grupo de execução motora (n=17) e grupo de simulação mental (n=14). Os grupos que receberam treinamento em simulação mental demonstraram uma melhoria significativa no aprendizado implícito de eventos de maior probabilidade. Foi constatado a presença dos componentes P200 e P300 nos canais F4, Fz, F8 e T4. As análises comparativas entre os grupos de execução motora e simulação mental revelaram diferenças significativas na resposta a eventos da estrutura probabilística da árvore de contexto, indicando que ambos os grupos exibiram padrões de resposta neural distintos no processamento dos estímulos. Conclusão: A capacidade dos pacientes com esquizofrenia de prever e aprender sequências probabilísticas foi melhor no grupo que recebeu treinamento imaginativo. Os resultados verificados pelas potências P200 e P300, F4, Fz, F8 e T4 apontam uma diferença de ativação neural nos grupos em ambas as tarefas.
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spelling http://lattes.cnpq.br/1356719753340228http://lattes.cnpq.br/1924137485244907Scapi, Yanina Leon [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/1099220120068020Barbosa, Dulce Aparecida [UNIFESP]Helene, André FrazãoSão Paulo2025-02-04T18:17:40Z2025-02-04T18:17:40Z2024-09-23Introdução: A esquizofrenia é um transtorno mental que pode ser considerado como incapacitante e crônico. Este transtorno é uma das 15 principais causas de incapacidade em todo o mundo. A esquizofrenia está significativamente ligada às disfunções de memória e estes sintomas podem se mostrar de forma heterogênea de paciente para paciente, podendo ter níveis de deficiência cognitiva, o que torna mais complexo determinar o perfil do paciente e as demandas de tratamento. Os déficits na memória entre indivíduos com esquizofrenia são bem documentados, entretanto não há muita evidência de que estes déficits sejam bem avaliados. Apesar da potencial gravidade da doença, há uma dificuldade no diagnóstico deste transtorno, que depende de exercícios clínicos subjetivos. Boa parte desse desafio se deve ao fato de ser uma doença multifatorial e que abrange, de modos variados, aspectos cognitivos e mentais distintos. É possível medir a aprendizagem implícita em tarefas probabilísticas. Objetivos: Avaliar a capacidade dos pacientes com esquizofrenia de prever sequências probabilísticas; caracterizar estes pacientes considerando os aspectos de memória. Métodos: Foram realizados procedimentos usando- se um computador programado com uma execução de estruturas probabilísticas definida por uma árvore de contexto com a finalidade de avaliar a capacidade de aprendizado destes pacientes, em condições de imaginação (simulação mental) e execução motora. Os pacientes foram avaliados quanto à capacidade de imaginar e visualizar movimentos motores através do Questionário de Imagética Motora Cinestésica e Visual. O Inventário de Dominância Lateral de Edimburgo foi utilizado para definir a dominância manual. O protocolo experimental incluiu a apresentação de 750 estímulos auditivos, organizados de acordo com uma estrutura de eventos sequenciais. Os participantes foram instruídos a realizar uma execução de toque de dedos ao ouvir um número (1, 2 ou 3). O grupo de execução motora foi orientado a realizar fisicamente a ação correspondente, enquanto o grupo de simulação mental deveria apenas imaginar a execução da ação. A análise dos tempos de reação foi conduzida por meio de uma Análise de Variância (ANOVA) univariada com modelo linear generalizado (GLM), seguida de um teste post-hoc de Tukey para realizar comparações múltiplas entre os grupos. Durante a tarefa de de tempo de reação serial foi conduzido o registro de EEG. Para a análise dos potenciais evocados (ERPs), foi realizado um teste t pareado, seguido de permutação (p<0,05) e correção para múltiplas comparações utilizando a False Discovery Rate (FDR). Resultados: Trinta e um pacientes voluntários com esquizofrenia foram alocados em dois grupos: grupo de execução motora (n=17) e grupo de simulação mental (n=14). Os grupos que receberam treinamento em simulação mental demonstraram uma melhoria significativa no aprendizado implícito de eventos de maior probabilidade. Foi constatado a presença dos componentes P200 e P300 nos canais F4, Fz, F8 e T4. As análises comparativas entre os grupos de execução motora e simulação mental revelaram diferenças significativas na resposta a eventos da estrutura probabilística da árvore de contexto, indicando que ambos os grupos exibiram padrões de resposta neural distintos no processamento dos estímulos. Conclusão: A capacidade dos pacientes com esquizofrenia de prever e aprender sequências probabilísticas foi melhor no grupo que recebeu treinamento imaginativo. Os resultados verificados pelas potências P200 e P300, F4, Fz, F8 e T4 apontam uma diferença de ativação neural nos grupos em ambas as tarefas. Introduction: Schizophrenia is a chronic and disabling mental disorder, ranking amongthetop 15 causes of disability globally. It is closely associated with memory dysfunctions, whichcan vary widely among individuals, leading to different levels of cognitive impairment. Whilememory deficits in schizophrenia patients are well-documented, there is limited evidenceontheir thorough assessment. Diagnosing this disorder is challenging due to its multifactorial nature, encompassing diverse cognitive and mental elements, and relying on subjectiveclinical evaluations. Implicit learning in probabilistic tasks may offer a potential measurefor individuals with schizophrenia. Objectives: To assess the ability of patientswithschizophrenia to predict probabilistic sequences and characterize these patients consideringmemory aspects. Method: The procedures involved the use of a computer programmedwitha probabilistic structures task defined by a context tree to evaluate the learning abilityof thepatients under conditions of mental simulation and motor execution. The patients' abilitytoimagine and visualize motor movements was assessed using the Kinesthetic and Visual Motor Imagery Questionnaire. The Edinburgh Handedness Inventory was used to determinemanual dominance. The experimental protocol consisted of presenting 750 auditory stimuli organized in a sequential event structure. Participants were required to performafingertapping task upon hearing a number (1, 2, or 3). The motor execution group physicallyperformed the corresponding action, while the mental simulation group imagined performingthe action. Reaction times were analyzed using a univariate Analysis of Variance (ANOVA) with a generalized linear model (GLM), followed by Tukey's post-hoc test for multiplegroupcomparisons. During the serial reaction time task, (EEG) recordings were conducted. Eventrelated potentials (ERPs) were analyzed using a paired t-test followed by permutationtesting(p<0.05) and correction for multiple comparisons using the False Discovery Rate(FDR). Results: Thirty-one volunteer patients with schizophrenia were divided into two groups: themotor execution group (n=17) and the mental simulation group (n=14). The groupthat received mental simulation training showed a significant improvement in implicit learning of higher probability events. The presence of the P200 and P300 components was observedinchannels F4, Fz, F8, and T4. Comparative analysis between the motor execution andmental simulation groups revealed significant differences in response to events fromtheprobabilistic structure of the context tree, indicating that both groups exhibited distinct neural response patterns in processing the stimuli. Conclusion: Patients with schizophreniashowed better ability to predict and learn probabilistic sequences after receiving imaginativetraining. The results, observed through the P200 and P300 potentials in channels F4, Fz, F8, and T4, indicate a difference in neural activation between the groups in both tasks.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)dulce.barbosa@unifesp.br102 f.USCAPI, Yanina Leon. Impacto do treinamento por simulação mental e desempenho real na aprendizagem de sequências probabilísticas em pacientes com esquizofrenia: análise comportamental e de EEG. 2024. 102 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2024.https://hdl.handle.net/11600/72902ark:/48912/001300001mqn0porUniversidade Federal de São Pauloinfo:eu-repo/semantics/openAccessNão se aplicaSimulação mentalTreino imaginativoAprendizagem implícitaÁrvore de contextoP300Impacto do treinamento por simulação mental e desempenho real na aprendizagem de sequências probabilísticas em pacientes com esquizofrenia: análise comportamental e de EEGinfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPEscola Paulista de Enfermagem (EPE)EnfermagemEnfermagemSaúde ColetivaORIGINALTese_Yanina Leon.pdfTese_Yanina Leon.pdfapplication/pdf4334460https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/8af6d8fa-e614-4f3a-b7bc-fcd61792a70d/downloadcc0fc02543f118f9b894bebebad73504MD53LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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description Introdução: A esquizofrenia é um transtorno mental que pode ser considerado como incapacitante e crônico. Este transtorno é uma das 15 principais causas de incapacidade em todo o mundo. A esquizofrenia está significativamente ligada às disfunções de memória e estes sintomas podem se mostrar de forma heterogênea de paciente para paciente, podendo ter níveis de deficiência cognitiva, o que torna mais complexo determinar o perfil do paciente e as demandas de tratamento. Os déficits na memória entre indivíduos com esquizofrenia são bem documentados, entretanto não há muita evidência de que estes déficits sejam bem avaliados. Apesar da potencial gravidade da doença, há uma dificuldade no diagnóstico deste transtorno, que depende de exercícios clínicos subjetivos. Boa parte desse desafio se deve ao fato de ser uma doença multifatorial e que abrange, de modos variados, aspectos cognitivos e mentais distintos. É possível medir a aprendizagem implícita em tarefas probabilísticas. Objetivos: Avaliar a capacidade dos pacientes com esquizofrenia de prever sequências probabilísticas; caracterizar estes pacientes considerando os aspectos de memória. Métodos: Foram realizados procedimentos usando- se um computador programado com uma execução de estruturas probabilísticas definida por uma árvore de contexto com a finalidade de avaliar a capacidade de aprendizado destes pacientes, em condições de imaginação (simulação mental) e execução motora. Os pacientes foram avaliados quanto à capacidade de imaginar e visualizar movimentos motores através do Questionário de Imagética Motora Cinestésica e Visual. O Inventário de Dominância Lateral de Edimburgo foi utilizado para definir a dominância manual. O protocolo experimental incluiu a apresentação de 750 estímulos auditivos, organizados de acordo com uma estrutura de eventos sequenciais. Os participantes foram instruídos a realizar uma execução de toque de dedos ao ouvir um número (1, 2 ou 3). O grupo de execução motora foi orientado a realizar fisicamente a ação correspondente, enquanto o grupo de simulação mental deveria apenas imaginar a execução da ação. A análise dos tempos de reação foi conduzida por meio de uma Análise de Variância (ANOVA) univariada com modelo linear generalizado (GLM), seguida de um teste post-hoc de Tukey para realizar comparações múltiplas entre os grupos. Durante a tarefa de de tempo de reação serial foi conduzido o registro de EEG. Para a análise dos potenciais evocados (ERPs), foi realizado um teste t pareado, seguido de permutação (p<0,05) e correção para múltiplas comparações utilizando a False Discovery Rate (FDR). Resultados: Trinta e um pacientes voluntários com esquizofrenia foram alocados em dois grupos: grupo de execução motora (n=17) e grupo de simulação mental (n=14). Os grupos que receberam treinamento em simulação mental demonstraram uma melhoria significativa no aprendizado implícito de eventos de maior probabilidade. Foi constatado a presença dos componentes P200 e P300 nos canais F4, Fz, F8 e T4. As análises comparativas entre os grupos de execução motora e simulação mental revelaram diferenças significativas na resposta a eventos da estrutura probabilística da árvore de contexto, indicando que ambos os grupos exibiram padrões de resposta neural distintos no processamento dos estímulos. Conclusão: A capacidade dos pacientes com esquizofrenia de prever e aprender sequências probabilísticas foi melhor no grupo que recebeu treinamento imaginativo. Os resultados verificados pelas potências P200 e P300, F4, Fz, F8 e T4 apontam uma diferença de ativação neural nos grupos em ambas as tarefas.
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