Associação entre eventos adversos e óbito neonatal: estudo de caso controle na Amazônia Ocidental Brasileira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sanson, Marina Cordeiro Gomes [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300001zpj2
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/74240
Resumo: Objetivo: Avaliar a associação entre eventos adversos e óbito neonatal em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) da região Amazônica. Método: Estudo retrospectivo do tipo caso-controle, realizado com recém-nascidos admitidos na UTIN do Hospital da Mulher e da Criança do Juruá entre 2020 e 2021. Considerou-se como casos recém-nascidos que evoluíram para óbito, e controles os que tiveram alta, mantendo-se relação de 1:2 entre casos e controles. Para a coleta dos dados foram utilizados dois instrumentos contendo características maternas, da assistência ao pré-natal e parto, neonatais, relacionadas ao óbito, e eventos adversos (EAs). A análise dos dados foi realizada de maneira descritiva e inferencial por meio dos testes t de Student, Mann-Whitney, qui-quadrado, Fisher e regressão logística, com nível de significância de 5%. O estudo foi conduzido de acordo com as normas éticas estabelecidas pela Resolução n° 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo. Resultados: Durante o período do estudo, ocorreram 59 óbitos na UTIN, com 30 casos analisáveis e 60 controles. Os recém-nascidos do grupo controle apresentaram médias do índice de Apgar no 1º (p=0,03) e 5º minuto (p=0,05) superiores aos dos casos. No modelo de regressão, melhores escores de Apgar no 1º e 5º minutos associaram-se a menor risco de óbito. O sexo masculino apresentou aumento de 3,29 vezes no risco de óbito em relação ao sexo feminino (p=0,02). A presença de anomalia congênita também aumentou em sete vezes as chances de óbito neonatal em comparação com bebês sem anomalias (p=0,019). Crianças que sofreram paradas cardiorrespiratória apresentaram risco 7,96 vezes maior de óbito (p=0,02), ademais a insuficiência renal também esteve associada ao aumento significativo do risco de óbito. Neonatos com taquicardia tiveram 9 vezes mais chances de óbito em comparação com os que não apresentaram taquicardia (<0,001). Distúrbios de termorregulação apresentaram associação significativa, mas como fator de proteção. Eventos da categoria H e eventos de dano grave tiveram associação significativa com o desfecho. Conclusão: Foi observado um percentual elevado de óbitos de recém-nascidos no contexto da terapia intensiva, principalmente quando associados à ocorrência de eventos adversos. Os resultados permitiram verificar os principais fatores de risco associados ao óbito neonatal e a relevância de uma assistência qualificada, especialmente em contextos de vulnerabilidade, como prematuridade e baixo peso ao nascer. A identificação precoce de eventos adversos e a melhoria na qualidade do cuidado neonatal são fundamentais para reduzir a mortalidade neonatal em ambientes de UTIN.
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A análise dos dados foi realizada de maneira descritiva e inferencial por meio dos testes t de Student, Mann-Whitney, qui-quadrado, Fisher e regressão logística, com nível de significância de 5%. O estudo foi conduzido de acordo com as normas éticas estabelecidas pela Resolução n° 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo. Resultados: Durante o período do estudo, ocorreram 59 óbitos na UTIN, com 30 casos analisáveis e 60 controles. Os recém-nascidos do grupo controle apresentaram médias do índice de Apgar no 1º (p=0,03) e 5º minuto (p=0,05) superiores aos dos casos. No modelo de regressão, melhores escores de Apgar no 1º e 5º minutos associaram-se a menor risco de óbito. O sexo masculino apresentou aumento de 3,29 vezes no risco de óbito em relação ao sexo feminino (p=0,02). A presença de anomalia congênita também aumentou em sete vezes as chances de óbito neonatal em comparação com bebês sem anomalias (p=0,019). Crianças que sofreram paradas cardiorrespiratória apresentaram risco 7,96 vezes maior de óbito (p=0,02), ademais a insuficiência renal também esteve associada ao aumento significativo do risco de óbito. Neonatos com taquicardia tiveram 9 vezes mais chances de óbito em comparação com os que não apresentaram taquicardia (<0,001). Distúrbios de termorregulação apresentaram associação significativa, mas como fator de proteção. Eventos da categoria H e eventos de dano grave tiveram associação significativa com o desfecho. Conclusão: Foi observado um percentual elevado de óbitos de recém-nascidos no contexto da terapia intensiva, principalmente quando associados à ocorrência de eventos adversos. Os resultados permitiram verificar os principais fatores de risco associados ao óbito neonatal e a relevância de uma assistência qualificada, especialmente em contextos de vulnerabilidade, como prematuridade e baixo peso ao nascer. A identificação precoce de eventos adversos e a melhoria na qualidade do cuidado neonatal são fundamentais para reduzir a mortalidade neonatal em ambientes de UTIN. Objective: To evaluate the association between adverse events and neonatal death in a Neonatal Intensive Care Unit (NICU) in the Amazon region.Method: A retrospective case-control study was conducted with newborns admitted to the NICU of the Hospital da Mulher e da Criança do Juruá between 2020 and 2021. The cases were newborns who died, and the controls were those who were discharged, with a 1:2 case-to-control ratio. Two instruments were used: one with maternal characteristics, prenatal and delivery care, neonatal characteristics, and cause of death, and another to identify adverse events (AEs). The analyses included frequency measures, group comparisons (Student’s t-test, Mann-Whitney, chi-square, and Fisher's test), and logistic regression to assess associations between death and other variables. The study was conducted according to the ethical standards established by Resolution No. 466/12 of the National Health Council, and was approved by the Research Ethics Committee of the Federal University of São Paulo .Results: During the study period, 59 deaths occurred in the NICU, with 30 analyzable cases and 60 controls. Newborns in the control group had higher mean Apgar scores at the 1st (p=0.03) and 5th (p=0.05) minutes compared to those in the case group. In the regression model, higher Apgar scores at the 1st and 5th minutes were associated with a lower risk of death. Male sex had a significant effect on the risk of death (p=0.02), with a 3.29-fold increase in the odds compared to females. The presence of congenital anomalies also increased the odds of neonatal death by seven times compared to infants without anomalies (p=0.019). Infants who experienced cardiopulmonary arrests had a 7.96-fold higher risk of death (p=0.02), while renal failure was also significantly associated with an increased risk of death. Neonates with tachycardia had nine times higher odds of death compared to those without tachycardia (<0.001). Thermoregulation disorders were significantly associated, but as a protective factor. Events in category H and severe damage events were significantly associated with the outcome. Conclusion: A high percentage of neonatal deaths were observed in the context of intensive care, particularly when associated with the occurrence of adverse events. The results highlighted the main risk factors associated with neonatal death and the importance of qualified care, especially in vulnerable contexts such as prematurity and low birth weight. Early identification of adverse events and improving the quality of neonatal care are essential to reduce neonatal mortality in NICU settings.Universidade Federal de São PauloKusahara, Denise Miyuki [UNIFESP]Avelar, Ariane Ferreira Machado [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/8919300907658980http://lattes.cnpq.br/2666393667209812http://lattes.cnpq.br/0769086483498554Sanson, Marina Cordeiro Gomes [UNIFESP]2025-06-18T17:40:15Z2025-06-18T17:40:15Z2025-04-28info:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion94 f.application/pdfSANSON, Marina Cordeiro Gomes. Associação entre eventos adversos e óbito neonatal: estudo de caso controle na Amazônia Ocidental Brasileira. 2025. 94 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, 2025.https://hdl.handle.net/11600/74240ark:/48912/001300001zpj2porSão Pauloinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESP2025-06-19T04:01:26Zoai:repositorio.unifesp.br:11600/74240Repositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-06-19T04:01:26Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false
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