Impacto do uso do monitor cardíaco nos procedimentos de reanimação em recém-nascidos que recebem ventilação com pressão positiva ao nascer

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Freire, Thalles de Souza [UNIFESP]
Orientador(a): Guinsburg, Ruth [UNIFESP]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300002f9nq
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/74213
Resumo: Objetivo: Determinar se o uso do monitor cardíaco nos recém-nascidos (RN) com indicação de ventilação com pressão positiva (VPP) ao nascer reduz a frequência e o tempo de início da intubação traqueal. Método: Coorte retrospectiva dos nascidos vivos no Hospital São Paulo sem anomalias congênitas, com peso ao nascer ≥400g e/ou idade gestacional (IG) ≥23 semanas que receberam VPP logo após o nascimento, entre 2014 e 2022. Os RN foram divididos segundo a IG <34 ou ≥34 semanas e, em cada um dos grupos, naqueles que usaram ou não o monitor cardíaco durante a reanimação ao nascer. As variáveis demográficas e clínicas maternas e neonatais, com ênfase nos procedimentos realizados na reanimação neonatal, foram extraídas dos prontuários médicos e do banco do “Sistema de Informação em Saúde Neonatal-SISNEO” do HSP e comparadas entre os RN que usaram ou não o monitor cardíaco para cada grupo de IG. Utilizou-se a regressão logística para verificar a associação do uso do monitor cardíaco com os desfechos de interesse, para cada grupo de IG. Resultados: De 2014 a 2022, dos 5622 nascidos vivos, 516 obedeceram aos critérios de inclusão e, destes, 292 (57%) não usaram o monitor cardíaco e 224 (43%) foram monitorizados. A partir de 2017, 94% dos RN ≥34 semanas e 100% dos <34 semanas com indicação de VPP foram submetidos à monitorização cardíaca. A frequência de intubação traqueal foi similar entre os grupos que usaram ou não o monitor cardíaco, com frequência de 27% e 25%, respectivamente. O mesmo ocorreu para as duas faixas de IG, comparando-se os que usaram ou não o monitor cardíaco: <34 semanas - 13% vs. 14%, p=0,750; ≥34 semanas - 43% vs. 43%, p=1,000. A VPP foi iniciada com 45±22 segundos nos RN ≥34 semanas com uso do monitor cardíaco vs. 34±13 segundos naqueles sem uso do equipamento. Nos <34 semanas, o início da VPP foi com 47±24 e 36±18 segundos, respectivamente no grupo com e sem uso do monitor cardíaco. O uso do monitor cardíaco aumentou em 2,45 vezes (IC95% 1,08-5,54) e em 2,72 vezes (IC95% 1,13-6,59), respectivamente para os RN ≥34 e <34 semanas, a chance de início da VPP com máscara facial ≥60 segundos, ajustando-se para tempo de clampeamento do cordão umbilical, ano do nascimento e peso ao nascer. Não houve mudança na frequência e tempo de início da massagem cardíaca, uso de adrenalina, admissão na UTI, síndrome de escape de ar e óbito hospitalar. Conclusão: Houve adesão ampla ao uso do monitor cardíaco em RN que recebem a VPP ao nascer na instituição do estudo. O seu uso não reduziu a necessidade de intubação traqueal nos pacientes analisados e esteve associado a um início mais tardio da VPP com máscara facial, sem impacto significativo em outros desfechos clínicos.
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As variáveis demográficas e clínicas maternas e neonatais, com ênfase nos procedimentos realizados na reanimação neonatal, foram extraídas dos prontuários médicos e do banco do “Sistema de Informação em Saúde Neonatal-SISNEO” do HSP e comparadas entre os RN que usaram ou não o monitor cardíaco para cada grupo de IG. Utilizou-se a regressão logística para verificar a associação do uso do monitor cardíaco com os desfechos de interesse, para cada grupo de IG. Resultados: De 2014 a 2022, dos 5622 nascidos vivos, 516 obedeceram aos critérios de inclusão e, destes, 292 (57%) não usaram o monitor cardíaco e 224 (43%) foram monitorizados. A partir de 2017, 94% dos RN ≥34 semanas e 100% dos <34 semanas com indicação de VPP foram submetidos à monitorização cardíaca. A frequência de intubação traqueal foi similar entre os grupos que usaram ou não o monitor cardíaco, com frequência de 27% e 25%, respectivamente. O mesmo ocorreu para as duas faixas de IG, comparando-se os que usaram ou não o monitor cardíaco: <34 semanas - 13% vs. 14%, p=0,750; ≥34 semanas - 43% vs. 43%, p=1,000. A VPP foi iniciada com 45±22 segundos nos RN ≥34 semanas com uso do monitor cardíaco vs. 34±13 segundos naqueles sem uso do equipamento. Nos <34 semanas, o início da VPP foi com 47±24 e 36±18 segundos, respectivamente no grupo com e sem uso do monitor cardíaco. O uso do monitor cardíaco aumentou em 2,45 vezes (IC95% 1,08-5,54) e em 2,72 vezes (IC95% 1,13-6,59), respectivamente para os RN ≥34 e <34 semanas, a chance de início da VPP com máscara facial ≥60 segundos, ajustando-se para tempo de clampeamento do cordão umbilical, ano do nascimento e peso ao nascer. Não houve mudança na frequência e tempo de início da massagem cardíaca, uso de adrenalina, admissão na UTI, síndrome de escape de ar e óbito hospitalar. Conclusão: Houve adesão ampla ao uso do monitor cardíaco em RN que recebem a VPP ao nascer na instituição do estudo. O seu uso não reduziu a necessidade de intubação traqueal nos pacientes analisados e esteve associado a um início mais tardio da VPP com máscara facial, sem impacto significativo em outros desfechos clínicos. Objective: To determine whether the use of cardiac monitoring in newborns (NB) requiring positive pressure ventilation (PPV) at birth reduces the frequency and timing of tracheal intubation. Methods: Retrospective cohort study of live births at Hospital São Paulo between 2014 and 2022, without congenital anomalies, with birth weight ≥400g and/or gestational age (GA) ≥23 weeks, who received PPV immediately after birth. NB were stratified by GA (<34 or ≥34 weeks) and by use or non-use of cardiac monitoring during delivery room resuscitation. Maternal and neonatal demographic and clinical data, particularly related to delivery room interventions, were extracted from medical records and from “SISNEO”, a neonatal health information system database unique to live births of the study hospital. Variables were compared between monitored and non-monitored infants within each GA group. Logistic regression was used to assess the association between cardiac monitoring and studied outcomes, adjusted for potential confounders. Results: Of 5,622 live births, 516 met inclusion criteria: 292 (57%) were not monitored and 224 (43%) received cardiac monitoring. From 2017 onwards, 94% of infants ≥34 weeks and 100% of those <34 weeks receiving PPV via face mask were monitored. The frequency of tracheal intubation was similar between monitored and non-monitored groups (27% vs. 25%, respectively), with no differences by GA (<34 weeks: 13% vs. 14%, p=0.750; ≥34 weeks: 43% vs. 43%, p=1.000). Among infants ≥34 weeks, PPV was initiated at 45±22 seconds with monitoring vs. 34±13 seconds without monitoring. In <34-week infants, PPV started at 47±24 seconds with monitoring vs. 36±18 seconds without. Cardiac monitoring was associated with a 2.45-fold (95% CI: 1.08–5.54) and 2.72-fold (95% CI: 1.13–6.59) increased odds, respectively for ≥34 and <34-week groups, of initiating PPV at ≥60 seconds. No differences were observed in frequency or timing of chest compressions, adrenaline use, NICU admission, air leak syndrome, or in-hospital mortality. Conclusion: There was widespread adoption of cardiac monitoring in newborns receiving PPV at birth in the study institution. However, its use did not reduce the need for tracheal intubation and was associated with delayed initiation of PPV, without significant impact on other clinical outcomes.ruth.guinsburg@gmail.com105 f.FREIRE, Thalles de Souza. Impacto do uso do monitor cardíaco nos procedimentos de reanimação em recém-nascidos que recebem ventilação com pressão positiva ao nascer. 2025. 105 f. Dissertação (Mestrado em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2025.https://hdl.handle.net/11600/74213ark:/48912/001300002f9nqporUniversidade Federal de São Pauloinfo:eu-repo/semantics/openAccessRecém-nascidoFrequência cardíacaReanimação cardiopulmonarIntubaçãoImpacto do uso do monitor cardíaco nos procedimentos de reanimação em recém-nascidos que recebem ventilação com pressão positiva ao nascerImpact of the use of a cardiac monitor on resuscitation procedures in newborns receiving positive pressure ventilation at birthinfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPEscola Paulista de Medicina (EPM)Pediatria e Ciências Aplicadas à PediatriaORIGINALDissertação_Thalles de Souza Freire.pdfDissertação_Thalles de Souza 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description Objetivo: Determinar se o uso do monitor cardíaco nos recém-nascidos (RN) com indicação de ventilação com pressão positiva (VPP) ao nascer reduz a frequência e o tempo de início da intubação traqueal. Método: Coorte retrospectiva dos nascidos vivos no Hospital São Paulo sem anomalias congênitas, com peso ao nascer ≥400g e/ou idade gestacional (IG) ≥23 semanas que receberam VPP logo após o nascimento, entre 2014 e 2022. Os RN foram divididos segundo a IG <34 ou ≥34 semanas e, em cada um dos grupos, naqueles que usaram ou não o monitor cardíaco durante a reanimação ao nascer. As variáveis demográficas e clínicas maternas e neonatais, com ênfase nos procedimentos realizados na reanimação neonatal, foram extraídas dos prontuários médicos e do banco do “Sistema de Informação em Saúde Neonatal-SISNEO” do HSP e comparadas entre os RN que usaram ou não o monitor cardíaco para cada grupo de IG. Utilizou-se a regressão logística para verificar a associação do uso do monitor cardíaco com os desfechos de interesse, para cada grupo de IG. Resultados: De 2014 a 2022, dos 5622 nascidos vivos, 516 obedeceram aos critérios de inclusão e, destes, 292 (57%) não usaram o monitor cardíaco e 224 (43%) foram monitorizados. A partir de 2017, 94% dos RN ≥34 semanas e 100% dos <34 semanas com indicação de VPP foram submetidos à monitorização cardíaca. A frequência de intubação traqueal foi similar entre os grupos que usaram ou não o monitor cardíaco, com frequência de 27% e 25%, respectivamente. O mesmo ocorreu para as duas faixas de IG, comparando-se os que usaram ou não o monitor cardíaco: <34 semanas - 13% vs. 14%, p=0,750; ≥34 semanas - 43% vs. 43%, p=1,000. A VPP foi iniciada com 45±22 segundos nos RN ≥34 semanas com uso do monitor cardíaco vs. 34±13 segundos naqueles sem uso do equipamento. Nos <34 semanas, o início da VPP foi com 47±24 e 36±18 segundos, respectivamente no grupo com e sem uso do monitor cardíaco. O uso do monitor cardíaco aumentou em 2,45 vezes (IC95% 1,08-5,54) e em 2,72 vezes (IC95% 1,13-6,59), respectivamente para os RN ≥34 e <34 semanas, a chance de início da VPP com máscara facial ≥60 segundos, ajustando-se para tempo de clampeamento do cordão umbilical, ano do nascimento e peso ao nascer. Não houve mudança na frequência e tempo de início da massagem cardíaca, uso de adrenalina, admissão na UTI, síndrome de escape de ar e óbito hospitalar. Conclusão: Houve adesão ampla ao uso do monitor cardíaco em RN que recebem a VPP ao nascer na instituição do estudo. O seu uso não reduziu a necessidade de intubação traqueal nos pacientes analisados e esteve associado a um início mais tardio da VPP com máscara facial, sem impacto significativo em outros desfechos clínicos.
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