A emergência de prefixos na produção de crianças durante a aquisição de Português brasileiro
| Ano de defesa: | 2020 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
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Resumo: | Este trabalho apresenta um estudo acerca da emergência dos prefixos a-, eN- e deS- na produção de crianças falantes do português brasileiro. A seleção dos prefixos em estudo teve como critério a representatividade nas produções infantis. A busca pelos dados prefixados foi realizada por meio do programa AntConc dentro de dois corpora. O Corpus A contém 160 sessões de gravação de produções espontâneas e cobre a faixa etária de 3 a 5 anos de idade; o Corpus B possui 101 sessões de gravação de produções eliciadas e compreende a faixa etária de 5 a 9 anos de idade. Após as buscas, encontramos 618 tokens prefixados na produção infantil do corpus A e 1547 na produção adulta; na produção infantil do corpus B, encontramos 186 tokens. Os dados encontrados foram catalogados a partir das seguintes características: composicionalidade semântica da forma, contribuição semântica da raiz e posição dos prefixos em relação à raiz. No geral, com base nos pressupostos da Morfologia Distribuída, os prefixos a- e eN- ocupam uma posição interna em relação à raiz da palavra, enquanto o deS- costuma ocupar uma posição externa. Os objetivos específicos deste trabalho são: a) examinar a emergência dos prefixos na produção das crianças considerando as características citadas acima; b) verificar, nos dados do corpus A, se a criança produz, para cada forma composicional prefixada, a mesma forma sem o prefixo, como indício de que ela está de fato segmentando a palavra; c) comparar, no corpus A, a emergência das formas prefixadas nas produções infantis com a frequência recebida pelo input; d) observar que tipo de produção prefixada, presente no adulto, falta na criança; e) comparar os dados do corpus A com os dados do corpus B, a fim de observar as possíveis diferenças entre as formas produzidas por crianças mais novas e por crianças mais velhas; e f) a partir dos achados, discutir em que medida a distinção entre morfologia interna e morfologia externa se mostra relevante na produção infantil. Com base na análise dos dados, chegamos, resumidamente, aos seguintes resultados: a) no geral, o primeiro prefixo a aparecer é o a-, em formas sem composicionalidade semântica e muito frequentes; b) 53% das formas com composicionalidade semântica apresentam presença prévia da forma sem o prefixo; isto é, são possivelmente analisáveis; c) a maioria das formas que surgem na primeira faixa etária são frequentes ou muito frequentes na fala adulta. Nas faixas seguintes, aumenta a presença de formas pouco frequentes; d) a maioria das produções que faltam nas crianças são aquelas com baixa frequência no input; e) as características presentes nos dados das crianças mais velhas não evidenciam uma maior complexidade em comparação com a produção das crianças mais novas; e, por fim, f) a distinção entre morfologia interna e externa se mostra relevante na produção infantil na medida em que a primeira é mais expressiva nas faixas etárias inicias e a segunda surge em maior número com o avanço da idade. |
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MestradoAssine, Julia Svazati [UNIFESP]Universidade Federal de São PauloBassani, Indaia De Santana [UNIFESP]2022-07-25T13:36:48Z2022-07-25T13:36:48Z2020-02-20Este trabalho apresenta um estudo acerca da emergência dos prefixos a-, eN- e deS- na produção de crianças falantes do português brasileiro. A seleção dos prefixos em estudo teve como critério a representatividade nas produções infantis. A busca pelos dados prefixados foi realizada por meio do programa AntConc dentro de dois corpora. O Corpus A contém 160 sessões de gravação de produções espontâneas e cobre a faixa etária de 3 a 5 anos de idade; o Corpus B possui 101 sessões de gravação de produções eliciadas e compreende a faixa etária de 5 a 9 anos de idade. Após as buscas, encontramos 618 tokens prefixados na produção infantil do corpus A e 1547 na produção adulta; na produção infantil do corpus B, encontramos 186 tokens. Os dados encontrados foram catalogados a partir das seguintes características: composicionalidade semântica da forma, contribuição semântica da raiz e posição dos prefixos em relação à raiz. No geral, com base nos pressupostos da Morfologia Distribuída, os prefixos a- e eN- ocupam uma posição interna em relação à raiz da palavra, enquanto o deS- costuma ocupar uma posição externa. Os objetivos específicos deste trabalho são: a) examinar a emergência dos prefixos na produção das crianças considerando as características citadas acima; b) verificar, nos dados do corpus A, se a criança produz, para cada forma composicional prefixada, a mesma forma sem o prefixo, como indício de que ela está de fato segmentando a palavra; c) comparar, no corpus A, a emergência das formas prefixadas nas produções infantis com a frequência recebida pelo input; d) observar que tipo de produção prefixada, presente no adulto, falta na criança; e) comparar os dados do corpus A com os dados do corpus B, a fim de observar as possíveis diferenças entre as formas produzidas por crianças mais novas e por crianças mais velhas; e f) a partir dos achados, discutir em que medida a distinção entre morfologia interna e morfologia externa se mostra relevante na produção infantil. Com base na análise dos dados, chegamos, resumidamente, aos seguintes resultados: a) no geral, o primeiro prefixo a aparecer é o a-, em formas sem composicionalidade semântica e muito frequentes; b) 53% das formas com composicionalidade semântica apresentam presença prévia da forma sem o prefixo; isto é, são possivelmente analisáveis; c) a maioria das formas que surgem na primeira faixa etária são frequentes ou muito frequentes na fala adulta. Nas faixas seguintes, aumenta a presença de formas pouco frequentes; d) a maioria das produções que faltam nas crianças são aquelas com baixa frequência no input; e) as características presentes nos dados das crianças mais velhas não evidenciam uma maior complexidade em comparação com a produção das crianças mais novas; e, por fim, f) a distinção entre morfologia interna e externa se mostra relevante na produção infantil na medida em que a primeira é mais expressiva nas faixas etárias inicias e a segunda surge em maior número com o avanço da idade.This paper presents a study on the emergence of prefixes a-, eN- and deS- in the speech of Brazilian Portuguese speakers children. The prefixes under study were selected based on representativeness in children's speech. The data searches were performed using the AntConc program within two corpora. Corpus A contains 160 transcriptions of spontaneous productions and covers the age range of 3 to 5 years old; corpus B has 101 transcriptions of elicited productions and covers the age range of 5 to 9 years old. After searching, we found 618 tokens in children’s speech of Corpus A, and 1547 tokens in adult’s speech. In children’s speech of corpus B, we found 186 tokens. The data found were classified according to the following characteristics: semantic compositionality, semantic contribution and prefixes’ position in relation to the root. In general, based on the assumptions of Distributed Morphology, the prefixes a- and eN- are considered as inner prefixes and the prefix deS- is considered as an outer prefix. Our specific purposes are as follows: a) to examine the emergence of prefixes in children’s speech considering the characteristics mentioned above; b) to verify, in corpus A data, if the child produces, for each compositional form with prefix, the same form without the prefix, as an indication that he/she is in fact analyzing the word; c) to compare, in corpus A, the emergence of forms with prefix in children's speech with the frequency received by the input; d) to observe what type of production, present in the adult’s speech, lacks in the child’s speech; e) to compare the data from corpus A with the data from corpus B in order to observe the possible differences between the forms produced by younger and older children; and f) based on the findings, to discuss to what extent the distinction between inner and outer morphology is relevant in child’s speech. The data analysis led us to the following conclusions: a) in general, the first prefix to appear is the prefix a-; it appears in very frequent forms without semantic compositionality; b) 53% of the forms with semantic compositionality have a previous presence of the equivalent form without the prefix; it means that these 53% are possibly analyzable; c) most forms that appear in the first age group are frequent or very frequent in the adult’s speech. In the following age groups, the presence of infrequent forms increases; d) most of the forms that are lacking in children’s speech are those with low frequency in the input; e) the characteristics present in the older children‘s data do not show greater complexity compared to the younger children’s output; and, lastly, f) the distinction between inner and outer morphology is relevant in child’s speech as the former is more expressive in the early age groups and the latter appears in greater numbers with advancing age.Dados abertos - Sucupira - Teses e dissertações (2020)110 p.https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=10809825JULIA SVAZATI ASSINE.pdfhttps://hdl.handle.net/11600/64877ark:/48912/001300002jz72porUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessMorfologiaPrefixosAquisiçãoPortuguês BrasileiroMorphologyPrefixesAcquisitionBrazilian PortugueseA emergência de prefixos na produção de crianças durante a aquisição de Português brasileiroinfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPGuarulhos, Escola de Filosofia, Letras e Ciências HumanasLetrasEstudos LinguísticosLinguagem E CogniçãoORIGINALJULIA SVAZATI ASSINE.pdfJULIA SVAZATI ASSINE.pdfapplication/pdf1758450https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/5359630f-b1be-4776-bb49-1473e0df6302/downloaddbcae9251bcc3a916a4a7de091e285a9MD51TEXTJULIA SVAZATI ASSINE.pdf.txtJULIA SVAZATI ASSINE.pdf.txtExtracted texttext/plain103002https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/91d31049-5e98-4be9-aee1-cecb72302f69/download0f889b681380094ee9f17ccfe3d645f1MD510THUMBNAILJULIA SVAZATI ASSINE.pdf.jpgJULIA SVAZATI ASSINE.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg2525https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/9d8a2c70-4300-4975-a2b9-6c3ff19d161d/downloadca41ac0c3f19431d64c46f94a16c4ef9MD51111600/648772024-07-27 04:12:11.38oai:repositorio.unifesp.br:11600/64877https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652024-07-27T04:12:11Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false |
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Este trabalho apresenta um estudo acerca da emergência dos prefixos a-, eN- e deS- na produção de crianças falantes do português brasileiro. A seleção dos prefixos em estudo teve como critério a representatividade nas produções infantis. A busca pelos dados prefixados foi realizada por meio do programa AntConc dentro de dois corpora. O Corpus A contém 160 sessões de gravação de produções espontâneas e cobre a faixa etária de 3 a 5 anos de idade; o Corpus B possui 101 sessões de gravação de produções eliciadas e compreende a faixa etária de 5 a 9 anos de idade. Após as buscas, encontramos 618 tokens prefixados na produção infantil do corpus A e 1547 na produção adulta; na produção infantil do corpus B, encontramos 186 tokens. Os dados encontrados foram catalogados a partir das seguintes características: composicionalidade semântica da forma, contribuição semântica da raiz e posição dos prefixos em relação à raiz. No geral, com base nos pressupostos da Morfologia Distribuída, os prefixos a- e eN- ocupam uma posição interna em relação à raiz da palavra, enquanto o deS- costuma ocupar uma posição externa. Os objetivos específicos deste trabalho são: a) examinar a emergência dos prefixos na produção das crianças considerando as características citadas acima; b) verificar, nos dados do corpus A, se a criança produz, para cada forma composicional prefixada, a mesma forma sem o prefixo, como indício de que ela está de fato segmentando a palavra; c) comparar, no corpus A, a emergência das formas prefixadas nas produções infantis com a frequência recebida pelo input; d) observar que tipo de produção prefixada, presente no adulto, falta na criança; e) comparar os dados do corpus A com os dados do corpus B, a fim de observar as possíveis diferenças entre as formas produzidas por crianças mais novas e por crianças mais velhas; e f) a partir dos achados, discutir em que medida a distinção entre morfologia interna e morfologia externa se mostra relevante na produção infantil. Com base na análise dos dados, chegamos, resumidamente, aos seguintes resultados: a) no geral, o primeiro prefixo a aparecer é o a-, em formas sem composicionalidade semântica e muito frequentes; b) 53% das formas com composicionalidade semântica apresentam presença prévia da forma sem o prefixo; isto é, são possivelmente analisáveis; c) a maioria das formas que surgem na primeira faixa etária são frequentes ou muito frequentes na fala adulta. Nas faixas seguintes, aumenta a presença de formas pouco frequentes; d) a maioria das produções que faltam nas crianças são aquelas com baixa frequência no input; e) as características presentes nos dados das crianças mais velhas não evidenciam uma maior complexidade em comparação com a produção das crianças mais novas; e, por fim, f) a distinção entre morfologia interna e externa se mostra relevante na produção infantil na medida em que a primeira é mais expressiva nas faixas etárias inicias e a segunda surge em maior número com o avanço da idade. |
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