A autofagia e a senescência celular na hiperplasia prostática benigna em camundongos obesos tratados cronicamente com trealose

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Fernandes, Cicera Madri Alves de Souza [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/001300002w3bs
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/75113
Resumo: O crescimento anormal da glândula prostática, devidamente denominado de hiperplasia prostática benigna (HPB), é caracterizado pelo aumento físico da próstata e pela hipercontratilidade da musculatura lisa desse órgão. Tais características tratam-se, respectivamente, dos componentes estático e dinâmico da HPB, sendo capazes de promover a obstrução parcial da uretra e consequentemente induzir os sintomas do trato urinário inferior (STUI). Embora a fisiopatologia da HPB seja ainda desconhecida, a literatura demonstra que patologias como a obesidade estão intimamente associadas à gênese e progressão desta condição. Especificamente em relação às vias alteradas na HPB, trabalhos vêm demonstrando, de forma independente, que prejuízos na autofagia e o acúmulo de células senescentes têm papel chave indução da HPB. Entretanto, pouco se sabe da participação destas vias na HPB em condições de obesidade. Com isso, o objetivo desse estudo foi avaliar o papel da autofagia e do acúmulo de células senescente na gênese da HPB induzida pela obesidade. Para isso, ao longo de 12 semanas, camundongos C57bl/6 machos com 4 semanas de idade foram alimentados com dieta hiperlipídica para indução da HPB e a partir da 8° semana foram paralelamente tratados com o indutor de autofagia trealose (120 mg/camundongo/dia, gavagem, por 4 semanas). Ao final da 12° semana do protocolo de indução de obesidade, o peso corpóreo, prostático e das gorduras epididimal, inguinal e periprostática foram avaliadas em camundongos controle (CTRL) e obesos (OB) tratados ou não com trealose. Realizamos também ensaios funcionais, histológicos e bioquímicos nos quatro grupos citados acima. Nossos resultados mostraram que os animais OB, comparados ao grupo CTRL, apresentaram maior ganho de peso corpóreo (45,7 ± 1,35 g vs 30,65 ± 0,67 g, n=7, p<0,05, respectivamente) e hiperglicemia de jejum (182,7 ± 15,7 mg/dL vs 113,2 ± 5,4 mg/dL; n=6). Similarmente, foi observado aumentos no peso prostático absoluto (21,6 ± 0,98 mg vs 12,6 ± 0,58 mg, n=7, p<0,001), relativo (9,6 ± 0,6 mg/cm vs 7,1 ± 0,4 mg/cm; n=6), no peso hepático (2,3 g ± 0,1 g vs 1,42 g ± 0,10 g; n=6)e nos depósitos de gorduras periprostática (64,3 ± 6,14 mg vs 4,95 ± 1,11 mg, n=7, p<0,01), epididimal (1,82 ± 0,18 g vs 0,4 ± 0,03 g; n=6-8) e inguinal (0,91 ± 0,17 g vs 0,15 g ± 0,03 g; n=6-8). Apesar da trealose ter reduzido os pesos corpóreo (42,3 ± 0,92 g, n=7, p<0,05), prostático absoluto (17,3 ± 1,06 mg, n=7, p<0,001), prostático relativo (9,6 ± 0,6 mg/cm; n=7, p<0,05) e das gorduras periprostática (40,4 ± 3,1 mg, n=8, p<0,001) e inguinal (0,56 ± 0,07 g; n=7,) nos animais obesos tratados (OB+T), em comparação ao grupo OB, o tratamento não reverteu a hipercontratilidade da musculatura lisa prostática (MLP) induzida pelo agonista alfa1 adrenérgico seletivo fenilefrina (OB+T 5,08 ± 0,43 mN, n=7, p<0,01 vs OB 4,7 ± 2,59 mN, n=7, p<0,01), ao agente despolarizante cloreto de potássio (3,35 ± 0,23 mN vs 3,59 ± 0,31 mN; n=7) e nem o prejuízo no relaxamento da MLP induzida pelo agonista β-adrenérgico não seletivo isoproterenol (37,33 ± 3,03 mN vs 41,00 ± 1,55 mN; n=7) no grupo obeso. Por outro lado, os ensaios histológicos (técnica de estereologia) demonstratam desenvolvimento de HPB no grupo obeso, caracterizado principalmente pelo aumento da camada epitelial e das invaginações em comparação ao grupo controle (OB 29 ± 0,9 % vs CTRL 14,5 ± 1,47 %, n=7, p<0,01); condição esta que foi completamente revertida pelo tratamento crônico com trealose (OB+T: 17 ± 0,69 %, n=7, p<0,01). O tratamento com a trealose também se mostrou eficaz na redução dos níveis das espécies reativas de oxigênio (ERO) (912,4 ± 8,8 nº de pixels/ µm2; n=6, p<0,05) e no número de células senescentes no tecido prostático (0,25 ± 0,03 % de núcleos marcados/campo microscópico; n=6, p<0,05) do grupo OB+T em comparação ao grupo OB. Em suma, embora a trealose não tenha reduzido a hipercontratilidade prostática no grupo obeso, o tratamento com este fármaco se mostrou eficaz em reduzir os pesos corpóreo, prostático (absoluto e relativo) e das gorduras periprostática e inguinal em camundongos obesos tratados por 4 semanas. Mais do que isso, a trealose foi capaz de reduzir a camada epitelial e suas invaginações, sugerindo reversão no componente estático da HPB em camundongos obesos, assim como restaurar os níveis prostáticos de ERO e reduzir o número de células senescentes no grupo OB+T. Dessa forma, a trealose mostrou-se uma interessante alternativa terapêutica no tratamento do componente estático da HPB em camundongos obesos. Entretanto, mais estudos são necessários para comprovar a eficácia clínica deste fármaco.
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spelling A autofagia e a senescência celular na hiperplasia prostática benigna em camundongos obesos tratados cronicamente com trealoseAutophagy and cellular senescence in benign prostatic hyperplasia in obese mice chronically treated with trehaloseHiperplasia prostática benignaObesidadeAutofagiaSenescência celularTrealosePróstataTrato urogenital3. Saúde e bem-estarO crescimento anormal da glândula prostática, devidamente denominado de hiperplasia prostática benigna (HPB), é caracterizado pelo aumento físico da próstata e pela hipercontratilidade da musculatura lisa desse órgão. Tais características tratam-se, respectivamente, dos componentes estático e dinâmico da HPB, sendo capazes de promover a obstrução parcial da uretra e consequentemente induzir os sintomas do trato urinário inferior (STUI). Embora a fisiopatologia da HPB seja ainda desconhecida, a literatura demonstra que patologias como a obesidade estão intimamente associadas à gênese e progressão desta condição. Especificamente em relação às vias alteradas na HPB, trabalhos vêm demonstrando, de forma independente, que prejuízos na autofagia e o acúmulo de células senescentes têm papel chave indução da HPB. Entretanto, pouco se sabe da participação destas vias na HPB em condições de obesidade. Com isso, o objetivo desse estudo foi avaliar o papel da autofagia e do acúmulo de células senescente na gênese da HPB induzida pela obesidade. Para isso, ao longo de 12 semanas, camundongos C57bl/6 machos com 4 semanas de idade foram alimentados com dieta hiperlipídica para indução da HPB e a partir da 8° semana foram paralelamente tratados com o indutor de autofagia trealose (120 mg/camundongo/dia, gavagem, por 4 semanas). Ao final da 12° semana do protocolo de indução de obesidade, o peso corpóreo, prostático e das gorduras epididimal, inguinal e periprostática foram avaliadas em camundongos controle (CTRL) e obesos (OB) tratados ou não com trealose. Realizamos também ensaios funcionais, histológicos e bioquímicos nos quatro grupos citados acima. Nossos resultados mostraram que os animais OB, comparados ao grupo CTRL, apresentaram maior ganho de peso corpóreo (45,7 ± 1,35 g vs 30,65 ± 0,67 g, n=7, p<0,05, respectivamente) e hiperglicemia de jejum (182,7 ± 15,7 mg/dL vs 113,2 ± 5,4 mg/dL; n=6). Similarmente, foi observado aumentos no peso prostático absoluto (21,6 ± 0,98 mg vs 12,6 ± 0,58 mg, n=7, p<0,001), relativo (9,6 ± 0,6 mg/cm vs 7,1 ± 0,4 mg/cm; n=6), no peso hepático (2,3 g ± 0,1 g vs 1,42 g ± 0,10 g; n=6)e nos depósitos de gorduras periprostática (64,3 ± 6,14 mg vs 4,95 ± 1,11 mg, n=7, p<0,01), epididimal (1,82 ± 0,18 g vs 0,4 ± 0,03 g; n=6-8) e inguinal (0,91 ± 0,17 g vs 0,15 g ± 0,03 g; n=6-8). Apesar da trealose ter reduzido os pesos corpóreo (42,3 ± 0,92 g, n=7, p<0,05), prostático absoluto (17,3 ± 1,06 mg, n=7, p<0,001), prostático relativo (9,6 ± 0,6 mg/cm; n=7, p<0,05) e das gorduras periprostática (40,4 ± 3,1 mg, n=8, p<0,001) e inguinal (0,56 ± 0,07 g; n=7,) nos animais obesos tratados (OB+T), em comparação ao grupo OB, o tratamento não reverteu a hipercontratilidade da musculatura lisa prostática (MLP) induzida pelo agonista alfa1 adrenérgico seletivo fenilefrina (OB+T 5,08 ± 0,43 mN, n=7, p<0,01 vs OB 4,7 ± 2,59 mN, n=7, p<0,01), ao agente despolarizante cloreto de potássio (3,35 ± 0,23 mN vs 3,59 ± 0,31 mN; n=7) e nem o prejuízo no relaxamento da MLP induzida pelo agonista β-adrenérgico não seletivo isoproterenol (37,33 ± 3,03 mN vs 41,00 ± 1,55 mN; n=7) no grupo obeso. Por outro lado, os ensaios histológicos (técnica de estereologia) demonstratam desenvolvimento de HPB no grupo obeso, caracterizado principalmente pelo aumento da camada epitelial e das invaginações em comparação ao grupo controle (OB 29 ± 0,9 % vs CTRL 14,5 ± 1,47 %, n=7, p<0,01); condição esta que foi completamente revertida pelo tratamento crônico com trealose (OB+T: 17 ± 0,69 %, n=7, p<0,01). O tratamento com a trealose também se mostrou eficaz na redução dos níveis das espécies reativas de oxigênio (ERO) (912,4 ± 8,8 nº de pixels/ µm2; n=6, p<0,05) e no número de células senescentes no tecido prostático (0,25 ± 0,03 % de núcleos marcados/campo microscópico; n=6, p<0,05) do grupo OB+T em comparação ao grupo OB. Em suma, embora a trealose não tenha reduzido a hipercontratilidade prostática no grupo obeso, o tratamento com este fármaco se mostrou eficaz em reduzir os pesos corpóreo, prostático (absoluto e relativo) e das gorduras periprostática e inguinal em camundongos obesos tratados por 4 semanas. Mais do que isso, a trealose foi capaz de reduzir a camada epitelial e suas invaginações, sugerindo reversão no componente estático da HPB em camundongos obesos, assim como restaurar os níveis prostáticos de ERO e reduzir o número de células senescentes no grupo OB+T. Dessa forma, a trealose mostrou-se uma interessante alternativa terapêutica no tratamento do componente estático da HPB em camundongos obesos. Entretanto, mais estudos são necessários para comprovar a eficácia clínica deste fármaco. The enlargement of the prostate gland, also referred to as benign prostatic hyperplasia (BPH), is characterized by increased prostate size and prostatic smooth muscle (PSM) hypercontractility. Both features are, respectively, denominated the static and dynamic components of BPH and are capable of promoting partial urethral obstruction and consequently lower urinary tract symptoms (LUTS). Although the pathophysiology of BPH is still unknown, the literature demonstrates that conditions such as obesity are closely associated with the genesis/progression of BPH. Studies have independently demonstrated that impaired autophagy and senescent cells accumulation are key features in BPH pathophysiology. However, little is known about these pathways in obesity-induced BPH. Therefore, the aim of this study was to evaluate the role of autophagy and the senescent cells accumulation in the genesis of BPH in conditions of obesity. For this, over 12 weeks, 4-week-old male C57bl/6 mice were fed a high-fat diet (HFD) to induce BPH and treated, from the 8-12th week with the autophagy inducer trehalose (120 mg/mouse/day, gavage, for 4 weeks). After twelve weeks of obesity protocol, we evaluated body, prostate, epididymal, inguinal and periprostatic fat weights in control and obese mice treated or not with trehalose. We also performed functional, histological and biochemical assays. The results indicated that obese animals (OB), compared to the control group (CTRL), exhibited increased body weight (45.7 ± 1.35 g vs 30.65 ± 0.67 g, n=7, p<0. 05, respectively) and fasting glucose levels (182,7 ± 15,7 mg/dL vs 113,2 ± 5,4 mg/dL; n=6). Similarly, increases were observed in absolute (21.6 ± 0.98 mg vs 12.6 ± 0.58 mg, n=7, p<0.001) and relative prostatic weights (9,6 ± 0,6 mg/cm vs 7,1 ± 0,4 mg/cm; n=6), hepatic weight (2,3 g ± 0,1 g vs 1,42 g ± 0,10 g), and in periprostatic (64.3 ± 6.14 mg vs 4.95 ± 1.11 mg, n=7, p<0.01), epididymal (1,82 ± 0,18 g vs 0,4 ± 0,03 g; n=6-8) and inguinal (0,91 ± 0,17 g vs 0,15 g ± 0,03 g; n=6-8) fat depots. Although trehalose reduced body weight (42.3 ± 0.92 g, n=7, p<0.05), absolute (17.3 ± 1.06 mg, n=7, p<0.001) and relative prostatic weights (9,6 ± 0,6 mg/cm; n=6), and periprostatic (40.4 ± 3.1 mg, n=8, p<0.001) and inguinal (0,56 ± 0,07 g; n=8) fat depots in trehalose-treated obese animals (OB+T) compared to the OB group, the treatment was not capable of reversing prostate smooth muscle (PSM) hypercontractility induced by the selective alpha1 adrenergic agonist phenylephrine (OB+T 5.08 ± 0.43 mN, n=7, p<0.01 vs OB 4.7 ± 2.59 mN, n=7, p<0.01), by the depolarizing agent potassium chloride (3,35 ± 0,23 vs 3,59 ± 0,31 mN; n=7), nor the impaired relaxation of PSM induced by the non-selective β-adrenergic agonist isoproterenol (41,00 ± 1,55 mN vs 37,33 ± 3,03 mN, n=7) in the obese group. On the other hand, histological assays (stereology technique) demonstrated the development of BPH in the obese group, mainly characterized by an increase in the epithelial layer and invaginations compared to the control group (OB 29 ± 0.9 % vs CTRL 14.5 ± 1.47 %, n=7, p<0.01); a condition that was completely reversed by chronic treatment with trehalose (OB+T: 17 ± 0.69 %, n=7, p<0.01). Trehalose treatment also reduced the levels of reactive oxygen species (ROS) (912.4 ± 8.8 number of pixels/μm²; n=6, p<0.05) and the number of senescent cells in the prostatic tissue (0.25 ± 0.03 % of labeled nuclei/microscopic field; n=6, p<0.05) of the OB+T group compared to the OB group. In summary, although trehalose did not reduce prostatic hypercontractility in the obese group, treatment with this drug proved effective in reducing body weight, prostatic weight (absolute and relative), and periprostatic and inguinal fat in obese mice treated for 4 weeks. Moreover, trehalose was able to reduce the epithelial layer and its invaginations, suggesting a reversal in the static component of BPH in obese mice, as well as restore prostatic ROS levels and reduce the number of senescent cells in the OB+T group. Thus, trehalose proved to be an interesting therapeutic alternative in the treatment of the static component of BPH in obese mice. However, further studies are needed to confirm the clinical efficacy of this drug.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)FAPESP - 2019/09912-9Universidade Federal de São PauloCalmasini, Fabiano Beraldi [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/6029260669538758http://lattes.cnpq.br/9022066237107337Fernandes, Cicera Madri Alves de Souza [UNIFESP]2025-10-01T17:31:53Z2025-05-16info:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion101 f.application/pdfFERNANDES, Cicera Madri Alves de Souza. A autofagia e a senescência celular na hiperplasia prostática benigna em camundongos obesos tratados cronicamente com trealose. 2025. 101 f. Dissertação (Mestrado em Farmacologia) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, 2025.https://hdl.handle.net/11600/75113ark:/48912/001300002w3bsporSão Pauloinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESP2025-10-02T07:03:28Zoai:repositorio.unifesp.br:11600/75113Repositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-10-02T07:03:28Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false
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Fernandes, Cicera Madri Alves de Souza [UNIFESP]
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description O crescimento anormal da glândula prostática, devidamente denominado de hiperplasia prostática benigna (HPB), é caracterizado pelo aumento físico da próstata e pela hipercontratilidade da musculatura lisa desse órgão. Tais características tratam-se, respectivamente, dos componentes estático e dinâmico da HPB, sendo capazes de promover a obstrução parcial da uretra e consequentemente induzir os sintomas do trato urinário inferior (STUI). Embora a fisiopatologia da HPB seja ainda desconhecida, a literatura demonstra que patologias como a obesidade estão intimamente associadas à gênese e progressão desta condição. Especificamente em relação às vias alteradas na HPB, trabalhos vêm demonstrando, de forma independente, que prejuízos na autofagia e o acúmulo de células senescentes têm papel chave indução da HPB. Entretanto, pouco se sabe da participação destas vias na HPB em condições de obesidade. Com isso, o objetivo desse estudo foi avaliar o papel da autofagia e do acúmulo de células senescente na gênese da HPB induzida pela obesidade. Para isso, ao longo de 12 semanas, camundongos C57bl/6 machos com 4 semanas de idade foram alimentados com dieta hiperlipídica para indução da HPB e a partir da 8° semana foram paralelamente tratados com o indutor de autofagia trealose (120 mg/camundongo/dia, gavagem, por 4 semanas). Ao final da 12° semana do protocolo de indução de obesidade, o peso corpóreo, prostático e das gorduras epididimal, inguinal e periprostática foram avaliadas em camundongos controle (CTRL) e obesos (OB) tratados ou não com trealose. Realizamos também ensaios funcionais, histológicos e bioquímicos nos quatro grupos citados acima. Nossos resultados mostraram que os animais OB, comparados ao grupo CTRL, apresentaram maior ganho de peso corpóreo (45,7 ± 1,35 g vs 30,65 ± 0,67 g, n=7, p<0,05, respectivamente) e hiperglicemia de jejum (182,7 ± 15,7 mg/dL vs 113,2 ± 5,4 mg/dL; n=6). Similarmente, foi observado aumentos no peso prostático absoluto (21,6 ± 0,98 mg vs 12,6 ± 0,58 mg, n=7, p<0,001), relativo (9,6 ± 0,6 mg/cm vs 7,1 ± 0,4 mg/cm; n=6), no peso hepático (2,3 g ± 0,1 g vs 1,42 g ± 0,10 g; n=6)e nos depósitos de gorduras periprostática (64,3 ± 6,14 mg vs 4,95 ± 1,11 mg, n=7, p<0,01), epididimal (1,82 ± 0,18 g vs 0,4 ± 0,03 g; n=6-8) e inguinal (0,91 ± 0,17 g vs 0,15 g ± 0,03 g; n=6-8). Apesar da trealose ter reduzido os pesos corpóreo (42,3 ± 0,92 g, n=7, p<0,05), prostático absoluto (17,3 ± 1,06 mg, n=7, p<0,001), prostático relativo (9,6 ± 0,6 mg/cm; n=7, p<0,05) e das gorduras periprostática (40,4 ± 3,1 mg, n=8, p<0,001) e inguinal (0,56 ± 0,07 g; n=7,) nos animais obesos tratados (OB+T), em comparação ao grupo OB, o tratamento não reverteu a hipercontratilidade da musculatura lisa prostática (MLP) induzida pelo agonista alfa1 adrenérgico seletivo fenilefrina (OB+T 5,08 ± 0,43 mN, n=7, p<0,01 vs OB 4,7 ± 2,59 mN, n=7, p<0,01), ao agente despolarizante cloreto de potássio (3,35 ± 0,23 mN vs 3,59 ± 0,31 mN; n=7) e nem o prejuízo no relaxamento da MLP induzida pelo agonista β-adrenérgico não seletivo isoproterenol (37,33 ± 3,03 mN vs 41,00 ± 1,55 mN; n=7) no grupo obeso. Por outro lado, os ensaios histológicos (técnica de estereologia) demonstratam desenvolvimento de HPB no grupo obeso, caracterizado principalmente pelo aumento da camada epitelial e das invaginações em comparação ao grupo controle (OB 29 ± 0,9 % vs CTRL 14,5 ± 1,47 %, n=7, p<0,01); condição esta que foi completamente revertida pelo tratamento crônico com trealose (OB+T: 17 ± 0,69 %, n=7, p<0,01). O tratamento com a trealose também se mostrou eficaz na redução dos níveis das espécies reativas de oxigênio (ERO) (912,4 ± 8,8 nº de pixels/ µm2; n=6, p<0,05) e no número de células senescentes no tecido prostático (0,25 ± 0,03 % de núcleos marcados/campo microscópico; n=6, p<0,05) do grupo OB+T em comparação ao grupo OB. Em suma, embora a trealose não tenha reduzido a hipercontratilidade prostática no grupo obeso, o tratamento com este fármaco se mostrou eficaz em reduzir os pesos corpóreo, prostático (absoluto e relativo) e das gorduras periprostática e inguinal em camundongos obesos tratados por 4 semanas. Mais do que isso, a trealose foi capaz de reduzir a camada epitelial e suas invaginações, sugerindo reversão no componente estático da HPB em camundongos obesos, assim como restaurar os níveis prostáticos de ERO e reduzir o número de células senescentes no grupo OB+T. Dessa forma, a trealose mostrou-se uma interessante alternativa terapêutica no tratamento do componente estático da HPB em camundongos obesos. Entretanto, mais estudos são necessários para comprovar a eficácia clínica deste fármaco.
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