Suplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica e hipovitaminose D
| Ano de defesa: | 2011 |
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Resumo: | Considerando a elevada prevalência de hipovitaminose D em pacientes na fase não dialítica da doença renal crônica (DRC) e os efeitos benéficos da restauração do estado nutricional de vitamina D nos pacientes com DRC nos parâmetros do metabolismo mineral, os guias de práticas clínicas para prevenção e tratamento dos distúrbios do metabolismo mineral ósseo, Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K-DOQI) e Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO), sugerem a suplementação com vitamina D (ergocalciferol ou colecalciferol) para pacientes com DRC na fase não dialítica com hipovitaminose D. No entanto, poucos estudos avaliaram o efeito da suplementação nessa população. Dessa forma, este estudo tem como objetivo investigar os efeitos da suplementação com colecalciferol sobre marcadores séricos do metabolismo mineral de pacientes com hipovitaminose D na fase não dialítica da DRC. Estudo 1. Suplementação com colecalciferol na doença renal crônica: restauração do estado nutricional de vitamina D e impacto sobre o paratormônio. O estudo foi prospectivo com duração de 6 meses. Foram incluídos 45 pacientes com deficiência de vitamina D 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] < 15 ng/mL. Os pacientes foram suplementados com 50.000 UI/semana de colecalciferol durante 3 meses, sendo que naqueles que alcançaram níveis de 25(OH)D? 30 ng/mL a dose foi modificada para 50.000 UI/mês durante os próximos 3 meses. Para os demais pacientes, a mesma dose inicial foi mantida por mais 3 meses. Após o início da suplementação observou-se um aumento significativo nos níveis de 25(OH)D no tempo 3 e no tempo 6. Nos primeiros 3 meses de suplementação, 78% dos pacientes atingiram níveis de 25(OH)D=30 ng/mL. No entanto, após o ajuste da dose, somente 43% mantiveram esses níveis. Houve uma diminuição nos níveis de paratormônio (PTH) no tempo 3, período em que os pacientes receberam a maio dose de colecalciferol. As mudanças nos níveis de 25(OH)D durante os 3 meses correlacionaram-se positivamente com as mudanças dos níveis de 1,25-diidroxivitamina D [1,25(OH)2D] (r= 0,37; P= 0,01). As variações nos níveis de PTH correlacionaram-se inversamente com as mudanças nos níveis de cálcio sérico (r= -0,42; P= 0,004) e diretamente com as mudanças na creatinina sérica (r= 0,38; P= 0,01). A análise de regressão logística incluindo a proteinúria do início do estudo e as mudanças nos níveis séricos de creatinina, demonstrou que o excesso de adiposidade foi o principal fator associado com uma menor resposta à suplementação nos primeiros 3 meses (IMC = 25 kg/m2: ß= 2,35, EP= 1,15, P= 0,04; índice de gordura do tronco: ß= 2,59, EP= 1,13, P= 0,02). Este estudo concluiu que o tratamento com 50.000 UI por semana de colecalciferol foi efetivo em restaurar o estado nutricional de vitamina D na maioria dos pacientes sem apresentar efeitos adversos. A restauração dos níveis de vitamina D resultou na diminuição do PTH mesmo com uma redução da função renal. Estudo 2. Suplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica e insuficiência de vitamina D. O estudo foi prospectivo com duração de 6 meses, randomizado e cego. Foram incluídos 75 pacientes com insuficiência de vitamina D [25(OH) D = 15 e < 30 ng/mL. Os pacientes foram tratados de acordo com a recomendação de suplem=entação proposta pelo K-DOQI para pacientes com insuficiência de vitamina D (50.000 UI de colecalciferol mensalmente durante 6 meses). Os mesmos foram aleatoriamente alocados em dois grupos: Grupo Colecalciferol (n= 38 pacientes) ou Grupo Placebo (n= 37 pacientes). O grupo colecalciferol recebeu durante todo período de estudo 50.000 UI de colecalciferol mensalmente. Todos os pacientes incluídos no estudo receberam protetor solar durante o período de suplementação. Após o período de suplementação houve um aumento significativo nos níveis de 25(OH)D no grupo colecalciferol. Com relação aos demais parâmetros do metabolismo mineral, não foram observados modificações em nenhum dos parâmetros durante o seguimento. Após 6 meses de suplementação, 46% dos pacientes tratados não atingiram níveis de 25(OH)D > 30 ng/mL. Esses pacientes apresentaram uma maior quantidade de gordura corporal quando comparados com aqueles que alcançaram esses níveis. Já no grupo placebo, 40,5% dos pacientes atingiram níveis de 25(OH)D > 30 ng/mL no tempo 6. A época da coleta (verão/outono) para a determinação dos níveis de 25(OH)D no tempo 6 foi o único parâmetro que diferiu dos demais pacientes que mantiveram os níveis de 25(OH)D< 30 ng/mL. Em resumo, os resultados do presente estudo demonstram que o protocolo de tratamento proposto pelo K-DOQI parece não ser adequado para restaurar o estado nutricional de vitamina D em pacientes com insuficiência desta vitamina. No entanto, a gordura corporal e a época da coleta são fatores que podem ter contribuído para o achado negativo deste estudo. |
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Dessa forma, este estudo tem como objetivo investigar os efeitos da suplementação com colecalciferol sobre marcadores séricos do metabolismo mineral de pacientes com hipovitaminose D na fase não dialítica da DRC. Estudo 1. Suplementação com colecalciferol na doença renal crônica: restauração do estado nutricional de vitamina D e impacto sobre o paratormônio. O estudo foi prospectivo com duração de 6 meses. Foram incluídos 45 pacientes com deficiência de vitamina D 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] < 15 ng/mL. Os pacientes foram suplementados com 50.000 UI/semana de colecalciferol durante 3 meses, sendo que naqueles que alcançaram níveis de 25(OH)D? 30 ng/mL a dose foi modificada para 50.000 UI/mês durante os próximos 3 meses. Para os demais pacientes, a mesma dose inicial foi mantida por mais 3 meses. Após o início da suplementação observou-se um aumento significativo nos níveis de 25(OH)D no tempo 3 e no tempo 6. Nos primeiros 3 meses de suplementação, 78% dos pacientes atingiram níveis de 25(OH)D=30 ng/mL. No entanto, após o ajuste da dose, somente 43% mantiveram esses níveis. Houve uma diminuição nos níveis de paratormônio (PTH) no tempo 3, período em que os pacientes receberam a maio dose de colecalciferol. As mudanças nos níveis de 25(OH)D durante os 3 meses correlacionaram-se positivamente com as mudanças dos níveis de 1,25-diidroxivitamina D [1,25(OH)2D] (r= 0,37; P= 0,01). As variações nos níveis de PTH correlacionaram-se inversamente com as mudanças nos níveis de cálcio sérico (r= -0,42; P= 0,004) e diretamente com as mudanças na creatinina sérica (r= 0,38; P= 0,01). A análise de regressão logística incluindo a proteinúria do início do estudo e as mudanças nos níveis séricos de creatinina, demonstrou que o excesso de adiposidade foi o principal fator associado com uma menor resposta à suplementação nos primeiros 3 meses (IMC = 25 kg/m2: ß= 2,35, EP= 1,15, P= 0,04; índice de gordura do tronco: ß= 2,59, EP= 1,13, P= 0,02). Este estudo concluiu que o tratamento com 50.000 UI por semana de colecalciferol foi efetivo em restaurar o estado nutricional de vitamina D na maioria dos pacientes sem apresentar efeitos adversos. A restauração dos níveis de vitamina D resultou na diminuição do PTH mesmo com uma redução da função renal. Estudo 2. Suplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica e insuficiência de vitamina D. O estudo foi prospectivo com duração de 6 meses, randomizado e cego. Foram incluídos 75 pacientes com insuficiência de vitamina D [25(OH) D = 15 e < 30 ng/mL. Os pacientes foram tratados de acordo com a recomendação de suplem=entação proposta pelo K-DOQI para pacientes com insuficiência de vitamina D (50.000 UI de colecalciferol mensalmente durante 6 meses). Os mesmos foram aleatoriamente alocados em dois grupos: Grupo Colecalciferol (n= 38 pacientes) ou Grupo Placebo (n= 37 pacientes). O grupo colecalciferol recebeu durante todo período de estudo 50.000 UI de colecalciferol mensalmente. Todos os pacientes incluídos no estudo receberam protetor solar durante o período de suplementação. Após o período de suplementação houve um aumento significativo nos níveis de 25(OH)D no grupo colecalciferol. Com relação aos demais parâmetros do metabolismo mineral, não foram observados modificações em nenhum dos parâmetros durante o seguimento. Após 6 meses de suplementação, 46% dos pacientes tratados não atingiram níveis de 25(OH)D > 30 ng/mL. Esses pacientes apresentaram uma maior quantidade de gordura corporal quando comparados com aqueles que alcançaram esses níveis. Já no grupo placebo, 40,5% dos pacientes atingiram níveis de 25(OH)D > 30 ng/mL no tempo 6. A época da coleta (verão/outono) para a determinação dos níveis de 25(OH)D no tempo 6 foi o único parâmetro que diferiu dos demais pacientes que mantiveram os níveis de 25(OH)D< 30 ng/mL. Em resumo, os resultados do presente estudo demonstram que o protocolo de tratamento proposto pelo K-DOQI parece não ser adequado para restaurar o estado nutricional de vitamina D em pacientes com insuficiência desta vitamina. No entanto, a gordura corporal e a época da coleta são fatores que podem ter contribuído para o achado negativo deste estudo.BV UNIFESP: Teses e dissertaçõesFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)111 f.LOPES, Miriam Ghedini Garcia. Suplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica e hipovitaminose D. 2011. 111 f. Tese (Doutorado em Nutrição) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, 2011.http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/19319ark:/48912/001300002bbs4porUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessFalência renal crônicaDeficiência de vitaminasVitamina DAdiposidadeHiperparatireoidismo secundárioSuplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica e hipovitaminose DCholecalciferol supplementation in patients with vitamin D deficiency and chronic renalinfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPSão Paulo, Escola Paulista de Medicina (EPM)Nutrição – São PauloORIGINALDissertação_Miriam Ghedini Garcia Lopes.pdfapplication/pdf1140176https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/a685d8c1-6182-47c3-b041-0769d52f37bd/downloadb7764f6f2406650173fd491142447b32MD54TEXTTese-12562.pdf.txtTese-12562.pdf.txtExtracted texttext/plain102470https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/844fd228-65d4-4cba-a78b-3504031a8b3a/download7ff8abf2932e0c35a90dc3785d7214d1MD52THUMBNAILTese-12562.pdf.jpgTese-12562.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3000https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/d29c1c4e-731f-4e17-8885-91103bde6f09/download5db036e526bdc80940885ca4358038bcMD5311600/193192025-08-15 12:24:38.593oai:repositorio.unifesp.br:11600/19319https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-08-15T12:24:38Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false |
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