A linguagem da periferia: construção de identidade por alunos de EJA de uma escola pública

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Aniceto, Erica Alessandra Fernandes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
BR
Estudos Linguisticos e Estudos Literários
Mestrado em Letras
UFV
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
EJA
AEP
Link de acesso: http://locus.ufv.br/handle/123456789/4842
Resumo: Partindo da premissa básica de que a linguagem é uma forma de ação social, o objetivo central deste estudo é analisar como alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola pública localizada em um bairro periférico de uma cidade do interior de Minas Gerais constroem e assumem as suas identidades sociais. Embasados em teorias da Análise da Conversa Etnometodológica (ACE) e da Sociolinguística Interacional (SI), analisamos as escolhas linguístico-discursivas desses alunos, observadas a partir da fala-em-interação em grupos focais, para verificar como esses estudantes demonstram pertencimento a determinadas categorias sociais. Para coleta de dados, utilizamos a técnica do grupo focal, através da qual os discentes narram a experiência de morar em um bairro periférico. Após uma minuciosa transcrição dos dados gerados nos encontros com os estudantes, feita de acordo com a proposta da ACE, fizemos uma análise baseada no conceito de Categorização de Membros, de Sacks (1992). Uma vez que os processos de categorização estão em uso e negociações constantes, revelamos, assim, a ação discursiva dos estudantes, durante interações entre si, para a construção de suas identidades por meio de autocategorização e categorização. Os resultados desta pesquisa apontam a orientação dos participantes durante a interação, os quais constroem, através da fala, a identidade de outsiders, ratificando o rótulo que lhes é atribuído por aqueles que ocupam posições de prestígio e poder e que se reconhecem como a boa sociedade , os quais chamaremos de estabelecidos, assim como Elias e Scotson (2000). Ao se categorizarem como desviantes, os estudantes de EJA demonstram perceber o lugar deles na cidade pesquisada, mas, muitas vezes, não aceitam passivamente tal rótulo, o que gera relatos de uma relação conflituosa entre esses jovens e os estabelecidos. Assim, ao concluir que, através da categorização de membros, os estudantes constroem e assumem a identidade de outsiders, demonstramos que o trabalho de descrição e de categorização de membros é bastante pertinente para o estudo da construção de identidades sociais.
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Embasados em teorias da Análise da Conversa Etnometodológica (ACE) e da Sociolinguística Interacional (SI), analisamos as escolhas linguístico-discursivas desses alunos, observadas a partir da fala-em-interação em grupos focais, para verificar como esses estudantes demonstram pertencimento a determinadas categorias sociais. Para coleta de dados, utilizamos a técnica do grupo focal, através da qual os discentes narram a experiência de morar em um bairro periférico. Após uma minuciosa transcrição dos dados gerados nos encontros com os estudantes, feita de acordo com a proposta da ACE, fizemos uma análise baseada no conceito de Categorização de Membros, de Sacks (1992). Uma vez que os processos de categorização estão em uso e negociações constantes, revelamos, assim, a ação discursiva dos estudantes, durante interações entre si, para a construção de suas identidades por meio de autocategorização e categorização. Os resultados desta pesquisa apontam a orientação dos participantes durante a interação, os quais constroem, através da fala, a identidade de outsiders, ratificando o rótulo que lhes é atribuído por aqueles que ocupam posições de prestígio e poder e que se reconhecem como a boa sociedade , os quais chamaremos de estabelecidos, assim como Elias e Scotson (2000). Ao se categorizarem como desviantes, os estudantes de EJA demonstram perceber o lugar deles na cidade pesquisada, mas, muitas vezes, não aceitam passivamente tal rótulo, o que gera relatos de uma relação conflituosa entre esses jovens e os estabelecidos. Assim, ao concluir que, através da categorização de membros, os estudantes constroem e assumem a identidade de outsiders, demonstramos que o trabalho de descrição e de categorização de membros é bastante pertinente para o estudo da construção de identidades sociais.Starting from the premise that language is a form of social action, the main aim of this study is to examine how students of an Adults Education Program (AEP), from a public school located in a peripheral neighborhood of a city in Minas Gerais, build and take their social identities. Grounded in theories of Ethnomethodological Conversation Analysis (ECA) and in Interactional Sociolinguistics (IS), we analyze the linguistic and discursive choices of these students, observed from the talk-in-interaction in a focus groups, to identify how these students demonstrate membership in certain social categories. To collect the data, we used a focus group, through which students narrated their experiences of living in a peripheral neighborhood. After a detailed transcript of the data generated in the meetings with students, which was done according to the proposal from ECA, we analyzed it based on the concept of Sacks‟ Membership categorization (1992). Since the categorization processes are in use and in constant negotiations, we revealed, thus, students' discursive action, during interactions with one another, to build their identities through self-categorization and categorization. The results of this research indicate participants‟ orientation throughout the interaction, building, through speech, the identity of outsiders, ratifying the label assigned to them by those who occupy prestigious positions of power and by those who recognize themselves as the "good society", as Elias e Scotson (2000). By categorizing themselves as deviant, the participants seem to perceive their place in the city surveyed, but, they do not often accept this label passively: this generates reports of a conflictual relationship between these young people and the members of the so-called "good society". Thus, we conclude that through membership categorization, students build and assume the identity of outsiders, and that a description and categorization work is quite relevant to the study of the construction of social identities.Universidade Federal de ViçosaBREstudos Linguisticos e Estudos LiteráriosMestrado em LetrasUFVhttp://lattes.cnpq.br/0265121538063215Barcelos, Ana Maria Ferreirahttp://lattes.cnpq.br/3845753380051358Alves, Daniela Alves dehttp://lattes.cnpq.br/3278661220922086Ladeira, Wânia Terezinhahttp://lattes.cnpq.br/9290556901857709Oliveira, Maria do Carmo Leite dehttp://lattes.cnpq.br/3347341510113859Souza, Rita de Cássia dehttp://lattes.cnpq.br/7746547555939279Aniceto, Erica Alessandra Fernandes2015-03-26T13:44:25Z2012-03-212015-03-26T13:44:25Z2011-03-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfapplication/pdfANICETO, Erica Alessandra Fernandes. The language from periphery: Identity construction by students of an adult education program at a public school. 2011. 165 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguisticos e Estudos Literários) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2011.http://locus.ufv.br/handle/123456789/4842porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:LOCUS Repositório Institucional da UFVinstname:Universidade Federal de Viçosa (UFV)instacron:UFV2016-04-11T02:20:00Zoai:locus.ufv.br:123456789/4842Repositório InstitucionalPUBhttps://www.locus.ufv.br/oai/requestfabiojreis@ufv.bropendoar:21452016-04-11T02:20LOCUS Repositório Institucional da UFV - Universidade Federal de Viçosa (UFV)false
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