Preposições desacompanhadas no Português do Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Teodoro, Gabriel Malheiros
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.unb.br/handle/10482/51690
Resumo: Nesta dissertação, investigamos os casos de preposições desacompanhadas no português do Brasil, os quais se assemelham, superficialmente, ao preposition stranding. Desde van Riemsdijk (1978), o preposition stranding, fenômeno no qual uma preposição é separada de seu complemento via movimento-A ou movimento-A', tem sido cuidadosamente estudado dentro da tradição gerativa, sendo amplamente atestado apenas em algumas línguas germânicas, como o inglês e as línguas escandinavas. Apesar de algumas poucas exceções em variedades do francês norte-americano (Roberge & Rosen, 1999), o preposition stranding não é encontrado no ramo das línguas românicas. No português do Brasil, no entanto, algumas preposições — a saber, sem, contra e sobre — têm sido cada vez mais usadas sem um complemento manifesto e imediatamente adjacente, tanto em orações relativas, como O candidato que João votou contra, quanto em orações absolutas ou coordenadas, com um tópico interno à sentença ou recuperável no discurso — como, por exemplo, Não vejo ninguém comentando sobre. Ao analisar esses tipos de construções, argumentamos contra a hipótese de que as preposições do português brasileiro podem sofrer stranding. Com base em Kato & Nunes (2009) e Salles (1997, 2001), propomos que os supostos casos de preposition stranding no português do Brasil se distinguem daqueles geralmente encontrados no inglês na medida em que não são derivados por movimento-Wh, mas sim por meio da inserção de um pronome nulo (pro) gerado na base e correferente a um tópico ou expressão-Wh deslocada à esquerda . Defendemos, ainda, que o que está em curso no português é muito similar ao preposition orphaning, fenômeno comum no francês, e que características como conteúdo semântico e estágio de gramaticalização determinam quais preposições do português podem licenciar um complemento nulo. Além disso, assumimos, com base na hipótese [P+D], de Salles (1997, 2001), que as preposições do português são dotadas de um conjunto de traços-φ e realizam Agree com o pronome ou determinante que elas selecionam. Por fim, argumentamos que as preposições funcionais, por constituirem um núcleo funcional p, se contraem com o determinante e formam com ele um núcleo complexo, sendo então realizadas fonologicamente com o determinante ou apagadas com ele. Por sua vez, as preposições lexicais, entre as quais se incluem sem, contra e sobre, por consistirem em um núcleo lexical P, não se unem ao determinante e, por isso, podem ser pronunciadas mesmo que o determinante seja nulo.
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No português do Brasil, no entanto, algumas preposições — a saber, sem, contra e sobre — têm sido cada vez mais usadas sem um complemento manifesto e imediatamente adjacente, tanto em orações relativas, como O candidato que João votou contra, quanto em orações absolutas ou coordenadas, com um tópico interno à sentença ou recuperável no discurso — como, por exemplo, Não vejo ninguém comentando sobre. Ao analisar esses tipos de construções, argumentamos contra a hipótese de que as preposições do português brasileiro podem sofrer stranding. Com base em Kato & Nunes (2009) e Salles (1997, 2001), propomos que os supostos casos de preposition stranding no português do Brasil se distinguem daqueles geralmente encontrados no inglês na medida em que não são derivados por movimento-Wh, mas sim por meio da inserção de um pronome nulo (pro) gerado na base e correferente a um tópico ou expressão-Wh deslocada à esquerda . Defendemos, ainda, que o que está em curso no português é muito similar ao preposition orphaning, fenômeno comum no francês, e que características como conteúdo semântico e estágio de gramaticalização determinam quais preposições do português podem licenciar um complemento nulo. Além disso, assumimos, com base na hipótese [P+D], de Salles (1997, 2001), que as preposições do português são dotadas de um conjunto de traços-φ e realizam Agree com o pronome ou determinante que elas selecionam. Por fim, argumentamos que as preposições funcionais, por constituirem um núcleo funcional p, se contraem com o determinante e formam com ele um núcleo complexo, sendo então realizadas fonologicamente com o determinante ou apagadas com ele. Por sua vez, as preposições lexicais, entre as quais se incluem sem, contra e sobre, por consistirem em um núcleo lexical P, não se unem ao determinante e, por isso, podem ser pronunciadas mesmo que o determinante seja nulo.In this thesis, we investigate the cases of unaccompanied prepositions in Brazilian Portuguese, which , on the surface, resemble preposition stranding. Since van Riemsdijk (1978), preposition stranding, a phenomenon in which a preposition is stranded from its complement by either Amovement or A'-movement, has been closely studied within Generative linguistics, despite being widely attested in only a few Germanic Languages, such as English and the Scandinavian languages. Notwithstanding a few exceptions in some varieties of North American French (Roberge & Rosen, 1999), preposition stranding is disallowed across the Romance language branch. In Brazilian Portuguese, however, a few prepositions — namely sem, contra e sobre — have increasingly been used without an immediately adjacent overt complement, in both relative clauses, like O candidato que João votou contra, and independent clauses with either an intrasentential or discourse-recoverable topic, such as Não vejo ninguém comentando sobre. In analyzing these types of constructions, we argue against the hypothesis that Brazilian Portuguese prepositions can be stranded. By building on Kato (2010) and Salles (1997, 2001), we propose that the supposed cases of preposition stranding in Brazilian Portuguese differ from those tipically found in English in that they are not derived by Wh-movement, but rather involve a base-generated null pronoun (pro) that is co-referential to a Left-Dislocated topic or Whexpression. We further maintain that what is occurring in Brazilian Portuguese is very similar to preposition orphaning — which is common in French — and that characteristics like semantic content and stage of grammaticalization determine which prepositions can license a null complement. Additionally, we assume, based on Salles’s (1997, 2001) [P+D] hypothesis, that prepositions in Brazilian Portuguese contain a set of φ-features and that they undergo Agree with the pronoun or determiner they select. Finally, given that functional prepositions consist in a funcional head p, we argue that determiners incorporate into them, the two of which form a complex head, with the preposition and the determiner either being spelled out together or being omitted together. On the other hand, lexical prepositions, including sem, contra and sobre, comprise a lexical head P, which does not undergo incorporation with the determiner and thus can be spelled out even if the determiner is null.Instituto de Letras (IL)Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (IL LIP)Programa de Pós-Graduação em LinguísticaLunguinho, Marcus Vinícius da SilvaTeodoro, Gabriel Malheiros2025-02-19T20:39:31Z2025-02-19T20:39:31Z2025-02-192024-09-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfTEODORO, Gabriel Malheiros. Preposições desacompanhadas no Português do Brasil. 2024. 176 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024.http://repositorio.unb.br/handle/10482/51690porA concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.info:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UnBinstname:Universidade de Brasília (UnB)instacron:UNB2025-02-19T20:39:31Zoai:repositorio.unb.br:10482/51690Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.unb.br/oai/requestrepositorio@unb.bropendoar:2025-02-19T20:39:31Repositório Institucional da UnB - Universidade de Brasília (UnB)false
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