FAVELOST (The book): Ficção Científica de Alma Brasileira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Vieira Júnior, Gilberto Cruz
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/618
Resumo: Surgida na década de 1980 dentro de um contexto tecnológico e social norte-americano, a ficção cyberpunk tende a ser enaltecida pela crítica brasileira como um modelo fundador a ser seguido pelas narrativas de ficção científica (FC) ou até mesmo parece estar situada como um suposto lastro qualitativo para as produções nacionais dedicadas ao gênero. Na contramão dessa tendência crítica, o termo tupinipunk, cunhado por Roberto de Souza Causo por volta de 1989 e fruto da fusão dos vocábulos “tupiniquim” e cyberpunk, nasceu como uma proposta para investigar uma ficção científica com características brasileiras específicas que a distinguisse do cyberpunk norte-americano. Percebe-se no neologismo, decorrente da junção daquelas duas palavras de idiomas diferentes, o esforço para se buscar uma maneira peculiar de falar do Brasil, ou melhor, um modo de dizer os contextos nacionais – sejam eles políticos, sociais ou culturais – que fosse capaz de ressoar tal qual uma voz que entoa suas realidades com sotaque próprio. Partindo desse pressuposto, o objetivo desta dissertação é investigar a dimensão tupinipunk em Favelost (the book), de Fausto Fawcett. A discussão enverada pelos questionamentos dos discursos hierarquizados que possam advir das narrativas das grandes potências, como lembra Suzane Lima Costa (2005), e a partir das quais o Primeiro-Mundo é valorizado como um espaço discursivo mais legítimo. Sintonizada a este pensamento, a narrativa que se faz objeto deste estudo é aqui considerada como empreendedora e combativa dos discursos Neocolonialistas mascarados. Daí o motivo pelo qual esta pesquisa recorre ao conceito antológico de antropofagia, formulado por Oswald de Andrade (1975) bem como às reflexões de Silviano Santiago (2000) e de Tania Carvalhal (2003) acerca da revisão crítica da noção de dependência cultural. Reunindo ainda vários estudiosos que contribuem para desenvolver a discussão aqui proposta e auxiliam a ler a intricada malha textual explanada em Favelost (the book), parte-se do princípio de que o conceito de tupinipunk permite questionar a hierarquia centro-periferia sob duas perspectivas. A primeira delas está relacionada àquilo que se possa perceber como realidade social brasileira e que embora possa ser interpretada de maneira crítica, sua proposta é amplamente afirmativa. O segundo ponto de vista está associado ao próprio status do tupinipunk como um conceito crítico da ficção científica nacional, o qual desvela a sua promissora autonomia e potência como produção periférica.
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